segunda-feira, 18 de março de 2019

VIA SACRA JOVEM 2019 (AS FOTOS)

A viver o Biénio da Juventude, a Pastoral Juvenil da Diocese de Setúbal promoveu a habitual Via-sacra Jovem no passado dia 15 de Março. Este ano com o tema Partilha-te na Cruz. Cerca de 400 jovens partilharam o seu tempo para viver um caminho que decorreu entre a Paróquia de São Francisco Xavier de Caparica e a Paróquia do Monte da Caparica.
O nosso Bispo, D. José Ornelas, acompanhou os jovens e convidou todos os presentes a caminharem juntos e a comprometerem-se com a Igreja diocesana. Aqui ficam algumas fotos...













domingo, 17 de março de 2019

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO II DOMINGO DA QUARESMA (ANO C)


 Lc 9, 28b-36 O evento da Transfiguração do Senhor inspirou as palavras do Papa Francisco antes de rezar com os fiéis na Praça São Pedro a oração mariana do Angelus.
O evangelista Lucas mostra-nos Jesus transfigurado sobre a montanha, que é o local da luz, símbolo fascinante da singular experiência reservada aos discípulos Pedro, Tiago e João.
Eles sobem a montanha com o Mestre, veem-no imergir-se em oração e, a certa altura, o seu rosto muda de aparência. E ao lado de Jesus apareceram Moisés e Elias, que falam com Ele da sua morte.
Francisco explicou que a Transfiguração se realiza num momento singular da missão de Cristo, ou seja, depois de confiar aos discípulos que sofrerá, morrerá e ressuscitará no terceiro dia.
Jesus quer que saibam que este é o caminho através do qual o Pai fará alcançar a glória para o seu Filho, ressuscitando-o dos mortos. “E este será também o caminho dos discípulos: ninguém alcança a vida eterna senão seguindo Jesus, carregando a própria cruz na vida terrena. Cada um de nós tem a própria cruz. O Senhor mostra-nos o fim deste percurso, que é a Ressurreição, a beleza, carregando a própria cruz.”
Portanto, acrescentou o Papa, a Transfiguração de Cristo mostra-nos a perspectiva cristã do sofrimento: "Não é sadomasoquismo, é uma passagem necessária, mas transitória".
O ponto de chegada ao qual somos chamados é luminoso como o rosto de Cristo transfigurado: Nele está a salvação, a bem-aventurança, a luz, o amor de Deus sem limites.
Mostrando a sua glória, Jesus garante-nos que a cruz, as provações, as dificuldades nas quais nos debatemos têm a sua solução e a sua superação na sua Páscoa.
O Papa fez então um convite aos fiéis: “Nesta Quaresma, subamos também nós a montanha com Jesus! De que modo? Com a oração. A oração silenciosa, a oração do coração, a oração sempre buscando o Senhor. Permaneçamos alguns momentos em recolhimento, todos os dias um pouquinho, fixemos o olhar interior no seu rosto e deixemos que a sua luz nos adentre e se irradie na nossa vida.”
É assim, reiterou Francisco, a oração em Cristo e no Espírito Santo. Ela transforma a pessoa a partir de dentro e pode iluminar os outros e o mundo circundante.
"Quantas vezes encontramos pessoas que iluminam, que emanam luz dos olhos, que têm aquele olhar luminoso! Rezam e a oração faz isto: nos faz luminosos com a luz do Espírito Santo."
“Prossigamos com alegria o nosso itinerário quaresmal”, concluiu o Pontífice. “Vamos dar espaço à oração e à Palavra de Deus. Que a Virgem nos ensine a permanecer com Jesus mesmo quando não o entendemos e compreendemos. Porque somente permanecendo Nele veremos a sua glória.”

domingo, 10 de março de 2019

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO I DOMINGO DA QUARESMA (ANO C)


Lc 4,1-13 As tentações representam "a ilusão de poder obter o sucesso e a felicidade”. Estas são palavras do Papa Francisco no Angelus deste domingo (10/03) na Praça São Pedro, comentando o Evangelho do dia sobre as tentações às quais Jesus é submetido no deserto.
“As três tentações indicam três caminhos que o mundo sempre propõe, prometendo grandes sucessos: a ganância de possuir, a glória humana, a instrumentalização de Deus”, disse o Papa.
“São esses os caminhos que são colocados diante de nós, com a ilusão de poder alcançar o sucesso e a felicidade, enfatizou  Francisco. “Mas, na realidade, esses caminhos são completamente estranhos ao modo de agir de Deus; na verdade, eles nos separam d’Ele, porque são obras de Satanás”.
Falando da ganância de possuir, o Papa explicou que "esta é sempre a lógica insidiosa do diabo. Ele parte da natural e legítima necessidade de se alimentar, de viver, de realizar-se, de ser feliz, para nos impulsionar a acreditar que tudo isso é possível sem Deus, ou melhor, até mesmo contra Ele”.
Sobre a segunda tentação, a glória humana, Francisco sublinhou o risco de "perder toda a dignidade pessoal", deixando-se" corromper pelos ídolos do dinheiro, do sucesso e do poder, para alcançar a autoafirmação. Prova-se a emoção de uma alegria vazia que logo desaparece. Por isso Jesus responde: "Adorarás­ o Senhor teu Deus e só a ele prestarás culto".
Sobre a instrumentalização de Deus, o Santo Padre explicou, que se trata da tentação "de querer puxar Deus para o nosso lado', pedindo-lhe graças que na realidade servem para satisfazer o nosso orgulho".
"Jesus, enfrentando pessoalmente essas provações, vence por três vezes as tentações para aderir plenamente ao plano do Pai. E nos mostra os remédios: a vida interior, a fé em Deus, a certeza de seu amor. Portanto, aproveitemos da Quaresma, como tempo privilegiado para nos purificarmos, para experimentarmos a presença consoladora de Deus em nossa vida".
O Papa então concluiu sublinhando:
“ Jesus ao responder ao tentador, não entra em diálogo, mas responde aos três desafios somente com a palavra de Deus. Isto nos ensina que com o diabo não se dialoga, não devemos dialogar, somente se responde a ele com a palavra de Deus.”

domingo, 3 de março de 2019

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A QUARESMA DE 2019

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA A QUARESMA DE 201
9
«A criação encontra-se em expetativa ansiosa,
aguardando a revelação dos filhos de Deus» 
(Rm 8, 19)

Queridos irmãos e irmãs!

Todos os anos, por meio da Mãe Igreja, Deus «concede aos seus fiéis a graça de se prepararem, na alegria do coração purificado, para celebrar as festas pascais, a fim de que (…), participando nos mistérios da renovação cristã, alcancem a plenitude da filiação divina» (Prefácio I da Quaresma). Assim, de Páscoa em Páscoa, podemos caminhar para a realização da salvação que já recebemos, graças ao mistério pascal de Cristo: «De facto, foi na esperança que fomos salvos» (Rm 8, 24). Este mistério de salvação, já operante em nós durante a vida terrena, é um processo dinâmico que abrange também a história e toda a criação. São Paulo chega a dizer: «Até a criação se encontra em expetativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus» (Rm 8, 19). Nesta perspetiva, gostaria de oferecer algumas propostas de reflexão, que acompanhem o nosso caminho de conversão na próxima Quaresma.
1. A redenção da criação
A celebração do Tríduo Pascal da paixão, morte e ressurreição de Cristo, ponto culminante do Ano Litúrgico, sempre nos chama a viver um itinerário de preparação, cientes de que tornar-nos semelhantes a Cristo (cf. Rm 8, 29) é um dom inestimável da misericórdia de Deus.
Se o homem vive como filho de Deus, se vive como pessoa redimida, que se deixa guiar pelo Espírito Santo (cf. Rm 8, 14), e sabe reconhecer e praticar a lei de Deus, a começar pela lei gravada no seu coração e na natureza, beneficia também a criação, cooperando para a sua redenção. Por isso, a criação – diz São Paulo – deseja de modo intensíssimo que se manifestem os filhos de Deus, isto é, que a vida daqueles que gozam da graça do mistério pascal de Jesus se cubra plenamente dos seus frutos, destinados a alcançar o seu completo amadurecimento na redenção do próprio corpo humano. Quando a caridade de Cristo transfigura a vida dos santos – espírito, alma e corpo –, estes rendem louvor a Deus e, com a oração, a contemplação e a arte, envolvem nisto também as criaturas, como demonstra admiravelmente o «Cântico do irmão sol», de São Francisco de Assis (cf. Encíclica Laudato si’, 87). Neste mundo, porém, a harmonia gerada pela redenção continua ainda – e sempre estará – ameaçada pela força negativa do pecado e da morte.
2. A força destruidora do pecado
Com efeito, quando não vivemos como filhos de Deus, muitas vezes adotamos comportamentos destruidores do próximo e das outras criaturas – mas também de nós próprios –, considerando, de forma mais ou menos consciente, que podemos usá-los como bem nos apraz. Então sobrepõe-se a intemperança, levando a um estilo de vida que viola os limites que a nossa condição humana e a natureza nos pedem para respeitar, seguindo aqueles desejos incontrolados que, no livro da Sabedoria, se atribuem aos ímpios, ou seja, a quantos não têm Deus como ponto de referência das suas ações, nem uma esperança para o futuro (cf. 2, 1-11). Se não estivermos voltados continuamente para a Páscoa, para o horizonte da Ressurreição, é claro que acaba por se impor a lógica do tudo e imediatamente, do possuir cada vez mais.
Como sabemos, a causa de todo o mal é o pecado, que, desde a sua aparição no meio dos homens, interrompeu a comunhão com Deus, com os outros e com a criação, à qual nos encontramos ligados antes de mais nada através do nosso corpo. Rompendo-se a comunhão com Deus, acabou por falir também a relação harmoniosa dos seres humanos com o meio ambiente, onde estão chamados a viver, a ponto de o jardim se transformar num deserto (cf. Gn 3, 17-18). Trata-se daquele pecado que leva o homem a considerar-se como deus da criação, a sentir-se o seu senhor absoluto e a usá-la, não para o fim querido pelo Criador, mas para interesse próprio em detrimento das criaturas e dos outros.
Quando se abandona a lei de Deus, a lei do amor, acaba por se afirmar a lei do mais forte sobre o mais fraco. O pecado – que habita no coração do homem (cf. Mc 7, 20-23), manifestando-se como avidez, ambição desmedida de bem-estar, desinteresse pelo bem dos outros e muitas vezes também do próprio – leva à exploração da criação (pessoas e meio ambiente), movidos por aquela ganância insaciável que considera todo o desejo um direito e que, mais cedo ou mais tarde, acabará por destruir inclusive quem está dominado por ela.
3. A força sanadora do arrependimento e do perdão
Por isso, a criação tem impelente necessidade que se revelem os filhos de Deus, aqueles que se tornaram «nova criação»: «Se alguém está em Cristo, é uma nova criação. O que era antigo passou; eis que surgiram coisas novas» (2 Cor 5, 17). Com efeito, com a sua manifestação, a própria criação pode também «fazer páscoa»: abrir-se para o novo céu e a nova terra (cf. Ap 21, 1). E o caminho rumo à Páscoa chama-nos precisamente a restaurar a nossa fisionomia e o nosso coração de cristãos, através do arrependimento, a conversão e o perdão, para podermos viver toda a riqueza da graça do mistério pascal.
Esta «impaciência», esta expetativa da criação ver-se-á satisfeita quando se manifestarem os filhos de Deus, isto é, quando os cristãos e todos os homens entrarem decididamente neste «parto» que é a conversão. Juntamente connosco, toda a criação é chamada a sair «da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus» (Rm 8, 21). A Quaresma é sinal sacramental desta conversão. Ela chama os cristãos a encarnarem, de forma mais intensa e concreta, o mistério pascal na sua vida pessoal, familiar e social, particularmente através do jejum, da oração e da esmola.
Jejuar, isto é, aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tentação de «devorar» tudo para satisfazer a nossa voracidade, à capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração. Orar, para saber renunciar à idolatria e à autossuficiência do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da sua misericórdia. Dar esmola, para sair da insensatez de viver e acumular tudo para nós mesmos, com a ilusão de assegurarmos um futuro que não nos pertence. E, assim, reencontrar a alegria do projeto que Deus colocou na criação e no nosso coração: o projeto de amá-Lo a Ele, aos nossos irmãos e ao mundo inteiro, encontrando neste amor a verdadeira felicidade.
Queridos irmãos e irmãs, a «quaresma» do Filho de Deus consistiu em entrar no deserto da criação para fazê-la voltar a ser aquele jardim da comunhão com Deus que era antes do pecado das origens (cf. Mc 1,12-13; Is 51,3). Que a nossa Quaresma seja percorrer o mesmo caminho, para levar a esperança de Cristo também à criação, que «será libertada da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus» (Rm 8, 21). Não deixemos que passe em vão este tempo favorável! Peçamos a Deus que nos ajude a realizar um caminho de verdadeira conversão. Abandonemos o egoísmo, o olhar fixo em nós mesmos, e voltemo-nos para a Páscoa de Jesus; façamo-nos próximo dos irmãos e irmãs em dificuldade, partilhando com eles os nossos bens espirituais e materiais. Assim, acolhendo na nossa vida concreta a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, atrairemos também sobre a criação a sua força transformadora.
Vaticano, Festa de São Francisco de Assis, 4 de outubro de 2018.

Franciscus

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO VIII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO C)


Lc 6, 39-45 Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice explicou a passagem do Evangelho deste domingo que apresenta parábolas breves, “com as quais Jesus indica aos seus discípulos o caminho a seguir para viver com sabedoria”.
Com a pergunta: “Pode um cego guiar outro cego?”, Jesus sublinha que “um guia não pode ser cego, mas deve ver bem, ou seja, deve ter sabedoria para guiar com sabedoria, caso contrário, corre o risco de prejudicar as pessoas que se confiam a ele”.
 “Assim, Jesus chama a atenção daqueles que têm responsabilidades educacionais ou de comando: os pastores de almas, as autoridades públicas, os legisladores, mestres e pais, exortando-os a estar conscientes do seu papel delicado e a discernir sempre a estrada certa na qual conduzir as pessoas.”
Segundo Francisco, Jesus usa uma expressão sapiencial para indicar-se como modelo de mestre e guia a ser seguido: “Um discípulo não é mais que o mestre, mas aquele bem preparado será como o seu mestre”.
“É um convite a seguir o seu exemplo e seu ensinamento para sermos guias seguros e sábios. Este ensinamento está especialmente contido no discurso da montanha, que há três domingos a liturgia nos propõe no Evangelho, indicando a atitude de mansidão e misericórdia para sermos pessoas sinceras, humildes e justas."
“Na passagem de hoje, encontramos outra frase significativa que exorta a não sermos presunçosos nem hipócritas. ”
"Diz assim: «Por que é que olhas o cisco no olho do teu irmão, e não prestas atenção na trave que há no teu próprio olho?»” “Muitas vezes, todos nós sabemos, é mais fácil ou conveniente ver e condenar os defeitos e os pecados dos outros, sem conseguir ver os próprios com a mesma lucidez. Nós escondemos sempre os nossos defeitos. Escondemo-los até de nós mesmos. Ao invés, é fácil ver os defeitos dos outros. A tentação é a de ser indulgentes consigo mesmo, clementes consigo mesmo e duros a condenar os outros.”
O Pontífice disse que “é sempre útil ajudar o próximo com conselhos sábios, mas enquanto observamos e corrigimos os defeitos do nosso próximo, também devemos estar cientes de que temos defeitos”. “Se eu penso que não tenho defeitos, não posso condenar ou corrigir os outros. Todos nós temos defeitos: todos."
“ Devemos estar conscientes disso e antes de condenar os outros, devemos olhar para dentro de nós mesmos. Podemos assim agir de modo crível, com humildade, testemunhando a caridade.”
“Como podemos entender se o nosso olho é livre ou se está impedido por uma trave?”, perguntou o Papa. Jesus responde-nos: «Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons; porque toda árvore é conhecida pelos seus frutos».
 “O fruto são as ações, mas também as palavras. Das palavras se conhece a qualidade da árvore."
“ De fato, quem é bom, do seu coração e da sua boca saem o bem e quem é mau põe para fora o mal, praticando o exercício mais deletério entre nós que é a murmuração, a fofoca, falar mal dos outros. ” "Isso destrói, destrói a família, destrói a escola, destrói o local de trabalho, destrói o bairro. As guerras começam da língua.”
“Pensemos um pouco nesse ensinamento de Jesus”, exortou o Papa, “e questionemo-nos: falo mal dos outros?  É mais fácil para mim ver os defeitos dos outros do que os meus? E procuremos corrigirmo-nos pelo menos um pouco: isso nos fará bem a todos”.
Francisco pediu o apoio e a intercessão de Maria para que possamos seguir o Senhor nesse caminho.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO VII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO C)


Lc 6, 27-38 Uma “revolução da misericórdia”, capaz de superar o instinto humano e a lei mundana da retaliação. Assim, "proclamamos ao mundo que é possível vencer o mal com o bem". Foi o que sugeriu o Papa na sua alocução que precedeu a Oração mariana do Angelus, neste VII domingo do Tempo Comum.
Dirigindo-se aos milhares de peregrinos presentes na Praça São Pedro num dia ensolarado e com baixas temperaturas, Francisco recordou que a ordem de Jesus “amar os vossos inimigos, fazer o bem a quem vos odeia e abençoar os que vos amaldiçoam” não é uma opção. E Jesus não ordena isto a todos, mas aos discípulos, “àqueles que o escutam”:
“Ele sabe muito bem que amar os inimigos ultrapassa as nossas possibilidades, mas para isso se fez homem: não para nos deixar assim como somos, mas para nos transformar em homens e mulheres capazes de um amor maior, aquele de seu e nosso Pai . Este é o amor que Jesus dá a quem o "escuta". E então isso se torna possível! Com Ele, graças ao seu amor, ao seu Espírito, nós podemos amar também aqueles que não nos amam, mesmo aqueles que nos fazem mal”. 
Deste modo – explica o Papa -  Jesus quer que em cada coração o amor de Deus triunfe sobre o ódio e o rancor.  Mas se a “lógica do amor, que culmina na cruz de Cristo, é o que caracteriza  o cristão e nos leva a ir de encontro a todos, com coração de irmãos (...), como é possível superar o instinto humano e a lei mundana da retaliação?”, questiona. 
A resposta, recorda Francisco, “é dada por Jesus na mesma página do Evangelho: "Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso": 
“Quem ouve Jesus, que se esforça em segui-lo, mesmo que isso tenha seu preço, torna-se filho de Deus e começa a se assemelhar realmente ao Pai que está nos Céus. Nos tornamos capazes de coisas que nunca teríamos pensado ser capazes dizer ou fazer, e das quais nos teríamos até mesmo envergonhado, mas que agora, pelo contrário, nos dão paz e alegria. Não temos mais necessidade de ser violentos, com as palavras e os gestos; nos descobrimos capazes de ternura e de bondade; e sentimos que tudo isso não vem de nós, mas d'Ele! E,  portanto, não nos vangloriamos disso, mas somos apenas agradecidos”. 
Não há nada maior e mais fecundo do que o amor – diz o Papa -, pois “ele confere à pessoa toda a sua dignidade, enquanto o ódio e a vingança a diminuem, deturpando a beleza da criatura feita à imagem de Deus”.
E ressalta, que  “esta ordem para responder ao insulto e ao erro com o amor, criou uma nova cultura no mundo: a "cultura da misericórdia - devemos aprendê-la bem, e praticá-la bem, esta cultura da misericórdia que dá vida a uma verdadeira revolução":
“É a revolução do amor, cujos protagonistas são os mártires de todos os tempos. E Jesus nos assegura que o nosso comportamento, marcado pelo amor para com aqueles que nos fazem mal, não será em vão. Ele diz: "Perdoai e sereis perdoados. Dai e vos será dado (...) porque, com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos”.
A exemplo de Deus que sempre nos perdoa – recordou o Santo Padre -  também nós devemos perdoar sempre, pois “se não perdoarmos completamente, não podemos pretender ser perdoados completamente”, também.
Pelo contrário, “se os nossos corações se abrem à misericórdia, se o perdão é selado com um abraço fraterno e se estreitam os laços de comunhão, nós proclamamos ao mundo que é possível  vencer o mal com o bem”:
"Às vezes para nós é mais fácil recordar as ofensas, os males que nos fizeram e não as coisas boas. São os "colecionadores de injustiças": somente recordam as coisas ruins que fizeram. E este não é o caminho. Devemos fazer o contrário, diz Jesus. Recordar as coisas boas é quando alguém vem com uma fofoca, que fala mal do outro, e dizer: "Mas, sim, quem sabe, mas ele tem isto de bom". Inverter o discurso. Esta é a revolução da misericórdia".
“Que a Virgem Maria – foi seu pedido ao final - nos ajude a deixar-nos tocar o coração por esta palavra santa de Jesus, queimando como fogo, que nos transforma e nos torna capazes de fazer o bem sem recompensa, testemunhando em toda parte a vitória do amor”.

domingo, 17 de fevereiro de 2019

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO VI DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO C)


O Papa Francisco, antes da Oração Mariana do Angelus deste domingo (17) de sol e ambiente primaveril, comenta o Evangelho das Bem-aventuranças na versão de São Lucas (Lc 7, 17.20-26). O Pontífice afirma que ter fé é confiar totalmente no Senhor, derrubando “ídolos mundanos”, e que a felicidade é estar com Deus, próximo dos pobres procurando não seguir os “profissionais da ilusão”.
O Pontífice começa explicando que o texto se articula “em quatro bem-aventuranças e quatro mandamentos formulados com a expressão ‘ai de vós’”. São palavras fortes e incisivas que Jesus usa para nos abrir os olhos. Francisco convida-nos, assim, “a refletir sobre o sentido profundo de ter fé, que consiste em confiarmos totalmente no Senhor”.
Deus está próximo dos “pobres, dos que têm fome, dos aflitos e perseguidos” para libertá-los das suas escravidões, diz o Papa, e dirige-se aos ricos, saciados, sorridentes e aclamados pelas pessoas com o “ai de vós” para “’despertá-los’ do engano perigoso do egoísmo”. 
“ Trata-se de derrubar os ídolos mundanos para abrir o coração ao Deus vivo e verdadeiro; só Ele pode dar à nossa existência aquela plenitude tão desejada e difícil de alcançar. ”
“São muitos, de fato, inclusive nos nossos dias, aqueles que se propõem como distribuidores de felicidade: vêm e prometem sucesso a curto prazo, grande retorno de fácil alcance, soluções mágicas para cada problema e assim por diante. E aqui é fácil escorregar, sem perceber, no pecado contra o primeiro mandamento, isto é, a idolatria, substituir Deus por um ídolo. Idolatria e ídolos parecem coisas de outros tempos, mas, na verdade, são de todos os tempos! Inclusive de hoje. Descrevem algumas posturas contemporâneas melhor que muitas análises sociológicas.”
Por isso Jesus abre-nos os olhos para a realidade, afirma o Papa. Somos felizes se estamos ao lado de Deus e “daquilo que não é efêmero, mas dura para a vida eterna”. Somos felizes se “estivermos próximos dos pobres, dos aflitos e de quem tem fome”, acrescenta o Pontífice, e “possuindo bens deste mundo”, mas conseguindo “compartilhar com os nossos irmãos”.
“As Bem-aventuranças de Jesus são uma mensagem decisiva que nos motiva a não recolocar a nossa crença nas coisas materiais e passageiras, a não procurar a felicidade seguindo os vendedores de fumaça que muitas vezes são vendedores de morte, profissionais da ilusão. Não, não devemos segui-los. Eles são incapazes de nos dar esperança. O Senhor ajuda-nos a abrir os olhos, a capturar um olhar mais penetrante sobre a realidade, a sarar da miopia crônica que o espírito mundano nos contamina.”
O Papa concluiu incentivando-nos a reconhecermos “aquilo que realmente nos enriquece, nos sacia, nos dá alegria e dignidade” e a tornarmo-nos, assim, “testemunhas da felicidade que não engana. A de Deus. Essa não decepciona nunca”.