domingo, 4 de novembro de 2018

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXXI DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 12,28-34  O amor a Deus e ao próximo são inseparáveis, reiterou hoje o Papa na sua alocução, antes de rezar o Angelus. “Eles são os dois lados de uma única moeda: vividos juntos, são a verdadeira força do crente”.
 “Há um só Senhor e esse Senhor é "nosso" no sentido de que está ligado a nós por um pacto indissolúvel, amou-nos, ama-nos e amar-nos-á para sempre”, disse o Papa ao iniciar a sua reflexão, inspirada no Evangelho de São Marcos e no Livro do Deuteronômio.
E “é desta fonte, deste amor de Deus – completou -  que deriva o duplo mandamento para nós: "Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua mente e com toda a tua força. [...] amarás o teu próximo como a ti mesmo": 
Ao escolher estas duas palavras dirigidas por Deus ao seu povo e colocando-as juntas, Jesus ensinou de uma vez por todas que o amor a Deus e o amor ao próximo são inseparáveis. E mais do que isso,  eles se sustentam-se um ao outro. Mesmo se colocados em sequência, eles são os dois lados de uma única moeda: vividos juntos, eles são a verdadeira força do crente”!
“O nosso Deus é doação sem reservas, é perdão sem limites, é relação que promove e faz crescer. Por isto – observou Francisco -  amar a Deus quer dizer investir nossas energias todos os dias para sermos seus colaboradores no serviço ao próximo sem reservas, no buscar perdoar sem limites e no cultivar relações de comunhão e de fraternidade”.
E explicou, que “o evangelista Marcos não se preocupa em especificar quem é o próximo, porque o próximo é a pessoa que eu encontro no caminho, todos os dias”:
Não se trata de pré-selecionar o meu próximo, isto não é cristão! Eu penso que o meu próximo é aquele que eu pré-selecionei. Não, isto não é cristão, é pagão; mas trata-se de ter olhos para vê-lo e coração para querer o seu bem. Se nos exercitarmos em ver com o olhar de Jesus, nos colocaremos sempre em escuta e ao lado de quem precisa. As necessidades do próximo exigem certamente respostas eficazes, mas antes ainda elas pedem compartilhamento”.
Com uma imagem – exemplificou - podemos dizer que o faminto tem necessidade não apenas de um prato de sopa, mas também de um sorriso, de ser ouvido e também de uma oração, quem sabe feita em conjunto:
O Evangelho de hoje convida todos nós a sermos projetados não somente para as urgências dos irmãos mais pobres, mas sobretudo a estarmos atentos às suas necessidades de proximidade fraterna, de sentido da vida e da ternura. Isso interpela nossas comunidades cristãs: trata-se de evitar o risco de ser comunidades que vivem de muitas iniciativas, mas de poucas relações; o risco de comunidade "estações de serviço", mas de pouca companhia, no sentido pleno e cristão deste termo”.
“Seria ilusório – disse Francisco ao concluir -  pretender amar o próximo sem amar a Deus. E da mesma forma seria ilusório pretender amar a Deus sem amar o próximo. As duas dimensões do amor, para Deus e para o próximo, em sua unidade, caracterizam o discípulo de Cristo. Que a Virgem Maria nos ajude a acolher e testemunhar na vida de cada dia este ensinamento luminoso”.

domingo, 28 de outubro de 2018

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc. 10, 47-52 “Gostaria de dizer aos jovens, em nome de todos nós, adultos: desculpai, se muitas vezes não vos escutamos; se, em vez de vos abrir o coração, vos enchemos os ouvidos”: disse o Papa Francisco hoje, de manhã, na homilia da missa deste XXX Domingo do Tempo Comum, celebrada na Basílica de São Pedro, no encerramento do Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens. Na homilia, o Pontífice concentrou-se no Evangelho do dia, que nos traz o episódio da cura do cego Bartimeu feita por Jesus, do qual na sua reflexão propôs algumas indicações aos padres sinodais e aos jovens para o caminho de fé da Igreja.
Bartimeu é o último que segue Jesus ao longo do caminho: “de mendigo na margem da estrada para Jericó, torna-se discípulo que vai juntamente com os outros para Jerusalém. Também nós caminhamos juntos, ‘fizemos sínodo’ e agora este Evangelho corrobora três passos fundamentais no caminho da fé”: escutar, fazer-se próximo e testemunhar, apontou o Santo Padre.
“O primeiro passo para ajudar o caminho da fé é escutar. É o apostolado do ouvido: escutar, antes de falar”, ressaltou. Referindo-se à atitude de muitos que estavam com Jesus, que repreenderam Bartimeu para que estivesse calado, disse que estes “seguiam Jesus, mas tinham em mente os seus projetos”, e que este é um risco do qual sempre devemos nos precaver.
Ao contrário, para Jesus, o grito de quem pede ajuda não é um transtorno que estorva o caminho, mas uma questão vital. Como é importante, para nós, escutar a vida! Os filhos do Pai celeste prestam ouvidos aos irmãos: não às críticas inúteis, mas às necessidades do próximo. Ouvir com amor, com paciência, como Deus faz connosco, com as nossas orações muitas vezes repetitivas. Deus nunca Se cansa, sempre Se alegra quando O procuramos. Peçamos, também nós, a graça dum coração dócil a escutar, exortou Francisco.
Dirigindo-se aos jovens, o Santo Padre disse com veemência:
“Como Igreja de Jesus, desejamos colocar-nos amorosamente à vossa escuta, certos de duas coisas: que a vossa vida é preciosa para Deus, porque Deus é jovem e ama os jovens; e que, também para nós, a vossa vida é preciosa, mais ainda necessária para se avançar.”
Depois da escuta, o Papa apontou um segundo passo para acompanhar o caminho da fé: fazer-se próximo.
Vejamos Jesus, disse, “que não delega em ninguém da ‘grande multidão’ que O seguia, mas encontra Ele pessoalmente Bartimeu. Diz-lhe: ‘Que queres que Eu faça por ti?’. (...) É assim que Deus procede, envolvendo-Se pessoalmente com um amor de predileção por cada um. Na sua maneira de proceder, ressalta já a sua mensagem: assim a fé germina na vida”. A fé passa para a vida.
“Quando a fé se concentra apenas em formulações doutrinárias, arrisca-se a falar apenas à cabeça, sem tocar o coração. E quando se concentra apenas na ação, corre o risco de tornar-se moralismo e reduzir-se ao social. Ao contrário, a fé é vida: é viver o amor de Deus que mudou a nossa existência. Não podemos ser doutrinaristas ou ativistas; somos chamados a levar para a frente a obra de Deus segundo o modo de Deus, na proximidade: unidos intimamente a Ele, em comunhão uns com os outros, próximso dos irmãos. Proximidade: aqui está o segredo para transmitir, não algum aspeto secundário, mas o coração da fé.”
Francisco prosseguiu fazendo uma advertência: “Existe frequentemente aquela tentação que reaparece tantas vezes na Escritura: lavar as mãos, desinteressar-se. É o que faz a multidão no Evangelho de hoje, é o que fez Caim com Abel, é o que fará Pilatos com Jesus: lavar as mãos. Nós, pelo contrário, queremos imitar Jesus e, como Ele, meter as mãos na massa, sujá-las. Ele, o caminho (cf. Jo 14, 6), por Bartimeu deteve-Se ao longo da estrada; Ele, a luz do mundo (cf. Jo 9, 5), inclinou-Se sobre um cego”.
Reconhecemos que o Senhor sujou as mãos por cada um de nós e, fixando a Cruz, “recomecemos de lá, da lembrança de Deus que Se fez meu próximo no pecado e na morte. Fez-Se meu próximo: tudo começa de lá”, observou o Papa. “E, quando por amor d’Ele também nós nos fazemos próximos, tornamo-nos portadores de vida nova: não mestres de todos, não especialistas do sagrado, mas testemunhas do amor que salva.”
 “Testemunhar é o terceiro passo”, frisou o Santo Padre. “Não é cristão esperar que os irmãos inquietos batam às nossas portas; somos nós que devemos ir ter com eles, não lhes levando a nós mesmos, mas Jesus. Ele manda-nos, como àqueles discípulos, para encorajar e levantar em seu nome. Manda-nos dizer a cada um: ‘Deus pede para te deixares amar por Ele’.”
“Quantas vezes – continuou Francisco –, em vez desta mensagem libertadora de salvação, nos levamos a nós mesmos, às nossas ‘receitas’, às nossas ‘etiquetas’ na Igreja! Quantas vezes, em vez de fazermos nossas as palavras do Senhor, despachamos como palavra d’Ele as nossas ideias! Quantas vezes as pessoas sentem mais o peso das nossas instituições que a presença amiga de Jesus! Então aparecemos como uma ONG, uma organização para-estatal, e não como a comunidade dos redimidos que vivem a alegria do Senhor.”
 “A fé é questão de encontro, não de teoria. No encontro, Jesus passa; no encontro, palpita o coração da Igreja. Então serão eficazes, não as nossas homilias, mas o testemunho da nossa vida.”

domingo, 21 de outubro de 2018

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 10,35-45 A mensagem do Mestre é clara: enquanto os grandes da terra constroem “tronos” para o próprio poder, Deus escolhe um trono incômodo, a Cruz, para dali reinar dando a vida”: foi o que disse o Papa Francisco no Angelus deste domingo (21/10) na Praça São Pedro, repleta de fiéis e peregrinos provenientes de todo o mundo.
“O Filho do Homem – disse - não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate de muitos”, explicou, acrescentando: “o caminho do amor está sempre 'em prejuízo', porque amar significa deixar de lado o egoísmo, a auto-referencialidade, para servir os outros".
Para o Papa Francisco “o caminho do serviço é o antídoto mais eficaz contra a doença da busca dos primeiros lugares, é o remédio para carreiristas; esta busca dos primeiros lugares contagia muitos contextos humanos e não poupa nem mesmo os cristãos, o povo de Deus, e a hierarquia eclesiástica”.
Por isso, como discípulos de Cristo, acolhamos este Evangelho como um chamamento à conversão, para testemunhar com coragem e generosidade uma Igreja que se inclina aos pés dos últimos, para os servir com amor e simplicidade.
O Evangelho deste domingo – disse Francisco no início da sua alocução - descreve Jesus que, mais uma vez, com grande paciência, tenta corrigir os seus discípulos convertendo-os da mentalidade do mundo àquela de Deus. A ocasião foi oferecida pelos irmãos Tiago e João, os dois primeiros apóstolos que Jesus encontrou e chamou para segui-lo. Já tinham caminhado muito com Jesus, e pertenciam ao grupo dos doze Apóstolos.
Por isso, enquanto caminhavam para Jerusalém, onde os discípulos esperavam com ânsia que Jesus, por ocasião da Festa da Páscoa, pudesse finalmente instaurar o Reino de Deus, os dois irmãos tomaram coragem e dirigiram ao Mestre seus pedidos: “'Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda, quando estiveres na tua glória!' (v.37).
Jesus sabe que Tiago e João têm um grande entusiasmo por Ele e pela causa do Reino, mas também sabe que as suas expectativas e seu zelo estão poluídos pelo espírito do mundo. Por isso responde: “Vós não sabeis o que pedis” (v.38) e enquanto eles falavam de “tronos de glória” para se sentarem ao lado do Cristo Rei, Ele fala de um cálice a ser bebido, de um “batismo” a ser recebido, ou seja, da sua paixão e morte. Tiago e João, sempre pensando no privilégio esperado, dizem de ímpeto: sim, “podemos”! Mas, aqui também,  - disse Francisco – “não se dão conta do que dizem. Jesus preanuncia que eles irão beber o cálice e receberão o batismo, isto é, assim como os outros Apóstolos eles participarão da sua cruz, quando chegar sua hora. Mas, conclui Jesus – “não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. É para aqueles a quem foi reservado!”. (v.40). Ou seja: agora vocês sigam-me e aprendam o caminho do amor “em prejuízo”, e quanto ao prêmio, será o Pai Celeste a dar.
O Papa concluiu pedindo à Virgem Maria, que aceitou plenamente e com humildade à vontade de Deus, para que nos ajude a seguir com alegria Jesus no caminho do serviço, o caminho principal que leva ao Céu.

domingo, 14 de outubro de 2018

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


“O que devo fazer para receber em herança a vida eterna?”. A pergunta deste desconhecido – que pode ser cada um de nós – narrada no Evangelho de Marcos, ofereceu ao Pontífice a inspiração para falar em sua homilia sobre a radicalidade exigida no seguimento sincero de Jesus.
Jesus fixou o olhar no homem e amou-o, mudando-lhe a perspectiva,  “pede-lhe para passar da observância das leis ao dom de si mesmo, do trabalhar para si ao estar com Ele. E faz-lhe uma proposta «cortante» de vida: «Vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres (…), vem e segue-Me.»”
A mesma proposta faz Jesus a cada um de nós. E para ser dele – observa o Papa – “não basta não fazer nada de mal”, ou segui-lo apenas quando nos apetece, ou ainda "ficar contentes com observar preceitos, dar esmolas e recitar algumas orações”, mas devemos encontrar n’Ele o Deus que sempre nos ama, o sentido da nossa vida, a força para nos entregarmos.
Ao dizer para vender tudo o que tem e dar o dinheiro aos pobres, Jesus pede a cada um de nós “para deixar aquilo que torna pesado o coração, esvaziar-se de bens para dar lugar a Ele, único bem”: “Não se pode seguir verdadeiramente a Jesus, quando se está estivado de coisas. Pois, se o coração estiver repleto de bens, não haverá espaço para o Senhor, que Se tornará uma coisa mais entre as outras. Por isso, a riqueza é perigosa e – di-lo Jesus – torna difícil até mesmo salvar-se. Não, porque Deus seja severo; não! O problema está do nosso lado: o muito que temos e o muito que ambicionamos sufocam-nos o coração e tornam-nos incapazes de amar (…). Quando se coloca no centro o dinheiro, vemos que não há lugar para Deus; e não há lugar sequer para o homem”.
“Jesus é radical – reitera o Papa -  dá tudo e pede tudo: dá um amor total e pede um coração indiviso”. E pergunta: “Também hoje Se nos dá como Pão vivo; poderemos nós, em troca, dar-Lhe as migalhas? A Ele, que Se fez nosso servo até ao ponto de Se deixar crucificar por nós, não Lhe podemos responder apenas com a observância de alguns preceitos. A Ele, que nos oferece a vida eterna, não podemos dar qualquer bocado de tempo. Jesus não Se contenta com uma «percentagem de amor»: não podemos amá-Lo a vinte, cinquenta ou sessenta por cento. Ou tudo ou nada”.
“O nosso coração é como um íman: deixa-se atrair pelo amor, mas só se pode apegar a um lado e tem de escolher: amar a Deus ou as riquezas do mundo; viver para amar ou viver para si mesmo”: “Perguntemo-nos de que lado estamos nós... Perguntemo-nos a que ponto nos encontramos na nossa história de amor com Deus... Contentamo-nos com alguns preceitos ou seguimos Jesus como enamorados, prontos verdadeiramente a deixar tudo por Ele? Jesus pergunta a cada um e a todos nós como Igreja em caminho: somos uma Igreja que se limita a pregar bons preceitos ou uma Igreja-esposa, que pelo seu Senhor se lança no amor? Seguimo-Lo verdadeiramente ou voltamos aos passos do mundo, como aquele homem? Em suma, basta-nos Jesus ou procuramos as seguranças do mundo?”
Peçamos a graça – foi a exortação de Francisco - de saber deixar por amor do Senhor "as riquezas, os sonhos de funções e poderes, as estruturas já inadequadas para o anúncio do Evangelho, os pesos que travam a missão, os laços que nos ligam ao mundo” 
“Sem um salto em frente no amor - disse o Papa -  a nossa vida e a nossa Igreja adoecem de «autocomplacência egocêntrica»”, procurando a alegria em qualquer prazer passageiro. “Fechamo-nos numa tagarelice estéril, acomodamo-nos na monotonia duma vida cristã sem ardor, onde um pouco de narcisismo cobre a tristeza de permanecermos inacabados”.
Foi o que aconteceu com aquele homem que “retirou-se pesaroso” – disse o Papa. “Embora tivesse encontrado Jesus e recebido o seu olhar amoroso, foi-se embora triste. A tristeza é a prova do amor inacabado. É o sinal dum coração tíbio. Pelo contrário, um coração aliviado dos bens, que ama livremente o Senhor, espalha sempre a alegria, aquela alegria de que hoje temos tanta necessidade”. 
“Hoje - prosseguiu o Santo Padre - Jesus convida-nos a voltar às fontes da alegria, que são o encontro com Ele, a opção corajosa de arriscar para O seguir, o gosto de deixar tudo para abraçar o seu caminho. Os Santos percorreram este caminho.”

domingo, 7 de outubro de 2018

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXVII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 10, 2-16 "No projeto original do Criador, não há homem que se case com uma mulher e, se as coisas não vão bem, ele a repudia. Não. Em vez disso, há o homem e a mulher chamados a reconhecerem-se, completarem-se e a ajudarem-se mutuamente no matrimônio". Esta é a advertência  feita pelo Papa Francisco que, no Angelus deste domingo na Praça São Pedro, comentou o Evangelho que "oferece a palavra de Jesus sobre o matrimônio".
"Este ensinamento de Jesus é muito claro e defende a dignidade do matrimônio, - disse o Papa - como união de amor que implica a fidelidade. O que permite que os casais se mantenham unidos no matrimônio – explicou Francisco - é um amor de doação recíproca apoiado pela graça de Cristo. Se, ao invés, prevalece nos cônjuges, o interesse individual, a própria satisfação, então a união deles não será capaz de resistir".
Mas, o Papa esclareceu: "é a mesma página do Evangelho a lembrar-nos, com grande realismo, que o homem e a mulher, chamados a viver a experiência do relacionamento e do amor, podem dolorosamente fazer gestos que a colocam em crise. Jesus não admite o repúdio e tudo o que pode levar ao naufrágio do relacionamento. Jesus tudo faz para confirmar o desígnio de Deus, no qual se destacam a força e a beleza do relacionamento humano.
“A Igreja, mãe e mestra – disse o Papa – que compartilha as alegrias e as fadigas das pessoas, por um lado, não se cansa de confirmar a beleza da família como nos foi entregue pela Escritura e pela Tradição; ao mesmo tempo - assegurou Francisco - esforça-se para fazer sentir concretamente a sua proximidade materna àqueles que vivem a experiência de relacionamentos rompidos ou levados avante de maneira dolorosa e fadigosa".
"O modo de agir do próprio Deus com o seu povo infiel, isto é connosco, ensina-nos que o amor ferido pode ser curado por Deus através da misericórdia e do perdão. Portanto, à Igreja, nestas situações, não é solicitado imediatamente e somente a condenação. Pelo contrário - concluiu o Papa -, em face de tantos dolorosos fracassos conjugais, a Igreja se sente chamada a viver a sua presença de caridade e de misericórdia, para levar de volta a Deus os corações feridos e perdidos".

domingo, 30 de setembro de 2018

REFEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 9,38-43.45-47-48 Na alocução que precedeu hoje a oração do Angelus, o Pontífice ressaltou que “o Evangelho deste domingo nos apresenta um daqueles particulares muito instrutivos da vida de Jesus com os seus discípulos”.
“Eles tinham visto que um homem, que não fazia parte do grupo dos seguidores de Jesus, expulsava demônios em nome de Jesus, e por isso queriam proibi-lo. João, com o entusiasmo zeloso típico dos jovens, refere o fato ao Mestre buscando o seu apoio; mas, Jesus, ao contrário, responde: «Não lhe proíbam, pois ninguém faz um milagre em meu nome e depois pode falar mal de mim. Quem não está contra nós, está a nosso favor».”
Segundo o Papa, “João e os outros discípulos manifestam um comportamento de fechamento diante de um acontecimento que não entra nos seus esquemas, neste caso ação, mesmo sendo boa, de uma pessoa ‘externa’ ao grupo de seguidores”.
“Em vez disso, Jesus parece muito livre, plenamente aberto à liberdade do Espírito de Deus, que não é limitado em sua ação por nenhum confim e por nenhum recinto. Jesus quer educar os seus discípulos, e também a nós hoje, a esta liberdade interior. ”
Francisco disse que “nos faz bem refletir sobre este episódio e fazer um pouco de exame de consciência”.
 “O comportamento dos discípulos de Jesus é muito humano, muito comum, e podemos encontrá-lo nas comunidades cristãs de todos os tempos, provavelmente também em nós mesmos.”
Segundo o Papa, “existe o medo da ‘concorrência’ de que alguém possa atrair novos seguidores, e então não se consegue apreciar o bem que os outros fazem: não é bom porque ele “não é um dos nossos”. É uma forma de auto-referencialidade. De fato, aqui está a raiz do proselitismo. E a Igreja, disse o Papa Bento XVI, não cresce pelo proselitismo, cresce pela atração, isto é, cresce pelo testemunho dado aos outros com a força do Espírito Santo”.
 “A grande liberdade de Deus em doar-se a nós é um desafio e uma exortação a mudar os nossos comportamentos e as nossas relações. É um convite que Jesus nos faz hoje."
“Ele convida-nos a não pensar segundo as categorias do “amigo/inimigo”, “nós/eles”, “quem está dentro/quem está fora”, "meu/seu", mas a ir mais além, a abrir o coração a fim de reconhecer a sua presença e a ação de Deus mesmo em âmbitos incomuns e imprevisíveis e em pessoas que não fazem parte de nosso círculo. ”
“Trata-se de estarmos mais atentos à genuinidade do bem, do bonito e do verdadeiro que é realizado, do que ao nome e procedência de quem o faz. E - como nos sugere o restante do Evangelho de hoje -  em vez de julgar os outros, devemos examinarmo-nos a nós mesmos e “cortar” sem pactos tudo o que pode escandalizar as pessoas mais fracas na fé”, disse ainda o Papa.
Francisco concluiu, pedindo à Virgem Maria, “modelo de acolhimento dócil das surpresas de Deus, para que nos ajude a reconhecer os sinais da presença do Senhor no meio de nós, descobrindo-o em todo lugar que Ele se manifestar, até mesmo nas situações mais impensáveis e incomuns. Que ela nos ajude a amar a nossa comunidade sem ciúmes e fechamentos, sempre abertos ao horizonte vasto da ação do Espírito Santo”.

sábado, 29 de setembro de 2018

FALECEU O P. JOSÉ VICENTE MARTINS S.J

Depois de uma longa vida ao serviço de Deus e da sua Igreja faleceu, na passada 5ª feira, 27 de setembro, na Enfermaria do Colégio de S. João de Brito, o Padre José Vicente Martins, sacerdote jesuíta, com 97 anos de idade e 80 de Companhia de Jesus. 
O Padre Vicente nasceu na freguesia de Cabril, concelho de Pampilhosa da Serra, Coimbra, em 1921. Em 1938, entrou no Noviciado da Companhia de Jesus. Fez os primeiros votos em 1940. Fez estudos de Humanidades, Ciências e Filosofia. Foi professor no colégio das Caldinhas, Santo Tirso. Partiu em missão para a Zambézia, Boroma. Em 1949, Voltou à Europa e estudou Teologia em Granada e, depois, em Oxford, na Faculdade de Teologia de Chiping Norton (1952 – 1954). Foi ordenado Sacerdote , em Oxford. Em 1955 regressou à Missão em Moçambique, novamente para Boroma, tendo sido nomeado Superior em 15 de Setembro de 1956. Em 1961 deixou Boroma e foi para Salisbury (Rodézia, hoje Zimbábue) para dar assistência religiosa.
Em 1962 regressou definitivamente a Portugal. Foi Coadjutor na Paróquia de S. Francisco de Paula, em Lisboa, e nomeado seu Pároco em 1963. Em 1969, continuando ainda no Patriarcado de Lisboa, foi nomeado Pároco de Alpiarça e Vale de Cavalos. Em 1974 foi nomeado Pároco da Paróquia de S. João Evangelista, em Lisboa, onde transformou um velho cinema em igreja.
Em 22 de Novembro de 1992 foi nomeado Pároco da Paróquia de Cristo Rei, Pragal, na Diocese de Setúbal onde permaneceu até 13 de Outubro de 2009. Transformou velhas instalações de uma quinta na igreja de São Francisco de Borja, sede da quasi paróquia de S. Francisco Xavier de Caparica, atualmente a cargo da Companhia de Jesus. Promoveu obras de restauro e ampliação da igreja paroquial do Pragal.
Em 2002 foi submetido a uma cirurgia delicada ao coração que, felizmente, correu bem. Em 2009, por motivos de saúde, deixou de ser Pároco e mudou-se para o Centro Inaciano do Lumiar (CIL). Voltou a viver na nossa Diocese, na paróquia de Miratejo, onde prestou, sempre que a frágil saúde lho permitia, colaboração pastoral.
Entregou-se, portanto, com determinação, até ao fim da sua vida, às coisas pequenas e às obras mais significativas servindo a Jesus Cristo neste mundo, na Companhia de Jesus, continuando certamente também agora a servi-lo na sua companhia no Céu.
"O Senhor disse-lhe:' Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu Senhor.' (Mt. 25, 21) 
Paz à sua alma.