domingo, 8 de maio de 2016

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 50º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS (8/06/2016)


MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO
PARA O 50º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

«Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo»
[8 de Maio de 2016]

Queridos irmãos e irmãs!
O Ano Santo da Misericórdia convida-nos a reflectir sobre a relação entre a comunicação e a misericórdia. Com efeito a Igreja unida a Cristo, encarnação viva de Deus Misericordioso, é chamada a viver a misericórdia como traço característico de todo o seu ser e agir. Aquilo que dizemos e o modo como o dizemos, cada palavra e cada gesto deveria poder expressar a compaixão, a ternura e o perdão de Deus para todos. O amor, por sua natureza, é comunicação: leva a abrir-se, não se isolando. E, se o nosso coração e os nossos gestos forem animados pela caridade, pelo amor divino, a nossa comunicação será portadora da força de Deus.
Como filhos de Deus, somos chamados a comunicar com todos, sem exclusão. Particularmente próprio da linguagem e das acções da Igreja é transmitir misericórdia, para tocar o coração das pessoas e sustentá-las no caminho rumo à plenitude daquela vida que Jesus Cristo, enviado pelo Pai, veio trazer a todos. Trata-se de acolher em nós mesmos e irradiar ao nosso redor o calor materno da Igreja, para que Jesus seja conhecido e amado; aquele calor que dá substância às palavras da fé e acende, na pregação e no testemunho, a «centelha» que os vivifica.
A comunicação tem o poder de criar pontes, favorecer o encontro e a inclusão, enriquecendo assim a sociedade. Como é bom ver pessoas esforçando-se por escolher cuidadosamente palavras e gestos para superar as incompreensões, curar a memória ferida e construir paz e harmonia. As palavras podem construir pontes entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, os povos. E isto acontece tanto no ambiente físico como no digital. Assim, palavras e acções hão-de ser tais que nos ajudem a sair dos círculos viciosos de condenações e vinganças que mantêm prisioneiros os indivíduos e as nações, expressando-se através de mensagens de ódio. Ao contrário, a palavra do cristão visa fazer crescer a comunhão e, mesmo quando deve com firmeza condenar o mal, procura não romper jamais o relacionamento e a comunicação.
Por isso, queria convidar todas as pessoas de boa vontade a redescobrirem o poder que a misericórdia tem de curar as relações dilaceradas e restaurar a paz e a harmonia entre as famílias e nas comunidades. Todos nós sabemos como velhas feridas e prolongados ressentimentos podem aprisionar as pessoas, impedindo-as de comunicar e reconciliar-se. E isto aplica-se também às relações entre os povos. Em todos estes casos, a misericórdia é capaz de implementar um novo modo de falar e dialogar, como se exprimiu muito eloquentemente Shakespeare: «A misericórdia não é uma obrigação. Desce do céu como o refrigério da chuva sobre a terra. É uma dupla bênção: abençoa quem a dá e quem a recebe» (O mercador de Veneza, Acto IV, Cena I).
É desejável que também a linguagem da política e da diplomacia se deixe inspirar pela misericórdia, que nunca dá nada por perdido. Faço apelo sobretudo àqueles que têm responsabilidades institucionais, políticas e de formação da opinião pública, para que estejam sempre vigilantes sobre o modo como se exprimem a respeito de quem pensa ou age de forma diferente e ainda de quem possa ter errado. É fácil ceder à tentação de explorar tais situações e, assim, alimentar as chamas da desconfiança, do medo, do ódio. Pelo contrário, é preciso coragem para orientar as pessoas em direcção a processos de reconciliação, mas é precisamente tal audácia positiva e criativa que oferece verdadeiras soluções para conflitos antigos e a oportunidade de realizar uma paz duradoura. «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. (...) Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 7.9).
Como gostaria que o nosso modo de comunicar e também o nosso serviço de pastores na Igreja nunca expressassem o orgulho soberbo do triunfo sobre um inimigo, nem humilhassem aqueles que a mentalidade do mundo considera perdedores e descartáveis! A misericórdia pode ajudar a mitigar as adversidades da vida e dar calor a quantos têm conhecido apenas a frieza do julgamento. Seja o estilo da nossa comunicação capaz de superar a lógica que separa nitidamente os pecadores dos justos. Podemos e devemos julgar situações de pecado – violência, corrupção, exploração, etc. –, mas não podemos julgar as pessoas, porque só Deus pode ler profundamente no coração delas. É nosso dever admoestar quem erra, denunciando a maldade e a injustiça de certos comportamentos, a fim de libertar as vítimas e levantar quem caiu. O Evangelho de João lembra-nos que «a verdade [nos] tornará livres» (Jo 8, 32). Em última análise, esta verdade é o próprio Cristo, cuja misericórdia repassada de mansidão constitui a medida do nosso modo de anunciar a verdade e condenar a injustiça. É nosso dever principal afirmar a verdade com amor (cf. Ef 4, 15). Só palavras pronunciadas com amor e acompanhadas por mansidão e misericórdia tocam os nossos corações de pecadores. Palavras e gestos duros ou moralistas correm o risco de alienar ainda mais aqueles que queríamos levar à conversão e à liberdade, reforçando o seu sentido de negação e defesa.
Alguns pensam que uma visão da sociedade enraizada na misericórdia seja injustificadamente idealista ou excessivamente indulgente. Mas tentemos voltar com o pensamento às nossas primeiras experiências de relação no seio da família. Os pais amavam-nos e apreciavam-nos mais pelo que somos do que pelas nossas capacidades e os nossos sucessos. Naturalmente os pais querem o melhor para os seus filhos, mas o seu amor nunca esteve condicionado à obtenção dos objectivos. A casa paterna é o lugar onde sempre és bem-vindo (cf. Lc 15, 11-32). Gostaria de encorajar a todos a pensar a sociedade humana não como um espaço onde estranhos competem e procuram prevalecer, mas antes como uma casa ou uma família onde a porta está sempre aberta e se procura aceitar uns aos outros.
Para isso é fundamental escutar. Comunicar significa partilhar, e a partilha exige a escuta, o acolhimento. Escutar é muito mais do que ouvir. Ouvir diz respeito ao âmbito da informação; escutar, ao invés, refere-se ao âmbito da comunicação e requer a proximidade. A escuta permite-nos assumir a atitude justa, saindo da tranquila condição de espectadores, usuários, consumidores. Escutar significa também ser capaz de compartilhar questões e dúvidas, caminhar lado a lado, libertar-se de qualquer presunção de omnipotência e colocar, humildemente, as próprias capacidades e dons ao serviço do bem comum.
Escutar nunca é fácil. Às vezes é mais cómodo fingir-se de surdo. Escutar significa prestar atenção, ter desejo de compreender, dar valor, respeitar, guardar a palavra alheia. Na escuta, consuma-se uma espécie de martírio, um sacrifício de nós mesmos em que se renova o gesto sacro realizado por Moisés diante da sarça-ardente: descalçar as sandálias na «terra santa» do encontro com o outro que me fala (cf. Ex 3, 5). Saber escutar é uma graça imensa, é um dom que é preciso implorar e depois exercitar-se a praticá-lo.
Também e-mailssms, redes sociais, chat podem ser formas de comunicação plenamente humanas. Não é a tecnologia que determina se a comunicação é autêntica ou não, mas o coração do homem e a sua capacidade de fazer bom uso dos meios ao seu dispor. As redes sociais são capazes de favorecer as relações e promover o bem da sociedade, mas podem também levar a uma maior polarização e divisão entre as pessoas e os grupos. O ambiente digital é uma praça, um lugar de encontro, onde é possível acariciar ou ferir, realizar uma discussão proveitosa ou um linchamento moral. Rezo para que o Ano Jubilar, vivido na misericórdia, «nos torne mais abertos ao diálogo, para melhor nos conhecermos e compreendermos; elimine todas as formas de fechamento e desprezo e expulse todas as formas de violência e discriminação» (Misericordiae Vultus, 23). Em rede, também se constrói uma verdadeira cidadania. O acesso às redes digitais implica uma responsabilidade pelo outro, que não vemos mas é real, tem a sua dignidade que deve ser respeitada. A rede pode ser bem utilizada para fazer crescer uma sociedade sadia e aberta à partilha.
A comunicação, os seus lugares e os seus instrumentos permitiram um alargamento de horizontes para muitas pessoas. Isto é um dom de Deus, e também uma grande responsabilidade. Gosto de definir este poder da comunicação como «proximidade». O encontro entre a comunicação e a misericórdia é fecundo na medida em que gerar uma proximidade que cuida, conforta, cura, acompanha e faz festa. Num mundo dividido, fragmentado, polarizado, comunicar com misericórdia significa contribuir para a boa, livre e solidária proximidade entre os filhos de Deus e irmãos em humanidade.
Vaticano, 24 de Janeiro de 2016.
Franciscus

quinta-feira, 5 de maio de 2016

PROFISSÃO DE FÉ

No Domingo 1 de Maio um grupo de 24 adolescentes da catequese, fez a Profissão de Fé na Eucaristia das 11h30m, perante uma igreja cheia de familiares, paroquianos e um grupo de cerca de 30 jovens da Gastagus que passou o fim de semana colaborando em várias atividades da Paróquia, preparando-se para partirem em Missão de Evangelização no Verão.







domingo, 1 de maio de 2016

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO VI DOMINGO DA PÁSCOA (ANO C)

Jo 14,23-29 “O Evangelho deste domingo nos conduz ao cenáculo”, disse o pontífice que enfatizou dois aspectos da missão do Espírito Santo.
“Durante a última ceia, antes de sofrer a Paixão e Morte na cruz, Jesus promete aos Apóstolos o dom do Espírito Santo, que terá a tarefa de ensinar e recordar as suas palavras à comunidade dos discípulos. Jesus mesmo diz: ‘O Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele lhes ensinará todas as coisas e fará vocês lembrarem tudo o que eu lhes disse’. “Ensinar e recordar. É o que faz o Espírito Santo em nossos corações”, frisou o Santo Padre.
 “No momento em que Ele está para retornar ao Pai, Jesus preanuncia a vinda do Espírito que primeiramente ensinará aos discípulos a compreender cada vez mais plenamente o Evangelho, a acolhê-lo em sua existência e a fazê-lo vivo e operante com o testemunho”, sublinhou o Papa.
“Enquanto está para confiar aos Apóstolos, que significa ‘enviados’, a missão de levar o anúncio do Evangelho a todo o mundo, Jesus promete que não estarão sozinhos: Estará com eles o Espírito Santo, o Paráclito, que ficará ao lado deles, aliás, estará neles, para defendê-los e sustentá-los. Jesus retorna ao Pai, mas continua  acompanhando e ensinando os seus discípulos por meio do dom do Espírito.”
O segundo aspecto da missão do Espírito Santo consiste em ajudar os apóstolos a recordar as palavras de Jesus. “O Espírito tem a tarefa de despertar a memória, recordar as palavras de Jesus”, disse o pontífice.
“O divino Mestre já comunicou tudo aquilo que pretendia confiar aos Apóstolos: com Ele, Verbo encarnado, a revelação é completa. O Espírito recordará os ensinamentos de Jesus nas diversas circunstâncias concretas da vida para que sejam colocados em prática. Isto acontece ainda hoje na Igreja, guiada pela luz e pela força do Espírito Santo, para que possa levar a todos o dom da salvação, isto é, o amor e a misericórdia de Deus. Por exemplo, quando vocês lerem um trecho, uma passagem do Evangelho, peçam ao Espírito Santo que está nos nossos corações: "Que eu entenda e me lembre destas palavras de Jesus.”
“Nós não estamos sozinhos: Jesus está perto de nós, no meio de nós, dentro de nós! A sua nova presença na história se realiza mediante o Espírito Santo, através do qual é possível instaurar uma relação viva com Ele, o Senhor Ressuscitado. O Espírito, derramado em nós com os Sacramentos do Batismo e do Crisma, age na nossa vida. Ele nos guia no modo de pensar, de agir, de distinguir o bem do mal e nos ajuda a praticar a caridade de Jesus, o seu doar-se aos outros, especialmente aos mais necessitados”, disse ainda o Santo Padre.
“Não estamos sós”, repetiu o Papa. “E o sinal da presença do Espírito Santo é também a paz que Jesus doa aos seus discípulos: ‘Eu lhes dou a minha paz’. Essa paz é diferente daquela que os homens se desejam e tentam realizar. A paz de Jesus jorra da vitória sobre o pecado, sobre o egoísmo que nos impede de nos amar como irmãos. É dom de Deus e sinal da sua presença. Cada discípulo, chamado hoje a seguir Jesus levando a cruz, recebe em si a paz do Senhor Ressuscitado na certeza da sua vitória e na espera de sua vinda definitiva.”
“Que a Virgem Maria nos ajude a acolher o Espírito Santo com docilidade, como Mestre interior e como Memória viva de Cristo no caminho quotidiano”, concluiu Francisco.

domingo, 24 de abril de 2016

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO V DOMINGO DA PÁSCOA (ANO C)

Jo 13,31-33a.34-35 Hoje, a homilia do Sumo Pontífice foi inspirada no Evangelho do dia, no mandamento de Jesus aos discípulos, "amai-vos uns aos outros, como eu vos ameis".
“O amor é a carteira de identidade do cristão, é o único ‘documento’ válido para sermos reconhecidos como discípulos de Jesus. Se este documento perde a validade e não for renovado, deixamos de ser testemunhas do Mestre”, disse Francisco, que reconheceu que amar não é fácil. É exigente e requer esforço, pois significa oferecer algo de nós mesmos: o próprio tempo, a própria amizade e as próprias capacidades. Não é o amor das novelas. É livre, porque não possui.
O segredo para amar é Jesus, acrescentou o Papa, que oferece o dom maior, um dom para a vida: Ele nos oferece uma amizade fiel, da qual nunca nos privará. A principal ameaça que impede de crescer como se deve é ninguém se importar connosco, é nos sentirmos deixados de lado. Ao contrário, o Senhor está sempre connosco. Ele espera-nos pacientemente e aguarda o nosso «sim».
Francisco falou ainda do desejo de liberdade que os adolescentes sentem. Ser livre, afirmou ele, não significa fazer aquilo que se quer, mas é o dom de poder escolher o bem: é livre quem procura aquilo que agrada a Deus, mesmo que nos obrigue a escolhas corajosas. Ser livre é saber dizer sim e não. “Não se contentem com a mediocridade, ficando comodos e sentados; não confiem em quem vos distrai da verdadeira riqueza, dizendo que a vida só é bela se se possuir bens materiais. A felicidade não tem preço, nem se comercializa; não é um ‘aplicativo’ que se baixa no celular: nem a versão mais atualizada os ajudará a torná-los livres e grandes no amor.”
Com efeito, o amor é o dom livre de quem tem o coração aberto; é uma responsabilidade que dura toda a vida; é um compromisso diário, feito também de sonhos. "Ai dos jovens que não sabem sonhar. Se um jovem não sonha, já está aposentado." O amor não se realiza falando dele, mas colocando-o em prática! Para crescer no amor, o segredo também é o Senhor. “Quando parecer difícil dizer não àquilo que é errado, ergam os olhos para a cruz de Jesus e não larguem a sua mão que os conduz para o alto”, indicou o Papa. Esta mão que, muitas vezes, pode ser a de um pai, de uma mãe ou de um amigo para não nos deixar caídos. "Deus nos quer em pé, sempre."
Mas também para amar é preciso treino, disse Francisco, como os campeões desportivos, começando desde já com empenho e afinco. Como programa diário desse treino, o Papa sugeriu as obras de misericórdia. “Assim, se tornarão campeões de vida, campeões do amor, e serão reconhecidos como discípulos de Jesus. E garanto-vos: a vossa alegria será completa.”

domingo, 17 de abril de 2016

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO IV DOMINGO DA PÁSCOA (ANO C)


Jo 10,27-30 Neste IV Domingo da Páscoa a alocução do Santo Padre que precedeu a oração teve como pano de fundo a apresentação de Jesus no Templo, quando Ele se identifica como o Bom Pastor.
“As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas seguem-me. Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais perecerão, e ninguém as arrebatará de minha mão”, recordou o Papa citando a passagem do Evangelho de São João deste domingo.
“Estas palavras nos ajudam a compreender que ninguém se pode dizer seguidor de Jesus, se não presta atenção à Sua voz. E este ‘ouvinte’ não deve ser interpretado de maneira superficial, mas envolvente, a ponto de tornar possível um verdadeiro conhecimento recíproco, do qual pode surgir um seguimento generoso, expresso nas palavras ‘e elas seguem-me’ . Trata-se de escutar não somente com o ouvido, mas com o coração”, frisou o Pontífice.
Se Cristo é o nosso  Salvador e afirma que ninguém nem nada poderá nos arrebatar das suas mãos – acrescentou o Papa – então “estas palavras nos comunicam um sentido de certeza absoluta e de ternura imensa”.
“A nossa vida está plenamente segura nas mãos de Jesus e do Pai, que são uma coisa só: um único amor, uma única misericórdia, revelados para sempre no sacrifício da cruz. Para salvar as ovelhas perdidas que somos todos nós, o Pastor fez-se cordeiro e deixou-se imolar para tomar para si e tirar os pecados do mundo. Deste modo Ele nos doou a vida, a vida em abundância!”
Mistério que se renova “em uma humildade sempre surpreendente”, no altar da eucaristia, afirmou o Papa.
“Por isso não temos mais medo: a nossa vida já foi salva da perdição. Nada nem ninguém nos poderá arrebatar das mãos de Jesus, porque nada nem ninguém pode vencer o seu amor. O maligno, o grande inimigo de Deus e das suas criaturas, tenta de muitos modos nos arrebatar a vida eterna. Mas o maligno nada pode se não somos nós a abrir-lhe as portas da nossa alma, seguindo suas mentiras enganadoras”.

sábado, 16 de abril de 2016

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 53º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES


MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA O 53º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES 

 
(17 de Abril de 2016 - IV Domingo da Páscoa)
Tema: «A Igreja, mãe de vocações»
Amados irmãos e irmãs!
Como gostaria que todos os baptizados pudessem, no decurso do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, experimentar a alegria de pertencer à Igreja! E pudessem redescobrir que a vocação cristã, bem como as vocações particulares, nascem no meio do povo de Deus e são dons da misericórdia divina! A Igreja é a casa da misericórdia e também a «terra» onde a vocação germina, cresce e dá fruto.
Por este motivo, dirijo-me a todos vós, por ocasião deste 53º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, convidando-vos a contemplar a comunidade apostólica e a dar graças pela função da comunidade no caminho vocacional de cada um. Na Bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, recordei as palavras de São Beda, o Venerável, a propósito da vocação de São Mateus: «Miserando atque eligendo» (Misericordiae Vultus, 8). A acção misericordiosa do Senhor perdoa os nossos pecados e abre-nos a uma vida nova que se concretiza na chamada ao discipulado e à missão. Toda a vocação na Igreja tem a sua origem no olhar compassivo de Jesus. A conversão e a vocação são como que duas faces da mesma medalha, interdependentes continuamente em toda a vida do discípulo missionário.
O Beato Paulo VI, na Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi, descreveu os passos do processo da evangelização. Um deles é a adesão à comunidade cristã (cf. n. 23), da qual se recebeu o testemunho da fé e a proclamação explícita da misericórdia do Senhor. Esta incorporação comunitária compreende toda a riqueza da vida eclesial, particularmente os Sacramentos. A Igreja não é só um lugar onde se crê, mas também objecto da nossa fé; por isso, dizemos no Credo: «Creio na Igreja».
A chamada de Deus acontece através da mediação comunitária. Deus chama-nos a fazer parte da Igreja e, depois dum certo amadurecimento nela, dá-nos uma vocação específica. O caminho vocacional é feito juntamente com os irmãos e as irmãs que o Senhor nos dá: é uma con-vocação. O dinamismo eclesial da vocação é um antídoto contra a indiferença e o individualismo. Estabelece aquela comunhão onde a indiferença foi vencida pelo amor, porque exige que saiamos de nós mesmos, colocando a nossa existência ao serviço do desígnio de Deus e assumindo a situação histórica do seu povo santo.
Neste Dia dedicado à oração pelas vocações, desejo exortar todos os fiéis a assumirem as suas responsabilidades no cuidado e discernimento vocacionais. Quando os Apóstolos procuravam alguém para ocupar o lugar de Judas Iscariotes, São Pedro reuniu cento e vinte irmãos (cf. Act 1, 15); e, para a escolha dos sete diáconos, foi convocado o grupo dos discípulos (cf. Act 6, 2). São Paulo dá a Tito critérios específicos para a escolha dos presbíteros (cf. Tt 1, 5-9). Também hoje, a comunidade cristã não cessa de estar presente na germinação das vocações, na sua formação e na sua perseverança (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 107).
A vocação nasce na Igreja. Desde o despertar duma vocação, é necessário um justo «sentido» de Igreja. Ninguém é chamado exclusivamente para uma determinada região, nem para um grupo ou movimento eclesial, mas para a Igreja e para o mundo. «Um sinal claro da autenticidade dum carisma é a sua eclesialidade, a sua capacidade de se integrar harmonicamente na vida do povo santo de Deus para o bem de todos» (Ibid., 130). Respondendo à chamada de Deus, o jovem vê alargar-se o próprio horizonte eclesial, pode considerar os múltiplos carismas e realizar assim um discernimento mais objectivo. Deste modo, a comunidade torna-se a casa e a família onde nasce a vocação. O candidato contempla, agradecido, esta mediação comunitária como elemento imprescindível para o seu futuro. Aprende a conhecer e a amar os irmãos e irmãs que percorrem caminhos diferentes do seu; e estes vínculos reforçam a comunhão em todos.
A vocação cresce na Igreja. Durante o processo de formação, os candidatos às diversas vocações precisam de conhecer cada vez melhor a comunidade eclesial, superando a visão limitada que todos temos inicialmente. Com tal finalidade, é oportuno fazer alguma experiência apostólica juntamente com outros membros da comunidade, como, por exemplo, comunicar a mensagem cristã ao lado dum bom catequista; experimentar a evangelização nas periferias juntamente com uma comunidade religiosa; descobrir o tesouro da contemplação, partilhando a vida de clausura; conhecer melhor a missão ad gentes em contacto com os missionários; e, com os sacerdotes diocesanos, aprofundar a experiência da pastoral na paróquia e na diocese. Para aqueles que já estão em formação, a comunidade eclesial permanece sempre o espaço educativo fundamental, pelo qual se sente gratidão.
A vocação é sustentada pela Igreja. Depois do compromisso definitivo, o caminho vocacional na Igreja não termina, mas continua na disponibilidade para o serviço, na perseverança e na formação permanente. Quem consagrou a própria vida ao Senhor, está pronto a servir a Igreja onde esta tiver necessidade. A missão de Paulo e Barnabé é um exemplo desta disponibilidade eclesial. Enviados em missão pelo Espírito Santo e pela comunidade de Antioquia (cf. Act 13, 1-4), regressaram depois à mesma comunidade e narraram aquilo que o Senhor fizera por meio deles (cf. Act 14, 27). Os missionários são acompanhados e sustentados pela comunidade cristã, que permanece uma referência vital, como a pátria visível onde encontram segurança aqueles que realizam a peregrinação para a vida eterna.
Dentre os agentes pastorais, revestem-se de particular relevância os sacerdotes. Por meio do seu ministério, torna-se presente a palavra de Jesus que disse: «Eu sou a porta das ovelhas (...). Eu sou o bom pastor» (Jo 10, 7.11). O cuidado pastoral das vocações é uma parte fundamental do seu ministério. Os sacerdotes acompanham tanto aqueles que andam à procura da própria vocação, como os que já ofereceram a vida ao serviço de Deus e da comunidade.
Todos os fiéis são chamados a consciencializar-se do dinamismo eclesial da vocação, para que as comunidades de fé possam tornar-se, a exemplo da Virgem Maria, seio materno que acolhe o dom do Espírito Santo (cf. Lc 1, 35-38). A maternidade da Igreja exprime-se através da oração perseverante pelas vocações e da acção educativa e de acompanhamento daqueles que sentem a chamada de Deus. Fá-lo também mediante uma cuidadosa selecção dos candidatos ao ministério ordenado e à vida consagrada. Enfim, é mãe das vocações pelo contínuo apoio daqueles que consagraram a vida ao serviço dos outros.
Peçamos ao Senhor que conceda, a todas as pessoas que estão a realizar um caminho vocacional, uma profunda adesão à Igreja; e que o Espírito Santo reforce, nos Pastores e em todos os fiéis, a comunhão, o discernimento e a paternidade ou maternidade espiritual.
Pai de misericórdia, que destes o vosso Filho pela nossa salvação e sempre nos sustentais com os dons do vosso Espírito, concedei-nos comunidades cristãs vivas, fervorosas e felizes, que sejam fontes de vida fraterna e suscitem nos jovens o desejo de se consagrarem a Vós e à evangelização. Sustentai-as no seu compromisso de propor uma adequada catequese vocacional e caminhos de especial consagração. Dai sabedoria para o necessário discernimento vocacional, de modo que, em tudo, resplandeça a grandeza do vosso amor misericordioso. Maria, Mãe e educadora de Jesus, interceda por cada comunidade cristã, para que, tornada fecunda pelo Espírito Santo, seja fonte de vocações autênticas para o serviço do povo santo de Deus.
Cidade do Vaticano, 29 de Novembro – I Domingo do Advento – de 2015.
Franciscus

segunda-feira, 11 de abril de 2016

PEREGRINAÇÃO A FÁTIMA


Peregrinação Paroquial a Fátima

Domingo 3 de julho

Venha com a sua família

Inscrição 10€

domingo, 10 de abril de 2016

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO III DOMINGO DA PÁSCOA (ANO C)


Jo 21,1-19 Relativamente ao Evangelho deste III Domingo da Páscoa, o Papa Francisco referiu que é um texto em que o Apóstolo João é um importante protagonista. É ele que reconhece Jesus nas margens do Lago da Galileia, onde Jesus vai à procura deles, e onde acontece a pesca milagrosa.
Com efeito - explicou o Papa - depois do período passado com Jesus nos importantes momentos do seu percurso: paixão, morte, ressurreição, os discípulos voltam, como que um pouco desiludidos à sua faina de pescadores. E passam uma noite no lago sem pescar nada. Jesus apresenta-se então a eles, na margem, mas eles não o reconhecem. No entanto obedecem à sua sugestão de lançar as redes para a direita do barco. Resultado; uma pesca incrivelmente abundante. E eis então que João diz a Pedro: “É o Senhor!” Pedro atirou-se imediatamente à água e foi ter com Jesus na margem do Lago. Naquela exclamação “É o Senhor!” – disse o Papa – está o entusiasmo da fé pascal:
“Naquela exclamação “É o Senhor!”, está todo o entusiasmo da fé pascal, cheia de alegria e estupor, que contrasta fortemente com a confusão, o desconforto, o sentido de impotência que se tinham acumulado no ânimo dos discípulos”.
Aquela rede vazia era, na interpretação do Papa, como que o balanço da experiência dos discípulos com Jesus: “tinham-no conhecido, tinham abandonado tudo para o seguir, cheios de esperança …. E agora?”.  Mas aquela aparição de Cristo ressuscitado no Lago da Galileia e o milagre da pesca, muda de novo tudo para eles, para os cristãos.
“A presença de Jesus ressuscitado transforma tudo: a escuridão é vencida pela luz, o trabalho inútil torna-se novamente frutuoso e prometedor, o sentido de cansaço e de abandono dá lugar a um novo elã e à certeza de que ele está connosco”.
Estes sentimentos animam desde então a Igreja, a Comunidade do Ressuscitado – frisou Francisco. Às vezes pode parecer que o mal, as trevas, o cansaço prevalecem, mas “a Igreja tem a certeza de que sobre aqueles que seguem o Senhor Jesus, resplandece a luz da Páscoa que jamais se esconde”. A certeza de que Cristo ressuscitou realmente, infunde nos corações dos crentes uma “íntima alegria e uma esperança invencíveis” . E a Igreja continua a fazer ressoar este festivo anuncio, e todos somos chamados a comunica-lo, disse:
“Todos nós cristãos somos chamados a comunicar esta mensagem de ressurreição àqueles que encontramos, especialmente a quem sofre, a quem está só, a quem se encontra em condições precárias, aos doentes, aos refugiados, aos marginalizados. A todos, façamos chegar um raio da luz de Cristo ressuscitado, um sinal da sua potência misericordiosa”.

E o Papa concluiu pedindo ao Senhor para que renove também em nós a fé pascal e nos torne conscientes da nossa missão ao serviço do Evangelho e dos irmãos. Que Nossa Senhora interceda em nosso favor e de toda a Igreja para que possamos proclamar a grandeza do amor de Cristo e da sua misericórdia.

sábado, 9 de abril de 2016

APRESENTADA JÁ A NOVA EXORTAÇÃO APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO: "AMORIS LAETITIA" (A ALEGRIA DO AMOR)


Papa propõe na sua nova exortação apostólica sobre a família, apresentada ontem, um caminho de “discernimento” para os católicos divorciados que voltaram a casar civilmente, sublinhando que não existe uma solução única para estas situações.
“Não se devia esperar do Sínodo ou desta exortação uma nova normativa geral de tipo canónico, aplicável a todos os casos”, sublinha Francisco, no documento divulgado hoje, com o título ‘Amoris laetitia’ (A Alegria do Amor).
Tal como aconteceu com o relatório final da assembleia de outubro de 2015, a exortação apostólica pós-sinodal não aborda diretamente a possibilidade de acesso à Comunhão pelos divorciados recasados, que é negada pela Igreja Católica, mas numa das notas do texto, o Papa observa que "o discernimento pode reconhecer que, numa situação particular, não há culpa grave".
“Ninguém pode ser condenado para sempre, porque esta não é a lógica do Evangelho”, escreve Francisco.
O Papa apresenta critérios de reflexão, recordando que há “condicionamentos” e “circunstâncias atenuantes” que podem anular ou diminuir a responsabilidade de uma ação.
“Por isso, já não é possível dizer que todos os que estão numa situação chamada ‘irregular’ vivem em estado de pecado mortal”, precisa.
Estas pessoas, reforça, precisam da "ajuda da Igreja", procurando os "caminhos possíveis de resposta a Deus", e "em certos casos, poderia haver também a ajuda dos sacramentos".
O texto apela a um “responsável discernimento pessoal e pastoral dos casos particulares”, reconhecendo que há situações em que “a separação é inevitável” e, por vezes, “até moralmente necessária”.
“Acompanhar”, “discernir” e “integrar” são as indicações centrais do Papa nesta matéria, integradas numa “lógica da misericórdia pastoral”.
“Temos de evitar juízos que não tenham em conta a complexidade das diversas situações e é necessário estar atentos ao modo em que as pessoas vivem e sofrem por causa da sua condição”, assinala Francisco.
A exortação apostólica com as conclusões do Sínodo da Família, que decorreu em duas sessões (2014 e 2015), fala na necessidade de um “adequado discernimento pessoal e pastoral”, recordando que “o grau de responsabilidade não é igual em todos os casos”.
“Um pastor não pode sentir-se satisfeito apenas aplicando leis morais àqueles que vivem em situações ‘irregulares’, como se fossem pedras que se atiram contra a vida das pessoas”, adverte o Papa.
Francisco considera mesmo que seria “mesquinho” limitar-se a considerar “se o agir de uma pessoa corresponde ou não a uma lei ou norma geral”.
O Papa rejeita a ideia de que este “discernimento prático” coloque em causa a doutrina da Igreja e recorda que a reflexão sobre uma situação particular “não pode ser elevada à categoria de norma”.
O texto refere que é missão dos padres “acompanhar as pessoas no caminho do discernimento segundo o ensinamento da Igreja e as orientações do bispo”, apelando a um “exame de consciência” das pessoas em causa sobre a forma como trataram os seus filhos ou como viveram a “crise conjugal”.
Francisco sublinha ainda a importância da recente reforma dos procedimentos para o reconhecimento dos casos de nulidade matrimonial.
O pontífice observa que os divorciados que vivem numa nova união se podem encontrar em situações “muito diferentes”, que não devem ser “catalogadas ou encerradas em afirmações demasiado rígidas”.
“Não devem sentir-se excomungados, mas podem viver e amadurecer como membros vivos da Igreja”, realça.
Para o Papa, mais importante do que uma “pastoral dos falhanços” é o esforço de “consolidar os matrimónios e assim evitar as ruturas”.
A exortação pós-sinodal coloca os filhos como “primeira preocupação” para quem se separou, com atenção ao seu sofrimento.
“O divórcio é um mal, e é muito preocupante o aumento do número de divórcios”, lamenta o Papa.
Os temas da família estiveram no centro de duas assembleias do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2014 e 2015, por decisão do Papa Francisco, antecedidas por inquéritos enviados às dioceses católicas de todo o mundo.


domingo, 3 de abril de 2016

PAPA FRANCISCO NA VIGÍLIA DE ORAÇÃO SOBRE A ESPIRITUALIDADE DO DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA


Queridos irmãos e irmãs, boa tarde!

Com alegria e gratidão, partilhamos estes momentos de oração que nos introduzem no Domingo da Misericórdia, tão desejado por São João Paulo II para satisfazer um pedido de Santa Faustina. Os testemunhos que nos foram oferecidos – e que agradecemos – e as leituras que ouvimos abrem clareiras de luz e de esperança para entrar no grande oceano da misericórdia de Deus. Quantas são as faces da misericórdia com que Ele vem ao nosso encontro? São verdadeiramente muitas; é impossível descrevê-las todas, porque a misericórdia de Deus cresce sem cessar. Deus nunca Se cansa de a exprimir, e nós não deveríamos jamais recebê-la, procurá-la e desejá-la por hábito. É sempre algo de novo que gera surpresa e maravilha à vista da imaginação criadora de Deus, quando vem ao nosso encontro com o seu amor.
Deus revelou-Se, manifestando várias vezes o seu nome; este nome é «misericordioso» (cf. Ex 34, 6). Tal como é grande e infinita a natureza de Deus, assim é grande e infinita a sua misericórdia, de tal modo que se revela uma árdua tarefa conseguir descrevê-la em todos os seus aspetos. Repassando as páginas da Sagrada Escritura, vemos que a misericórdia é, antes de mais nada, a proximidade de Deus ao seu povo. Uma proximidade que se manifesta principalmente como ajuda e proteção. É a proximidade dum pai e duma mãe que se espelha numa bela imagem do profeta Oseias: «Segurava-os com laços humanos, com laços de amor, fui para ele como os que levantam uma criancinha contra o seu rosto; inclinei-me para ele, para lhe dar de comer» (11, 4). É muito expressiva esta imagem: Deus pega em cada um de nós e levanta-nos até ao seu rosto. Quanta ternura contém e quanto amor manifesta! Pensei nesta palavra do profeta quando vi o logótipo do Jubileu. Jesus não só leva aos seus ombros a humanidade, mas tem o seu rosto tão chegado ao de Adão, que os dois rostos parecem fundir-se num só.
Nós não temos um Deus que não saiba compreender e compadecer-Se das nossas fraquezas (cf. Heb 4, 15). Pelo contrário! Foi precisamente em virtude da sua misericórdia que Deus Se fez um de nós: «Pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-Se de certo modo a cada homem. Trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado» (Gaudium et spes, 22). Por conseguinte, em Jesus, podemos não só palpar a misericórdia do Pai, mas somos impelidos a tornar-nos nós mesmos instrumentos da sua misericórdia. Falar de misericórdia pode ser fácil; mais difícil é tornar-se suas testemunhas na vida concreta. Trata-se dum percurso que dura toda a vida e não deveria registar interrupções. Jesus disse-nos que devemos ser «misericordiosos como o Pai» (cf. Lc 6, 36).
Muitas são, portanto, as faces com que se apresenta a misericórdia de Deus! É-nos dada a conhecer como proximidade e ternura, mas, em virtude disto, também como compaixão e partilha, como consolação e perdão. Quem dela mais recebe, mais é chamado a oferecer, a partilhar; não pode ser mantida oculta nem retida só para nós mesmos. É algo que faz arder o coração e o desafia a amar, reconhecendo a face de Jesus Cristo, sobretudo em quem está mais longe, fraco, abandonado, confuso e marginalizado. A misericórdia vai à procura da ovelha perdida e, quando a encontra, irradia uma alegria contagiosa. A misericórdia sabe olhar cada pessoa nos olhos; cada uma delas é preciosa para ela, porque cada uma é única.
Queridos irmãos e irmãs, a misericórdia não pode jamais deixar-nos tranquilos. É o amor de Cristo que nos «inquieta» enquanto não tivermos alcançado o objetivo; que nos impele a abraçar e estreitar a nós, a envolver quantos necessitam de misericórdia, para permitir que todos sejam reconciliados com o Pai (cf. 2 Cor 5, 14-20). Não devemos ter medo; é um amor que nos alcança e envolve de tal maneira que se antecipa a nós mesmos, permitindo-nos reconhecer a sua face na dos irmãos. Deixemo-nos conduzir docilmente por este amor, e tornar-nos-emos misericordiosos como o Pai.
Para isso é bom que seja o Espírito Santo a guiar os nossos passos: Ele é o Amor, Ele é a misericórdia que é comunicada aos nossos corações. Não ponhamos obstáculos à sua ação vivificante, mas sigamo-Lo docilmente pelas sendas que nos aponta. Permaneçamos de coração aberto, para que o Espírito possa transformá-lo; e assim, perdoados e reconciliados, nos tornemos testemunhas da alegria que brota de ter encontrado o Senhor Ressuscitado, vivo no meio de nós.

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO NA SANTA MISSA DO DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA (II DOMINGO DA PÁSCOA - ANO C)


Jo 20,19-31 «Muitos outros sinais miraculosos realizou ainda Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro» (Jo 20, 30). O Evangelho é o livro da misericórdia de Deus, que havemos de ler e reler, porque tudo o que Jesus disse e fez é expressão da misericórdia do Pai. Nem tudo, porém, foi escrito; o Evangelho da misericórdia permanece um livro aberto, onde se há-de continuar a escrever os sinais dos discípulos de Cristo, gestos concretos de amor, que são o melhor testemunho da misericórdia. Todos somos chamados a tornar-nos escritores viventes do Evangelho, portadores da Boa Nova a cada homem e mulher de hoje. Podemos fazê-lo praticando as obras corporais e espirituais de misericórdia, que são o estilo de vida do cristão. Através destes gestos simples e vigorosos, mesmo se por vezes invisíveis, podemos visitar aqueles que passam necessidade, levando a ternura e a consolação de Deus. Deste modo damos continuidade ao que fez Jesus no dia de Páscoa, quando derramou, nos corações assustados dos discípulos, a misericórdia do Pai, o Espírito Santo que perdoa os pecados e dá a alegria.
Mas, na narração que ouvimos, aparece um contraste evidente: por um lado, temos o medo dos discípulos, que fecham as portas da casa; por outro, temos a missão, por parte de Jesus, que os envia ao mundo para levarem o anúncio do perdão. O mesmo contraste pode verificar-se também em nós: uma luta interior entre o fechamento do coração e a chamada do amor para abrir as portas fechadas e sair de nós mesmos. Cristo, que por amor entrou nas portas fechadas do pecado, da morte e da mansão dos mortos, deseja entrar também em cada um para abrir de par em par as portas fechadas do coração. Ele que venceu, com a ressurreição, o medo e o temor que nos algemam, quer escancarar as nossas portas fechadas e enviar-nos. A estrada que o Mestre ressuscitado nos aponta é estrada de sentido único, segue-se apenas numa direção: sair de nós mesmos, para testemunhar a força sanadora do amor que nos conquistou. Muitas vezes vemos, diante de nós, uma humanidade ferida e assustada, que tem as cicatrizes do sofrimento e da incerteza. Hoje, face ao seu doloroso clamor de misericórdia e paz, ouçamos dirigido a cada um de nós o convite confiado de Jesus: «Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós (Jo 20, 21).
Cada doença pode encontrar na misericórdia de Deus um auxílio eficaz. Com efeito, a sua misericórdia não se detém à distância: quer vir ao encontro de todas as pobrezas e libertar de tantas formas de escravidão que afligem o nosso mundo. Quer alcançar as feridas de cada um, para medicá-las. Ser apóstolos de misericórdia significa tocar e acariciar as suas chagas, presentes hoje também no corpo e na alma de muitos dos seus irmãos e irmãs. Ao cuidar destas chagas, professamos Jesus, tornamo-Lo presente e vivo; permitimos a outros que palpem a sua misericórdia, e O reconheçam «Senhor e Deus» (cf. Jo 20, 28), como fez o apóstolo Tomé. Eis a missão que nos é confiada. Inúmeras pessoas pedem para ser escutadas e compreendidas. O Evangelho da misericórdia, que se deve anunciar e escrever na vida, procura pessoas com o coração paciente e aberto, «bons samaritanos» que conhecem a compaixão e o silêncio perante o mistério do irmão e da irmã; pede servos generosos e alegres, que amam gratuitamente sem nada pretender em troca.
«A paz esteja convosco!» (Jo 20, 21): é a saudação que Cristo leva aos seus discípulos; é a mesma paz que esperam os homens do nosso tempo. Não é uma paz negociada, nem a suspensão de algo errado: é a sua paz, a paz que brota do coração do Ressuscitado, a paz que venceu o pecado, a morte e o medo. É a paz que não divide, mas une; é a paz que não deixa sozinhos, mas faz-nos sentir acolhidos e amados; é a paz que sobrevive no sofrimento e faz florescer a esperança. Esta paz, como no dia de Páscoa, nasce e renasce sempre do perdão de Deus, que tira a ansiedade do coração. Ser portadora da sua paz: esta é a missão confiada à Igreja no dia de Páscoa. Nascemos em Cristo como instrumentos de reconciliação, para levar a todos o perdão do Pai, para revelar o seu rosto de amor nos sinais da misericórdia.

PEREGRINAÇÃO PAROQUIAL DE S. FRANCISCO XAVIER DE CAPARICA AO SANTUÁRIO DE CRISTO REI - ANO DA MISERICÓRDIA

Realizou-se, hoje, a Peregrinação Paroquial ao Santuário do Cristo Rei, integrada no Ano da Misericórdia. Viemos a pé cantando e rezando.



A Missa decorreu no Pavilhão do Rosário, recentemente inaugurado. Apesar da ameaça de chuva participaram da peregrinação, e da celebração, razoável número de paroquianos.









Após a Missa, a peregrinação continuou até à Igreja do Santuário. 







                                              
Antes de passarmos a Porta Santa rezou-se a oração do Jubileu. 





Passou-se então a Porta Santa e entrámos na Igreja que é uma das Igrejas jubilares da Diocese. A passagem da Porta Santa de qualquer uma das Igrejas Jubilares permite-nos ganhar as indulgências do Ano da Misericórdia.




Seguiu-se almoço partilhado e convívio.

domingo, 27 de março de 2016

MENSAGEM PASCAL DO SANTO PADRE

Queridos irmãos e irmãs, feliz Páscoa!

Jesus Cristo, encarnação da misericórdia de Deus, por amor morreu na cruz e por amor ressuscitou. Por isso, proclamamos hoje: Jesus é o Senhor!
A sua Ressurreição realizou plenamente a profecia do Salmo: a misericórdia de Deus é eterna, o seu amor é para sempre, não morre jamais. Podemos confiar completamente N’Ele, e damos-Lhe graças porque por nós Ele baixou até ao fundo do abismo.
Diante dos abismos espirituais e morais da humanidade, diante dos vazios que se abrem nos corações e que provocam ódio e morte, somente uma infinita misericórdia pode nos dar a salvação. Só Deus pode preencher com o seu amor esses vazios, esses abismos, e fazer-nos não afundar, mas continuar caminhando juntos em direção à Terra da liberdade e da vida.
O anúncio jubiloso da Páscoa: Jesus, o crucificado, não está aqui, ressuscitou (cf. Mt 28,5-6) oferece-nos a certeza consoladora de que o abismo da morte foi cruzado e, com isso, foram derrotados o luto, o pranto e a dor (cf. Ap 21,4). O Senhor, que sofreu o abandono dos seus discípulos, o peso de uma condenação injusta e a vergonha de uma morte infame, faz-nos agora compartilhar a sua vida imortal, e nos oferece o seu olhar de ternura e compaixão para com os famintos e sedentos, com os estrangeiros e prisioneiros, com os marginalizados e descartados, com as vítimas de abuso e violência. O mundo está cheio de pessoas que sofrem no corpo e no espírito, enquanto as crônicas diárias estão repletas de relatos de crimes brutais, que muitas vezes são têm lugar dentro das paredes do lar, e de conflitos armados numa grande escala submetendo populações inteiras a provas inimagináveis.
Cristo ressuscitado indica caminhos de esperança para a querida Síria, um País devastado por um longo conflito, com o seu cortejo triste de destruição, morte, de desprezo pelo direito humanitário e desintegração da convivência civil. Confiamos ao poder do Senhor ressuscitado as conversações em curso, de modo que, com a boa vontade e a cooperação de todos, seja possível colher os frutos da paz e dar início à construção de uma sociedade fraterna, que respeite a dignidade e os direitos de cada cidadão. A mensagem de vida proclamada pelo anjo junto da pedra rolada do sepulcro, vença a dureza dos corações e promova um encontro fecundo entre povos e culturas nas outras regiões da bacia do Mediterrâneo e do Oriente Médio, particularmente no Iraque, Iêmen e na Líbia.
A imagem do homem novo, que resplandece no rosto de Cristo, favoreça a convivência entre israelitas e palestinianos na Terra Santa, bem como a disponibilidade paciente e o esforço diário para trabalhar no sentido de construir as bases de uma paz justa e duradoura através de uma negociação direta e sincera. O Senhor da vida acompanhe também os esforços para alcançar uma solução definitiva para a guerra na Ucrânia, inspirando e apoiando igualmente as iniciativas de ajuda humanitária, entre as quais a libertação de pessoas detidas.
O Senhor Jesus, nossa paz (Ef 2,14), que ressuscitando derrotou o mal e o pecado, possa favorecer, nesta festa de Páscoa, a nossa proximidade com as vítimas do terrorismo, forma de violência cega e brutal que continua a derramar sangue inocente em diversas partes do mundo, como aconteceu nos ataques recentes na Bélgica, Turquia, Nigéria, Chade, Camarões e Costa do Marfim; Possam frutificar os fermentos de esperança e as perspectivas de paz na África; penso de modo particular ao Burundi, Moçambique, República Democrática do Congo e o Sudão do Sul, marcados por tensões políticas e sociais.
Com as armas do amor, Deus derrotou o egoísmo e a morte; seu Filho Jesus é a porta da misericórdia aberta de par em par para todos. Que a sua mensagem pascal possa sempre se projetar mais sobre o povo venezuelano nas difíceis condições em que vive e sobre aqueles que detêm em suas mãos os destinos do País, para que se possa trabalhar em vista do bem comum, buscando espaços de diálogo e colaboração ente todos. Que por todos os lados possam ser tomadas medidas para promover a cultura do encontro, a justiça e o respeito mútuo, os quais só podem garantir o bem-estar espiritual e material dos cidadãos.
O Cristo ressuscitado, anúncio de vida para toda a humanidade, reverbera através dos séculos e nos convida a não esquecer dos homens e mulheres em sua jornada na busca de um futuro melhor, grupos cada vez mais números de migrantes e refugiados – entre os quais muitas crianças - que fogem da guerra, da fome, da pobreza e da injustiça social. Esses nossos irmãos e irmãs, que nos seus caminhos encontram com demasiada frequência a morte ou a recusa dos que poderiam oferecer-lhes hospitalidade e ajuda. Que a próxima rodada da Cúpula Mundial da Ajuda Humanitária não deixe de colocar no centro a pessoa humana com a sua dignidade e possa desenvolver políticas capazes de ajudar e proteger as vítimas de conflitos e de outras situações de emergência, especialmente os mais vulneráveis e os que sofrem perseguição por motivos étnicos e religiosos.
Neste dia glorioso, «alegre-se a terra que em meio a tantas luzes resplandece» (cf. Proclamação da Páscoa), mas ainda assim tão abusada e vilipendiada por uma exploração ávida pelo lucro, o que altera o equilíbrio da natureza. Penso em particular nas regiões afetadas pelos efeitos das mudanças climáticas, que muitas vezes causam secas ou violentas inundações, resultando em crises alimentares em diferentes partes do planeta.
Com nossos irmãos e irmãs que são perseguidos por causa da sua fé e por sua lealdade ao nome de Cristo e diante do mal que parece prevalecer na vida de tantas pessoas, ouçamos novamente as palavras consoladoras do Senhor: «Não tenhais medo! Eu venci o mundo!» (Jo 16,33). Hoje é o dia radiante desta vitória, porque Cristo calcou a morte e com a sua ressurreição fez resplandecer a vida e imortalidade (cf. 2Tm 1,10). «Ele nos fez passar da escravidão à liberdade, da tristeza à alegria, do luto à festa, das trevas à luz, da escravidão à redenção. Por isso, proclamemos diante d’Ele: Aleluia!» (Melitão de Sardes, Homilia Pascal).
Para aqueles em nossas sociedades perderam toda a esperança e alegria de viver, para os idosos oprimidos que na solidão sentem as forças esvaindo, para os jovens aos quais parece não existir o futuro, a todos eu dirijo mais uma vez as palavras do Ressuscitado: «Eis que faço novas todas as coisas a quem tiver sede, eu darei, de graça, da fonte da água vivificante» (Ap 21,5-6). Esta mensagem consoladora de Jesus possa ajudar cada um de nós a recomeçar com mais coragem, para assim construir estradas de reconciliação com Deus e com os irmãos.

terça-feira, 22 de março de 2016

MENSAGEM DE D. JOSÉ ORNELAS PARA A PÁSCOA



Mensagem do Bispo D. José Ornelas para a Páscoa

A aproximar-se a conclusão do caminho quaresmal, preparamo-nos para celebrar a festa maior das celebrações cristãs: o tríduo pascal, memorial da morte e ressurreição do Senhor Jesus. É um tempo para recordar os acontecimentos fundadores da nossa fé, que continuam a inspirar a nossa existência, a guiar o nosso caminho, a motivar o nosso empenhamento na família, na comunidade cristã, na sociedade onde nos inserimos.
É sobretudo um tempo de recuperar e renovar a esperança, sem ignorar os problemas dramáticos que nos rodeiam e sem deixar-se submergir por eles. Ao celebrar a morte do Senhor, não podemos esquecer que Ele assumiu voluntariamente o destino de cada homem e de cada mulher, neste mundo: a injustiça dos inocentes condenados à prisão, à miséria, ao desemprego, à via dos exilados e desprotegidos; o sofrimento dos doentes e dos feridos nos atentados e na guerra; a solidão de tantos anciãos abandonados; o desespero dos famintos, das crianças sem carinho, dos que buscam em vão um lugar seguro e digno para viver. Ele assumiu tudo isso sem se resignar ao medo ou ao comodismo, à violência ou à vingança.
Ele experimentou todo este drama substituindo a vingança pelo perdão, o ódio pelo amor, a crueldade pelo carinho para com a vida, a arrogância pelo serviço, a miséria pela partilha e multiplicação do pão, o esquecimento pela solidariedade do samaritano que se aproxima e carrega quem foi abandonado à borda da estrada. Não se resignou nem se poupou ao sofrimento e à morte, mas abriu através deles um caminho para a vida, a alegria e a esperança.
Por isso celebramos a Páscoa, sem esconder sob o tapete do comodismo ou do medo o sofrimento e a morte, mas expondo-os ao sol do amor e do poder de Deus, com o qual é possível construir um futuro novo e jubiloso, nesta terra e na plenitude da vida de Deus. Este não é um sonho de quem não abre os olhos aos dramas do mundo, mas a teimosa esperança de quem os assume com amor e dom de si mesmo, na certeza de que Deus, mesmo do sofrimento, do ódio e da morte, é capaz de gerar alegria, carinho e vida.
É com a certeza desta esperança que desejo a todos uma PÁSCOA FELIZ, porque o Senhor Jesus ressuscitou.

Setúbal, 21 de Março de 2016
+José Ornelas Carvalho
Bispo de Setúbal

domingo, 20 de março de 2016

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DE DOMINGO DE RAMOS NA PAIXÃO DO SENHOR (ANO C)


Domingo de Ramos: a Igreja celebra a entrada de Jesus em Jerusalém e na sua homilia o Papa Francisco falou da aniquilação e humilhação de Jesus. Numa reflexão sobre os momentos da Paixão de Cristo - destaque especial para as palavras do Santo Padre sobre a atual situação de tantos refugiados que esperam que alguém tome “a responsabilidade do seu destino” - Francisco começou por se referir ao entusiasmo do acolhimento que foi feito a Jesus com ramos de palmeira e oliveira e que todos os fiéis repetiram na Praça de S. Pedro acolhendo Jesus que “deseja entrar nas nossas cidades e nas nossas vidas” – afirmou – um Jesus que “nos salva das amarras do pecado, da morte, do medo e da tristeza”.
E Jesus ensina-nos o caminho a seguir com um primeiro gesto: o do “Lava-Pés” baixando-se “até aos pés dos discípulos, como somente os servos faziam”.
Mas esta atitude foi só o início da humilhação de Jesus que se torna extrema na sua Paixão: “é vendido por trinta moedas de prata e traído com um beijo por um discípulo que escolhera e chamara amigo. Quase todos os outros fugiram e O abandonaram; Pedro renega-O três vezes no pátio do Sinédrio. Humilhado na alma com zombarias, insultos e escarros, sofre no corpo violências atrozes: as cacetadas, a flagelação e a coroa de espinhos tornam irreconhecível o seu aspeto. Sofre também a infâmia e a iníqua condenação das autoridades, religiosas e políticas: é feito pecado e reconhecido injusto. Depois, Pilatos envia-o a Herodes, e este devolve-O ao governador romano: enquanto Lhe é negada toda a justiça, Jesus sente na própria pele também a indiferença, porque ninguém se quer assumir a responsabilidade do seu destino.” Neste momento da sua homilia o Papa Francisco recordou a atual situação dos refugiados:
“E penso em tanta gente, em tantos marginalizados, em tantos refugiados e digo-lhes: que são tantos os que não querem tomar a responsabilidade do seu destino.”
No caminho da Paixão de Cristo, a multidão que o aclamara “troca os louvores por um grito de condenação” mas Jesus porém, “reza e entrega-Se: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”.
“Pode parecer-nos muito distante o modo de agir de Deus”- disse Francisco – ao vermos Jesus que “Se aniquilou por nós, quando vemos que já sentimos tanta dificuldade para nos esquecermos um pouco de nós mesmos”. O Santo Padre afirmou que somos chamados a escolher o caminho de Jesus, “o caminho do serviço, da doação, do esquecimento de nós próprios”, contemplando nesta Semana Santa a “Cátedra de Deus”
“Convido-vos nesta semana a contemplar a “Cátedra de Deus”, para aprender o amor humilde, que salva e dá a vida, para renunciar ao egoísmo, à busca do poder e da fama.”
Fixemos o olhar em Jesus – disse o Papa na conclusão da sua homilia e “peçamos a graça de compreender algo da sua aniquilação por nós; reconheçamo-Lo como o Senhor da nossa vida e respondamos ao seu amor infinito com um pouco de amor concreto.”