domingo, 25 de janeiro de 2015

REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO III DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 1, 14-20 No Evangelho é-nos apresentado o seguimento dos discípulos ao chamamento de Jesus. Tal convocação continua a ser dirigida permanentemente a cada homem para que seja seu discípulo. O nosso batismo foi o início e sinal desse caminho vocacional, que não se destina apenas a padres e freiras, mas a todos os cristãos. O caminho não se apresenta fácil, pois o Senhor exige que seja constante a disposição do discípulo para amar e sacrificar-se pelos irmãos.
Assim como o chamamento dos primeiros discípulos não foi feito enquanto eles rezavam mas no decurso normal das suas ocupações diárias, também a nossa chamada se verifica nas ocasiões mais banais da vida quotidiana. Tomar consciência desse facto é motivo de agradecimento e louvor por tão grande honra alcançada sem mérito algum de nossa parte, mas por dom gratuito de Deus.
Jesus procura os discípulos e convida-os a ficarem com Ele, não para que aprendam uma lição, mas para experimentarem, em Sua companhia, como se doa a própria vida pelos irmãos.
Para ser cristão não basta conhecer as fórmulas do catecismo e apenas recitar orações. É necessário averiguar-se a capacidade de seguir Cristo em todos os momentos: quando nos é exigida paciência, quando devemos ser humildes, quando nos comprometemos a amar um nosso inimigo, quando nos é ordenado deixar o nosso egoísmo para ajudar os demais nesta vida de tão curta duração no tempo.
Pedro, André, Tiago e João responderam logo à chamada, deixando tudo para O seguir. Aos ninivitas, de que nos fala a primeira leitura, foram dados quarenta dias para receberem ou rejeitarem o convite à conversão. Aos seus discípulos, Jesus não concede prazo algum. A resposta tem de ser pronta e materializada em abdicações concretas daquilo que são as realidades terrenas, a que se deve dar o justo valor, como nos adverte S. Paulo na segunda leitura. É por isso que os cristãos devem estar dispostos a aceitar renúncias corajosas por amor dos irmãos, pois esse amor vale mais que todos os bens materiais que são caducos, apenas o amor permanece para sempre.
A todo o discípulo é exigido este desapego total e imediato. Nada o pode impedir de seguir a Cristo. Até os afetos mais sagrados, como o tido pelos familiares, pela profissão, pela garantia económica e social, ou desejo de não perder os amigos devem ser abandonados se estiverem em confronto com a vida a que Jesus chama.

domingo, 18 de janeiro de 2015

REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO II DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)




Jo. 1, 35-42 O Evangelho deste II domingo do tempo comum descreve o encontro de Jesus com os seus primeiros discípulos.
Quem é “discípulo” de Jesus? Quem pode integrar a comunidade de Jesus? Na perspectiva de João, o discípulo é aquele que é capaz de reconhecer no Cristo que passa o Messias libertador, que está disponível para seguir Jesus no caminho do amor e da entrega, que aceita o convite de Jesus para entrar na sua casa e para viver em comunhão com Ele, que é capaz de testemunhar Jesus e de anunciá-l’O aos outros irmãos.
 
 

domingo, 11 de janeiro de 2015

REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DA FESTA DO BAPTISMO DO SENHOR


Mc. 1, 7-11 A propósito do Batismo de Jesus, Festa que encerra o Tempo do Natal, afirmou este domingo o Santo Padre que este evento recorda a dramática súplica do Profeta Isaías: “Quem dera rasgasses o céu para descer”.
Com isto, afirmou o Papa, “acabou o tempo dos céus fechados”, que indicam a separação entre Deus e o homem, consequência do pecado, que afasta o ser humano de Deus e interrompe a ligação entre o Céu e a terra.
“Os céus abertos indicam que Deus deu a sua graça para que a terra dê os seus frutos. Assim a terra tornou-se morada de Deus entre os homens e cada um de nós tem a possibilidade de encontrar o Filho de Deus, experimentando todo o seu amor e infinita misericórdia. Podemos encontrá-lo nos Sacramentos, especialmente na Eucaristia. Podemos reconhecê-lo na face dos nossos irmãos, em particular nos pobres, nos doentes, nos encarcerados, nos refugiados. Estes são a carne viva de Cristo sofredor e a imagem visível de Deus invisível”.
Com o Batismo de Jesus – observou o Papa – os céus rasgam-se e Deus fala novamente, fazendo ressoar a sua voz: “Tu és meu filho muito amado, em quem eu ponho toda a minha afeição. A voz do Pai proclama o mistério que se esconde no homem batizado pelo precursor”.
A descida do Espírito Santo, em forma de pomba – continuou o Papa – consente a Cristo, o Consagrado do Senhor, “ inaugurar a sua missão, que é a nossa salvação”.
Por isso o Espírito Santo, “o esquecido”, enfatizou o Papa, deve ser mais invocado, “pois temos necessidade de pedir a sua ajuda, a sua fortaleza, a sua inspiração”.
E o Espírito Santo que animou a vida e o ministério de Jesus é o mesmo que hoje guia a existência cristã, que deve portanto, junto com a missão, ser colocada sob sua ação, para reencontrar “a coragem apostólica necessária para superar fáceis acomodações mundanas.

domingo, 4 de janeiro de 2015

REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DA EPIFANIA DO SENHOR

 


Mt. 2, 1-12 No Evangelho, o evangelista S. Mateus fala-nos dos magos, de Herodes, dos sacerdotes e escribas, e da forma como cada um deles reagiu ao acontecimento do nascimento de Jesus.
Os magos, homens supostamente ligados às ciências, homens pagãos, percorreram um longo caminho para ir ao encontro do Menino, reconhecendo-O como o Messias, o filho de Deus, o Salvador, o Rei, e adoram-No.
Os sacerdotes e os escribas, que tinham a obrigação de reconhecer no Menino o Messias, tiveram uma atitude de indiferença, e Herodes, temendo que o Menino fosse o rei que acabaria por colocar em perigo o seu poder, sentiu-se ameaçado.
Desta forma, o evangelista apresenta-nos um grande contraste entre as atitudes daqueles que não são de Jerusalém (os magos, que são pagãos) e os que lá se encontram (Herodes, sacerdotes e escribas); enquanto uns, atentos aos sinais, procuram encontrar o Menino, os outros não têm qualquer acção, demonstrando total indiferença e, no caso de Herodes, grande perturbação e receio.
Que este exemplo dos magos sirva para refletirmos se na nossa vida cristã temos a preocupação de buscarmos continuamente o caminho de fé e esperança, caminhando no sentido de ir ao encontro de Jesus Cristo e de reconhecer n’Ele a salvação de Deus ou se, pelo contrário, não estamos atentos aos sinais e permanecemos estáticos e completamente indiferentes.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2015: Papa condena «fenómeno abominável» da escravatura e tráfico de pessoas


O Papa Francisco denuncia na sua mensagem para o 48.º Dia Mundial da Paz o “fenómeno abominável” da escravatura e do tráfico de pessoas, apelando ao compromisso de governos, empresas, religiões e sociedade civil.
“Ainda hoje milhões de pessoas – crianças, homens e mulheres de todas as idades – são privadas da liberdade e constrangidas a viver em condições semelhantes às da escravatura”, escreve.
Na segunda mensagem para esta celebração anual, assinalada a 1 de janeiro, o Papa escolheu como tema ‘Já não escravos, mas irmãos’, condenando a “rejeição do outro, maus-tratos às pessoas, violação da dignidade e dos direitos fundamentais, institucionalização de desigualdades”.
Francisco fala sobre as “múltiplas faces da escravatura”, recordando trabalhadores e trabalhadoras, incluindo menores, “escravizados nos mais diversos setores”; os imigrantes remetidos para a clandestinidade ou para “condições indignas” de vida e trabalho.
“Sim! Penso no «trabalho escravo»”, alerta o Papa, desafiando as empresas a “garantir aos seus empregados condições de trabalho dignas e salários adequados” e a “vigiar para que não tenham lugar, nas cadeias de distribuição, formas de servidão ou tráfico de pessoas humanas”.
A mensagem alude ainda às redes de prostituição, aos casamentos forçados, ao tráfico e comercialização de órgãos, às crianças-soldados, aos pedintes, ao recrutamento para produção ou venda de drogas e a formas disfarçadas de adoção internacional.
O Papa chama a atenção para “aqueles que são raptados e mantidos em cativeiro por grupos terroristas”, servindo como “combatentes” ou como “escravas sexuais”.
“O flagelo generalizado da exploração do homem pelo homem fere gravemente a vida de comunhão e a vocação a tecer relações interpessoais marcadas pelo respeito, a justiça e a caridade”, assinala a mensagem.
Face à dimensão atual do problema, Francisco propõe um compromisso global de “prevenção, proteção das vítimas e ação judicial contra os responsáveis” pelas formas de escravatura e tráfico humanos.
“Tal como as organizações criminosas usam redes globais para alcançar os seus objetivos, assim também a ação para vencer este fenómeno requer um esforço comum e igualmente global por parte dos diferentes atores que compõem a sociedade”, explica.
O Papa espera uma “mobilização de dimensões comparáveis às do próprio fenómeno” para combater o “flagelo da escravidão contemporânea”, pedindo às instituições e a cada um que “não se tornem cúmplices deste mal, não afastem o olhar à vista dos sofrimentos de seus irmãos e irmãs em humanidade, privados de liberdade e dignidade”.
No início do mês de Dezembro, o Papa uniu-se a vários líderes religiosos mundiais, no Vaticano, numa declaração comum pela erradicação da escravatura até 2020.
Francisco refere que as sociedades humanas conhecem o fenómeno da escravatura “desde tempos imemoriais” e que esta foi formalmente abolida no mundo “na sequência duma evolução positiva da consciência da humanidade”.
“Na raiz da escravatura, está uma conceção da pessoa humana que admite a possibilidade de a tratar como um objeto”, precisa.
Partindo da Bíblia, o Papa assinala que, como irmãos e irmãs, “todas as pessoas estão, por natureza, relacionadas umas com as outras” e que a “a realidade negativa do pecado” interrompe esta fraternidade.
A mensagem para o Dia Mundial da Paz 2015 deixa uma oração “a fim de que cessem as guerras, os conflitos e os inúmeros sofrimentos provocados quer pela mão do homem quer por velhas e novas epidemias e pelos efeitos devastadores das calamidades naturais”.
 

domingo, 28 de dezembro de 2014

REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DA FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA DE JESUS, MARIA E JOSÉ

 Lc. 2, 22-40 Aos milhares de fiéis presentes na Praça de S. Pedro para a oração mariana do Angelus neste primeiro domingo depois do Natal, o Papa Francisco começou por dizer que a Igreja nos convida a contemplar a Sagrada Família de Nazaré e que o evangelho nos apresenta a Virgem Maria e São José quando levam o Menino ao Templo de Jerusalém, 40 dias após o seu nascimento, em obediência à Lei de Moisés, que prescreve que o filho primogénito deve ser oferecido  ao Senhor.
Esta pequena família, disse o Papa, no meio de tanta gente, nos grandes corredores do templo, não se se destaca aos olhos, não se distingue e entretanto não passa despercebida.
Dois idosos, Simeão e Ana, movidos pelo Espírito Santo, aproximam-se e começam a louvar a Deus por aquela criança, no qual reconhecem o Messias, a luz das nações e salvação de Israel. É um momento simples, mas rico de profecia: o encontro entre dois jovens esposos cheios de alegria e fé pelas graças do Senhor e dois anciãos também eles cheios de alegria e fé pela acção do Espírito. E quem os faz encontrar? interroga-se o Papa. É Jesus, responde:
Jesus é Aquele que aproxima as gerações. É a fonte daquele amor que une as famílias e as pessoas, vencendo qualquer desconfiança, qualquer  isolamento, qualquer distância. E isto nos faz pensar também nos avós: quanto é importante a sua presença! Quanto é precioso o seu papel nas famílias e na sociedade! A boa relação entre os jovens e os idosos é fundamental para o caminho da comunidade civil e eclesial.
E olhando para as figuras dos velhões Simeão e Ana, o Papa pediu uma saudação a todos os avós do mundo. A mensagem que nos vem da Sagrada Família é antes de tudo uma mensagem de fé, continuou o Papa. Na vida familiar de Maria e José, Deus está verdadeiramente no centro, e também a pessoa de Jesus, e é por isso que Família de Nazaré é santa, porque está centrada em Jesus, explicou acrescentando que quando pais e filhos respiram juntos este clima de fé, possuem uma energia que lhes permite enfrentar mesmo as provações difíceis, como mostra a experiência da Sagrada Família, por exemplo, no caso dramático da fuga para o Egito.
O Menino Jesus com Maria sua Mãe e São José são um ícone familiar simples mas tão luminoso. A luz que ele irradia é luz de misericórdia e salvação para o mundo inteiro, luz de verdade para cada homem, para a família humana e para cada família individual. Esta luz que vem da Sagrada Família nos encoraja a oferecer calor humano naquelas situações familiares em que, por várias razões, falta a paz, a harmonia e o perdão.
E a todos o Papa pediu  solidariedade concreta especialmente para as famílias que vivem em situações muito difíceis pelas doenças, a falta de emprego, as discriminações, a necessidade de emigrar.
 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

PAPA APELA AO FIM DA VIOLÊNCIA NA SUA MENSAGEM DE NATAL

 
O Papa Francisco apelou esta quinta-feira, na tradicional mensagem de Natal, ao fim da “perseguição brutal” e dos massacres e captura de reféns, do Médio Oriente à Nigéria, bem como da violência, tráfico e maus tratos sofridos pelas crianças (referindo-se às crianças mortas recentemente no Paquistão). Na sua mensagem “Urbi et Orbi” (à cidade e ao mundo), enfatizando as violências fundamentalistas no mundo, Francisco exigiu o fim da “perseguição brutal” dos “grupos étnicos e religiosos” no Iraque e na Síria e lamentou que “muitas pessoas sejam (feitas) reféns ou assassinadas” na Nigéria.
O Papa lamentou ainda que “muitas crianças sejam vítimas de violência e do tráfico”, referindo os que foram mortos recentemente numa escola no Paquistão.
“Peço-lhe, a ele, o Salvador do mundo, para olhar pelos nossos irmãos e irmãs no Iraque e na Síria, que há demasiado tempo sofrem os efeitos de um conflito permanente. (…) Eles que, juntamente com outros que pertencem a outros grupos étnicos e religiosos, estão a sofrer uma perseguição brutal. (…) Que o Natal lhes leve esperança, como também aos muitos deslocados, refugiados e exilados, crianças, adultos, idosos, desta região e de todo o mundo”, disse o Papa.

domingo, 21 de dezembro de 2014

REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO IV DOMINGO DO ADVENTO (ANO B)


Lc 1, 26-38 Hoje, quarto e último domingo do Advento, a liturgia quer preparar-nos para o Natal que já está à porta convidando-nos a meditar o relato do anúncio do Anjo a Maria. O arcanjo Gabriel revela à Virgem a vontade do Senhor de que ela se torne a mãe do seu Filho unigênito: “Conceberás um filho, dá-lo-ás à luz e chamá-lo-ás Jesus. Será grande e será chamado Filho do Altíssimo” (Lc 1, 31, 32). Fixemos o olhar sobre esta simples jovem de Nazaré, no momento em que se torna disponível à mensagem divina com o seu “sim”; colhamos dois aspectos essenciais de sua atitude, que é para nós modelo de como nos havemos de preparar para o Natal.
Antes de tudo, a sua fé, a sua atitude de fé, que consiste em escutar a Palavra de Deus para se abandonar a esta Palavra com plena disponibilidade de mente e de coração. Respondendo ao Anjo, Maria disse: “Eis a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a sua palavra” (v. 38). No seu “eis aqui” cheio de fé, Maria não sabe por que estradas se vai aventurar, que dores irá sofrer, que riscos irá enfrentar. Mas tem consciência de que é o Senhor a pedir e ela confia totalmente Nele e abandona-se ao seu amor. Esta é a fé de Maria!
Um outro aspecto é a capacidade da Mãe de Cristo de reconhecer o tempo de Deus. Maria é aquela que tornou possível a encarnação do Filho de Deus, “a revelação do mistério, envolto no silêncio por séculos eternos” (Rm. 16, 25). Ela tornou possível a encarnação do Verbo graças justamente ao seu “sim” humilde e corajoso. Maria ensina-nos a colher o momento favorável em que Jesus passa na nossa vida e pede uma resposta pronta e generosa. E Jesus passa. De fato, o mistério do nascimento de Jesus em Belém, que ocorre historicamente há mais de dois mil anos, tem lugar, como evento espiritual, no “hoje” da Liturgia. O Verbo, que encontrou morada no ventre virginal de Maria, na celebração do Natal vem bater novamente à porta do coração de cada cristão: passa e bate. Cada um de nós é chamado a responder, como Maria, com um “sim” pessoal e sincero, colocando-se plenamente à disposição de Deus e da sua misericórdia, do seu amor. Quantas vezes Jesus passa na nossa vida, quantas vezes nos manda um anjo e quantas vezes não percebemos, porque estamos presos, imersos nos nossos pensamentos, nos nossos negócios e, até mesmo, nestes dias, nos nossos preparativos de Natal, de forma a não percebermos que Ele passa e bate à porta do nosso coração, pedindo acolhimento, pedindo um “sim”, como aquele de Maria. Um santo dizia: “Tenho temor que o Senhor passe”. Vocês sabem por que ele tinha temor? Temor de não perceber e de O deixar passar. Quando nós sentimos no nosso coração: “Gostaria de ser melhor… Estou arrependido disso que fiz…” É justamente o Senhor que bate. Ele nos faz sentir isso: a vontade de ser melhor, a vontade de permanecer mais próximo dos outros, de Deus. Se você sente isso, pare. É o Senhor que bate: não O deixe passar! (Papa Francisco no Angelus de 21.12.2014)

domingo, 14 de dezembro de 2014

REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO III DOMINGO DO ADVENTO (ANO B)


 
Jo. 1, 6-8.19-28 A figura deste III domingo do Advento é, mais uma vez, João Baptista. São os tempos messiânicos que este domingo nos anuncia, através do testemunho do precursor. O Evangelho diz-nos que ele é a “voz” que prepara os homens para acolher Jesus, a “luz” do mundo e que o seu objetivo não é centrar sobre si próprio o foco da atenção pública, mas apenas levar os seus interlocutores a acolher e a “conhecer” Jesus, “aquele” que o Pai enviou com uma proposta de vida definitiva e de liberdade plena para os homens.
Este domingo está assim marcado por uma alegria e uma expectativa antecipada do Natal.
 


domingo, 7 de dezembro de 2014

REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO II DOMINGO DO ADVENTO (ANO B)

 
Mc 1, 1-8 A figura deste II domingo do Advento é João Baptista. Ele é a "voz que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor", anunciada pelo Profeta Isaías. Ele é o percursor do Salvador. A sua pregação é um convite aos seus contemporâneos (e, claro, os homens de todas as épocas) a acolher o Messias libertador. A missão do Messias – diz João – será oferecer a todos os homens esse Espírito de Deus que gera vida nova e permite ao homem viver numa dinâmica de amor e de liberdade. No entanto, só poderá estar aberto à proposta do Messias quem tiver percorrido um autêntico caminho de conversão, de transformação, de mudança de vida e de mentalidade.
 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Relíquia de S. Francisco Xavier

















Na Celebração da Eucaristia desta tarde, 3 de dezembro tivemos a alegre  surpresa da oferta de uma relíquia de S. Francisco Xavier, trazida de Roma pelo Irmão José Silva.


No final da Missa foi mostrada de pertinho a cada um


                         Documento que acompanha a relíquia, um pedacinho de osso do Santo!



S. FRANCISCO XAVIER, ROGAI POR NÓS!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Festa de S. Francisco Xavier



 Venha participar na Eucaristia às 19h


" Mandai-me para onde quiseres e se for preciso até mesmo para a Índia.
Os pobres no hospital visitá-los-eis e de quando em quando os exortareis.
Conversareis com todos com rosto alegre"

                                                    (das cartas de S. Francisco Xavier)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

“2015 O ANO DA VIDA CONSAGRADA” DECLARA PAPA FRANCISCO

vida consagrada
 
O Papa Francisco anunciou nesta sexta-feira, 29, que o ano de 2015 será dedicado à Vida Consagrada. O anúncio foi feito durante a 82ª Assembleia Geral da União dos Superiores Gerais (USG), que está sendo realizada em Roma.
Aos participantes, o Papa afirmou que a radicalidade  é pedida a todos os cristãos, mas os religiosos são chamados a seguir o Senhor de uma forma especial. “Eles são homens e mulheres que podem acordar o mundo. A vida consagrada é uma profecia”. 
Em três horas de reunião, o Pontífice respondeu às perguntas dos superiores gerais e tratou de temas referentes a Nova Evangelização.
Interrogado sobre a situação das vocações, o Papa afirmou existir Igrejas jovens que estão dando muitos frutos, e isso deve levar a repensar a inculturação do carisma. “A Igreja deve pedir perdão e olhar com muita vergonha os insucessos apostólicos por causa dos mal-entendidos neste campo, como no caso de Matteo Ricci”.
O diálogo intercultural, segundo Francisco, deve introduzir no governo de institutos religiosos pessoas de várias culturas que expressam diferentes formas de viver o carisma.
Durante o diálogo, Francisco insistiu sobre a formação, que em sua opinião, deve ser baseada em quatro pilares: espiritual, intelectual, comunitária e apostólica. “É essencial evitar todas as formas de hipocrisia e clericalismo através de um diálogo franco e aberto sobre todos os aspectos da vida”.
Francisco destacou também que a formação  é uma obra artesanal e não um trabalho de políciamento. “O objetivo é formar religiosos que tenham um coração terno e não ácido como vinagre”, alertou.
Sobre a relação das Igrejas particulares com os religiosos, o Papa disse conhecer bem os problemas e conflitos. “Nós bispos, precisamos entender que as pessoas consagradas não são um material de ajuda, mas são carismas que enriquecem as dioceses”.
Ao falar sobre os desafios da missão dos consagrados, o Pontífice destacou que as prioridades permanecem as realidades de exclusão, a preferência pelos mais pobres.  Destacou também a importância da evangelização no âmbito da educação, como nas escolas e universidades.
“Transmitir conhecimento, transmitir formas de fazer e transmitir valores. Através destes pilares se transmite a fé. O educador deve estar à altura das pessoas que educa, e interrogar-se sobre como anunciar Jesus Cristo a uma geração que está mudando”.
No final do encontro, Francisco agradeceu aos superiores gerais pelo “espírito de fé e serviço” à Igreja. “Obrigado pelo testemunho e também pelas humilhações pelas quais vocês passam”, concluiu o Papa.

domingo, 30 de novembro de 2014

REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO 1º DOMINGO DO ADVENTO (ANO B)



Mc. 13,33-37 O Evangelho nos fala em vigiar e vigiar sempre. Quando alguém vigia é porque deseja não ser surpreendido. Quando a enfermeira fica de plantão vigiando um doente em estado grave, ela está atenta para impedir que o quadro da saúde piore; quando um policia permanece de plantão ao lado de um banco, o seu intuito é evitar a ação de um ladrão.  
E para Jesus, o que significa para ele vigiar? Para Jesus significa um constante estado de alerta à espera da chegada do mundo novo, ou melhor, do homem novo, dele mesmo, Jesus Cristo, o Messias, o Redentor. Essa vigília significa não dormir no pecado, mas estar acordado pela fé, pela esperança, praticando aquilo que é justiça, que é amor.
Somente aqueles que estão centrados na chegada do Redentor é que irão conhecer o momento e poderão abrir seus corações ao Salvador, como aconteceu em sua primeira vinda.
As pessoas estavam tão voltadas para si mesmas, que não tiveram sensibilidade para perceber a necessidade de uma grávida prestes a dar à luz, e simplesmente se fecharam no seu conforto, mesmo miserável; também aquelas pessoas que não foram lúcidas para distinguir entre um benfeitor que curava, alimentava, perdoava, reconciliava e um bandido, ladrão e assassino, pediram a libertação deste e a crucifixão do outro.
Estejamos acordados, lúcidos para podermos acolher o nosso Salvador.
 
Pe. César Augusto dos Santos SJ

domingo, 23 de novembro de 2014

REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DA SOLENIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

 
 
Mt. 25, 31-46 Durante a homilia deste XXXIV domingo do Tempo Comum, em que a Igreja celebra a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, o Santo Padre explicou que “a liturgia de hoje nos convida a fixar o olhar em Jesus como Rei do Universo” e as leituras “nos mostram como Jesus realizou seu reino; como o realiza no decorrer da história; e o que nos pede (...) com proximidade e ternura para connosco”.
Continuando, falou da missão do pastor para com a sua grei e sublinhou que esta se resume em “procurar, reunir impedindo a dispersão, conduzir para os pastos, fazer repousar, procurar a ovelha perdida, trazer de volta o extraviado, tratar as feridas, curar a enfermidade, cuidar e pastorear”.
Tomando em conta estas virtudes, “os que na Igreja estamos chamados a ser pastores não podemos nos desviar deste modelo se não quisermos tornar-nos mercenários”. A este respeito, “o povo de Deus tem um olfato infalível com o qual reconhece os bons pastores e os distingue dos mercenários”, assegurou.
Comentando as leituras da Missa, o Papa explicou que “Jesus não é um rei à maneira deste mundo: para Ele, reinar não é controlar, mas obedecer ao Pai, entregar-se a Ele, para que se cumpra seu intuito de amor e de salvação”.
O Evangelho, disse o Papa na sua breve homilia, “diz-nos o que nos pede o reino de Jesus: recorda-nos que a proximidade e a ternura são a regra de vida também para nós e que com base  nisto seremos julgados”. "No final da vida seremos julgados pelo amor, pela proximidade e ternura pelos irmãos. Disso dependerá a nossa participação, ou não, no reino de Deus, a nossa colocação em uma ou outra parte. Jesus, com a sua vitória, nos abriu o seu reino, mas cabe a cada um de nós entrar ali, já a partir desta vida, fazendo-nos concretamente próximos ao irmão que pede pão, roupa, acolhimento, solidariedade. E se verdadeiramente amarmos esse irmão ou irmã, seremos impelidos a partilhar com ele ou com ela aquilo que temos de mais precioso, isto é, Jesus e o seu Evangelho!”, concluiu.

domingo, 16 de novembro de 2014

REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO A)

 
Mt. 25, 14-30 Sobre o Evangelho deste XXXIII Domingo do Tempo Comum, disse hoje o Santo Padre Francisco, na oração do Angelus, o seguinte: "Queridos irmãos e irmãs: o Evangelho deste domingo é a parábola dos talentos. Fala-nos de um homem que, antes de partir para uma viagem, convoca os servos e confia a eles o seu patrimônio em talentos, moedas antigas de grande valor. Aquele patrão confia ao primeiro servo cinco talentos, ao segundo dois, ao terceiro um. Durante a ausência do patrão, os três servos devem fazer frutificar este patrimônio. O primeiro e o segundo servos duplicam, cada um, o capital de partida; o terceiro, em vez disso, por medo de perder tudo, enterra o talento recebido num buraco. No regresso do patrão, os dois primeiros recebem o louvor e a recompensa, enquanto o terceiro, que restitui somente a moeda recebida, é repreendido e punido.
É claro o significado disso. O homem da parábola representa Jesus, os servos somos nós e os talentos são o patrimônio que o Senhor confia a nós. Qual é o patrimônio? A sua Palavra, a Eucaristia, a fé no Pai celeste, o seu perdão… em resumo, tantas coisas, os seus bens mais preciosos. Este é o patrimônio que Ele nos confia. Não somente para ser protegido, mas para crescer! Enquanto no uso comum o termo “talento” indica uma qualidade individual – por exemplo talento na música, no desporto etc., na parábola os talentos representam os bens dos Senhor, que Ele nos confia para que o façamos dar frutos. O buraco cavado no terreno pelo “servo mau e preguiçoso” (v. 26) indica o medo do risco que bloqueia a criatividade e a fecundidade do amor. Porque o medo dos riscos do amor nos bloqueia. Jesus não nos pede para conservar a sua graça num cofre! Jesus não nos pede isso, mas quer que a usemos em benefício dos outros. Todos os bens que nós recebemos são para dá-los aos outros, e assim crescem. É como se nos dissesse: “Aqui está a minha misericórdia, a minha ternura, o meu perdão: peguem-nos e façam uso deles”. E nós, o que fazemos?  Quem ‘contagiamos’ com a nossa fé? Quantas pessoas encorajamos com a nossa esperança? Quanto amor partilhamos com o nosso próximo? São perguntas que nos farão bem. Qualquer ambiente, mesmo o mais distante e impraticável, pode se tornar lugar onde fazer frutificar os talentos. Não há situações ou lugares incompatíveis com a presença e o testemunho cristão. O testemunho que Jesus nos pede não é fechado, é aberto, depende de nós.
Esta parábola exorta-nos a não esconder a nossa fé e a nossa pertença a Cristo, a não enterrar a Palavra do Evangelho, mas a fazê-la circular na nossa vida, nas relações, nas situações concretas, como força que coloca em crise, que purifica, que renova. Assim também o perdão, que o Senhor nos dá especialmente no Sacramento da Reconciliação: não o tenhamos fechado em nós mesmos, mas deixemos que desencadeie a sua força, que faça cair muros que o nosso egoísmo levantou, que nos faça dar o primeiro passo nas relações bloqueadas, retomar o diálogo onde não há mais comunicação… E por aí vai. Fazer com que estes talentos, estes presentes, estes dons que o Senhor nos deu sejam para os outros, cresçam, deem frutos, com o nosso testemunho.
Acredito que hoje será um belo gesto que cada um de vocês peguem o Evangelho em casa e leiam isto, e meditem um pouco: “os talentos, as riquezas, tudo aquilo que Deus me deu de espiritual, de bondade, a Palavra de Deus, como faço com que cresçam nos outros? Ou somente os protejo em um cofre?”.
E também o Senhor não dá a todos as mesmas coisas e do mesmo modo: conhece cada um de nós pessoalmente e nos confia aquilo que é certo para nós; mas em todos, em todos há algo de igual: a mesma, imensa confiança. Deus confia em nós, Deus tem esperança em nós! E isto é o mesmo para todos. Não o desiludamos! Não nos deixemos enganar pelo medo, mas vamos retribuir confiança com confiança! A Virgem Maria encarna esta atitude no modo mais belo e mais pleno. Ela recebeu e acolheu o dom mais sublime, Jesus em pessoa, e à sua volta O ofereceu à humanidade com coração generoso. A ela peçamos para nos ajudar a sermos “servos bons e fiéis” para participar “da alegria do nosso Senhor”.

domingo, 9 de novembro de 2014

Basílica de S. João de Latrão, "Mãe de todas as Igrejas do Urbe et Orbe (Papa Francisco)

Basílica de S. João de Latrão, "Mãe de todas as Igrejas do Urbe et Orbe"


REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DA FESTA DA DEDICAÇÃO DA BASÍLICA DE LATRÃO (9/11/2014)

 
Jo. 2, 13-25 Na festa da dedicação da basílica do Latrão, em Roma, celebram-se as catedrais de todas as dioceses do mundo. A basílica do Latrão foi a primeira catedral do mundo. Igreja catedral é a Igreja do bispo do lugar. A igreja dedicada a S. João Batista e a S. João Evangelista, no morro do Latrão, em Roma, foi durante muito tempo a igreja do bispo de Roma, o papa. E como o papa exerce a “presidência da caridade” entre os bispos do mundo inteiro, a igreja catedral do Latrão simboliza todas as dioceses.
Mas o que se celebra não são templos de pedra e sim os templos do Espírito Santo, as comunidades dos fiéis. A liturgia de hoje se refere continuamente ao templo de pedras vivas, que são as comunidades cristãs, e ao templo que é o corpo de Cristo, ressuscitado, que substitui o templo do antigo Israel. 
O evangelho deixa isso bem claro. Jesus chega a Jerusalém por ocasião de uma romaria pascal e expulsa do templo não só os abusos mas os próprios animais do sacrifício. Em outros termos: expulsa o culto do templo. E quando as autoridades lhe pedem um sinal profético que possa justificar tal gesto inimaginável, Jesus aponta o sinal que só depois os discípulos vão conhecer: o sinal de sua ressurreição.
 
O templo antigo pode ser destruído (como de fato ele foi, em 70 d.C., alguns anos antes de João escrever seu evangelho), mas Jesus “fará ressurgir” um novo templo em três dias: o templo de seu corpo, da sua pessoa. Jesus é  o templo, o santuário, o lugar de culto a Deus, de encontro com Deus. Nele, a Palavra de Deus armou tenda entre nós. Nele também é oferecido a Deus o único culto da nova Aliança, o dom da própria vida por amor. Ora, ao templo que é Jesus associa-se o templo de pedras vivas que é a comunidade - que somos nós.
 

domingo, 2 de novembro de 2014

REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DA COMEMORAÇÃO DOS FIÉIS DEFUNTOS

 
Jo. 11, 21-27 No Evangelho da 2ª Missa deste dia, em que comemoramos todos os fiéis defuntos, Jesus assume-se como a Ressurreição e a Vida, afirmando que todo aquele que crê n'Ele, mesmo que morra, viverá. Sobre esta comemoração dos Fiéis Defuntos o Papa Francisco começou por reiterar, hoje, na sua habitual alocução do Angelus, que a Solenidade de Todos os Santos que ontem celebrámos e a comemoração dos fiéis defuntos deste domingo, são duas ocorrências intimamente ligadas entre si, do mesmo modo que a alegria e as lágrimas encontram em Jesus uma síntese que é o fundamento da nossa fé e da nossa esperança: Por um lado a Igreja, peregrina na história, se alegra com a intercessão dos santos e beatos que a apoiam na sua missão de anunciar o Evangelho, e por outro lado ela, como Jesus, partilha as lágrimas daqueles que sofrem a separação dos seus entes queridos e, como Ele e com Ele, eleva o seu agradecimento ao Pai que nos libertou do domínio do pecado e da morte. Em seguida, o Papa falou do cemitério como "lugar de repouso", à espera do despertar final e foi o próprio Jesus que revelou que a morte do corpo é como um sono do qual ele nos desperta. É, pois, com esta fé que devemos olhar para os túmulos dos nossos entes queridos, daqueles que nos amaram e nos fizeram algum bem. Mas hoje somos chamados a recordar a todos, mesmo aqueles de que ninguém se lembra. Recordemos as vítimas da guerra e da violência; tantos "pequenos" do mundo esmagados pela fome e pela pobreza. Recordemos os irmãos e as irmãs mortos por serem cristãos; e aqueles que sacrificaram a vida para servir aos outros. Confiemos ao Senhor especialmente aqueles que nos deixaram ao longo do último ano.
A tradição da Igreja, continuou o Papa Francisco, sempre nos exortou a rezar pelos defuntos, em particular, oferecendo para eles a celebração eucarística, que é a melhor ajuda espiritual que podemos dar às suas almas, especialmente às mais abandonadas. O fundamento desta oração pelos defuntos, explicou o Papa, está na comunhão do Corpo Místico pois, como diz o Concílio Vaticano II, "a Igreja peregrina sobre a terra, bem ciente desta comunhão de todo o corpo místico de Jesus Cristo, desde os primeiros tempos da religião cristã, tem honrado com grande piedade a memória dos mortos". E acrescentou: A memória dos defuntos, o cuidado pelas sepulturas e os sufrágios são o testemunho de confiante esperança, enraizada na certeza de que a morte não é a última palavra sobre o destino do ser humano, porque o homem está destinado a uma vida sem limites, que tem a sua raiz e a sua realização em Deus.
A esto ponto o Papa dirigiu a Deus esta veemente oração pelos defuntos:
Deus de infinita misericórdia, confiamos à tua imensa bondade aqueles que deixaram este mundo para a eternidade, onde Tu aguardas toda a humanidade redimida pelo sangue precioso de Cristo Teu Filho, morto para nos libertar dos nossos pecados. Não olhes, Senhor, para as tantas pobrezas e misérias e fraquezas humanas quando nos apresentarmos diante do Teu tribunal, para sermos julgados, para a feicidade ou a condenação. Dirige para nós o teu olhar misericordioso que nasce da ternura do teu coração, e ajuda-nos a caminhar em direcção a uma completa purificação. Não se perca nenhum dos teus filhos no fogo eterno do inferno onde já não poderá haver arrependimento.
Te confiamos, Senhor, as almas dos nossos entes queridos, das pessoas que morreram sem o conforto sacramental, ou não tiveram ocasião de se arrepender nem mesmo no fim da sua vida. Que ninguém tenha receio de te encontrar depois da peregrinação terrena, na esperança de sermos recebidos nos braços da tua infinita misericórdia. Que a irmã morte corporal nos encontre vigilantes na oração e carregados de todo o bem realizado ao longo da nossa breve ou longa existência. Senhor, nada nos afaste de Ti nesta terra, mas tudo e todos nos apoiem no ardente desejo de repousar serena e eternamente em Ti. Amen. Com esta fé no destino supremo do homem, o Papa convidou ao todos a se voltarem para a Virgem Maria que sofreu sob a cruz o drama da morte de Cristo e participou depois na alegria da sua ressurreição, para que nos ajude na nossa peregrinação quotidiana aqui na terra para não perdermos de vista a meta última da vida, que é o Paraíso.

domingo, 26 de outubro de 2014

REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO A)

Mt 22, 34-40 No Evangelho deste XXX domingo do tempo comum, Jesus anuncia que o primeiro e o maior mandamento da lei é o amor a Deus, mas que há um segundo que é semelhante e inseparável desse: o amor ao próximo. Porém, o mandamento do amor a Deus e ao próximo não é o primeiro porque está no topo da lista dos mandamentos. Jesus não o coloca no alto, mas no centro, porque é o coração de onde tudo deve começar e retornar; é a referência.

Jesus não nos entregou fórmulas ou preceitos, não; ele nos confiou dois rostos, aliás, um só rosto, o de Deus que se reflete em muitos outros, pois no rosto de cada irmão, especialmente o menor, o mais frágil e indefeso, está presente a imagem de Deus.

Ao encontrarmos um destes irmãos, nós deveríamos nos perguntar se somos capazes de avistar nele o rosto de Deus. Somos capazes disso? Não se pode nunca separar a vida religiosa do serviço aos irmãos, aos irmãos que encontramos concretamente; ser santos requer também cuidar das pessoas mais frágeis como o estrangeiro, o órfão, a viúva. O amor é a medida da fé e a fé é a alma do amor.

Papa Francisco - Ângelus 26.10.2014