domingo, 3 de fevereiro de 2019

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO IV DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO C)


A liturgia deste IV domingo do Tempo Comum mostra a admiração dos concidadãos de Jesus ao verem que, um conterrâneo deles “o filho de José”, pretende ser o Cristo, o enviado do Pai.
Sendo um deles, disse Francisco, “eles consideram que deva mostrar esta sua estranha ‘pretensão’ fazendo milagres ali, em Nazaré, como fez nas cidades vizinhas”. “Mas Jesus não quer e não pode aceitar essa lógica, porque não corresponde ao plano de Deus: “Deus quer a fé, eles querem milagres, os sinais; Deus quer salvar todos, e eles querem um Messias em favor dos interesses deles. E para explicar a lógica de Deus, Jesus dá o exemplo de dois grandes profetas antigos: Elias e Eliseu, que Deus mandou curar e salvar pessoas não judias, de outros povos, mas que tinham confiado em sua palavra.”
Diante deste convite a abrir o coração deles à gratuidade e à universalidade da salvação, continuou o Pontífice, os cidadãos de Nazaré revoltam-se, e assumem mesmo uma atitude agressiva, que degenera a tal ponto que “se levantaram, o expulsaram da cidade e o conduziram até ao cimo da colina com a intenção de O precipitar de lá”. “A admiração do primeiro instante transformou-se numa agressão, numa rebelião contra Ele”, acrescentou o Papa.
O Santo Padre ressaltou que esta página do Evangelho (Lc 4,21-30) mostra-nos que “o ministério público de Jesus começa com uma rejeição e com uma ameaça de morte, paradoxalmente por parte de seus concidadãos”.
“Ao viver a missão a Ele confiada pelo Pai, Jesus sabe que deve enfrentar o cansaço, a rejeição, a perseguição e a derrota. Um preço que, ontem como hoje, a autêntica profecia é chamada a pagar.”
O Pontífice observou, ainda, que a rejeição não desencoraja Jesus, nem cessa o caminho e a fecundidade da sua ação profética. “Ele segue adiante no seu caminho, confiando no amor do Pai”, destacou.
“Também hoje, o mundo precisa ver profetas nos discípulos do Senhor, isto é, pessoas corajosas e perseverantes a responder à sua vocação cristã. Pessoas que seguem o ‘impulso’ do Espírito Santo, que as envia a anunciar esperança e salvação aos pobres e aos excluídos; pessoas que seguem a lógica da fé e não dos milagres; pessoas dedicadas ao serviço de todos, sem privilégios e exclusões. Em poucas palavras: pessoas que se abrem a acolher em si mesmas a vontade do Pai e se comprometem a testemunhá-la fielmente aos outros.”

domingo, 27 de janeiro de 2019

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO III DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO C)


Imaginemos que entramos também nós na sinagoga de Nazaré, a aldeia onde Jesus cresceu até cerca de trinta anos Ele levanta-se para ler a Sagrada Escritura. Em seguida, após um momento de silêncio cheio de expectativa por parte de todos, diz, entre a estupefacção geral: «Hoje se cumpriu esta palavra que acabais de ouvir» Evangelizar os pobres: esta é a missão de Jesus, segundo Ele diz; esta é inclusive a missão da Igreja, e de cada baptizado na Igreja. Ser cristão e ser missionário é a mesma coisa. Observa-se aqui que Jesus dirige a Boa Nova a todos, sem excluir ninguém, aliás privilegiando os mais distantes, os sofredores, os doentes, os marginalizados da sociedade. Questionamo-nos: o que significa evangelizar os pobres? Significa em primeiro lugar aproximarmo-nos deles, significa ter a alegria de os servir, de os libertar da opressão, e tudo isto em nome e com o Espírito de Cristo, porque é Ele o Evangelho de Deus, é Ele a Misericórdia de Deus, é Ele a libertação de Deus, é Ele quem se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza. (Angelus, 24 janeiro 2016)

domingo, 20 de janeiro de 2019

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO II DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO C)

Jo. 2, 1-11 O Evangelho deste II Domingo do tempo comum, narra o primeiro milagre de Jesus, o seu primeiro ‘sinal’ – como diz o Evangelista João – que ocorreu nas bodas de Caná, na Galileia. E não foi por acaso que se realizou num matrimônio - explicou o Papa - porque naquela cerimônia, Deus casou-se com a humanidade: esta é a Boa Notícia, embora aqueles que o convidaram ainda não soubessem que o Filho de Deus estava sentado à sua mesa e que o verdadeiro esposo era Ele.
“De fato, todo o mistério do sinal de Caná baseia-se na presença deste divino esposo que começa a revelar-se. Jesus manifesta-se como esposo do povo de Deus, anunciado pelos profetas, e revela-nos a profundidade da relação que nos une a Ele"
O Papa prosseguiu com o relato da festa, que justamente quando estava no auge, o vinho acabou! Percebendo, Maria disse ao Filho: “Eles não têm vinho”. A água é necessária para viver, mas o vinho exprime a abundância do banquete e a alegria da festa. Como é possível celebrar as núpcias e fazer festa se falta aquilo que os profetas indicavam como um elemento típico do banquete messiânico?
Jesus então disse aos serventes: "Enchei as ânforas de água. E eles encheram-nos até a borda. Disse-lhes novamente: "Agora tomai algumas e levai-as àquele que dirige o banquete”. Maria dirige-se aos empregados e as suas palavras coroam o quadro esponsal de Caná: “Façam o que Ele vos disser”.
Maria – recordou o Papa – repete-nos hoje a mesma coisa: "Tudo o que Ele vos disser, façam-no". As suas palavras são um legado precioso que a nossa Mãe nos deixou.
 “Servir o Senhor significa escutar e pôr em prática a sua palavra. É a recomendação simples e essencial da Mãe de Jesus, é o programa de vida do cristão. Para cada um de nós, beber daquela ânfora equivale a entregar-se à Palavra e aos Sacramentos para experimentar a graça de Deus na nossa vida”.
Terminando, o Papa improvisou algumas palavras, destacando uma experiência que certamente muitos já tiveram na vida: “Quando estamos em situações difíceis, quando surgem problemas que não sabemos como resolver, quando muitas vezes sentimos ansiedade e angústia, quando nos falta alegria, vamos a Maria e digamos: "Não temos vinho. O vinho acabou: olha como eu estou; olha para o meu coração, olha para a minha alma". Digam-no à mãe. E ela irá a Jesus e dirá: "Olha ele, olha ela: eles não têm vinho". Depois, ela virá até nós e dirá: "Tudo o que ele te disser, fá-lo".

domingo, 13 de janeiro de 2019

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DA SOLENIDADE DO BAPTISMO DO SENHOR (ANO C)


Lc 3,15-16.21-22 No Angelus da Festa do Batismo do Senhor, que hoje celebramos, o Papa Francisco pediu para não esquecermos a data do nosso Batismo: “Que seja uma data guardada no nosso coração para a podermos festejar todos os anos”, e convidou a invocarmos “com mais frequência o Espírito Santo”, “para poder viver com amor as coisas ordinárias, e assim, torná-las extraordinárias”.
Na sua alocução, o Papa destacou que “a liturgia chama-nos a conhecer mais plenamente Jesus” e por isso o Evangelho do dia, “ilustra dois elementos importantes: a relação de Jesus com as pessoas e a relação de Jesus com o Pai”. 
Dirigindo-se aos milhares de peregrinos presentes na Praça São Pedro, o Pontífice chamou a atenção para o fato de todo o povo que estava presente na cena do Batismo “não ser apenas um pano de fundo”,  mas “um componente essencial do evento. Antes de mergulhar na água, Jesus "mergulha" na multidão, une-se a ela assumindo plenamente a condição humana, compartilhando tudo, exceto o pecado”.
“Na sua santidade divina, cheia de graça e de misericórdia, disse o Papa, o Filho de Deus fez-se carne justamente para tomar sobre si e tirar o pecado do mundo. Assumiu as nossas misérias, a nossa condição humana”. Deixando-se batizar por João, Jesus “manifesta a lógica e o sentido da sua missão”: “Unindo-se ao povo - que pede a João o Batismo da conversão - Jesus compartilha com ele o profundo desejo da renovação interior. E o Espírito Santo que desce sobre Ele "em forma corpórea, como uma pomba",  é o sinal de que com Jesus se inicia um mundo novo, uma "nova criação", da qual fazem parte todos aqueles que acolhem Cristo na sua vida”.
O “amor do Pai, que todos recebemos no dia do nosso Batismo, é uma chama que foi acesa no nosso coração, e requer ser alimentada mediante a oração e a caridade”.
O segundo elemento destacado por Francisco, é a comunhão de Jesus com o Pai, e explica que “o Batismo é o  início da vida pública de Jesus, da sua missão no mundo como enviado do Pai para manifestar a sua bondade e o seu amor pelos homens”: “Tal missão é realizada em constante e perfeita união com o Pai e o Espírito Santo. Também a missão da Igreja e a de cada um de nós, para ser fiel e frutuosa, é chamada a inserir-se na de Jesus. Trata-se de regenerar continuamente na oração a evangelização e o apostolado, para dar um claro testemunho cristão, não segundo os nossos projetos humanos, mas segundo o estilo de Deus”.
A Festa do Batismo do Senhor – recorda o Papa – “é uma ocasião propícia para renovar com gratidão e convicção as promessas do nosso Batismo, comprometendo-nos a viver diariamente em coerência com ele”. E reitera a importância de conhecermos a data de nosso Batismo, guardá-la no coração e festejá-la todos os anos.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 52º DIA MUNDIAL DA PAZ (1.01.2019)



MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 52º DIA MUNDIAL DA PAZ 
(1º DE JANEIRO DE 2019)
Boletim da Santa Sé 
A boa política está ao serviço da paz
1. «A paz esteja nesta casa!»
Jesus, ao enviar em missão os seus discípulos, disse-lhes: «Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: “A paz esteja nesta casa!” E, se lá houver um homem de paz, sobre ele repousará a vossa paz; se não, voltará para vós» (Lc 10, 5-6).
Oferecer a paz está no coração da missão dos discípulos de Cristo. E esta oferta é feita a todos os homens e mulheres que, no meio dos dramas e violências da história humana, esperam na paz.[1] A «casa», de que fala Jesus, é cada família, cada comunidade, cada país, cada continente, na sua singularidade e história; antes de mais nada, é cada pessoa, sem distinção nem discriminação alguma. E é também a nossa «casa comum»: o planeta onde Deus nos colocou a morar e do qual somos chamados a cuidar com solicitude.
Eis, pois, os meus votos no início do novo ano: «A paz esteja nesta casa!»
2. O desafio da boa política
A paz parece-se com a esperança de que fala o poeta Carlos Péguy;[2] é como uma flor frágil, que procura desabrochar por entre as pedras da violência. Como sabemos, a busca do poder a todo o custo leva a abusos e injustiças. A política é um meio fundamental para construir a cidadania e as obras do homem, mas, quando aqueles que a exercem não a vivem como serviço à coletividade humana, pode tornar-se instrumento de opressão, marginalização e até destruição.
«Se alguém quiser ser o primeiro – diz Jesus – há de ser o último de todos e o servo de todos» (Mc 9, 35). Como assinalava o Papa São Paulo VI, «tomar a sério a política, nos seus diversos níveis – local, regional, nacional e mundial – é afirmar o dever do homem, de todos os homens, de reconhecerem a realidade concreta e o valor da liberdade de escolha que lhes é proporcionada, para procurarem realizar juntos o bem da cidade, da nação e da humanidade».[3]
Com efeito, a função e a responsabilidade política constituem um desafio permanente para todos aqueles que recebem o mandato de servir o seu país, proteger as pessoas que habitam nele e trabalhar para criar as condições dum futuro digno e justo. Se for implementada no respeito fundamental pela vida, a liberdade e a dignidade das pessoas, a política pode tornar-se verdadeiramente uma forma eminente de caridade.
3. Caridade e virtudes humanas para uma política ao serviço dos direitos humanos e da paz
O Papa Bento XVI recordava que «todo o cristão é chamado a esta caridade, conforme a sua vocação e segundo as possibilidades que tem de incidência na pólis. (…) Quando o empenho pelo bem comum é animado pela caridade, tem uma valência superior à do empenho simplesmente secular e político. (…) A ação do homem sobre a terra, quando é inspirada e sustentada pela caridade, contribui para a edificação daquela cidade universal de Deus que é a meta para onde caminha a história da família humana».[4] Trata-se de um programa no qual se podem reconhecer todos os políticos, de qualquer afiliação cultural ou religiosa, que desejam trabalhar juntos para o bem da família humana, praticando as virtudes humanas que subjazem a uma boa ação política: a justiça, a equidade, o respeito mútuo, a sinceridade, a honestidade, a fidelidade.
A propósito, vale a pena recordar as «bem-aventuranças do político», propostas por uma testemunha fiel do Evangelho, o Cardeal vietnamita Francisco Xavier Nguyen Van Thuan, falecido em 2002:
Bem-aventurado o político que tem uma alta noção e uma profunda consciência do seu papel.
Bem-aventurado o político de cuja pessoa irradia a credibilidade.
Bem-aventurado o político que trabalha para o bem comum e não para os próprios interesses.
Bem-aventurado o político que permanece fielmente coerente.
Bem-aventurado o político que realiza a unidade.
Bem-aventurado o político que está comprometido na realização duma mudança radical.
Bem-aventurado o político que sabe escutar.
Bem-aventurado o político que não tem medo.[5]
Cada renovação nos cargos eletivos, cada período eleitoral, cada etapa da vida pública constitui uma oportunidade para voltar à fonte e às referências que inspiram a justiça e o direito. Duma coisa temos a certeza: a boa política está ao serviço da paz; respeita e promove os direitos humanos fundamentais, que são igualmente deveres recíprocos, para que se teça um vínculo de confiança e gratidão entre as gerações do presente e as futuras.
4. Os vícios da política
A par das virtudes, não faltam infelizmente os vícios, mesmo na política, devidos quer à inépcia pessoal quer às distorções no meio ambiente e nas instituições. Para todos, está claro que os vícios da vida política tiram credibilidade aos sistemas dentro dos quais ela se realiza, bem como à autoridade, às decisões e à ação das pessoas que se lhe dedicam. Estes vícios, que enfraquecem o ideal duma vida democrática autêntica, são a vergonha da vida pública e colocam em perigo a paz social: a corrupção – nas suas múltiplas formas de apropriação indevida dos bens públicos ou de instrumentalização das pessoas –, a negação do direito, a falta de respeito pelas regras comunitárias, o enriquecimento ilegal, a justificação do poder pela força ou com o pretexto arbitrário da «razão de Estado», a tendência a perpetuar-se no poder, a xenofobia e o racismo, a recusa a cuidar da Terra, a exploração ilimitada dos recursos naturais em razão do lucro imediato, o desprezo daqueles que foram forçados ao exílio.
5. A boa política promove a participação dos jovens e a confiança no outro
Quando o exercício do poder político visa apenas salvaguardar os interesses de certos indivíduos privilegiados, o futuro fica comprometido e os jovens podem ser tentados pela desconfiança, por se verem condenados a permanecer à margem da sociedade, sem possibilidades de participar num projeto para o futuro. Pelo contrário, quando a política se traduz, concretamente, no encorajamento dos talentos juvenis e das vocações que requerem a sua realização, a paz propaga-se nas consciências e nos rostos. Torna-se uma confiança dinâmica, que significa «fio-me de ti e creio contigo» na possibilidade de trabalharmos juntos pelo bem comum. Por isso, a política é a favor da paz, se se expressa no reconhecimento dos carismas e capacidades de cada pessoa. «Que há de mais belo que uma mão estendida? Esta foi querida por Deus para dar e receber. Deus não a quis para matar (cf. Gn 4, 1-16) ou fazer sofrer, mas para cuidar e ajudar a viver. Juntamente com o coração e a inteligência, pode, também a mão, tornar-se um instrumento de diálogo».[6]
Cada um pode contribuir com a própria pedra para a construção da casa comum. A vida política autêntica, que se funda no direito e num diálogo leal entre os sujeitos, renova-se com a convicção de que cada mulher, cada homem e cada geração encerram em si uma promessa que pode irradiar novas energias relacionais, intelectuais, culturais e espirituais. Uma tal confiança nunca é fácil de viver, porque as relações humanas são complexas. Nestes tempos, em particular, vivemos num clima de desconfiança que está enraizada no medo do outro ou do forasteiro, na ansiedade pela perda das próprias vantagens, e manifesta-se também, infelizmente, a nível político mediante atitudes de fechamento ou nacionalismos que colocam em questão aquela fraternidade de que o nosso mundo globalizado tanto precisa. Hoje, mais do que nunca, as nossas sociedades necessitam de «artesãos da paz» que possam ser autênticos mensageiros e testemunhas de Deus Pai, que quer o bem e a felicidade da família humana.
6. Não à guerra nem à estratégia do medo
Cem anos depois do fim da I Guerra Mundial, ao recordarmos os jovens mortos durante aqueles combates e as populações civis dilaceradas, experimentamos – hoje, ainda mais que ontem – a terrível lição das guerras fratricidas, isto é, que a paz não pode jamais reduzir-se ao mero equilíbrio das forças e do medo. Manter o outro sob ameaça significa reduzi-lo ao estado de objeto e negar a sua dignidade. Por esta razão, reiteramos que a escalada em termos de intimidação, bem como a proliferação descontrolada das armas são contrárias à moral e à busca duma verdadeira concórdia. O terror exercido sobre as pessoas mais vulneráveis contribui para o exílio de populações inteiras à procura duma terra de paz. Não são sustentáveis os discursos políticos que tendem a acusar os migrantes de todos os males e a privar os pobres da esperança. Ao contrário, deve-se reafirmar que a paz se baseia no respeito por toda a pessoa, independentemente da sua história, no respeito pelo direito e o bem comum, pela criação que nos foi confiada e pela riqueza moral transmitida pelas gerações passadas.
O nosso pensamento detém-se, ainda e de modo particular, nas crianças que vivem nas zonas atuais de conflito e em todos aqueles que se esforçam por que a sua vida e os seus direitos sejam protegidos. No mundo, uma em cada seis crianças sofre com a violência da guerra ou pelas suas consequências, quando não é requisitada para se tornar, ela própria, soldado ou refém dos grupos armados. O testemunho daqueles que trabalham para defender a dignidade e o respeito das crianças é extremamente precioso para o futuro da humanidade.
7. Um grande projeto de paz
Celebra-se, nestes dias, o septuagésimo aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada após a II Guerra Mundial. A este respeito, recordemos a observação do Papa São João XXIII: «Quando numa pessoa surge a consciência dos próprios direitos, nela nascerá forçosamente a consciência do dever: no titular de direitos, o dever de reclamar esses direitos, como expressão da sua dignidade; nos demais, o dever de reconhecer e respeitar tais direitos».[7]
Com efeito, a paz é fruto dum grande projeto político, que se baseia na responsabilidade mútua e na interdependência dos seres humanos. Mas é também um desafio que requer ser abraçado dia após dia. A paz é uma conversão do coração e da alma, sendo fácil reconhecer três dimensões indissociáveis desta paz interior e comunitária:
– a paz consigo mesmo, rejeitando a intransigência, a ira e a impaciência e – como aconselhava São Francisco de Sales – cultivando «um pouco de doçura para consigo mesmo», a fim de oferecer «um pouco de doçura aos outros»;
– a paz com o outro: o familiar, o amigo, o estrangeiro, o pobre, o atribulado…, tendo a ousadia do encontro, para ouvir a mensagem que traz consigo;
– a paz com a criação, descobrindo a grandeza do dom de Deus e a parte de responsabilidade que compete a cada um de nós, como habitante deste mundo, cidadão e ator do futuro.
A política da paz, que conhece bem as fragilidades humanas e delas se ocupa, pode sempre inspirar-se ao espírito do Magnificat que Maria, Mãe de Cristo Salvador e Rainha da Paz, canta em nome de todos os homens: A «misericórdia [do Todo-Poderoso] estende-se de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes (…), lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre» (Lc 1, 50-55).
Vaticano, 8 de dezembro de 2018.
FRANCISCUS

domingo, 30 de dezembro de 2018

FESTA DA SAGRADA FAMILIA

 No domingo 30 de dezembro de 2018, realizou-se a Festa da Sagrada Família organizada por uma comissão que reuniu várias vezes para tudo preparar.

 Pelas 10h saíu a Procissão com o andor da Sagrada Família, levado aos ombros por homens e mulheres que percorreram algumas ruas da Paróquia de S. Francisco Xavier de Caparica


 Ao longo do caminho rezou-se e cantou-se, e o Pároco, Padre João de Brito,sj orientou a recitação do Terço meditando os mistérios e pedindo graças para todas as famílias
A procissão foi aumentando ao longo do percurso, até voltar à Quinta de S. Francisco de Borja.

Ás 11h30 ao ar livre começou a Eucarística da Festa da Sagrada Família presidida pelo Pároco
 Padre João de Brito, e pelos Padres da Comunidade de Jesuítas, Padre Dario Pedroso, Padre Gonçalo Machado e Padre José Pires.

Na homilia,o Pároco exortou as famílias a viverem no amor como a família de Nazaré, Maria, José e Jesus.
Houve um ofertório solene com canticos e danças
          Depois no pátio foi o almoço convívio com muita animação e pratos típicos e variados
                                                  O palco foi a alegria das crianças
 À tarde não faltou o grande bolo dedicado à Sagrada Família e o espumante para brindar
                     e cantar os parabéns por mais um aniversário da Festa da Sagrada Família.

QUE A SAGRADA FAMÍLIA DE NAZARÉ ABENÇOE E PROTEJA TODAS AS FAMÍLIAS!


REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DA FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA DE JESUS MARIA E JOSÉ


Lc 2,41-52 Hoje, no último Angelus de 2018, o Papa Francisco dedicou sua reflexão à Sagrada Família, festejada pela Igreja neste domingo.
Mas o Papa recordou também as famílias com problemas, convidando-nos a aprendermos a maravilharmo-nos com as coisas boas que os outros têm, especialmente com quem nos é mais difícil.
Dirigindo-se aos milhares de peregrinos presentes na Praça São Pedro, o Pontífice chamou a atenção para dois elementos presentes na narrativa de São Lucas: estupor e angústia.
De fato, a família de Nazaré foi à Jerusalém para a Festa da Páscoa, mas na viagem de retorno, Maria e José percebem que o filho de doze anos não está na caravana, e depois “de três dias de busca e de medo, encontram-no no templo, sentado entre os doutores, decidido a discutir com eles”. Maria e José ficam "admirados" com a cena e Maria diz a Jesus que José e ela ficaram angustiados à sua procura.
Nunca faltou o estupor na família de Nazaré – explicou o Papa – que é “a capacidade de se maravilhar diante da gradual manifestação do Filho de Deus”. Também os doutores no templo ficaram admirados "com a sua inteligência e as suas respostas".
Maravilhar-se – observou Francisco - é o oposto de tomar tudo como certo, de interpretar a realidade que nos rodeia e os acontecimentos da história somente segundo os nossos critérios:
“Maravilhar-se é abrir-se aos outros, compreender as razões dos outros: essa atitude é importante para curar relacionamentos comprometidos entre as pessoas e é também indispensável para curar feridas abertas no âmbito familiar”. 
O Papa recordou então, que quando existem problemas nas famílias, nós sempre achamos que temos razão e fechamos as portas aos outros, mas deveríamos, pelo contrário, pensar o que é que a outra pessoa tem de bom e se maravilhar por este "bom". E explicou: "Isto ajuda a unidade da família. Se vocês têm problemas na família, pensem nas coisas boas que tem a pessoa da família com a qual vocês têm problemas, e se maravilhem com isto. E isto ajudará a curar as feridas familiares".
O Papa fala então da angústia que José e Maria sentiram com a perda do filho, o que “manifesta a centralidade de Jesus na Sagrada Família”:
A Virgem e seu esposo haviam acolhido aquele Filho, protegiam-no e viam-no a crescer em idade, sabedoria e graça no meio deles, mas acima de tudo ele crescia dentro de seus corações; e, pouco a pouco, aumentava o seu afeto e a sua compreensão em relação a ele”.
“Eis porque a família de Nazaré é santa: por estar centrada em Jesus - todas as atenções e solicitudes de Maria e José eram dirigidas a ele ”
Esta mesma angústia de Maria e José, disse Francisco, deveria ser experimentada também por nós, “quando estamos distantes dele”: “Deveríamos ficar angustiados quando por mais de três dias nos esquecemos de Jesus, sem rezar, sem ler o Evangelho, sem sentir a necessidade de sua presença e de sua amizade consoladora”. E tantas vezes passam os dias sem que eu me recorde de Jesus. Isso é feio, é muito feio. Deveríamos nos angustiar quando estas coisas acontecem." 
Assim como Maria e José o encontraram no templo ensinando - ressaltou o santo Padre -  também nós “podemos encontrar o divino Mestre e acolher a sua mensagem de salvação”, na Casa de Deus: “Na celebração eucarística, fazemos experiência viva de Cristo; Ele nos fala, nos oferece a sua Palavra, nos ilumina, nos ilumina o nosso caminho, nos dá o seu corpo na Eucaristia, da qual tiramos força para enfrentar as dificuldades de todos os dias”. 
Ao concluir, o Santo Padre convidou todos a rezar “por todas as famílias do mundo, especialmente por aquelas em que, por várias razões, há falta de paz e harmonia confiando-as à proteção da Sagrada Família de Nazaré”.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

ALEGRIA - JESUS NASCEU! SANTO NATAL!


Diante do presépio contemplo Maria e José com Jesus acabado de nascer!

Que pensam? Que dizem? Que fazem?
Diante de Jesus, penso: tudo isto por mim!

Deixo-me possuir de espanto pelo amor, pela simplicidade e pobreza de um Deus que me ama assim… 
e interrogo-me:
Que fiz por Jesus? Que faço por Jesus? Que farei por Jesus?
Um Santo Natal e um 2019 cheio de Bençãos de Deus para todos.

domingo, 23 de dezembro de 2018

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO IV DOMINGO DO ADVENTO (ANO C)


Lc 1,39-47 O trecho evangélico, deste IV Domingo do Advento, narra a visita de Maria à sua idosa parente Isabel. O anjo Gabriel lhe havia revelado que Isabel esperava um filho e já estava no sexto mês de gravidez. A Virgem, que tinha acabado de conceber Jesus por obra de Deus, partiu apressadamente de Nazaré, na Galileia, para as montanhas da Judeia.
“Este episódio nos ajuda a ler com uma luz especial o mistério do encontro do homem com Deus”, afirmou Francisco.
Um encontro que não é marcado por clamorosos prodígios, mas é marcado pela fé e pela caridade. Maria, de fato, é bem-aventurada porque acreditou: o encontro com Deus é fruto da fé.
O marido de Isabel, Zacarias, ao invés, não acreditou e ficou surdo e mudo. Sem fé, acrescentou o Papa, fica-se inevitavelmente surdo à voz consoladora de Deus e incapaz de pronunciar palavras de consolo e de esperança aos nossos irmãos.
“E nós o vemos todos os dias: as pessoas que não têm fé ou uma fé muito pequena, quando se aproximam de uma pessoa que sofre, dizem palavras de circunstância, mas não conseguem chegar ao coração porque não têm força. Não têm força porque não há fé, e se não há fé não saem palavras que chegam ao coração.”
A fé, por sua vez, se alimenta na caridade. O evento do nascimento de Jesus começou assim, com um simples gesto de caridade, com Maria que se levanta para ir até Isabel, demonstrando nos fatos já ser discípula daquele Senhor que carrega no ventre.
 “O Evangelho da visita de Maria a Isabel nos prepara para viver bem o Natal, comunicando-nos o dinamismo da fé e da caridade. Este dinamismo é obra do Espírito Santo: o Espírito de Amor que fecundou o ventre virginal de Maria e a levou ao serviço da parente idosa.”
Por fim, o Papa Francisco pede que Maria nos dê a graça de viver um Natal “extrovertido e não dispersivo: que no centro não esteja o nosso ‘eu’, mas o Tu de Jesus e o tu dos irmãos, especialmente daqueles que necessitam de ajuda”.

domingo, 16 de dezembro de 2018

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE A LITURGIA DO III DOMINGO DO ADVENTO (ANO C)


O Santo Padre enfatizou que neste III domingo do Advento a liturgia nos convida à alegria, destacando as palavras com as quais o profeta Sofonias se dirige à pequena porção do povo de Israel: “Alegra-te, filha de Sião, grita de alegria, Israel, exulta e aclama com todo o coração, filha de Jerusalém!” (3,14). “Gritar de alegria, exultar, alegrar-se: este é o convite deste domingo”, prosseguiu.
“Os habitantes da cidade santa são chamados a alegrar-se porque o Senhor revogou a sua condenação”, frisou o Pontífice e acrescentou que Deus perdoou, não quis punir, consequentemente, para o povo não há mais motivo de tristeza e de desconforto, mas de gratidão alegre a Deus, que quer resgatar e salvar sempre aqueles que ama.
O amor do Senhor pelo seu povo é incessante, comparável à ternura do pai pelos filhos, do esposo pela esposa, como diz ainda Sofonias: “Alegrar-se-á por tua casa, renovar-te-á por seu amor, exultará por ti com gritos de alegria”
Este apelo do profeta é particularmente apropriado no tempo em que nos preparamos para o Natal, disse o Papa, “porque se aplica a Jesus, o Emanuel, o Deus-connosco: a sua presença é a fonte da alegria”.
“As palavras do anjo Gabriel à Virgem são como um eco das palavras do profeta. O que diz o arcanjo Gabriel?: ‘Alegrai-vos, ó cheia de graça, o Senhor é convosco’ (Lc 1,28). “Alegrai-vos”. Numa aldeia perdida da Galileia, no coração de uma jovem mulher desconhecida para o mundo, Deus acende a centelha da felicidade para o mundo inteiro.”
E hoje o mesmo anúncio é dirigido à Igreja, chamada a acolher o Evangelho para que se torne carne, vida concreta, e diz à Igreja, a todos nós: «Alegrai-vos, pequena comunidade cristã, pobre e humilde, mas bonita a meus olhos e desejai ardentemente o meu Reino, tendo fome e sede de justiça, tecendo com paciência e paz, não seguindo os poderosos do momento, mas permanecendo fielmente ao lado dos pobres. E assim não tereis medo de nada. O vosso coração será alegria”.
Francisco lembrou que também São Paulo na liturgia deste domingo nos exorta a não nos angustiar sem esperança por nada, mas em toda circunstância apresentar a Deus os nossos pedidos, as nossas necessidades, as nossas preocupações, “com orações e súplicas” (Fil 4,6).
“Nenhuma preocupação, nenhum medo jamais conseguirá tirar-nos a serenidade, que não vem das coisas humanas, das consolações humanas, mas de Deus, do saber que Deus guia amorosamente a nossa vida, e o faz sempre. Mesmo no meio dos problemas e dos sofrimentos, esta certeza alimenta a esperança e a coragem.”
Mas para acolher o convite do Senhor à alegria, prosseguiu o Santo Padre, é preciso sermos pessoas dispostas a interrogarmo-nos. O que significa isso? “Justamente como aqueles que, após ter ouvido a pregação de João Batista, lhe perguntam: ‘Tu pregas assim. E nós, o que devemos fazer? O que devo fazer? (Lc 3,10)’. Essa pergunta é o primeiro passo para a conversão que somos convidados a realizar neste tempo do Advento”, exortou Francisco.

CONTOS E EUCARISTIA NA FESTA DE NATAL DAS CRIANÇAS DA CATEQUESE 2018


Ontem (15/12) realizou-se a Festa de Natal das crianças da Catequese que contou com a presença dos catequistas e do Centro Juvenil Padre Amadeu Pinto. A Bela, uma das colaboradoras do Centro Juvenil, contou 2 contos de Natal que falavam de fadas, dragões, do Pai Natal e do nascimento de Jesus, claro.



As crianças estiveram atentas e encantadas, com as luzes e a magia própria dos contos de Natal.




Depois dos contos, o P. João de Brito, SJ presidiu à eucaristia, celebrando a Missa de Natal que foi animada com cânticos próprios da quadra que se aproxima.
Seguiu-se o lanche e uma surpresa.


            Resta desejar um Santo Natal a todas as crianças da Paróquia e às respectivas famílias.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

P. PAULO TEIA, SJ, PEDE AJUDA PARA PAGAR COLÓNIA DE FÉRIAS PARA CRIANÇAS ORFÃS EM SATEMWA (MOÇAMBIQUE)

Carta do padre Paulo Teia, SJ
Moçambique, Satemwa, 9 Dezembro de 2018
Queridos amigos (as),

Já se passou quase um ano desde que nos correspondemos por altura da campanha de Natal das mochilas e uniformes das crianças da rua de Tete. Nessa altura eu ainda não estava seguro da minha nova Missão em Moçambique depois da saída da Catedral. Deus tem os Seus caminhos e na verdade acabei por não ir para a Beira mas ficar na mesma Diocese de Tete a trabalhar na Angónia numa Missão que os padres jesuítas começaram há mais de 50 anos – Fonte Boa. Às terças-feiras vou a Tete fazer compras (250 km!) e costumo encontrar muitas das crianças que ajudamos no ano passado. Sempre estamos um tempo juntos e aproveito para falar com elas enquanto comem alguma coisa que compro. Neste momento, através de um benfeitor de Espanha, já consegui o dinheiro para pagar as mochilas e o material escolar destas crianças para este ano de 2019 que começa em Fevereiro.
Não quis no entanto deixar de vos desafiar mais uma vez para um gesto concreto. Neste momento sou responsável por um projeto chamado “Sementes do Amanhã” que tem cerca de 93 meninos e meninas órfãos. Estes meninos e meninas vivem em sete casas diferentes situadas nas aldeias onde viviam os seus pais e família. Cada casa tem a capacidade de acolher 12 crianças, meninos e meninas, que estão ao cuidado de duas mães da aldeia que foram contratadas para esse efeito.
As crianças tem idade compreendida entre os 5 meses de idade e os 21 anos. Recebem ajuda na alimentação, no vestuário, na saúde e nos estudos.

A colaboração que vos pedia para este ano seria de ajudarem a pagar a colónia de férias que estamos a organizar para elas em Satemwa (casa dos padres na Angónia) e que vai durar uma semana. As crianças entraram de férias e só regressam à escola em Fevereiro. Contamos que cada criança possa custar cerca de 15 euros. Para além disso, uma ajuda para comprar um Data Show (+- 400 euros) para projetarmos uns filmes para elas, seria muito bem-vinda.
Para ajudares basta enviares os 15 euros para a minha conta em Portugal e um correio eletrónico a dizer que fizeste a transferência. Eu enviar-te-ei o nome, a idade e a casa onde a criança vive. Na altura da colónia receberás algumas fotografias dos bons momentos que elas viveram.
Sem mais agradeço muito a tua amizade e a tua dedicação, um grande beijinho e abraço deste sempre vosso amigo padre Paulo Teia sj
Iban: PT50 0035 0662 0000 8466 0008 5 CGD
E-MAIL: ecovirgula@sapo.pt

domingo, 9 de dezembro de 2018

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO II DOMINGO DO ADVENTO (ANO C)


Lc 3,1-6 Depois de recordar que no último domingo a liturgia nos convidava a viver o tempo do Advento e da espera do Senhor com a atitude de vigilância, neste segundo domingo do Advento, disse o Papa, é-nos indicado como dar substância a essa espera: empreendendo um caminho de conversão.
Como guia para este caminho, - continuou Francisco - o Evangelho apresenta-nos a figura de João Batista, que "percorreu toda a região do Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados". Para descrever a missão do Batista, o evangelista Lucas recorda a antiga profecia de Isaías: "Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas”.
"Para preparar o caminho para o Senhor que vem, é necessário ter em conta as exigências da conversão a que o Batista nos convida. Antes de mais nada, somos chamados a recuperar os buracos produzidos pela frieza e pela indiferença, abrindo-nos aos outros com os mesmos sentimentos de Jesus, isto é, com a cordialidade e a atenção fraternas que se responsabiliza pelas necessidades do nosso próximo, isto é recuperar os buracos produzidos pela frieza. E não se pode ter uma relação de amor, de caridade, de fraternidade com o próximo se há buracos, como não se pode caminhar por uma estrada com muitos buracos. E fazer tudo isso com um cuidado especial para com os mais necessitados"
Então,  - prosseguiu Francisco - precisamos reduzir as imensas infidelidades causadas pelo orgulho e  pela soberba, fazendo gestos concretos de reconciliação para com os nossos irmãos, pedindo perdão pelas nossas faltas. Não é fácil reconciliarmo-nos, acrescentou o Papa, mas o Senhor ajuda-nos nisso se tivermos boa vontade.
"A conversão, na verdade, é completa se nos leva a reconhecer os nossos erros, as nossas infidelidades e omissões".
O fiel, sublinhou o Papa na sua alocução antes de rezar o Angelus -, é aquele que, estando próximo do seu irmão, como João Batista, abre estradas no deserto, ou seja, indica perspectivas de esperança mesmo naqueles contextos existenciais impenetráveis, marcados pelo fracasso e pela derrota.
"Não nos podemos render a situações negativas de fechamento e rejeição; não nos devemos deixar sujeitar à mentalidade do mundo, porque o centro da nossa vida é Jesus e a sua palavra de luz, de amor, de consolação".
O Batista convidava as pessoas de seu tempo à conversão com força, vigor e severidade. No entanto, ele sabia ouvir, sabia como realizar gestos de ternura e de perdão para com as multidões de homens e mulheres que iam até ele para confessar seus pecados e serem batizados com o batismo de penitência.
Seu testemunho de vida, - acrescentou o Papa - a pureza do seu anúncio, a sua coragem em proclamar a verdade conseguiram despertar as expectativas e esperanças no Messias que há muito tempo estavam adormecidas. Ainda hoje, os discípulos de Jesus são chamados a ser suas humildes mas corajosas testemunhas para reacender a esperança, para fazer entender que, apesar de tudo, o reino de Deus continua a ser construído dia a dia com o poder do Espírito Santo.
Pensemos, cada um de nós – disse Francisco –, “como é que eu posso mudar algo no meu comportamento para preparar o caminho do Senhor?
Que a Virgem Maria – concluiu o Santo Padre -, nos ajude a preparar dia após dia o caminho do Senhor, começando por nós mesmos; e a espalhar em torno a nós, com tenaz paciência, sementes de paz, de justiça e de fraternidade.