"Celebrar a semana dos Seminários representa uma afirmação de fé na ação de Deus
que atua na Igreja através do seu Espírito.
De facto, o seminário é o lugar onde aqueles que se sentem chamados por Deus
para lhe consagrarem a própria vida, vêm clarificar e discernir este chamamento e as
suas implicações e, ao mesmo tempo, que se preparam para o serviço ao povo de Deus
como presbíteros/padres.
É, pois, antes de mais, um lugar de escuta da voz de Deus, de aprofundamento da
comunhão com Ele, de configuração da própria vida com o Coração Misericordioso de
Cristo, Bom Pastor. O Seminário pretende criar um ambiente propício para fazer escutar,
nos nossos dias, o mesmo convite que Jesus dirigiu aos seus discípulos para segui-lo e
aprender a identificar-se com a sua compaixão pelas multidões famintas, pelos que
sofrem sem esperança.
Celebrar, interessar-se, rezar e ajudar o seminário da nossa diocese é também uma
atitude de participação ativa e solidária na Igreja de que somos membros. É bom que os
nossos seminaristas sintam a proximidade da família onde nasceram, mas igualmente
da família eclesial que se propõem servir. Deste modo, o seminário torna-se escola de
fraternidade, de sensibilidade comunitária, de corresponsabilidade na missão de
evangelização, tanto para os seminaristas, como para aqueles que participam no
caminho que eles estão a fazer.
Esta semana de atenção aos seminários tem também uma dimensão missionária.
Aqueles que Deus chama, também os envia em missão, como fez com os seus
discípulos.
O nosso seminário e os seminários da Igreja em todo o mundo colocam em
evidência o caráter missionário da Igreja. Aqueles que aqui se preparam para o serviço
do Evangelho, são chamados a estar ao serviço de quantos já se encontram na Igreja,
mas dedicam uma especial atenção aos que ainda não foram tocados pela graça de Deus
e não sentiram a sua palavra de misericórdia e de esperança. Os horizontes de ação de
quem, a partir do seminário, se consagra ao serviço do Evangelho, não podem deixar de
estar abertos à missão universal da Igreja em todo o mundo. É reconfortante saber, a
este respeito, que o Ricardo, um dos nossos seminaristas, se encontra, neste momento,
num tempo de colaboração missionária em São Tomé e Príncipe.
Na semana de 06-13 de Novembro que se aproxima, deixemos que a chama da
nossa fé, o carinho da nossa atenção fraterna e o nosso impulso solidário para com a
missão, se orientem para o nosso e para os seminários de toda a Igreja, pedindo ao
Senhor da messe, que envie para ela operários dedicados ao seu Evangelho. Com a nossa
oração e apoio, inclusivamente económico, podemos ajudar aqueles que Deus chama,
para que possam seguir a Cristo, sendo expressão da sua misericórdia, na nossa diocese
e no mundo."
+ José Ornelas Carvalho, Bispo de Setúbal
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
domingo, 13 de novembro de 2016
REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO C)
Lc
21,5-19 Inspirado na passagem de Lucas proposta pela Liturgia
do dia, que narra o discurso de Jesus sobre o final dos tempos, o Papa
recordou, hoje, na oração do Angelus, o “efeito destas palavras sobre os
discípulos de Jesus”, explicando:
“Ele, porém, não quer ofender o templo, mas
fazê-los entender, e também a nós hoje, que as construções humanas, mesmo as
mais sagradas, são passageiras. Não devemos, por isso, colocar nelas a nossa
segurança. Quantas presumíveis certezas na nossa vida que pensávamos serem
definitivas e depois, revelaram-se efêmeras! Por outro lado, quantos problemas
nos pareciam sem saída e depois, foram superados!”.
Ao alertar sobre os falsos profetas, o Pontífice
explica que “as guerras, revoluções e calamidades”, fazem “parte da realidade
deste mundo”. E que não nos devemos deixar aterrorizar e desorientar por estes
acontecimentos:
“A história da Igreja é rica de exemplos de pessoas
que suportaram tribulações e sofrimentos terríveis com serenidade, porque
tinham a consciência de estarem firmes nas mãos de Deus. Ele é um Pai fiel e
cuidadoso, que nunca abandona os seus filhos. Deus não nos abandona nunca.
Nunca. Esta certeza devemos ter no coração. Deus não nos abandona nunca”.
Neste sentido, devemos “permanecer firmes no
Senhor, caminhar na esperança, trabalhar para construir um mundo melhor, não
obstante as dificuldades e os acontecimentos tristes que marcam a existência
pessoal e coletiva”, pois “é isto que realmente conta; é isto que a comunidade
cristã é chamada a fazer para ir de encontro ao “dia do Senhor”.sexta-feira, 11 de novembro de 2016
AJUDA O CENTRO SOCIAL PAROQUIAL DE CRISTO REI

No Natal de 2016, o Licor Beirão vai apoiar pelo menos uma IPSS portuguesa por distrito, e tu podes votar na tua preferida.
Vota no nossa:
CENTRO SOCIAL PAROQUIAL DE CRISTO REIsegunda-feira, 7 de novembro de 2016
ENCERRAMENTO DO ANO JUBILAR DA MISERICÓRDIA
O Jubileu da Misericórdia, aberto em 8 de dezembro de 2015, terminará a 13 de novembro com o Encerramento da Porta de Santa nas Basílicas de Roma e nas Dioceses e, no dia 20, Solenidade de Cristo Rei, no Vaticano, com o Encerramento da Porta de Santa da Basílica de S. Pedro.
Na nossa Diocese de Setúbal, o Encerramento do Ano Jubilar terá lugar no Santuário de Cristo Rei.
Ai agradeceremos os dons deste Ano jubilar e assumiremos o Compromisso de nos revestirmos sempre da Misericórdia de Deus, sendo como Ele misericordiosos e levando ao Mundo a cultura da Misericórdia.
CENTRO JUVENIL E COMUNITÁRIO P. AMADEU PINTO
CENTRO JUVENIL E COMUNITÁRIO P. AMADEU PINTO
O Centro Juvenil Padre Amadeu Pinto é uma luz de esperança no bairro social do Pragal, fruto da dedicação da Companhia de Jesus e dos muitos que com ele vão colaborando.
Saiba como ajudar o Centro.
No meio do bairro social do Pragal, o Centro Juvenil Padre Amadeu Pinto é uma luz de esperança, fruto da dedicação da Companhia de Jesus e dos muitos que com ele vão colaborando. Neste Centro muitas das crianças e jovens daquela zona recebem o amor, a atenção e muitas vezes a comida, que lhes falta nas suas casas. A maioria passaria o dia na rua, não fora o Centro, numa vida completamente à margem da cidadania. Mas, felizmente, no Centro, têm um local de aprendizagem, de educação, de são convívio, de onde nos últimos anos, têm saído bons resultados.
Escusado será de dizer que um Centro destes tem enormes custos de operação. Nos últimos dois anos tudo foi possível graças ao apoio de uma fundação espanhola que quis e pode acarinhar este trabalho. Mas, para este ano (2016), já não há esse apoio…
COMO FUNCIONA
O Centro apoia cerca de 100 crianças dos 5 aos 14 anos. Está aberto entre as 15h00 e as 20h00, de segunda a sexta-feira. Ajuda as crianças nos trabalhos escolares, reforçada com explicações, fornece ainda um lanche a cada criança e encaminha-as para actividades extra obrigatórias lúdicas, artísticas e desportivas. Primordialmente, cada criança que frequenta o Centro representa menos uma criança na rua e com uma vida mais promissora. Conforme acima referido trata-se do primeiro Centro criado nos moldes aqui descritos, dependendo do sucesso desta experiência a criação de novos centros em situações de natureza idêntica.
O lema do Centro é "Fazer o bem, bem feito." Esta frase, tão querida pelo Padre que deu o nome ao Centro, inspirador da obra entretanto falecido, norteia a sua ação e as relações no Centro. Pretende-se dar a conhecer o Bem tal como Jesus o anunciou, aprender e exercitar a forma como Ele o realizou.
Os 3 pilares da forma de educar no Centro são:
- Educar para a Sabedoria: através do apoio escolar (trabalhos de casa e explicações), pretende-se que as crianças descubram e valorizem aquilo que está por detrás dos ensinamentos e o seu sabor, que vão progressivamente compreendendo as implicações reais dos conteúdos que aprendem na formação da sua identidade e do seu futuro, assim como contribuir para o bem comum da sociedade.
- Educar para a Sensibilidade: através de uma série de ateliers artísticos pretende-se que as crianças descubram o valor da Beleza na sua infindável riqueza. Pretende-se ainda ajudar cada criança a descobrir e exercitar a linguagem que lhe for mais pessoal na vivência dessa mesma Beleza.
- Educar para a Expressividade: o nosso corpo, palco de tantos desafios, é hoje cada vez mais o ponto de partida das nossas decisões. Pretende-se educar as crianças para uma sã e verdadeira relação com o seu próprio corpo e com o corpo dos outros, que as crianças possam descobrir, sobretudo através do desporto, o potencial de criatividade do seu próprio corpo, a sua facilidade de comunicação, e a contínua disposição em adaptar-se harmoniosamente ao mundo que as rodeia.
Em tudo, pretende-se educar para um Cuidado Compassivo: que as crianças descubram a importância do Cuidado por tudo o que existe e a cada um confiado. Um cuidado compassivo, na medida em que cada criança se responsabiliza pelo que existe, através de um conhecimento interno dessa realidade, e assumindo-a como sua.
QUE NECESSIDADES TEM
- Voluntários com disponibilidade entre as 15h00 e as 20h00, sendo mais importante assegurar o horário das 17h30 às 20h00.
Estes voluntários têm como tarefas ajudar nos TPC e nos lanches, acompanhar nas actividades lúdicas e artísticas (tipo ATL) com preparação para dias especiais (dia do Pai, da Mãe, actividades plásticas, etc).
Apoiam no desporto, dança, contam histórias, etc.
Cada voluntário tem de se comprometer com, pelo menos, um dia por semana - é necessária regularidade e fidelidade. Se o voluntário falta a criança com quem trabalha fica sem ninguém que a ajude.
As actividades começam em Outubro e estendem-se até meados de Junho.
- Profissionais, sobretudo na área da saúde – dentistas, oftalmologistas, pediatras – que possa receber e/ou encaminhar as crianças que não têm dinheiro para pagar consultas e, por vezes, são casos urgentes.
O QUE PODEMOS FAZER
E é aqui que podemos entrar nós, respondendo ao convite que o Papa nos fez neste dia Mundial da Paz: “(…) com o Jubileu da Misericórdia, quero convidar a Igreja a rezar e trabalhar para que cada cristão possa maturar um coração humilde e compassivo, capaz de anunciar e testemunhar a misericórdia, de «perdoar e dar», de abrir-se «àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que muitas vezes o mundo contemporâneo cria de forma dramática», sem cair «na indiferença que humilha, na habituação que anestesia o espírito e impede de descobrir a novidade, no cinismo que destrói (…)»
- Ser voluntário;
- Associar-nos à já existente recolha de fundos que conseguiu pagar, este ano, a renda da garagem;
- Trazer ao Centro novas ideias, reais e possíveis, de financiamento e usar os nossos conhecimentos para divulgar esta obra;
- Colaborar, na medida do possível, usando a nossa área profissional.
domingo, 6 de novembro de 2016
FESTA DE ACOLHIMENTO
Celebrou-se a Festa de acolhimento das crianças que entraram pela 1ª vez para a catequese,
na Eucaristia deste Domingo.
Começaram a frequentar a catequese do 1º catecismo " JESUS GOSTA DE MIM"
mais de 50 crianças
Quereis ser amigos de Jesus?
SIM QUEREMOS!
REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXXII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO C)
Lc
20,27-38 O Papa Francisco disse hoje no Vaticano que a
ressurreição é o “fundamento da fé cristã”, numa reflexão que evocou as
recentes celebrações de Todos os Santos e Fiéis Defuntos.
“A ressurreição não é só o facto de reviver após a
morte, mas é um novo género de vida que já experimentamos hoje: é a vitória
sobre o nada, que já podemos saborear. A ressurreição é o fundamento da fé
cristã”, sustentou, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro
para a recitação do ângelus.
Num dia em que a passagem do Evangelho lida nas
igrejas de todo o mundo relata uma discussão de Jesus com líderes religiosos do
seu tempo, sobre a vida após a morte, Francisco sublinhou que acreditar na
ressurreição é “essencial”, permitindo que o amor dos cristãos não seja
“efémero e fechado em si mesmo”.
“Se não houvesse referência ao Paraíso e à vida
eterna, o Cristianismo reduzir-se-ia a uma ética, a uma filosofia de vida. Pelo
contrário, a mensagem da vida cristã vem do Céu, é revelada por Deus e vai para
lá deste mundo”, explicou.
O Papa realçou que as palavras de Jesus mostram que
este mundo se vive numa “realidade provisória” e que no além, após a
ressurreição, sem a morte como “horizonte”, as relações humanas serão vividas
“na dimensão de Deus, de forma transfigurada”.domingo, 30 de outubro de 2016
REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXXI DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO C)
Lc. 19, 1 –
10 O Papa comentou o evangelho deste domingo, em que São Lucas narra um
episódio da vida de Jesus ocorrido em Jericó, onde vivia Zaqueu, um dos chefes
de cobradores de impostos. Rico e colaborador dos romanos que ocupavam a
região, Zaqueu não podia aproximar-se de Jesus devido aos seus pecados e ainda
por cima era de estatura baixa. Então subiu para cima de uma árvore, um
sicómoro, à beira da estrada por onde o Mestre ia passar. Ao vê-lo Jesus
disse-lhe para descer porque queria parar na sua casa.
Tudo isto acontece antes de se dar em Jerusalém a
condenação, a morte na cruz e a ressurreição de Jesus. Em poucas palavras, o
desígnio da salvação da misericórdia do Pai para com a humanidade – comenta o
Papa, acrescentando que nesse desígnio está também a salvação de Zaqueu, um
homem desonesto e desprezado por todos e por isso mesmo necessitado de
conversão.
Mas a multidão não compreende porque é que Jesus
entra na casa dum pecador e murmura. Guiado pela misericórdia, Jesus procurava
precisamente Zaqueu, para fazer compreender que o Filho do homem veio procurar
e salvar quem estava perdido.
Se Jesus tivesse posto em evidência os pecados de
Zaqueu – disse o Papa, a multidão teria aplaudido, mas como o acolheu e parou
na sua casa, murmurou.
Por vezes, prosseguiu o Papa na sua reflexão,
procuramos corrigir e converter um pecador, repreendendo-o, fazendo-lhe notar
os seus erros e seu comportamento injusto. Mas a atitude de Jesus em relação a
Zaqueu indica-nos um outro caminho: “O de mostrar a quem erra o seu valor,
aquele valor que Deus continua a ver não obstante tudo. Isto pode provocar uma
surpresa positiva, que enternece o coração e leva a pessoa a trazer ao de cima
o bom que tem em si. É o dar confiança às pessoas que as faz crescer e mudar. É
assim que Deus se comporta com todos nós, não fica bloqueado pelo pecado, mas
supera-o com o amor e nos faz sentir a nostalgia do bem”.
Que Nossa Senhora nos ajude a ver o bom que há nas
pessoas que encontramos no dia a dia, a fim de que todos sejamos encorajados a
fazer emergir a imagem de Deus no nosso coração. E assim possamos alegrar-nos
pela surpresa da misericórdia de Deus – rematou o Papa.
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
1ª CONFERENCIA DO CICLO MENSAGEM DE FÁTIMA
No Seminário de S. Paulo de Almada, na tarde do próximo Domingo, dia 30 de Outubro, pelas 15:30, dar-se-á início ao ciclo de conferências de formação espiritual deste novo ano pastoral.
Por estarmos a entrar no Centenário das Aparições de Fátima teremos, este ano pastoral, um ciclo de conferências dedicado à Mensagem de Fátima.
No próximo Domingo, a Ir M.ª Benedita Costa, asm, vem proferir uma conferência intitulada:
Esta religiosa pertence à Aliança de Santa Maria desde 2006, é licenciada em Ciências Religiosas pela UCP e trabalha actualmente na equipa de Investigação do Serviço de Estudos e Difusão do Santuário de Fátima.
Seguir-se-ão outras conferências já anunciadas no site do Seminário (smspaulo.diocese-setubal.pt).
Por estarmos a entrar no Centenário das Aparições de Fátima teremos, este ano pastoral, um ciclo de conferências dedicado à Mensagem de Fátima.
No próximo Domingo, a Ir M.ª Benedita Costa, asm, vem proferir uma conferência intitulada:
“Lúcia de Jesus: a pastorinha que se tornou confidente do Céu e dos homens”.
Esta religiosa pertence à Aliança de Santa Maria desde 2006, é licenciada em Ciências Religiosas pela UCP e trabalha actualmente na equipa de Investigação do Serviço de Estudos e Difusão do Santuário de Fátima.
Seguir-se-ão outras conferências já anunciadas no site do Seminário (smspaulo.diocese-setubal.pt).
NOVO SUPERIOR GERAL DA COMPANHIA DE JESUS
Os jesuítas fizeram esta semana o mesmo que os cardeais que elegeram o Papa Francisco fizeram em 2013: foram buscar um líder "quase ao fim do mundo". O novo Superior Geral da Companhia de Jesus é venezuelano, oriundo da mesma zona do globo que o Santo Padre e que este classificou como o "fim do mundo": a América Latina. O padre Arturo Sosa torna-se assim o primeiro responsável mundial dos jesuítas não europeu, coincidentemente, numa altura em que também o Papa é um latino americano e, pela primeira vez na história, um jesuíta.Arturo Sosa Abascal, de 67 anos, foi eleito esta semana na 36ª Congregação Geral da Companhia de Jesus e é o 31º sucessor de Santo Inácio de Loiola, fundador desta ordem religiosa.
É licenciado em Filosofia pela Universidade Católica Andrés Bello e doutor em Ciências Políticas pela Universidade Central da Venezuela. Tem um largo percurso ligado à docência e à investigação mas é também um homem do terreno, empenhado nas causas políticas e sociais. Os que o conhecem definem-no como afável, sorridente e inteligente. "Uma figura desassombrada e frontal", nas palavras do jesuíta Alberto Brito, que foi seu colega em Roma. Da forma de agir, sublinham-lhe as qualidades de estratega e conciliador, capaz de escutar e construir pontes.
Grande parte do seu percurso jesuítico foi vivido na Venezuela, onde foi provincial entre 1996 e 2004. Anteriormente tinha sido coordenador do apostolado social e diretor do Centro Gumilla, um centro de investigação e ação social dos jesuítas na Venezuela. Recentemente, estava em Roma, onde era delegado do Padre Geral e responsável pelas obras interprovinciais da Companhia
Desempenhou diversas funções académicas de relevo, especialmente na área das ciências políticas e transformação social. Foi investigador e professor em várias universidades e é um considerado um estudioso e intelectual de enorme profundidade, tendo várias obras publicadas sobre História e Política venezuelana.
O venezuelano sucede, assim, ao espanhol Adolfo Nicolás, SJ. de 80 anos, que foi eleito em 2008 mas manifestou vontade de renunciar ao cargo.
A eleição decorreu no dia 14 de outubro, 12º dia da Congregação Geral, que começou a 3 de outubro de 2016 em Roma e foi antecedida de quatro dias de murmurações, onde não era permitida qualquer campanha eleitoral ou autopromoção. Nesse período, os 112 delegados puderam conversar dois a dois, conhecer-se melhor e perceber a visão de cada um para o futuro da Companhia. A eleição fez-se depois à porta fechada, por votação em urna, e quando foi alcançada uma maioria simples de votos (50%+1).
Esta reunião magna congrega 215 jesuítas de 62 países, incluindo Portugal - representado pelo atual superior provincial, o padre José Frazão Correia, e o padre Miguel Almeida, que acompanha os jesuítas mais novos na segunda etapa da sua formação.
Nas primeiras palavras públicas que proferiu, o novo Geral lembrou que as prioridades da Companhia são as da Igreja e que essas compete ao Papa traçar. Contudo, deixou escapar algumas linhas de ação importantes: o apoio aos mais frágeis, como os pobres e os refugiados, e o diálogo inter-religioso.
Em 24 de Outubro o Papa Francisco esteve na 36ª Congregação Geral da Companhia de Jesus e no final do discurso pediu a Nossa Senhora, nossa Mãe que encaminhe e acompanhe cada jesuíta e a porção do povo de Deus a quem foi enviado, por caminhos de consolação, de compaixão e de discernimento.
domingo, 23 de outubro de 2016
MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2016
MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO
PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2016
PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2016
Tema: Igreja missionária, testemunha de misericórdia
Queridos irmãos e irmãs!
O Jubileu Extraordinário da Misericórdia, que a Igreja está a viver, proporciona uma luz particular também ao Dia Mundial das Missões de 2016: convida-nos a olhar a missão ad gentes como uma grande, imensa obra de misericórdia quer espiritual quer material. Com efeito, neste Dia Mundial das Missões, todos somos convidados a «sair», como discípulos missionários, pondo cada um a render os seus talentos, a sua criatividade, a sua sabedoria e experiência para levar a mensagem da ternura e compaixão de Deus à família humana inteira. Em virtude do mandato missionário, a Igreja tem a peito quantos não conhecem o Evangelho, pois deseja que todos sejam salvos e cheguem a experimentar o amor do Senhor. Ela «tem a missão de anunciar a misericórdia de Deus, coração pulsante do Evangelho» (Bula Misericordiae Vultus, 12), e anunciá-la em todos os cantos da terra, até alcançar toda a mulher, homem, idoso, jovem e criança.
A misericórdia gera íntima alegria no coração do Pai, sempre que encontra cada criatura humana; desde o princípio, Ele dirige-Se amorosamente mesmo às mais vulneráveis, porque a sua grandeza e poder manifestam-se precisamente na capacidade de empatia com os mais pequenos, os descartados, os oprimidos (cf. Dt 4, 31; Sal 86, 15; 103, 8; 111, 4). É o Deus benigno, solícito, fiel; aproxima-Se de quem passa necessidade para estar perto de todos, sobretudo dos pobres; envolve-Se com ternura na realidade humana, tal como fariam um pai e uma mãe na vida dos seus filhos (cf. Jr 31, 20). É ao ventre materno que alude o termo utilizado na Bíblia hebraica para dizer misericórdia: trata-se, pois, do amor duma mãe pelos filhos; filhos que ela amará sempre, em todas as circunstâncias suceda o que suceder, porque são fruto do seu ventre. Este é um aspeto essencial também do amor que Deus nutre por todos os seus filhos, especialmente pelos membros do povo que gerou e deseja criar e educar: perante as suas fragilidades e infidelidades, o seu íntimo comove-se e estremece de compaixão (cf. Os 11, 8). Mas Ele é misericordioso para com todos, o seu amor é para todos os povos e a sua ternura estende-se sobre todas as criaturas (cf. Sal144, 8-9).
A misericórdia encontra a sua manifestação mais alta e perfeita no Verbo encarnado. Ele revela o rosto do Pai, rico em misericórdia: «não somente fala dela e a explica com o uso de comparações e parábolas, mas sobretudo Ele próprio a encarna e a personifica» (João Paulo II, Enc. Dives in misericordia, 2). Aceitando e seguindo Jesus por meio do Evangelho e dos Sacramentos, com a ação do Espírito Santo, podemos tornar-nos misericordiosos como o nosso Pai celestial, aprendendo a amar como Ele nos ama e fazendo da nossa vida um dom gratuito, um sinal da sua bondade (cf. Bula Misericordiae Vultus, 3). A primeira comunidade que, no meio da humanidade, vive a misericórdia de Cristo é a Igreja: sempre sente sobre si o olhar d’Ele que a escolhe com amor misericordioso e, deste amor, ela deduz o estilo do seu mandato, vive dele e dá-o a conhecer aos povos num diálogo respeitoso por cada cultura e convicção religiosa.
Como nos primeiros tempos da experiência eclesial, há tantos homens e mulheres de todas as idades e condições que dão testemunho deste amor de misericórdia. Sinal eloquente do amor materno de Deus é uma considerável e crescente presença feminina no mundo missionário, ao lado da presença masculina. As mulheres, leigas ou consagradas – e hoje também numerosas famílias –, realizam a sua vocação missionária nas mais variadas formas: desde o anúncio direto do Evangelho ao serviço sociocaritativo. Ao lado da obra evangelizadora e sacramental dos missionários, aparecem as mulheres e as famílias que entendem, de forma muitas vezes mais adequada, os problemas das pessoas e sabem enfrentá-los de modo oportuno e por vezes inédito: cuidando da vida, com uma acrescida atenção centrada mais nas pessoas do que nas estruturas e fazendo valer todos os recursos humanos e espirituais para construir harmonia, relacionamento, paz, solidariedade, diálogo, cooperação e fraternidade, tanto no setor das relações interpessoais como na área mais ampla da vida social e cultural e, de modo particular, no cuidado dos pobres.
Em muitos lugares, a evangelização parte da atividade educativa, à qual o trabalho missionário dedica esforço e tempo, como o vinhateiro misericordioso do Evangelho (cf. Lc 13, 7-9; Jo 15, 1), com paciência para esperar os frutos depois de anos de lenta formação; geram-se assim pessoas capazes de evangelizar e fazer chegar o Evangelho onde ninguém esperaria vê-lo realizado. A Igreja pode ser definida «mãe», mesmo para aqueles que poderão um dia chegar à fé em Cristo. Espero, pois, que o povo santo de Deus exerça o serviço materno da misericórdia, que tanto ajuda os povos que ainda não conhecem o Senhor a encontrá-Lo e a amá-Lo. Com efeito a fé é dom de Deus, e não fruto de proselitismo; mas cresce graças à fé e à caridade dos evangelizadores, que são testemunhas de Cristo. Quando os discípulos de Jesus percorrem as estradas do mundo, é-lhes pedido aquele amor sem medida que tende a aplicar a todos a mesma medida do Senhor; anunciamos o dom mais belo e maior que Ele nos ofereceu: a sua vida e o seu amor.
Cada povo e cultura tem direito de receber a mensagem de salvação, que é dom de Deus para todos. E a necessidade dela redobra ao considerarmos quantas injustiças, guerras, crises humanitárias aguardam, hoje, por uma solução. Os missionários sabem, por experiência, que o Evangelho do perdão e da misericórdia pode levar alegria e reconciliação, justiça e paz. O mandato do Evangelho – «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado» (Mt 28, 19-20) – não terminou, antes pelo contrário impele-nos a todos, nos cenários presentes e desafios atuais, a sentir-nos chamados para uma renovada «saída» missionária, como indiquei na Exortação Apostólica Evangelii gaudium: «cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho» (n. 20).
Precisamente neste Ano Jubilar, celebra o seu nonagésimo aniversário o Dia Mundial das Missões, promovido pela Pontifícia Obra da Propagação da Fé e aprovado pelo Papa Pio XI em 1926. Por isso, considero oportuno recordar as sábias indicações dos meus Predecessores, estabelecendo que fossem destinadas a esta Opera todas as ofertas que cada diocese, paróquia, comunidade religiosa, associação e movimento, de todo o mundo, pudessem recolher para socorrer as comunidades cristãs necessitadas de ajuda e revigorar o anúncio do Evangelho até aos últimos confins da terra. Também nos nossos dias, não nos subtraiamos a este gesto de comunhão eclesial missionário; não restrinjamos o coração às nossas preocupações particulares, mas alarguemo-lo aos horizontes da humanidade inteira.
Santa Maria, ícone sublime da humanidade redimida, modelo missionário para a Igreja, ensine a todos, homens, mulheres e famílias, a gerar e guardar por todo o lado a presença viva e misteriosa do Senhor Ressuscitado, que renova e enche de jubilosa misericórdia as relações entre as pessoas, as culturas e os povos.
Vaticano, 15 de maio – Solenidade de Pentecostes – de 2016.
FRANCISCO
REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO C)
Lc 18,9-14 O Evangelho deste XXX domingo do tempo comum (ano c) define a
atitude correcta que o crente deve assumir diante de Deus. Recusa a atitude dos
orgulhosos e auto-suficientes, convencidos de que a salvação é o resultado
natural dos seus méritos; e propõe a atitude humilde de um pecador, que se
apresenta diante de Deus de mãos vazias, mas disposto a acolher o dom de Deus.
É essa atitude de “pobre” que Lucas propõe aos crentes do seu tempo e de todos
os tempos. No fariseu e no publicano da parábola, Lucas põe em confronto dois
tipos de atitude face a Deus. O fariseu é o modelo de um homem irrepreensível
face à Lei, que cumpre todas as regras e leva uma vida íntegra. Ele está
consciente de que ninguém o pode acusar de cometer acções injustas, nem contra
Deus, nem contra os irmãos (e, aparentemente, é verdade, pois a parábola não
nos diz que ele estivesse a mentir). Evidentemente, está contente (e tinha
razões para isso) por não ser como esse publicano que também está no Templo: os
fariseus tinham consciência da sua superioridade moral e religiosa, sobretudo
em relação aos pecadores notórios (como é o caso deste publicano). O publicano
é o modelo do pecador. Explora os pobres, pratica injustiças, trafica com a
miséria e não cumpre as obras da Lei. Ele tem, aliás, consciência da sua
indignidade, pois a sua oração consiste apenas em pedir: “meu Deus, tende
compaixão de mim que sou pecador”. O comentário final de Jesus sugere que o
publicano se reconciliou com Deus (a expressão utilizada é “desceu justificado
para sua casa” – o que nos leva à doutrina paulina da justificação: apesar de o
homem viver mergulhado no pecado, Deus, na sua misericórdia infinita e sem que
o homem tenha méritos, salva-o). Porquê? O problema do fariseu é que pensa ganhar
a salvação com o seu próprio esforço. Para ele, a salvação não é um dom de
Deus, mas uma conquista do homem; se o homem levar uma vida irrepreensível,
Deus não terá outro remédio senão salvá-lo. Ele está convencido de que Deus lhe
deve a salvação pelo seu bom comportamento, como se Deus fosse apenas um
contabilista que toma nota das acções do homem e, no fim, lhe paga em
consequência. Ele está cheio de auto-suficiência: não espera nada de Deus, pois
– pensa ele – os seus créditos são suficientes para se salvar. Por outro lado,
essa auto-suficiência leva-o, também, ao desprezo por aqueles que não são como
ele; considera-se “à parte”, “separado”, como se entre ele e o pecador
existisse uma barreira… É meio caminho andado para, em nome de Deus, criar
segregação e exclusão: é aí que leva a religião dos “méritos”. O publicano, ao
contrário, apoia-se apenas em Deus e não nos seus méritos (que, aliás, não
existem). Ele apresenta-se diante de Deus de mãos vazias e sem quaisquer
pretensões; entrega-se apenas nas mãos de Deus e pede-Lhe compaixão… E Deus
“justifica-o” – isto é, derrama sobre ele a sua graça e salva-o – precisamente
porque ele não tem o coração cheio de auto-suficiência e está disposto a
aceitar a salvação que Deus quer oferecer a todos os homens. Esta parábola,
destinada a “alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros”, sugere
que esses que se presumem de justos estão, às vezes, muito longe de Deus e da
salvação.
domingo, 16 de outubro de 2016
REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO C)
Lc. 18, 1-8 No Evangelho, Lucas fala-nos de Jesus contando a
parábola da viúva e do juiz iníquo. Apesar desse juíz ser um mau juíz, a viúva
não cessa de insistir e vence-o exatamente por ser inoportuna.
Do mesmo modo, devemos ser insistentes com o Pai, diz-nos
Jesus. Se a viúva foi insistente com um homem que não era bom e conseguiu,
quanto mais nós com o Deus de bondade, de amor, que é nosso Pai, que nos criou
por amor e por amor enviou Seu Filho para nos salvar!
Orar sem cessar! Mais que ser insistente, orar sem
cessar significa levar uma vida de oração, de estar permanentemente em atitude
de escuta, de discernimento.
Inácio de Loyola ensina-nos à luz de Deus, todos os dias passar em revista todos os principais acontecimentos do dia, aqueles que nos chamaram atenção
porque nos disseram algo. Ver aí o que o Senhor nos falou neles. Isso é orar
sem cessar, é uma atitude de vida de oração». (Reflexão do Padre Cesar Augusto
dos Santos para o XXIX Domingo T. C.)
sábado, 15 de outubro de 2016
10º ANIVERSÁRIO DA PARÓQUIA
Hoje 15 de outubro faz 10 anos da criação da Paróquia de S. Francisco Xavier de Caparica que teve como primeiro Pároco P. José Pires Lopes Nunes.
Padre Hermínio Vitorino é o segundo Pároco que hoje celebrou Missa em agradecimento por tanto bem realizado neste 10 anos.
Foi também hoje o dia da abertura das atividades dos escuteiros e na Eucaristia os catequistas fizeram o seu compromisso.
Peregrinação dos escuteiros a FÁTIMA a 8 e 9 de Outubro
Mãe, contigo fomos e somos um. Não é possível descrever o
que sentimos neste fim de semana que foi vivido com tanta
intensidade e profundidade. Aos teus pés conseguimos ser tão
grandes e tão pequenos ao mesmo tempo. Agradecemos termos
sido recebidos com tanto amor. Que Graça enorme se sente em Tua casa.
Pedimos-te que a luz que ficou nos nossos corações possa iluminar
mais e mais caminhos e por nossa parte vamos fazer com que o seja.
Conta connosco para sermos UM.
Obrigada Maria nossa doce e querida MÃE.
Tony
CA 802 Pragal
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
PAPA AOS CATEQUISTAS NA EUCARISTIA POR OCASIÃO DO JUBILEU DOS CATEQUISTAS NESTE ANO SANTO DA MISERICÓRDIA: ANUNCIAR DEUS ENCONTRANDO AS PESSOAS
Na sua homilia o Santo Padre começou por lançar a
sua atenção para a segunda leitura deste domingo – o XXVI domingo do tempo
comum - retirada da Epístola de S. Paulo a Timóteo onde S. Paulo “não recomenda
uma multidão de pontos e aspetos, mas sublinha o centro da fé. Este centro à
volta do qual tudo gira, este coração pulsante que a tudo dá vida é o anúncio
pascal, o primeiro anúncio: O Senhor Jesus ressuscitou” – disse Francisco que
sublinhou o novo mandamento no qual nos faz pensar Paulo: «Que vos ameis uns
aos outros como Eu vos amei». E é só “amando que se anuncia Deus-Amor”.
“Anuncia-se Deus, encontrando as pessoas, com
atenção à sua história e ao seu caminho. Porque o Senhor não é uma ideia, mas
uma Pessoa viva: a sua mensagem comunica-se através do testemunho simples e
verdadeiro, da escuta e acolhimento, da alegria que se irradia. Não se fala bem
de Jesus, quando nos mostramos tristes; nem se transmite a beleza de Deus
limitando-nos a fazer bonitos sermões. O Deus da esperança anuncia-Se vivendo
no dia-a-dia o Evangelho da caridade, sem medo de o testemunhar inclusive com
novas formas de anúncio.”
Neste momento da sua homilia o Papa Francisco
referiu a parábola que o Evangelho de S. Lucas nos conta neste domingo, na qual
um homem rico não repara em Lázaro, um pobre que «jazia ao seu portão». “Na
realidade, este rico não faz mal a ninguém, não se diz que é mau” – disse o
Santo Padre – “e todavia tem uma enfermidade pior que a de Lázaro, apesar de este
estar «coberto de chagas»: este rico sofre duma forte cegueira, porque não
consegue olhar para além do seu mundo, feito de banquetes e roupa fina. Não vê
mais além da porta de sua casa, onde jazia Lázaro, porque não se importa com o
que acontece lá fora. Não vê com os olhos, porque não sente com o coração. No
seu coração, entrou a mundanidade que anestesia a alma. A mundanidade é como um
«buraco negro» que engole o bem, que apaga o amor, que absorve tudo no próprio
eu” – observou o Papa.
Aparência e indiferença, são razões para a “grave
cegueira” de quem “olha com reverência as pessoas famosas, de alto nível,
admiradas pelo mundo, e afasta o olhar dos inúmeros Lázaros de hoje, dos pobres
e dos doentes, que são os prediletos do Senhor” – declarou Francisco.
Mas Deus não esquece Lázaro e acolhe-o “no banquete
do seu Reino, juntamente com Abraão, numa rica comunhão de afetos” –disse o
Papa que, falando para os catequistas, sublinhou que “como servidores da
palavra de Jesus, somos chamados a não ostentar aparência, nem procurar glória;
não podemos sequer ser tristes e lastimosos”. “Não sejamos profetas da
desgraça” – afirmou:
“Não sejamos profetas da desgraça, que se comprazem
em lobrigar perigos ou desvios; não sejamos pessoas que vivem entrincheiradas
nos seus ambientes, proferindo juízos amargos sobre a sociedade, sobre a
Igreja, sobre tudo e todos, poluindo o mundo de negatividade. O ceticismo
lamentoso não se coaduna a quem vive familiarizado com a Palavra de Deus.”
“Quem anuncia a esperança de Jesus é portador de
alegria e vê longe, porque sabe olhar para além do mal e dos problemas. Ao
mesmo tempo, vê bem ao perto, porque está atento ao próximo e às suas
necessidades” – declarou Francisco, que no final da sua homilia sublinhou que
“face aos inúmeros Lázaros que vemos, somos chamados a inquietar-nos, a
encontrar formas de os atender e ajudar, sem delegar sempre a outras pessoas
nem dizer: «Ajudar-te-ei amanhã». O tempo gasto a socorrer é tempo dado a
Jesus, é amor que permanece”.
“Concluindo, que o Senhor nos dê a graça de sermos
renovados cada dia pela alegria do primeiro anúncio: Jesus ama-nos
pessoalmente! Que Ele nos dê a força de viver e anunciar o mandamento do amor,
vencendo a cegueira da aparência e as tristezas mundanas. Que nos torne
sensíveis aos pobres, que não são um apêndice do Evangelho, mas página central,
sempre aberta diante de nós.”
No fim da Eucaristia, o Papa agradeceu a todos os
catequistas presentes pelo “empenho na Igreja ao serviço da evangelização, na
transmissão da fé”. O Jubileu dos Catequistas contou a participação de
700 portugueses.
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXV DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO C)
É preciso esclarecer imediatamente que este
administrador não é apresentado como um modelo a ser seguido, mas como exemplo
de dissimulação – disse o Papa. Este homem é acusado de má administração dos
negócios do seu patrão e, antes de ser afastado, procura com astúcia conquistar
a confiança dos devedores, tomando parte dos débitos para assegurar o seu
futuro. Comentando este comportamento, Jesus observa: “Os filhos deste mundo,
de facto, para com os seus semelhantes são mais astutos que os filhos da luz.”
A esta astúcia mundana somos chamados a responder
com a astúcia cristã, que é o dom do Espírito Santo – observou Francisco –
trata-se de se afastar do espírito e dos valores do mundo, que são tão
apreciados pelo demónio, para viver de acordo com o Evangelho. A mundanidade
manifesta-se com comportamentos de corrupção, de engano, de opressão.
“O espírito do Evangelho, ao contrário, requer um
estilo de vida sério e comprometido, marcado pela honestidade, no respeito
pelos outros e pela sua dignidade, com sentido de dever. Esta é a astúcia
cristã!” – afirmou o Papa.
Este passo do Evangelho – concretizou o Santo Padre
– requer uma escolha: “Nenhum servo pode servir a dois patrões, porque ou
odiará um e amará o outro, ou mesmo se afeiçoará a um e desprezará o outro”. E
o Papa recordou o caso da corrupção:
“Alguns comportam-se com a corrupção como com as
drogas: pensa que pode usá-la e parar quando quiser. Porém, a corrupção vicia e
gera pobreza, exploração e sofrimento. Quando, pelo contrário, procuramos
seguir a lógica evangélica da integridade, da pureza nas intenções e nos
comportamentos, da fraternidade, transformamo-nos em artesãos de justiça e
abrimos horizontes de esperança para a humanidade. Na gratuidade e na doação de
nós mesmos aos irmãos, servimos ao patrão justo: Deus.”
Desta forma, Jesus neste domingo exorta-nos a fazer
uma escolha clara entre Ele e o espírito do mundo, entre a lógica da corrupção
e da cobiça e aquela da retidão e da partilha – declarou Francisco.
domingo, 11 de setembro de 2016
REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO C)
Lc 15,1-32 Diante de milhares de fiéis e
peregrinos que foram, hoje, à Praça S. Pedro para rezar a oração mariana do Angelus,
o Papa comentou o capítulo 15 do Evangelho de Lucas, deste XXIV domingo do
tempo comum, considerado o capítulo da misericórdia, que reúne três
parábolas com as quais Jesus responde aos murmúrios dos escribas e dos
fariseus.
Com essas três narrações, afirmou Francisco, Jesus
quer explicar que Deus é o primeiro a ter em relação aos pecadores uma atitude
acolhedora e misericordiosa. Na primeira parábola, Deus é apresentado como um
pastor que deixa as 99 ovelhas para ir em busca daquela perdida. Na segunda, é
comparado a uma mulher que perdeu uma moeda e a busca até que não a encontra.
Na terceira parábola, Deus é imaginado como um pai que acolhe o filho que se
tinha afastado.
O Pontífice nota que um elemento comum dessas
parábolas é expresso pelos verbos que significam alegrar-se, festejar.
Esta festa de Deus por aqueles que voltam a Ele arrependidos, está em sintonia
com o Ano Jubilar que estamos vivendo, como diz o próprio termo “jubileu”!
“Com essas três parábolas, Jesus apresenta-nos a
verdadeira face de Deus, um Pai de braços abertos, que trata os pecadores com
ternura e compaixão. A parábola que mais comove, porque manifesta o infinito
amor de Deus, é a do pai que se lança e abraça o filho reencontrado. O que
impressiona nem é tanto a triste história de um jovem que cai em desgraça, mas
suas palavras decisivas: ‘Vou-me embora, procurar o meu pai’.”
Francisco destacou que o caminho de volta para casa
é o caminho da esperança e da vida nova. “Deus nos aguarda com paciência, nos
vê quando ainda estamos distantes, corre ao nosso encontro, nos abraça, nos
beija e nos perdoa. Assim é Deus. E o seu perdão cancela o passado e nos
regenera no amor. Aliás esta é a fraqueza de Deus: quando nos abraça, nos
perdoa, perde a memória. Esquece o passado.”
Quando nos convertemos, prosseguiu o Papa, Deus acolhe-nos novamente em casa com festa e alegria. Francisco dirigiu-se, então, aos fiéis
para perguntar: “Vocês já pensaram que toda vez que nos aproximamos do
confessionário há alegria e festa no Céu? Já pensaram nisso? É belo. Isso nos
infunde grande esperança, porque não há pecado em que caímos do qual, com a
graça de Deus, não podemos nos reerguer; não há uma pessoa irrecuperável,
ninguém é irrecuperável! Porque Deus jamais deixa de querer o nosso bem,
inclusive quando pecamos! Que a Virgem Maria, refúgio dos pecadores, faça
brotar nos nossos corações a confiança que se acendeu no coração do filho
pródigo: ‘Vou-me embora, procurar o meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei’”.
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
HOMILIA DO PAPA FRANCISCO SOBRE MADRE TERESA DE CALCUTÁ NA MISSA DA SUA CANONIZAÇÃO (4.09.2016)
A missão de Madre Teresa de Calcutá “permanece nos
nossos dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais
pobres entre os pobres”: disse o Papa Francisco na missa de canonização da
religiosa fundadora das Missionárias da Caridade, cuja celebração foi presidida
na Praça São Pedro, lotada por cerca de 120 mil fiéis e peregrinos provenientes
de todas as partes do mundo.
Um dia de festa para a Igreja e para o mundo, para
todos homens e mulheres de boa vontade que conheceram nesta religiosa de origem
albanesa uma gigante da caridade dos nossos dias, apresentada pelo Pontífice ao
mundo do voluntariado – que nestes dias celebra seu Jubileu – “como modelo de
santidade para todos os Agentes de Misericórdia” (…)
“Onde quer que haja uma mão estendida pedindo ajuda
para levantar-se, ali deve estar a nossa presença e a presença da Igreja, que
apoia e dá esperança”, afirmou Francisco com veemência.
“Madre Teresa, ao longo de toda a sua existência,
foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a
todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e
daqueles abandonados e descartados. Comprometeu-se na defesa da vida,
proclamando incessantemente que «quem ainda não nasceu é o mais fraco, o menor,
o mais miserável».”
Referindo-se ainda sobre a nova Santa, disse que a
fundadora das Missionárias da Caridade se inclinou “sobre as pessoas indefesas,
deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes
dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua
culpa diante dos crimes da pobreza criada por eles mesmos.”
A misericórdia foi para ela, recordou Francisco,
“sal”, que dava sabor a todas as suas obras, e a luz que iluminava a escuridão
de todos aqueles que nem sequer tinham mais lágrimas para chorar pela sua
pobreza e sofrimento.
“A sua missão nas periferias das cidades e nas
periferias existenciais permanece nos nossos dias como um testemunho eloquente
da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres. Hoje entrego a
todo o mundo do voluntariado esta figura emblemática de mulher e de consagrada:
que ela seja o vosso modelo de santidade!”
“Que esta incansável agente de misericórdia nos
ajude a entender mais e mais que o nosso único critério de ação é o amor
gratuito, livre de qualquer ideologia e de qualquer vínculo e que é derramado
sobre todos sem distinção de língua, cultura, raça ou religião.”
Madre Teresa gostava de dizer: «Talvez não fale a
língua deles, mas posso sorrir». “Levemos no coração o seu sorriso e o
ofereçamos a quem encontremos no nosso caminho, especialmente àqueles que
sofrem. Assim abriremos horizontes de alegria e de esperança numa humanidade
tão desesperançada e necessitada de compreensão e ternura”, concluiu o Papa.
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