domingo, 11 de novembro de 2018

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO PARA O II DIA MUNDIAL DOS POBRES (18.11.2018)

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA O II DIA MUNDIAL DOS POBRES
XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM
(18 DE NOVEMBRO DE 2018)
«Este pobre clama e o Senhor o escuta»

1. «Este pobre clama e o Senhor o escuta» (Sal 34, 7). Façamos também nossas estas palavras do Salmista, quando nos vemos confrontados com as mais variadas condições de sofrimento e marginalização em que vivem tantos irmãos e irmãs, que nos habituamos a designar com o termo genérico de «pobres». O autor de tais palavras não é alheio a esta condição; antes pelo contrário, experimenta diretamente a pobreza e, todavia, transforma-a num cântico de louvor e agradecimento ao Senhor. Hoje, este Salmo permite-nos também a nós, rodeados por tantas formas de pobreza, compreender quem são os verdadeiros pobres para os quais somos chamados a dirigir o olhar a fim de escutar o seu clamor e reconhecer as suas necessidades.
Nele se diz, antes de mais nada, que o Senhor escuta os pobres que clamam por Ele e é bom para quantos, de coração dilacerado pela tristeza, a solidão e a exclusão, n’Ele procuram refúgio. Escuta todos os que são espezinhados na sua dignidade e, apesar disso, têm a força de levantar o olhar para o Alto a fim de receber luz e conforto. Escuta os que se veem perseguidos em nome duma falsa justiça, oprimidos por políticas indignas deste nome e intimidados pela violência; e contudo sabem que têm em Deus o seu Salvador. O primeiro elemento que sobressai nesta oração é o sentimento de abandono e confiança num Pai que escuta e acolhe. Sintonizados com estas palavras, podemos compreender mais profundamente aquilo que Jesus proclamou com a bem-aventurança «felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu» (Mt 5, 3).
Entretanto devido ao caráter único desta experiência, sob muitos aspetos imerecida e impossível de se expressar plenamente, sente-se o desejo de a comunicar a outros, a começar pelos que são – como o Salmista – pobres, rejeitados e marginalizados. De facto, ninguém se pode sentir excluído do amor do Pai, sobretudo num mundo onde frequentemente se eleva a riqueza ao nível de primeiro objetivo e faz com que as pessoas se fechem em si mesmas.
2. O Salmo carateriza a atitude do pobre e a sua relação com Deus, por meio de três verbos. O primeiro: «clamar». A condição de pobreza não se esgota numa palavra, mas torna-se um brado que atravessa os céus e chega a Deus. Que exprime o brado dos pobres senão o seu sofrimento e solidão, a sua desilusão e esperança? Podemos interrogar-nos: como é possível que este brado, que sobe à presença de Deus, não consiga chegar aos nossos ouvidos e nos deixe indiferentes e impassíveis? Num Dia como este, somos chamados a fazer um sério exame de consciência para compreender se somos verdadeiramente capazes de escutar os pobres.
Necessitamos da escuta silenciosa para reconhecer a sua voz. Se nós falarmos demasiado, não conseguiremos escutá-los a eles. Muitas vezes, temo que tantas iniciativas, apesar de meritórias e necessárias, visem mais comprazer-nos a nós mesmos do que acolher verdadeiramente o clamor do pobre. Se assim for, na hora em que os pobres fazem ouvir o seu brado, a reação não é coerente, não é capaz de sintonizar com a condição deles. Vive-se tão encurralado numa cultura do indivíduo obrigado a olhar-se ao espelho e a cuidar exageradamente de si mesmo, que se considera suficiente um gesto de altruísmo para ficar satisfeito, sem se comprometer diretamente.
3. Um segundo verbo é «responder». O Salmista diz que o Senhor não só escuta o clamor do pobre, mas também responde. A sua resposta – como atesta toda a história da salvação – é uma intervenção cheia de amor na condição do pobre. Foi assim, quando Abraão expressara a Deus o seu desejo de possuir uma descendência, apesar de ele e a esposa Sara, já idosos, não terem filhos (cf.Gn 15, 1-6). O mesmo aconteceu quando Moisés, do fogo duma sarça que ardia sem se consumir, recebeu a revelação do nome divino e a missão de fazer sair o povo do Egito (cf. Ex 3, 1-15). E esta resposta confirmou-se ao longo de todo o caminho do povo pelo deserto: tanto quando sentia os apertos da fome e da sede (cf. Ex 16, 1-16; 17, 1-7), como quando caía na miséria pior, ou seja, na infidelidade à aliança e na idolatria (cf. Ex 32, 1-14).
A resposta de Deus ao pobre é sempre uma intervenção salvadora para cuidar das feridas da alma e do corpo, repor a justiça e ajudar a retomar a vida com dignidade. A resposta de Deus é também um apelo para que toda a pessoa que acredita n’Ele possa, dentro dos limites humanos, fazer o mesmo. O Dia Mundial dos Pobres pretende ser uma pequena resposta, dirigida pela Igreja inteira dispersa por todo o mundo, aos pobres de todo o género e de todo o lugar a fim de não pensarem que o seu clamor caíra em saco roto. Provavelmente, é como uma gota de água no deserto da pobreza; e contudo pode ser um sinal de solidariedade para quantos passam necessidade a fim de sentirem a presença ativa dum irmão ou duma irmã. Não é de um ato de delegação que os pobres precisam, mas do envolvimento pessoal de quantos escutam o seu brado. A solicitude dos crentes não pode limitar-se a uma forma de assistência – embora necessária e providencial num primeiro momento –, mas requer aquela «atenção amiga» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 199) que aprecia o outro como pessoa e procura o seu bem.
4. O terceiro verbo é «libertar». O pobre da Bíblia vive com a certeza de que Deus intervém em seu favor para lhe devolver dignidade. A pobreza não é procurada, mas criada pelo egoísmo, a soberba, a avidez e a injustiça: males tão antigos como o homem, mas sempre pecados são, acabando enredados neles tantos inocentes com dramáticas consequências sociais. A ação libertadora do Senhor é um ato de salvação em prol de quantos Lhe manifestaram a sua aflição e angústia. As amarras da pobreza são quebradas pelo poder da intervenção de Deus. Muitos Salmos narram e celebram esta história da salvação, que se verifica na vida pessoal do pobre: «Ele não desprezou nem desdenhou a aflição do pobre, nem desviou dele a sua face; mas ouviu-o, quando Lhe pediu socorro» (Sal 22, 25). Poder contemplar a face de Deus é sinal da sua amizade, da sua proximidade, da sua salvação. «Viste a minha miséria e conheceste a angústia da minha alma; (…) deste aos meus pés um caminho espaçoso» (Sal 31, 8b.9). Dar ao pobre um «caminho espaçoso» equivale a libertá-lo da «armadilha do caçador» (cf. Sal 91, 3), a tirá-lo da armadilha montada no seu caminho, para poder caminhar sem impedimentos e olhar serenamente a vida. A salvação de Deus toma a forma duma mão estendida ao pobre, que oferece acolhimento, protege e permite sentir a amizade de que necessita. É a partir desta proximidade concreta e palpável que tem início um genuíno percurso de libertação: «Cada cristão e cada comunidade são chamados a ser instrumentos de Deus ao serviço da libertação e promoção dos pobres, para que possam integrar-se plenamente na sociedade; isto supõe estar docilmente atentos, para ouvir o clamor do pobre e socorrê-lo» (Evangelii gaudium, 187).
5. Não cessa de comover-me o caso – referido pelo evangelista Marcos (cf. 10, 46-52) – de Bartimeu, na pessoa de quem vejo identificados tantos pobres. O cego Bartimeu era um mendigo, que «estava sentado à beira do caminho» (10, 46); tendo ouvido dizer que ia a passar Jesus, «começou a gritar» e a invocar o «Filho de David» para que tivesse piedade dele (cf. 10, 47). «Muitos repreendiam-no para o fazer calar, mas ele gritava cada vez mais» (10, 48). O Filho de Deus escutou o seu brado e «perguntou-lhe: “Que queres que te faça?” “Mestre, que eu veja!” – respondeu o cego» (10, 51). Esta página do Evangelho torna visível aquilo que o Salmo anunciava como promessa. Bartimeu é um pobre que se encontra desprovido de capacidades fundamentais, como o ver e o poder trabalhar. Também hoje não faltam percursos que levam a formas de precariedade. A falta de meios basilares de subsistência, a marginalização quando já não se está na plenitude das próprias forças laborais, as diversas formas de escravidão social, apesar dos progressos realizados pela humanidade… Como Bartimeu, quantos pobres há hoje à beira da estrada e procuram um significado para a sua condição! Quantos se interrogam acerca dos motivos por que chegaram ao fundo deste abismo e sobre o modo como sair dele! Esperam que alguém se aproxime deles, dizendo: «Coragem, levanta-te que Ele chama-te» (10, 49).
Com frequência, infelizmente, verifica-se o contrário: as vozes que se ouvem são de repreensão e convite a estar calados e a sofrer. São vozes desafinadas, muitas vezes regidas por uma fobia para com os pobres, considerados como pessoas não apenas indigentes, mas também portadoras de insegurança, instabilidade, extravio dos costumes da vida diária e, consequentemente, pessoas que devem ser repelidas e mantidas ao longe. Tende-se a criar distância entre nós e eles, não nos dando conta de que, assim, acabamos distantes do Senhor Jesus, que não os afasta mas chama-os a Si e consola-os. Como soam apropriadas a este caso as palavras do profeta relativas ao estilo de vida do crente: «libertar os que foram presos injustamente, livrá-los do jugo que levam às costas, pôr em liberdade os oprimidos, quebrar toda a espécie de opressão, repartir o teu pão com os esfomeados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus» (Is 58, 6-7). Este modo de agir faz com que o pecado seja perdoado (cf. 1 Ped 4, 8), a justiça percorra a sua estrada e, quando formos nós a clamar pelo Senhor, Ele nos responda dizendo: Aqui estou! (cf. Is 58, 9).
6. Os primeiros habilitados a reconhecer a presença de Deus e a dar testemunho da sua proximidade à própria vida são os pobres. Deus permanece fiel à sua promessa e, mesmo na escuridão da noite, não deixa faltar o calor do seu amor e da sua consolação. Contudo, para superar a opressiva condição de pobreza, é necessário aperceber-se da presença de irmãos e irmãs que se ocupem deles e que, abrindo a porta do coração e da vida, lhes façam sentir benvindos como amigos e familiares. Somente deste modo podemos descobrir «a força salvífica das suas vidas» e «colocá-los no centro do caminho da Igreja» (Evangelii gaudium, 198).
Neste Dia Mundial, somos convidados a tornar concretas as palavras do Salmo: «Os pobres comerão e serão saciados» (Sal 22, 27). Sabemos que no templo de Jerusalém, depois do rito do sacrifício, tinha lugar o banquete. Esta foi uma experiência que, no ano passado, enriqueceu a celebração do primeiro Dia Mundial dos Pobres, em muitas dioceses. Muitos encontraram o calor duma casa, a alegria duma refeição festiva e a solidariedade de quantos quiseram compartilhar a mesa de forma simples e fraterna. Gostaria que, também neste ano e para o futuro, este Dia fosse celebrado sob o signo da alegria pela reencontrada capacidade de estar juntos. Rezar juntos em comunidade e compartilhar a refeição no dia de domingo é uma experiência que nos leva de volta à primitiva comunidade cristã, que o evangelista Lucas descreve em toda a sua originalidade e simplicidade: «Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fração do pão e às orações. (…) Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um» (At 2, 42.44-45).
7. Inúmeras são as iniciativas que a comunidade cristã empreende para dar um sinal de proximidade e alívio às muitas formas de pobreza que estão diante dos nossos olhos. Muitas vezes, a colaboração com outras realidades, que se movem impelidas não pela fé mas pela solidariedade humana, consegue prestar uma ajuda que, sozinhos, não poderíamos realizar. O facto de reconhecer que, no mundo imenso da pobreza, a nossa própria intervenção é limitada, frágil e insuficiente leva a estender as mãos aos outros, para que a mútua colaboração possa alcançar o objetivo de maneira mais eficaz. Somos movidos pela fé e pelo imperativo da caridade, mas sabemos reconhecer outras formas de ajuda e solidariedade que se propõem, em parte, os mesmos objetivos; desde que não transcuremos aquilo que nos é próprio, ou seja, conduzir todos a Deus e à santidade. Uma resposta adequada e plenamente evangélica, que podemos realizar, é o diálogo entre as diversas experiências e a humildade de prestar a nossa colaboração, sem qualquer espécie de protagonismo.
À vista dos pobres, não se perca tempo a lutar pela primazia da intervenção, mas reconheçamos humildemente que é o Espírito quem suscita gestos que sejam sinal da resposta e da proximidade de Deus. Quando encontramos o modo para nos aproximar dos pobres, saibamos que a primazia compete a Ele que abriu os nossos olhos e o nosso coração à conversão. Não é de protagonismo que os pobres têm necessidade, mas de amor que sabe esconder-se e esquecer o bem realizado. Os verdadeiros protagonistas são o Senhor e os pobres. Quem se coloca ao serviço é instrumento nas mãos de Deus, para fazer reconhecer a sua presença e a sua salvação. Recorda-o São Paulo quando escreve aos cristãos de Corinto, que competiam entre eles a propósito dos carismas procurando os mais prestigiosos: «Não pode o olho dizer à mão: “Não tenho necessidade de ti”; nem tão pouco a cabeça dizer aos pés: “Não tenho necessidade de vós”» (1 Cor 12, 21). Depois, o Apóstolo faz uma consideração importante, observando que os membros do corpo que parecem mais fracos são os mais necessários (cf. 12, 22) e, «aqueles que parecem ser os menos honrosos do corpo, a esses rodeamos de maior honra e, aqueles que são menos decentes, nós os tratamos com mais decoro; os que são decentes, não têm necessidade disso» (12, 23-24). Ao mesmo tempo que dá um ensinamento fundamental sobre os carismas, Paulo educa também a comunidade para a conduta evangélica com os seus membros mais fracos e necessitados. Longe dos discípulos de Cristo sentimentos de desprezo e de pietismo para com eles; antes, são chamados a honrá-los, a dar-lhes a precedência, convictos de que eles são uma presença real de Jesus no meio de nós. «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40).
8. Por isto se compreende quão distante esteja o nosso modo de viver do modo de viver do mundo, que louva, segue e imita aqueles que têm poder e riqueza, enquanto marginaliza os pobres considerando-os um descarte e uma vergonha. As palavras do Apóstolo são um convite a dar plenitude evangélica à solidariedade com os membros mais fracos e menos dotados do corpo de Cristo: «Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria» (1 Cor 12, 26). Na mesma linha, nos exorta ele na Carta aos Romanos: «Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram. Preocupai-vos em andar de acordo uns com os outros; não vos preocupeis com as grandezas, mas entregai-vos ao que é humilde» (12, 15-16). Esta é a vocação do discípulo de Cristo; o ideal para o qual se deve tender constantemente é assimilar cada vez mais em nós «os mesmos sentimentos, que estão em Cristo Jesus» (Flp 2, 5).
9. Uma palavra de esperança torna-se o epílogo natural para onde nos encaminha a fé. Muitas vezes, são precisamente os pobres que põem em crise a nossa indiferença, filha duma visão da vida, demasiado imanente e ligada ao presente. O clamor do pobre é também um brado de esperança com que manifesta a certeza de ser libertado; esperança fundada no amor de Deus, que não abandona quem a Ele se entrega (cf. Rm 8, 31-39). Santa Teresa de Ávila deixara escrito no seu Caminho de Perfeição: «A pobreza é um bem que encerra em si todos os bens do mundo; assegura-nos um grande domínio; quero dizer que nos torna senhores de todos os bens terrenos, uma vez que nos leva a desprezá-los» (2, 5). Na medida em que somos capazes de discernir o verdadeiro bem é que nos tornamos ricos diante de Deus e sábios diante de nós mesmos e dos outros. É mesmo assim: na medida em que se consegue dar à riqueza o seu justo e verdadeiro significado, cresce-se em humanidade e torna-se capaz de partilha.
10. Convido os irmãos bispos, os sacerdotes e de modo particular os diáconos, a quem foram impostas as mãos para o serviço dos pobres (cf. At 6, 1-7), juntamente com as pessoas consagradas e tantos leigos e leigas que, nas paróquias, associações e movimentos, tornam palpável a resposta da Igreja ao clamor dos pobres, a viver este Dia Mundial como um momento privilegiado de nova evangelização. Os pobres evangelizam-nos, ajudando-nos a descobrir cada dia a beleza do Evangelho. Não deixemos cair em saco roto esta oportunidade de graça. Neste dia, sintamo-nos todos devedores para com eles, a fim de que, estendendo reciprocamente as mãos uns para os outros, se realize o encontro salvífico que sustenta a fé, torna concreta a caridade e habilita a esperança a prosseguir segura no caminho rumo ao Senhor que vem.
Vaticano, na Memória litúrgica de Santo António de Lisboa, 13 de junho de 2018.
Francisco

2º DIA MUNDIAL DOS POBRES



Convidamos a todos a participarem

Domingo dia 18 de novembro na Missa às 11h30 

na Paróquia de S. Francisco Xavier de Caparica

No fim há um almoço partilhado e convívio.


                             

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXXII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 12,38-44 “O ensinamento que Jesus nos oferece hoje ajuda-nos a recuperar o que é essencial na nossa vida e favorece um concreto e cotidiano relacionamento com Deus (...). Ele não mede a quantidade, mas a qualidade, perscruta o coração e olha para a pureza das intenções”.
Na presença de 20 mil fiéis e turistas na Praça São Pedro para o tradicional encontro dominical do Angelus, o Papa Francisco refletiu, hoje, sobre o Evangelho de Marcos, proposto pela liturgia do dia, que contrapõe duas figuras. O escriba que “representa as pessoas importantes, ricas e influentes” e a viúva, que “representa os últimos, os pobres, os fracos”.
Jesus – explica Francisco – tem um julgamento firme em relação aos escribas que “se vangloriam da própria condição social, com o título "rabi", ou seja, mestre, e gostam de ser reverenciados e ocupar os primeiros lugares”.
A ostentação deles é “sobretudo de natureza religiosa”, rezam para serem vistos, “e servem-se de Deus para se credenciarem como defensores da sua lei”.
“E essa atitude de superioridade e de vaidade – observou o Papa – leva-os ao desprezo daqueles que contam pouco ou se encontram em uma posição econômica desvantajosa, como o caso das viúvas”. E Jesus, desmascara este mecanismo perverso:
Denuncia a opressão dos fracos feita instrumentalmente, com base em motivações religiosas, dizendo claramente que Deus está do lado dos últimos”. 
Para fixar bem este ensinamento, Jesus dá aos seus discípulos o exemplo da viúva, “cuja posição social era irrelevante, porque ela não tinha um marido que pudesse defender os seus direitos, e que por isso torna-se presa fácil de algum credor sem escrúpulos, porque estes credores perseguiam os fracos para que lhes pagassem”: “Essa mulher, que vai depositar somente duas moedinhas no tesouro do templo, tudo o que lhe restava, e faz a sua oferta procurando passar despercebida, quase envergonhando-se. Mas, precisamente nesta humildade, ela realiza um ato carregado de grande significado religioso e espiritual”.
Jesus – diz o Santo Padre - vê neste gesto “o dom total de si.
E o Santo Padre acrescentou que as medidas do Senhor são diferentes das nossas. Ele pesa as pessoas e as suas ações de maneira diferente. Deus não mede a quantidade, mas a qualidade, perscruta o coração e olha para a pureza das intenções”.
Isto significa que o nosso "dar" a Deus na oração e aos outros na caridade – observa o Papa - deveria sempre fugir do ritualismo e formalismo, bem como da lógica do cálculo,  ser uma expressão de gratuidade, como fez Jesus conosco: Ele salvou-nos gratuitamente; não nos fez pagar a redenção.
Desta forma, aquela viúva pobre e generosa torna-se o “modelo da vida cristã a ser imitado”:
Dela não sabemos o nome, mas conhecemos o coração - a encontraremos no Céu e iremos saudá-la, certamente; e é isso que conta diante de Deus. Quando somos tentados pelo desejo de aparecer e de contabilizar os nossos gestos de altruísmo, quando estamos muito interessados  no olhar dos outros e - permitam-me a palavra - quando fazemos "de pavões", pensemos nessa mulher. Far-nos-á bem: ajudar-nos-á a despojarmo-nos do supérfluo para ir ao que realmente importa e a permanecermos humildes”.
“Que a Virgem Maria – disse o Papa ao concluir -  mulher pobre que se entregou totalmente a Deus, nos sustente no propósito de dar ao Senhor e aos irmãos não algo de nós mesmos, mas nós mesmos, em uma oferta humilde e generosa”.

domingo, 4 de novembro de 2018

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXXI DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 12,28-34  O amor a Deus e ao próximo são inseparáveis, reiterou hoje o Papa na sua alocução, antes de rezar o Angelus. “Eles são os dois lados de uma única moeda: vividos juntos, são a verdadeira força do crente”.
 “Há um só Senhor e esse Senhor é "nosso" no sentido de que está ligado a nós por um pacto indissolúvel, amou-nos, ama-nos e amar-nos-á para sempre”, disse o Papa ao iniciar a sua reflexão, inspirada no Evangelho de São Marcos e no Livro do Deuteronômio.
E “é desta fonte, deste amor de Deus – completou -  que deriva o duplo mandamento para nós: "Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua mente e com toda a tua força. [...] amarás o teu próximo como a ti mesmo": 
Ao escolher estas duas palavras dirigidas por Deus ao seu povo e colocando-as juntas, Jesus ensinou de uma vez por todas que o amor a Deus e o amor ao próximo são inseparáveis. E mais do que isso,  eles se sustentam-se um ao outro. Mesmo se colocados em sequência, eles são os dois lados de uma única moeda: vividos juntos, eles são a verdadeira força do crente”!
“O nosso Deus é doação sem reservas, é perdão sem limites, é relação que promove e faz crescer. Por isto – observou Francisco -  amar a Deus quer dizer investir nossas energias todos os dias para sermos seus colaboradores no serviço ao próximo sem reservas, no buscar perdoar sem limites e no cultivar relações de comunhão e de fraternidade”.
E explicou, que “o evangelista Marcos não se preocupa em especificar quem é o próximo, porque o próximo é a pessoa que eu encontro no caminho, todos os dias”:
Não se trata de pré-selecionar o meu próximo, isto não é cristão! Eu penso que o meu próximo é aquele que eu pré-selecionei. Não, isto não é cristão, é pagão; mas trata-se de ter olhos para vê-lo e coração para querer o seu bem. Se nos exercitarmos em ver com o olhar de Jesus, nos colocaremos sempre em escuta e ao lado de quem precisa. As necessidades do próximo exigem certamente respostas eficazes, mas antes ainda elas pedem compartilhamento”.
Com uma imagem – exemplificou - podemos dizer que o faminto tem necessidade não apenas de um prato de sopa, mas também de um sorriso, de ser ouvido e também de uma oração, quem sabe feita em conjunto:
O Evangelho de hoje convida todos nós a sermos projetados não somente para as urgências dos irmãos mais pobres, mas sobretudo a estarmos atentos às suas necessidades de proximidade fraterna, de sentido da vida e da ternura. Isso interpela nossas comunidades cristãs: trata-se de evitar o risco de ser comunidades que vivem de muitas iniciativas, mas de poucas relações; o risco de comunidade "estações de serviço", mas de pouca companhia, no sentido pleno e cristão deste termo”.
“Seria ilusório – disse Francisco ao concluir -  pretender amar o próximo sem amar a Deus. E da mesma forma seria ilusório pretender amar a Deus sem amar o próximo. As duas dimensões do amor, para Deus e para o próximo, em sua unidade, caracterizam o discípulo de Cristo. Que a Virgem Maria nos ajude a acolher e testemunhar na vida de cada dia este ensinamento luminoso”.

domingo, 28 de outubro de 2018

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc. 10, 47-52 “Gostaria de dizer aos jovens, em nome de todos nós, adultos: desculpai, se muitas vezes não vos escutamos; se, em vez de vos abrir o coração, vos enchemos os ouvidos”: disse o Papa Francisco hoje, de manhã, na homilia da missa deste XXX Domingo do Tempo Comum, celebrada na Basílica de São Pedro, no encerramento do Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens. Na homilia, o Pontífice concentrou-se no Evangelho do dia, que nos traz o episódio da cura do cego Bartimeu feita por Jesus, do qual na sua reflexão propôs algumas indicações aos padres sinodais e aos jovens para o caminho de fé da Igreja.
Bartimeu é o último que segue Jesus ao longo do caminho: “de mendigo na margem da estrada para Jericó, torna-se discípulo que vai juntamente com os outros para Jerusalém. Também nós caminhamos juntos, ‘fizemos sínodo’ e agora este Evangelho corrobora três passos fundamentais no caminho da fé”: escutar, fazer-se próximo e testemunhar, apontou o Santo Padre.
“O primeiro passo para ajudar o caminho da fé é escutar. É o apostolado do ouvido: escutar, antes de falar”, ressaltou. Referindo-se à atitude de muitos que estavam com Jesus, que repreenderam Bartimeu para que estivesse calado, disse que estes “seguiam Jesus, mas tinham em mente os seus projetos”, e que este é um risco do qual sempre devemos nos precaver.
Ao contrário, para Jesus, o grito de quem pede ajuda não é um transtorno que estorva o caminho, mas uma questão vital. Como é importante, para nós, escutar a vida! Os filhos do Pai celeste prestam ouvidos aos irmãos: não às críticas inúteis, mas às necessidades do próximo. Ouvir com amor, com paciência, como Deus faz connosco, com as nossas orações muitas vezes repetitivas. Deus nunca Se cansa, sempre Se alegra quando O procuramos. Peçamos, também nós, a graça dum coração dócil a escutar, exortou Francisco.
Dirigindo-se aos jovens, o Santo Padre disse com veemência:
“Como Igreja de Jesus, desejamos colocar-nos amorosamente à vossa escuta, certos de duas coisas: que a vossa vida é preciosa para Deus, porque Deus é jovem e ama os jovens; e que, também para nós, a vossa vida é preciosa, mais ainda necessária para se avançar.”
Depois da escuta, o Papa apontou um segundo passo para acompanhar o caminho da fé: fazer-se próximo.
Vejamos Jesus, disse, “que não delega em ninguém da ‘grande multidão’ que O seguia, mas encontra Ele pessoalmente Bartimeu. Diz-lhe: ‘Que queres que Eu faça por ti?’. (...) É assim que Deus procede, envolvendo-Se pessoalmente com um amor de predileção por cada um. Na sua maneira de proceder, ressalta já a sua mensagem: assim a fé germina na vida”. A fé passa para a vida.
“Quando a fé se concentra apenas em formulações doutrinárias, arrisca-se a falar apenas à cabeça, sem tocar o coração. E quando se concentra apenas na ação, corre o risco de tornar-se moralismo e reduzir-se ao social. Ao contrário, a fé é vida: é viver o amor de Deus que mudou a nossa existência. Não podemos ser doutrinaristas ou ativistas; somos chamados a levar para a frente a obra de Deus segundo o modo de Deus, na proximidade: unidos intimamente a Ele, em comunhão uns com os outros, próximso dos irmãos. Proximidade: aqui está o segredo para transmitir, não algum aspeto secundário, mas o coração da fé.”
Francisco prosseguiu fazendo uma advertência: “Existe frequentemente aquela tentação que reaparece tantas vezes na Escritura: lavar as mãos, desinteressar-se. É o que faz a multidão no Evangelho de hoje, é o que fez Caim com Abel, é o que fará Pilatos com Jesus: lavar as mãos. Nós, pelo contrário, queremos imitar Jesus e, como Ele, meter as mãos na massa, sujá-las. Ele, o caminho (cf. Jo 14, 6), por Bartimeu deteve-Se ao longo da estrada; Ele, a luz do mundo (cf. Jo 9, 5), inclinou-Se sobre um cego”.
Reconhecemos que o Senhor sujou as mãos por cada um de nós e, fixando a Cruz, “recomecemos de lá, da lembrança de Deus que Se fez meu próximo no pecado e na morte. Fez-Se meu próximo: tudo começa de lá”, observou o Papa. “E, quando por amor d’Ele também nós nos fazemos próximos, tornamo-nos portadores de vida nova: não mestres de todos, não especialistas do sagrado, mas testemunhas do amor que salva.”
 “Testemunhar é o terceiro passo”, frisou o Santo Padre. “Não é cristão esperar que os irmãos inquietos batam às nossas portas; somos nós que devemos ir ter com eles, não lhes levando a nós mesmos, mas Jesus. Ele manda-nos, como àqueles discípulos, para encorajar e levantar em seu nome. Manda-nos dizer a cada um: ‘Deus pede para te deixares amar por Ele’.”
“Quantas vezes – continuou Francisco –, em vez desta mensagem libertadora de salvação, nos levamos a nós mesmos, às nossas ‘receitas’, às nossas ‘etiquetas’ na Igreja! Quantas vezes, em vez de fazermos nossas as palavras do Senhor, despachamos como palavra d’Ele as nossas ideias! Quantas vezes as pessoas sentem mais o peso das nossas instituições que a presença amiga de Jesus! Então aparecemos como uma ONG, uma organização para-estatal, e não como a comunidade dos redimidos que vivem a alegria do Senhor.”
 “A fé é questão de encontro, não de teoria. No encontro, Jesus passa; no encontro, palpita o coração da Igreja. Então serão eficazes, não as nossas homilias, mas o testemunho da nossa vida.”

domingo, 21 de outubro de 2018

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 10,35-45 A mensagem do Mestre é clara: enquanto os grandes da terra constroem “tronos” para o próprio poder, Deus escolhe um trono incômodo, a Cruz, para dali reinar dando a vida”: foi o que disse o Papa Francisco no Angelus deste domingo (21/10) na Praça São Pedro, repleta de fiéis e peregrinos provenientes de todo o mundo.
“O Filho do Homem – disse - não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate de muitos”, explicou, acrescentando: “o caminho do amor está sempre 'em prejuízo', porque amar significa deixar de lado o egoísmo, a auto-referencialidade, para servir os outros".
Para o Papa Francisco “o caminho do serviço é o antídoto mais eficaz contra a doença da busca dos primeiros lugares, é o remédio para carreiristas; esta busca dos primeiros lugares contagia muitos contextos humanos e não poupa nem mesmo os cristãos, o povo de Deus, e a hierarquia eclesiástica”.
Por isso, como discípulos de Cristo, acolhamos este Evangelho como um chamamento à conversão, para testemunhar com coragem e generosidade uma Igreja que se inclina aos pés dos últimos, para os servir com amor e simplicidade.
O Evangelho deste domingo – disse Francisco no início da sua alocução - descreve Jesus que, mais uma vez, com grande paciência, tenta corrigir os seus discípulos convertendo-os da mentalidade do mundo àquela de Deus. A ocasião foi oferecida pelos irmãos Tiago e João, os dois primeiros apóstolos que Jesus encontrou e chamou para segui-lo. Já tinham caminhado muito com Jesus, e pertenciam ao grupo dos doze Apóstolos.
Por isso, enquanto caminhavam para Jerusalém, onde os discípulos esperavam com ânsia que Jesus, por ocasião da Festa da Páscoa, pudesse finalmente instaurar o Reino de Deus, os dois irmãos tomaram coragem e dirigiram ao Mestre seus pedidos: “'Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda, quando estiveres na tua glória!' (v.37).
Jesus sabe que Tiago e João têm um grande entusiasmo por Ele e pela causa do Reino, mas também sabe que as suas expectativas e seu zelo estão poluídos pelo espírito do mundo. Por isso responde: “Vós não sabeis o que pedis” (v.38) e enquanto eles falavam de “tronos de glória” para se sentarem ao lado do Cristo Rei, Ele fala de um cálice a ser bebido, de um “batismo” a ser recebido, ou seja, da sua paixão e morte. Tiago e João, sempre pensando no privilégio esperado, dizem de ímpeto: sim, “podemos”! Mas, aqui também,  - disse Francisco – “não se dão conta do que dizem. Jesus preanuncia que eles irão beber o cálice e receberão o batismo, isto é, assim como os outros Apóstolos eles participarão da sua cruz, quando chegar sua hora. Mas, conclui Jesus – “não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. É para aqueles a quem foi reservado!”. (v.40). Ou seja: agora vocês sigam-me e aprendam o caminho do amor “em prejuízo”, e quanto ao prêmio, será o Pai Celeste a dar.
O Papa concluiu pedindo à Virgem Maria, que aceitou plenamente e com humildade à vontade de Deus, para que nos ajude a seguir com alegria Jesus no caminho do serviço, o caminho principal que leva ao Céu.

domingo, 14 de outubro de 2018

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


“O que devo fazer para receber em herança a vida eterna?”. A pergunta deste desconhecido – que pode ser cada um de nós – narrada no Evangelho de Marcos, ofereceu ao Pontífice a inspiração para falar em sua homilia sobre a radicalidade exigida no seguimento sincero de Jesus.
Jesus fixou o olhar no homem e amou-o, mudando-lhe a perspectiva,  “pede-lhe para passar da observância das leis ao dom de si mesmo, do trabalhar para si ao estar com Ele. E faz-lhe uma proposta «cortante» de vida: «Vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres (…), vem e segue-Me.»”
A mesma proposta faz Jesus a cada um de nós. E para ser dele – observa o Papa – “não basta não fazer nada de mal”, ou segui-lo apenas quando nos apetece, ou ainda "ficar contentes com observar preceitos, dar esmolas e recitar algumas orações”, mas devemos encontrar n’Ele o Deus que sempre nos ama, o sentido da nossa vida, a força para nos entregarmos.
Ao dizer para vender tudo o que tem e dar o dinheiro aos pobres, Jesus pede a cada um de nós “para deixar aquilo que torna pesado o coração, esvaziar-se de bens para dar lugar a Ele, único bem”: “Não se pode seguir verdadeiramente a Jesus, quando se está estivado de coisas. Pois, se o coração estiver repleto de bens, não haverá espaço para o Senhor, que Se tornará uma coisa mais entre as outras. Por isso, a riqueza é perigosa e – di-lo Jesus – torna difícil até mesmo salvar-se. Não, porque Deus seja severo; não! O problema está do nosso lado: o muito que temos e o muito que ambicionamos sufocam-nos o coração e tornam-nos incapazes de amar (…). Quando se coloca no centro o dinheiro, vemos que não há lugar para Deus; e não há lugar sequer para o homem”.
“Jesus é radical – reitera o Papa -  dá tudo e pede tudo: dá um amor total e pede um coração indiviso”. E pergunta: “Também hoje Se nos dá como Pão vivo; poderemos nós, em troca, dar-Lhe as migalhas? A Ele, que Se fez nosso servo até ao ponto de Se deixar crucificar por nós, não Lhe podemos responder apenas com a observância de alguns preceitos. A Ele, que nos oferece a vida eterna, não podemos dar qualquer bocado de tempo. Jesus não Se contenta com uma «percentagem de amor»: não podemos amá-Lo a vinte, cinquenta ou sessenta por cento. Ou tudo ou nada”.
“O nosso coração é como um íman: deixa-se atrair pelo amor, mas só se pode apegar a um lado e tem de escolher: amar a Deus ou as riquezas do mundo; viver para amar ou viver para si mesmo”: “Perguntemo-nos de que lado estamos nós... Perguntemo-nos a que ponto nos encontramos na nossa história de amor com Deus... Contentamo-nos com alguns preceitos ou seguimos Jesus como enamorados, prontos verdadeiramente a deixar tudo por Ele? Jesus pergunta a cada um e a todos nós como Igreja em caminho: somos uma Igreja que se limita a pregar bons preceitos ou uma Igreja-esposa, que pelo seu Senhor se lança no amor? Seguimo-Lo verdadeiramente ou voltamos aos passos do mundo, como aquele homem? Em suma, basta-nos Jesus ou procuramos as seguranças do mundo?”
Peçamos a graça – foi a exortação de Francisco - de saber deixar por amor do Senhor "as riquezas, os sonhos de funções e poderes, as estruturas já inadequadas para o anúncio do Evangelho, os pesos que travam a missão, os laços que nos ligam ao mundo” 
“Sem um salto em frente no amor - disse o Papa -  a nossa vida e a nossa Igreja adoecem de «autocomplacência egocêntrica»”, procurando a alegria em qualquer prazer passageiro. “Fechamo-nos numa tagarelice estéril, acomodamo-nos na monotonia duma vida cristã sem ardor, onde um pouco de narcisismo cobre a tristeza de permanecermos inacabados”.
Foi o que aconteceu com aquele homem que “retirou-se pesaroso” – disse o Papa. “Embora tivesse encontrado Jesus e recebido o seu olhar amoroso, foi-se embora triste. A tristeza é a prova do amor inacabado. É o sinal dum coração tíbio. Pelo contrário, um coração aliviado dos bens, que ama livremente o Senhor, espalha sempre a alegria, aquela alegria de que hoje temos tanta necessidade”. 
“Hoje - prosseguiu o Santo Padre - Jesus convida-nos a voltar às fontes da alegria, que são o encontro com Ele, a opção corajosa de arriscar para O seguir, o gosto de deixar tudo para abraçar o seu caminho. Os Santos percorreram este caminho.”

domingo, 7 de outubro de 2018

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXVII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 10, 2-16 "No projeto original do Criador, não há homem que se case com uma mulher e, se as coisas não vão bem, ele a repudia. Não. Em vez disso, há o homem e a mulher chamados a reconhecerem-se, completarem-se e a ajudarem-se mutuamente no matrimônio". Esta é a advertência  feita pelo Papa Francisco que, no Angelus deste domingo na Praça São Pedro, comentou o Evangelho que "oferece a palavra de Jesus sobre o matrimônio".
"Este ensinamento de Jesus é muito claro e defende a dignidade do matrimônio, - disse o Papa - como união de amor que implica a fidelidade. O que permite que os casais se mantenham unidos no matrimônio – explicou Francisco - é um amor de doação recíproca apoiado pela graça de Cristo. Se, ao invés, prevalece nos cônjuges, o interesse individual, a própria satisfação, então a união deles não será capaz de resistir".
Mas, o Papa esclareceu: "é a mesma página do Evangelho a lembrar-nos, com grande realismo, que o homem e a mulher, chamados a viver a experiência do relacionamento e do amor, podem dolorosamente fazer gestos que a colocam em crise. Jesus não admite o repúdio e tudo o que pode levar ao naufrágio do relacionamento. Jesus tudo faz para confirmar o desígnio de Deus, no qual se destacam a força e a beleza do relacionamento humano.
“A Igreja, mãe e mestra – disse o Papa – que compartilha as alegrias e as fadigas das pessoas, por um lado, não se cansa de confirmar a beleza da família como nos foi entregue pela Escritura e pela Tradição; ao mesmo tempo - assegurou Francisco - esforça-se para fazer sentir concretamente a sua proximidade materna àqueles que vivem a experiência de relacionamentos rompidos ou levados avante de maneira dolorosa e fadigosa".
"O modo de agir do próprio Deus com o seu povo infiel, isto é connosco, ensina-nos que o amor ferido pode ser curado por Deus através da misericórdia e do perdão. Portanto, à Igreja, nestas situações, não é solicitado imediatamente e somente a condenação. Pelo contrário - concluiu o Papa -, em face de tantos dolorosos fracassos conjugais, a Igreja se sente chamada a viver a sua presença de caridade e de misericórdia, para levar de volta a Deus os corações feridos e perdidos".

domingo, 30 de setembro de 2018

REFEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 9,38-43.45-47-48 Na alocução que precedeu hoje a oração do Angelus, o Pontífice ressaltou que “o Evangelho deste domingo nos apresenta um daqueles particulares muito instrutivos da vida de Jesus com os seus discípulos”.
“Eles tinham visto que um homem, que não fazia parte do grupo dos seguidores de Jesus, expulsava demônios em nome de Jesus, e por isso queriam proibi-lo. João, com o entusiasmo zeloso típico dos jovens, refere o fato ao Mestre buscando o seu apoio; mas, Jesus, ao contrário, responde: «Não lhe proíbam, pois ninguém faz um milagre em meu nome e depois pode falar mal de mim. Quem não está contra nós, está a nosso favor».”
Segundo o Papa, “João e os outros discípulos manifestam um comportamento de fechamento diante de um acontecimento que não entra nos seus esquemas, neste caso ação, mesmo sendo boa, de uma pessoa ‘externa’ ao grupo de seguidores”.
“Em vez disso, Jesus parece muito livre, plenamente aberto à liberdade do Espírito de Deus, que não é limitado em sua ação por nenhum confim e por nenhum recinto. Jesus quer educar os seus discípulos, e também a nós hoje, a esta liberdade interior. ”
Francisco disse que “nos faz bem refletir sobre este episódio e fazer um pouco de exame de consciência”.
 “O comportamento dos discípulos de Jesus é muito humano, muito comum, e podemos encontrá-lo nas comunidades cristãs de todos os tempos, provavelmente também em nós mesmos.”
Segundo o Papa, “existe o medo da ‘concorrência’ de que alguém possa atrair novos seguidores, e então não se consegue apreciar o bem que os outros fazem: não é bom porque ele “não é um dos nossos”. É uma forma de auto-referencialidade. De fato, aqui está a raiz do proselitismo. E a Igreja, disse o Papa Bento XVI, não cresce pelo proselitismo, cresce pela atração, isto é, cresce pelo testemunho dado aos outros com a força do Espírito Santo”.
 “A grande liberdade de Deus em doar-se a nós é um desafio e uma exortação a mudar os nossos comportamentos e as nossas relações. É um convite que Jesus nos faz hoje."
“Ele convida-nos a não pensar segundo as categorias do “amigo/inimigo”, “nós/eles”, “quem está dentro/quem está fora”, "meu/seu", mas a ir mais além, a abrir o coração a fim de reconhecer a sua presença e a ação de Deus mesmo em âmbitos incomuns e imprevisíveis e em pessoas que não fazem parte de nosso círculo. ”
“Trata-se de estarmos mais atentos à genuinidade do bem, do bonito e do verdadeiro que é realizado, do que ao nome e procedência de quem o faz. E - como nos sugere o restante do Evangelho de hoje -  em vez de julgar os outros, devemos examinarmo-nos a nós mesmos e “cortar” sem pactos tudo o que pode escandalizar as pessoas mais fracas na fé”, disse ainda o Papa.
Francisco concluiu, pedindo à Virgem Maria, “modelo de acolhimento dócil das surpresas de Deus, para que nos ajude a reconhecer os sinais da presença do Senhor no meio de nós, descobrindo-o em todo lugar que Ele se manifestar, até mesmo nas situações mais impensáveis e incomuns. Que ela nos ajude a amar a nossa comunidade sem ciúmes e fechamentos, sempre abertos ao horizonte vasto da ação do Espírito Santo”.

sábado, 29 de setembro de 2018

FALECEU O P. JOSÉ VICENTE MARTINS S.J

Depois de uma longa vida ao serviço de Deus e da sua Igreja faleceu, na passada 5ª feira, 27 de setembro, na Enfermaria do Colégio de S. João de Brito, o Padre José Vicente Martins, sacerdote jesuíta, com 97 anos de idade e 80 de Companhia de Jesus. 
O Padre Vicente nasceu na freguesia de Cabril, concelho de Pampilhosa da Serra, Coimbra, em 1921. Em 1938, entrou no Noviciado da Companhia de Jesus. Fez os primeiros votos em 1940. Fez estudos de Humanidades, Ciências e Filosofia. Foi professor no colégio das Caldinhas, Santo Tirso. Partiu em missão para a Zambézia, Boroma. Em 1949, Voltou à Europa e estudou Teologia em Granada e, depois, em Oxford, na Faculdade de Teologia de Chiping Norton (1952 – 1954). Foi ordenado Sacerdote , em Oxford. Em 1955 regressou à Missão em Moçambique, novamente para Boroma, tendo sido nomeado Superior em 15 de Setembro de 1956. Em 1961 deixou Boroma e foi para Salisbury (Rodézia, hoje Zimbábue) para dar assistência religiosa.
Em 1962 regressou definitivamente a Portugal. Foi Coadjutor na Paróquia de S. Francisco de Paula, em Lisboa, e nomeado seu Pároco em 1963. Em 1969, continuando ainda no Patriarcado de Lisboa, foi nomeado Pároco de Alpiarça e Vale de Cavalos. Em 1974 foi nomeado Pároco da Paróquia de S. João Evangelista, em Lisboa, onde transformou um velho cinema em igreja.
Em 22 de Novembro de 1992 foi nomeado Pároco da Paróquia de Cristo Rei, Pragal, na Diocese de Setúbal onde permaneceu até 13 de Outubro de 2009. Transformou velhas instalações de uma quinta na igreja de São Francisco de Borja, sede da quasi paróquia de S. Francisco Xavier de Caparica, atualmente a cargo da Companhia de Jesus. Promoveu obras de restauro e ampliação da igreja paroquial do Pragal.
Em 2002 foi submetido a uma cirurgia delicada ao coração que, felizmente, correu bem. Em 2009, por motivos de saúde, deixou de ser Pároco e mudou-se para o Centro Inaciano do Lumiar (CIL). Voltou a viver na nossa Diocese, na paróquia de Miratejo, onde prestou, sempre que a frágil saúde lho permitia, colaboração pastoral.
Entregou-se, portanto, com determinação, até ao fim da sua vida, às coisas pequenas e às obras mais significativas servindo a Jesus Cristo neste mundo, na Companhia de Jesus, continuando certamente também agora a servi-lo na sua companhia no Céu.
"O Senhor disse-lhe:' Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu Senhor.' (Mt. 25, 21) 
Paz à sua alma.


quinta-feira, 27 de setembro de 2018

AUTOBIOGRAFIA DO PADRE VICENTE MARTINS, SJ


É o testemunho de vida do Padre Vicente que foi Pároco da Paróquia de Cristo Rei de 10 de janeiro de 1993 até 13 de outubro de 2009 e Presidente do Centro Social Paroquial de Cristo Rei e muito fez por todos.
Preparou a criação da nova Paróquia de S. FRANCISCO XAVIER DE CAPARICA que teve início a 15 de outubro de 2006.
Vale a pena ler e louvar a Deus por tanto bem!

domingo, 23 de setembro de 2018

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXV DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 9,30-37 Na sua homilia, hoje em Kaunas (na Lituânia) o Papa Francisco partiu do Evangelho do dia, onde São Marcos dedica grande parte ao ensinamento de Jesus aos discípulos. É como se, a meio do caminho para Jerusalém, Jesus quisesse que os seus discípulos renovassem a sua opção, sabendo que este seguimento comportaria momentos de provação e sofrimento. 
O evangelista lembra que Jesus anunciou a sua Paixão em três ocasiões aos discípulos, que por três vezes expressaram sua perplexidade e resistência a esta notícia. No entanto, o Senhor sempre lhes deixou seu ensinamento, explicou o Papa:
A vida cristã passa sempre por momentos de cruz, que, às vezes, parecem intermináveis. As gerações passadas sentiram a dureza do tempo da ocupação, a angústia dos que eram deportados, a incerteza da sua volta, a vergonha da delação, da traição”.
Quantas vezes, - disse Francisco - o justo é perseguido, sofre insultos e tormentos pelo fato de ser bom!
Mas, voltando ao Evangelho de hoje, Papa disse que “os discípulos não queriam que Jesus falasse sobre sofrimento e cruz”; não queriam saber de provações e angústias, porque, segundo São Marcos, o interesse deles era outro: ao voltar para casa, discutiam sobre quem, entre eles, seria o maior. E Francisco ponderou:
Irmãos, o desejo de poder e de glória é o modo mais comum de se comportarem aqueles que não conseguem sanar a memória da sua história e, talvez, nem aceitam  compromissos com o momento presente. Discutem sobre quem mais se destacou e foi mais puro no passado, quem possui mais direitos e tem mais privilégios. Assim, negamos a nossa história gloriosa por ser feita de sacrifícios, esperança, luta, serviço e fadiga”.
Trata-se – continuou o Papa - de uma atitude estéril e inútil, que recusa a construção do presente e da dolorosa realidade do povo fiel. Sabendo o que os discípulos pensavam, - destacou o Santo Padre – o Mestre propôs-lhes um antídoto para estas lutas de poder e recusa do sacrifício: sentou-se com eles e colocou uma criança no meio deles; hoje, esta criança poderia ser um pequenino qualquer, um pobre, a minoria étnica, o desempregado, o migrante; talvez um idoso ou um jovem, que perderam o sentido da sua existência. E Francisco refletiu:
Trata-se disso: de uma Igreja ‘em saída’; não devemos ter medo de sair e entregarmo-nos; não devemos ter medo de estar atrás dos pequeninos, dos esquecidos, dos que vivem nas periferias existenciais. Porém, devemos saber que este ‘sair’ implica, às vezes, deter o passo e renunciar aos anseios, sabendo olhar, escutar e acompanhar o excluído da sociedade”.
Eis o motivo pelo qual estamos aqui, hoje, - disse Francisco - ansiosos de receber Jesus e a sua palavra, através da Eucaristia e dos pequeninos. Por isso, o Papa fez os votos para que “o Senhor possa reconciliar a nossa memória, acompanhar-nos no presente, apesar dos desafios e das chagas do passado...; 
Sigamos o Mestre como verdadeiros discípulos, compartilhando das alegrias e esperanças, das tristezas e angústias dos homens do nosso tempo, sobretudo dos pobres e atribulados”.

domingo, 16 de setembro de 2018

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 8,27-35 Diante de uma multidão na Praça S. Pedro, o Pontífice inspirou a sua reflexão no trecho evangélico de São Marcos, em que Jesus pergunta aos discípulos sobre sua identidade.
Antes de interpelar diretamente os Doze, explicou o Papa, Jesus quer ouvir deles o que as pessoas pensam Dele. Por isso pergunta: “Quem dizem os homens que eu sou?”. Emerge que Jesus é considerado pelo povo um grande profeta. Mas, na realidade, Ele não se interessa pela falação das pessoas.
Ele não aceita nem mesmo que os seus discípulos respondam às suas perguntas com fórmulas pré-concebidas, “porque uma fé que se reduz a fórmulas é uma fé míope”.
“O Senhor quer que os seus discípulos de ontem e de hoje instaurem com Ele uma relação pessoal”, afirmou Francisco, que acrescentou:
“Hoje, Jesus dirige esta pergunta tão direta e confidencial a cada um de nós: ‘Quem sou eu para vós?’. Cada um de nós é chamado a responder, no próprio coração, deixando-se iluminar pela luz que o Pai nos dá para conhecer o seu Filho Jesus.”
Porém, prosseguiu, Jesus adverte que a sua missão se realiza não na estrada ampla do sucesso, mas no caminho árduo do Servo sofredor. Por isso, pode acontecer de protestar e nos rebelar, porque isso contrasta com as nossas expectativas mundanas.
A profissão de fé em Jesus Cristo não pode parar nas palavras, mas pede que seja autenticada por escolhas e gestos concretos.
“ Jesus diz-nos que para segui-Lo, para sermos seus discípulos, é preciso renunciar a si mesmo, isto é, às pretensões do próprio orgulho egoístico e tomar a própria cruz. ”
Com frequência na vida, por tantos motivos, erramos o caminho, buscando a felicidade nas coisas ou nas pessoas que tratamos como coisas. Mas a felicidade a encontramos somente quando o amor, o verdadeiro amor, nos encontra, nos surpreende, nos transforma. "O amor muda tudo e pode mudar-nos  inclusive a nós!", disse Francisco.
O Papa então concluiu:
“Que a Virgem Maria, que viveu a sua fé seguindo fielmente o seu Filho Jesus, nos ajude também a nós a caminhar na sua estrada, vivendo generosamente a nossa vida por Ele e pelos irmãos.”

TOMADA DE POSSE DO P. JOÃO DE BRITO SJ COMO QUASI-PÁROCO DA QUASI-PARÓQUIA DE S. FRANCISCO XAVIER DE CAPARICA (FOTOS)

Tomou posse, ontem, como Quasi-Pároco da Quasi-Paróquia de S. Francisco Xavier de Caparica o Pe. João Daniel Figueiredo de Brito da Companhia de Jesus. A cerimónia contou, não só com a presença do Sr. Bispo de Setúbal - que presidiu à Missa da tomada de posse - mas também com a presença do Provincial da Companhia de Jesus e de outros Sacerdotes da Companhia e da Diocese. O Pe. João de Brito SJ  sucede assim ao Pe. Hermínio Vitorino SJ, que esteve à frente desta Paróquia 4 anos. Foram muitos os paroquianos que participaram nesta Missa de tomada de posse e que agradeceram este dom de Deus que receberam rezando para que Deus proteja, guarde e santifique sempre, na verdade, este seu novo pastor. Para o Pe. Hermínio João Neves Vitorino SJ, que interrompe o seu ministério pastoral na Paróquia e na Diocese, para um ano sabático, agradecemos o serviço prestado e pedimos a bênção do Senhor para os caminhos e missões a que vier a ser chamado.











P. JOÃO DE BRITO S.J. É, DESDE ONTEM, O NOVO QUASI-PÁROCO DA QUASI-PARÓQUIA DE S. FRANCISCO XAVIER DE CAPARICA

Tomou ontem posse, como Quasi-Pároco da Paróquia de S. Francisco Xavier de Caparica o P. João de Brito S.J. João de Brito nasceu em Lisboa em 1985 e entrou na Companhia de Jesus em 2006. Padre jesuíta desde Julho de 2017, conclui actualmente os estudos na especialidade de Teologia Espiritual no Centre Sèvres – Faculdades Jesuítas de Paris, depois da formação teológica inicial na Universidade Pontifícia Comillas, em Madrid. Fez os seus estudos de Filosofia em Braga, na Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

TOMADA DE POSSE DO NOVO PÁROCO



A TOMADA DE POSSE DO NOVO PÁROCO É NO SÁBADO DIA 15 DE SETEMBRO NA EUCARISTIA ÀS 18H PRESIDIDA PELO SENHOR BISPO.
A seguir todos são convidados para o jantar partilhado no pátio da Igreja, com o que cada um levar.

O Senhor Bispo D. José Ornelas Carvalho, nomeou o Pe. João Daniel Figueiredo Brito (SJ): para Quasi-Pároco de São Francisco Xavier de Caparica, em substituição do Pe. Hermínio João Neves Vitorino (SJ),
Disse a quando da nomeação em 16 de julho:
"Estou muito grato à Companhia de Jesus e, especificamente, ao Pe. Hermínio João Neves Vitorino (SJ),que interrompe o ministério pastoral na Diocese, para um ano sabático, pedindo a bênção do Senhor para os caminhos e missões a que vier a ser chamado.
Aos Padres que terminam funções, vai a gratidão do Bispo e de toda a Diocese, pedindo ao Bom Pastor que os recompense pelo trabalho generoso e dedicado que realizaram nas suas paróquias.
Aos Padres que vão iniciar novo serviço pastoral asseguro a minha oração e assistência no desempenho da missão agora confiada, na certeza de que continuarão a servir, com renovado entusiasmo, a nossa Igreja diocesana.
Às comunidades envolvidas no processo de mudanças, peço que participem dos mesmos sentimentos de gratidão para com os sacerdotes que estiveram ao seu serviço até este momento, e que acolham com fé e carinho os que chegam para continuar esta missão. 
Para os novos Párocos e Vigários Paroquiais invoco a bênção do Bom Pastor, bem como para as Paróquias às quais eles são enviados, para que, com o impulso do Espírito Santo, possamos edificar a Igreja do Senhor em cada uma das nossas comunidades e anunciar o Evangelho àqueles que ainda o não conhecem, dando especial atenção aos jovens, aos quais serão especialmente dedicados os próximos dois anos."

domingo, 9 de setembro de 2018

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 7,31-37 Referindo-se à liturgia deste domingo, Francisco ressaltou que o Evangelho do dia nos apresenta o episódio da cura milagrosa de um surdo-mudo, feita por Jesus. “Levaram-lhe um surdo-mudo, pedindo que lhe impusesse as mãos. Ele, ao invés, realizou vários gestos: em primeiro lugar levou-o para longe da multidão. Nesta ocasião, como em outras, Jesus age com discrição. Não quer impressionar o povo, Ele não está à procura da popularidade ou do sucesso, deseja apenas fazer o bem às pessoas. Com esta atitude, Ele ensina-nos que o bem deve ser feito sem clamores, sem ostentação, sem tocar a trombeta. Deve ser feito em silêncio”, observou.
Descrevendo o episódio narrado pelo evangelista São Marcos, Francisco ressaltou que “estando afastado da multidão, Jesus colocou os dedos nas orelhas do surdo-mudo e com a saliva lhe tocou a língua. Este gesto remete à Encarnação”, acrescentou o Santo Padre. O Filho de Deus, continuou o Papa, “é um homem inserido na realidade humana. Fez-se homem, portanto, pode compreender a condição penosa de outro homem e intervém com um gesto no qual é envolvida toda sua humanidade”. “Ao mesmo tempo, Jesus quer dar a entender que o milagre se dá devido a sua união com o Pai: por isso, levantou os olhos para o céu. Depois gemeu e pronunciou a palavra resolutiva ‘Effatha’, que significa ‘Abri-te’. E imediatamente o homem ficou curado: abriram-se-lhe os ouvidos e a língua se lhe desprendeu. A cura foi para ele uma ‘abertura’ aos outros e ao mundo”.
Esta narração do Evangelho ressalta a exigência de uma dúplice cura, continuou o Pontífice. “Em primeiro lugar, a cura da doença e do sofrimento físico, para restituir a saúde do corpo; embora esta finalidade não seja completamente alcançável no horizonte terreno, apesar dos muitos esforços da ciência e da medicina”, sublinhou. Mas há uma segunda cura, talvez mais difícil, frisou o Papa, é a cura do medo, ou seja, do nosso medo. A cura do medo que nos leva a marginalizar o doente, a marginalizar o que sofre, o portador de deficiência. “E existem muitos modos de marginalizar, de permanecermos surdos e mudos diante das dores das pessoas marcadas por doenças, angústias e dificuldades. Muitas vezes o doente, aquele que sofre, torna-se um problema, em vez de ser ocasião para manifestar a solicitude e a solidariedade de uma sociedade para com os mais frágeis.”
O Pontífice acrescentou que Jesus revelou-nos o segredo de um milagre que podemos repetir também nós, “tornando-nos protagonistas do ‘Effatha’, daquela palavra ‘Abre-te’ com a qual Ele restituiu a palavra e a audição ao surdo-mudo”. “Trata-se de nos abrirmos às necessidades dos nossos irmãos que sofrem e precisam de ajuda, rejeitando o egoísmo e o fechamento do coração. E foi precisamente o coração, ou seja, o núcleo profundo da pessoa, que Jesus veio ‘abrir’, libertar, para tornar-nos capazes de viver plenamente a relação com Deus e com os outros.” Jesus fez-se homem para que o homem, “tendo-se tornado pelo pecado surdo e mudo, possa ouvir a voz de Deus, a voz do amor que fala ao seu coração, e assim aprenda a falar, por sua vez, a linguagem do amor, traduzindo-o em gestos de generosidade e de doação de si”.

domingo, 2 de setembro de 2018

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 7,1-8.14-15.21-23 Dirigindo-se aos milhares de peregrinos e turistas presentes na Praça São Pedro, o Pontífice disse que este tema tratado no Evangelho de Marcos na liturgia deste domingo, é “importante para todos nós crentes: a autenticidade da nossa obediência à Palavra de Deus, contra toda a contaminação mundana ou formalismo legalista”.
“Na realidade – afirmou Francisco -  um homem ou uma mulher, que vive na vaidade, na avareza, na soberba e ao mesmo tempo acredita, mostra-se religioso, mas chega a condenar os outros, é um hipócrita”. E as palavras de Jesus para este “adjetivo”, são “claras e fortes!” “Hipócrita é, por assim dizer – explicou - um dos adjetivos mais fortes que Jesus usa no Evangelho e usa-o dirigindo-se aos mestres da religião: doutores da lei, escribas... “Hipócrita!”, diz Jesus”. “De fato, Jesus quer mostrar aos escribas e aos fariseus o erro em que eles caíram, e qual é esse erro? O de desvirtuar a vontade de Deus negligenciando os seus mandamentos para observar as tradições humanas”.
“A reação de Jesus é severa porque é grande o que está em jogo: trata-se da verdade da relação entre o homem e Deus, da autenticidade da vida religiosa. O hipócrita é um mentiroso, não é autêntico.”
O Papa recorda que o convite do Senhor para fugirmos “do perigo de dar mais importância à forma que à substância”, é dirigido também a nós, hoje: “Ele chama-nos a reconhecer, sempre de novo, aquele que é o verdadeiro centro da experiência de fé, isto é, o amor de Deus e o amor ao próximo, purificando-a da hipocrisia do legalismo e do ritualismo”.
Também S. Tiago, na segunda leitura,  “nos diz em síntese”, que a verdadeira religião é “visitar os órfãos e as viúvas no sofrimento e não se deixar contaminar por este mundo":
“Visitar órfãos e viúvas' significa praticar a caridade com o próximo, começando pelos mais necessitados, os mais frágeis, os mais marginalizados. São as pessoas de quem Deus cuida de forma especial e pede a nós para fazer o mesmo”.
“Não se deixar contaminar por este mundo" não significa isolar-se e fechar-se à realidade. Não! ”
“Também aqui não deve ser uma atitude exterior, mas interior, de substância”, que “significa vigiar para que o nosso modo de pensar e agir não seja poluído pela mentalidade mundana, isto é, pela vaidade, avareza, soberba”.
O Papa convida-nos então a fazermos um exame de consciência para ver como acolhemos a Palavra de Deus, pois “se a escutarmos de maneira distraída ou superficial, ela não nos servirá de muito”. “Em vez disso, devemos acolher a Palavra com mente e coração abertos, como um terreno bom, para que seja assimilada e produza frutos na vida concreta. Jesus diz que a Palavra de Deus é como o trigo, é uma semente que deve crescer nas obras concretas. Assim a própria Palavra nos purifica o coração e as ações e a nossa relação com Deus e com os outros é libertada da hipocrisia”.
Que o exemplo e a intercessão da Virgem Maria - disse o Papa ao concluir - nos ajudem a honrar sempre o Senhor com o coração, testemunhando o nosso amor por ele nas escolhas concretas para o bem dos irmãos.