domingo, 3 de abril de 2016

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO NA SANTA MISSA DO DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA (II DOMINGO DA PÁSCOA - ANO C)


Jo 20,19-31 «Muitos outros sinais miraculosos realizou ainda Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro» (Jo 20, 30). O Evangelho é o livro da misericórdia de Deus, que havemos de ler e reler, porque tudo o que Jesus disse e fez é expressão da misericórdia do Pai. Nem tudo, porém, foi escrito; o Evangelho da misericórdia permanece um livro aberto, onde se há-de continuar a escrever os sinais dos discípulos de Cristo, gestos concretos de amor, que são o melhor testemunho da misericórdia. Todos somos chamados a tornar-nos escritores viventes do Evangelho, portadores da Boa Nova a cada homem e mulher de hoje. Podemos fazê-lo praticando as obras corporais e espirituais de misericórdia, que são o estilo de vida do cristão. Através destes gestos simples e vigorosos, mesmo se por vezes invisíveis, podemos visitar aqueles que passam necessidade, levando a ternura e a consolação de Deus. Deste modo damos continuidade ao que fez Jesus no dia de Páscoa, quando derramou, nos corações assustados dos discípulos, a misericórdia do Pai, o Espírito Santo que perdoa os pecados e dá a alegria.
Mas, na narração que ouvimos, aparece um contraste evidente: por um lado, temos o medo dos discípulos, que fecham as portas da casa; por outro, temos a missão, por parte de Jesus, que os envia ao mundo para levarem o anúncio do perdão. O mesmo contraste pode verificar-se também em nós: uma luta interior entre o fechamento do coração e a chamada do amor para abrir as portas fechadas e sair de nós mesmos. Cristo, que por amor entrou nas portas fechadas do pecado, da morte e da mansão dos mortos, deseja entrar também em cada um para abrir de par em par as portas fechadas do coração. Ele que venceu, com a ressurreição, o medo e o temor que nos algemam, quer escancarar as nossas portas fechadas e enviar-nos. A estrada que o Mestre ressuscitado nos aponta é estrada de sentido único, segue-se apenas numa direção: sair de nós mesmos, para testemunhar a força sanadora do amor que nos conquistou. Muitas vezes vemos, diante de nós, uma humanidade ferida e assustada, que tem as cicatrizes do sofrimento e da incerteza. Hoje, face ao seu doloroso clamor de misericórdia e paz, ouçamos dirigido a cada um de nós o convite confiado de Jesus: «Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós (Jo 20, 21).
Cada doença pode encontrar na misericórdia de Deus um auxílio eficaz. Com efeito, a sua misericórdia não se detém à distância: quer vir ao encontro de todas as pobrezas e libertar de tantas formas de escravidão que afligem o nosso mundo. Quer alcançar as feridas de cada um, para medicá-las. Ser apóstolos de misericórdia significa tocar e acariciar as suas chagas, presentes hoje também no corpo e na alma de muitos dos seus irmãos e irmãs. Ao cuidar destas chagas, professamos Jesus, tornamo-Lo presente e vivo; permitimos a outros que palpem a sua misericórdia, e O reconheçam «Senhor e Deus» (cf. Jo 20, 28), como fez o apóstolo Tomé. Eis a missão que nos é confiada. Inúmeras pessoas pedem para ser escutadas e compreendidas. O Evangelho da misericórdia, que se deve anunciar e escrever na vida, procura pessoas com o coração paciente e aberto, «bons samaritanos» que conhecem a compaixão e o silêncio perante o mistério do irmão e da irmã; pede servos generosos e alegres, que amam gratuitamente sem nada pretender em troca.
«A paz esteja convosco!» (Jo 20, 21): é a saudação que Cristo leva aos seus discípulos; é a mesma paz que esperam os homens do nosso tempo. Não é uma paz negociada, nem a suspensão de algo errado: é a sua paz, a paz que brota do coração do Ressuscitado, a paz que venceu o pecado, a morte e o medo. É a paz que não divide, mas une; é a paz que não deixa sozinhos, mas faz-nos sentir acolhidos e amados; é a paz que sobrevive no sofrimento e faz florescer a esperança. Esta paz, como no dia de Páscoa, nasce e renasce sempre do perdão de Deus, que tira a ansiedade do coração. Ser portadora da sua paz: esta é a missão confiada à Igreja no dia de Páscoa. Nascemos em Cristo como instrumentos de reconciliação, para levar a todos o perdão do Pai, para revelar o seu rosto de amor nos sinais da misericórdia.

PEREGRINAÇÃO PAROQUIAL DE S. FRANCISCO XAVIER DE CAPARICA AO SANTUÁRIO DE CRISTO REI - ANO DA MISERICÓRDIA

Realizou-se, hoje, a Peregrinação Paroquial ao Santuário do Cristo Rei, integrada no Ano da Misericórdia. Viemos a pé cantando e rezando.



A Missa decorreu no Pavilhão do Rosário, recentemente inaugurado. Apesar da ameaça de chuva participaram da peregrinação, e da celebração, razoável número de paroquianos.









Após a Missa, a peregrinação continuou até à Igreja do Santuário. 







                                              
Antes de passarmos a Porta Santa rezou-se a oração do Jubileu. 





Passou-se então a Porta Santa e entrámos na Igreja que é uma das Igrejas jubilares da Diocese. A passagem da Porta Santa de qualquer uma das Igrejas Jubilares permite-nos ganhar as indulgências do Ano da Misericórdia.




Seguiu-se almoço partilhado e convívio.

domingo, 27 de março de 2016

MENSAGEM PASCAL DO SANTO PADRE

Queridos irmãos e irmãs, feliz Páscoa!

Jesus Cristo, encarnação da misericórdia de Deus, por amor morreu na cruz e por amor ressuscitou. Por isso, proclamamos hoje: Jesus é o Senhor!
A sua Ressurreição realizou plenamente a profecia do Salmo: a misericórdia de Deus é eterna, o seu amor é para sempre, não morre jamais. Podemos confiar completamente N’Ele, e damos-Lhe graças porque por nós Ele baixou até ao fundo do abismo.
Diante dos abismos espirituais e morais da humanidade, diante dos vazios que se abrem nos corações e que provocam ódio e morte, somente uma infinita misericórdia pode nos dar a salvação. Só Deus pode preencher com o seu amor esses vazios, esses abismos, e fazer-nos não afundar, mas continuar caminhando juntos em direção à Terra da liberdade e da vida.
O anúncio jubiloso da Páscoa: Jesus, o crucificado, não está aqui, ressuscitou (cf. Mt 28,5-6) oferece-nos a certeza consoladora de que o abismo da morte foi cruzado e, com isso, foram derrotados o luto, o pranto e a dor (cf. Ap 21,4). O Senhor, que sofreu o abandono dos seus discípulos, o peso de uma condenação injusta e a vergonha de uma morte infame, faz-nos agora compartilhar a sua vida imortal, e nos oferece o seu olhar de ternura e compaixão para com os famintos e sedentos, com os estrangeiros e prisioneiros, com os marginalizados e descartados, com as vítimas de abuso e violência. O mundo está cheio de pessoas que sofrem no corpo e no espírito, enquanto as crônicas diárias estão repletas de relatos de crimes brutais, que muitas vezes são têm lugar dentro das paredes do lar, e de conflitos armados numa grande escala submetendo populações inteiras a provas inimagináveis.
Cristo ressuscitado indica caminhos de esperança para a querida Síria, um País devastado por um longo conflito, com o seu cortejo triste de destruição, morte, de desprezo pelo direito humanitário e desintegração da convivência civil. Confiamos ao poder do Senhor ressuscitado as conversações em curso, de modo que, com a boa vontade e a cooperação de todos, seja possível colher os frutos da paz e dar início à construção de uma sociedade fraterna, que respeite a dignidade e os direitos de cada cidadão. A mensagem de vida proclamada pelo anjo junto da pedra rolada do sepulcro, vença a dureza dos corações e promova um encontro fecundo entre povos e culturas nas outras regiões da bacia do Mediterrâneo e do Oriente Médio, particularmente no Iraque, Iêmen e na Líbia.
A imagem do homem novo, que resplandece no rosto de Cristo, favoreça a convivência entre israelitas e palestinianos na Terra Santa, bem como a disponibilidade paciente e o esforço diário para trabalhar no sentido de construir as bases de uma paz justa e duradoura através de uma negociação direta e sincera. O Senhor da vida acompanhe também os esforços para alcançar uma solução definitiva para a guerra na Ucrânia, inspirando e apoiando igualmente as iniciativas de ajuda humanitária, entre as quais a libertação de pessoas detidas.
O Senhor Jesus, nossa paz (Ef 2,14), que ressuscitando derrotou o mal e o pecado, possa favorecer, nesta festa de Páscoa, a nossa proximidade com as vítimas do terrorismo, forma de violência cega e brutal que continua a derramar sangue inocente em diversas partes do mundo, como aconteceu nos ataques recentes na Bélgica, Turquia, Nigéria, Chade, Camarões e Costa do Marfim; Possam frutificar os fermentos de esperança e as perspectivas de paz na África; penso de modo particular ao Burundi, Moçambique, República Democrática do Congo e o Sudão do Sul, marcados por tensões políticas e sociais.
Com as armas do amor, Deus derrotou o egoísmo e a morte; seu Filho Jesus é a porta da misericórdia aberta de par em par para todos. Que a sua mensagem pascal possa sempre se projetar mais sobre o povo venezuelano nas difíceis condições em que vive e sobre aqueles que detêm em suas mãos os destinos do País, para que se possa trabalhar em vista do bem comum, buscando espaços de diálogo e colaboração ente todos. Que por todos os lados possam ser tomadas medidas para promover a cultura do encontro, a justiça e o respeito mútuo, os quais só podem garantir o bem-estar espiritual e material dos cidadãos.
O Cristo ressuscitado, anúncio de vida para toda a humanidade, reverbera através dos séculos e nos convida a não esquecer dos homens e mulheres em sua jornada na busca de um futuro melhor, grupos cada vez mais números de migrantes e refugiados – entre os quais muitas crianças - que fogem da guerra, da fome, da pobreza e da injustiça social. Esses nossos irmãos e irmãs, que nos seus caminhos encontram com demasiada frequência a morte ou a recusa dos que poderiam oferecer-lhes hospitalidade e ajuda. Que a próxima rodada da Cúpula Mundial da Ajuda Humanitária não deixe de colocar no centro a pessoa humana com a sua dignidade e possa desenvolver políticas capazes de ajudar e proteger as vítimas de conflitos e de outras situações de emergência, especialmente os mais vulneráveis e os que sofrem perseguição por motivos étnicos e religiosos.
Neste dia glorioso, «alegre-se a terra que em meio a tantas luzes resplandece» (cf. Proclamação da Páscoa), mas ainda assim tão abusada e vilipendiada por uma exploração ávida pelo lucro, o que altera o equilíbrio da natureza. Penso em particular nas regiões afetadas pelos efeitos das mudanças climáticas, que muitas vezes causam secas ou violentas inundações, resultando em crises alimentares em diferentes partes do planeta.
Com nossos irmãos e irmãs que são perseguidos por causa da sua fé e por sua lealdade ao nome de Cristo e diante do mal que parece prevalecer na vida de tantas pessoas, ouçamos novamente as palavras consoladoras do Senhor: «Não tenhais medo! Eu venci o mundo!» (Jo 16,33). Hoje é o dia radiante desta vitória, porque Cristo calcou a morte e com a sua ressurreição fez resplandecer a vida e imortalidade (cf. 2Tm 1,10). «Ele nos fez passar da escravidão à liberdade, da tristeza à alegria, do luto à festa, das trevas à luz, da escravidão à redenção. Por isso, proclamemos diante d’Ele: Aleluia!» (Melitão de Sardes, Homilia Pascal).
Para aqueles em nossas sociedades perderam toda a esperança e alegria de viver, para os idosos oprimidos que na solidão sentem as forças esvaindo, para os jovens aos quais parece não existir o futuro, a todos eu dirijo mais uma vez as palavras do Ressuscitado: «Eis que faço novas todas as coisas a quem tiver sede, eu darei, de graça, da fonte da água vivificante» (Ap 21,5-6). Esta mensagem consoladora de Jesus possa ajudar cada um de nós a recomeçar com mais coragem, para assim construir estradas de reconciliação com Deus e com os irmãos.

terça-feira, 22 de março de 2016

MENSAGEM DE D. JOSÉ ORNELAS PARA A PÁSCOA



Mensagem do Bispo D. José Ornelas para a Páscoa

A aproximar-se a conclusão do caminho quaresmal, preparamo-nos para celebrar a festa maior das celebrações cristãs: o tríduo pascal, memorial da morte e ressurreição do Senhor Jesus. É um tempo para recordar os acontecimentos fundadores da nossa fé, que continuam a inspirar a nossa existência, a guiar o nosso caminho, a motivar o nosso empenhamento na família, na comunidade cristã, na sociedade onde nos inserimos.
É sobretudo um tempo de recuperar e renovar a esperança, sem ignorar os problemas dramáticos que nos rodeiam e sem deixar-se submergir por eles. Ao celebrar a morte do Senhor, não podemos esquecer que Ele assumiu voluntariamente o destino de cada homem e de cada mulher, neste mundo: a injustiça dos inocentes condenados à prisão, à miséria, ao desemprego, à via dos exilados e desprotegidos; o sofrimento dos doentes e dos feridos nos atentados e na guerra; a solidão de tantos anciãos abandonados; o desespero dos famintos, das crianças sem carinho, dos que buscam em vão um lugar seguro e digno para viver. Ele assumiu tudo isso sem se resignar ao medo ou ao comodismo, à violência ou à vingança.
Ele experimentou todo este drama substituindo a vingança pelo perdão, o ódio pelo amor, a crueldade pelo carinho para com a vida, a arrogância pelo serviço, a miséria pela partilha e multiplicação do pão, o esquecimento pela solidariedade do samaritano que se aproxima e carrega quem foi abandonado à borda da estrada. Não se resignou nem se poupou ao sofrimento e à morte, mas abriu através deles um caminho para a vida, a alegria e a esperança.
Por isso celebramos a Páscoa, sem esconder sob o tapete do comodismo ou do medo o sofrimento e a morte, mas expondo-os ao sol do amor e do poder de Deus, com o qual é possível construir um futuro novo e jubiloso, nesta terra e na plenitude da vida de Deus. Este não é um sonho de quem não abre os olhos aos dramas do mundo, mas a teimosa esperança de quem os assume com amor e dom de si mesmo, na certeza de que Deus, mesmo do sofrimento, do ódio e da morte, é capaz de gerar alegria, carinho e vida.
É com a certeza desta esperança que desejo a todos uma PÁSCOA FELIZ, porque o Senhor Jesus ressuscitou.

Setúbal, 21 de Março de 2016
+José Ornelas Carvalho
Bispo de Setúbal

domingo, 20 de março de 2016

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DE DOMINGO DE RAMOS NA PAIXÃO DO SENHOR (ANO C)


Domingo de Ramos: a Igreja celebra a entrada de Jesus em Jerusalém e na sua homilia o Papa Francisco falou da aniquilação e humilhação de Jesus. Numa reflexão sobre os momentos da Paixão de Cristo - destaque especial para as palavras do Santo Padre sobre a atual situação de tantos refugiados que esperam que alguém tome “a responsabilidade do seu destino” - Francisco começou por se referir ao entusiasmo do acolhimento que foi feito a Jesus com ramos de palmeira e oliveira e que todos os fiéis repetiram na Praça de S. Pedro acolhendo Jesus que “deseja entrar nas nossas cidades e nas nossas vidas” – afirmou – um Jesus que “nos salva das amarras do pecado, da morte, do medo e da tristeza”.
E Jesus ensina-nos o caminho a seguir com um primeiro gesto: o do “Lava-Pés” baixando-se “até aos pés dos discípulos, como somente os servos faziam”.
Mas esta atitude foi só o início da humilhação de Jesus que se torna extrema na sua Paixão: “é vendido por trinta moedas de prata e traído com um beijo por um discípulo que escolhera e chamara amigo. Quase todos os outros fugiram e O abandonaram; Pedro renega-O três vezes no pátio do Sinédrio. Humilhado na alma com zombarias, insultos e escarros, sofre no corpo violências atrozes: as cacetadas, a flagelação e a coroa de espinhos tornam irreconhecível o seu aspeto. Sofre também a infâmia e a iníqua condenação das autoridades, religiosas e políticas: é feito pecado e reconhecido injusto. Depois, Pilatos envia-o a Herodes, e este devolve-O ao governador romano: enquanto Lhe é negada toda a justiça, Jesus sente na própria pele também a indiferença, porque ninguém se quer assumir a responsabilidade do seu destino.” Neste momento da sua homilia o Papa Francisco recordou a atual situação dos refugiados:
“E penso em tanta gente, em tantos marginalizados, em tantos refugiados e digo-lhes: que são tantos os que não querem tomar a responsabilidade do seu destino.”
No caminho da Paixão de Cristo, a multidão que o aclamara “troca os louvores por um grito de condenação” mas Jesus porém, “reza e entrega-Se: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”.
“Pode parecer-nos muito distante o modo de agir de Deus”- disse Francisco – ao vermos Jesus que “Se aniquilou por nós, quando vemos que já sentimos tanta dificuldade para nos esquecermos um pouco de nós mesmos”. O Santo Padre afirmou que somos chamados a escolher o caminho de Jesus, “o caminho do serviço, da doação, do esquecimento de nós próprios”, contemplando nesta Semana Santa a “Cátedra de Deus”
“Convido-vos nesta semana a contemplar a “Cátedra de Deus”, para aprender o amor humilde, que salva e dá a vida, para renunciar ao egoísmo, à busca do poder e da fama.”
Fixemos o olhar em Jesus – disse o Papa na conclusão da sua homilia e “peçamos a graça de compreender algo da sua aniquilação por nós; reconheçamo-Lo como o Senhor da nossa vida e respondamos ao seu amor infinito com um pouco de amor concreto.”

sábado, 19 de março de 2016

PROGRAMA SEMANA SANTA




     Domingo de Ramos -  Paixão do Senhor 
                            
 
Sábado (dia 19) – 18h00: Bênção dos Ramos e Eucaristia Vespertina
Domingo (dia 20) - 11:30 - Bênção dos Ramos e Eucaristia


Quinta-feira Santa – Dia 24 de Março

19:00 - Ceia do Senhor – com a cerimónia do Lava-pés
    “Fazei isto em memória de mim” Lc 22,19
21:00 – 00:00 - Oração Comunitária – 
“Ficai aqui comigo… Vigiai e Orai” Mt 26,38

Sexta-feira Santa – dia 25 de Março
     15:00 – Celebração da Paixão do Senhor
 “ A vida ninguém ma tira, mas sou eu que a ofereço livremente” 
Jo 10,18

21h00 – VIA-SACRA
em conjunto com a Paróquia do Monte da Caparica 
com início na paróquia de S. F. Xavier e fim na Paróquia do Monte da Caparica



Sábado Santo – dia 26 de Março
                                
22:00 – Solene VIGÍLIA PASCAL
“Jesus ressuscitado vem dizer-nos o que é e onde está a Vida…”
Domingo - dia 27 de Março





      PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO 
DO SENHOR  


11:30: EUCARISTIA SOLENE

domingo, 13 de março de 2016

PAPA FRANCISCO: 3 ANOS DE PONTIFICADO

A Igreja Católica assinala hoje o terceiro aniversário da eleição de Jorge Mario Bergoglio como Papa, um pontificado que nos últimos meses conheceu momentos como o Sínodo sobre a Família ou a encíclica ‘Laudato si’.
As viagens internacionais e a convocação de um Jubileu extraordinário da Misericórdia foram outros pontos de destaque, a que se somaram o encontro histórico com o patriarca ortodoxo de Moscovo e a visita à sede da ONU, em Nova Iorque.
Francisco tem proposto uma mudança do paradigma económico e financeiro internacional, como tinha deixado bem vincado na exortação ‘Evangelii Gaudium’ ou no seu discurso em Estrasburgo, perante o Parlamento Europeu, em defesa da democracia face ao poder dos mercados.
Com a encíclica 'Laudato si', Francisco abriu as fronteiras do seu discurso e colocou a Igreja Católica na liderança do movimento mundial para a defesa do ambiente, congregando à sua volta apoios das mais diversas proveniências.
O Papa tem estado próximo dos mais pobres e excluídos, na defesa de uma globalização mais plural, que respeite a identidade de todos e os excluídos, um discurso marcado pela vivência no Sul do mundo.
O primeiro pontífice da América Latina tem mostrado preocupação com a situação do Velho Continente, desejando uma ‘refundação da Europa', particularmente necessária perante as crises de refugiados e doterrorismo internacional.
O Papa tem repetido mensagens em favor da paz nas várias regiões do mundo afetadas por conflitos, assumindo a defesa dos cristãos no Médio Oriente, perseguidos pelo autoproclamado ‘Estado Islâmico’, e criticando quem justifica ataques terroristas com as suas convicções religiosas.
O cardeal Jorge Mario Bergoglio foi eleito como sucessor de Bento XVI a 13 de março de 2013, após a renúncia do agora Papa emérito; assumiu o inédito nome de Francisco e é o primeiro pontífice jesuíta na história da Igreja.
Em 36 meses, o Papa argentino visitou o Brasil, Jordânia, Israel, Palestina, Coreia do Sul, Turquia, Sri Lanka, Filipinas, Equador, Bolívia, Paraguai, Cuba e Estados Unidos da América, Quénia, Uganda, República Centro-Africana, e o México, bem como as cidades de Estrasburgo (França), onde passou pelo Parlamento Europeu e o Conselho da Europa, Tirana (Albânia) e Sarajevo (Bósnia-Herzegovina).
Realizou também dez viagens em Itália, incluindo passagens por Assis e pela ilha de Lampedusa, bem como uma homenagem no centenário no início da I Guerra Mundial, para além de outras visitas a paróquias na Diocese de Roma.
Entre os principais documentos do atual pontificado estão as encíclicas 'Laudato si', dedicada a questões ecológicas, e 'Lumen Fidei' (A luz da Fé), que recolhe reflexões de Bento XVI, bem como a exortação apostólica 'Evangelii Gaudium' (A alegria do Evangelho).
O Papa promoveu um Sínodo sobre a Família, em duas sessões, com consultas alargadas às comunidades católicas, e deu início ao Jubileu da Misericórdia, terceiro ano santo extraordinário na história da Igreja Católica, 50 anos depois do encerramento do Concílio Vaticano II.
Francisco tem sublinhado a sua preocupação com as “periferias” geográficas e existenciais da humanidade, que exigem respostas da Igreja e da sociedade.
Internamente, tem promovido também areforma dos organismos centrais da Igreja Católica, em particular a estrutura de coordenação para as atividades económicas e administrativas.
O Papa criou um Conselho de Cardeais, para o aconselhar no governo da Igreja e na revisão da Constituição Apostólica ‘Pastor Bonus’, sobre a Cúria Romana; o grupo com cardeais dos cinco continentes propôs a criação de uma comissão específica para os casos de abusos sexuais, à qual Francisco deu luz verde.
Os primeiros anos de pontificado são analisados na mais recente edição do Semanário ECCLESIA, com uma entrevista a Adriano Moreira e um dossier que inclui ainda textos de vaticanistas internacionais e testemunhos de vários bispos e outros portugueses que tiveram oportunidade de contactar com Francisco. (Agência Ecclesia)

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO V DOMINGO DA QUARESMA (ANO C)


Jo. 8,1-11 O Evangelho deste V domingo da Quaresma, disse hoje o Papa na sua alocução, “é tão bonito. Eu gosto muito de lê-lo e relê-lo”. Apresenta o episódio da mulher adúltera, pondo em realce o tema da misericórdia de Deus que não quer nunca a morte do pecador, mas que mude de vida e viva. O episódio acontece na varanda do templo do Monte das Oliveiras onde Jesus estava a ensinar. Eis que os fariseus apresentaram-Lhe uma mulher surpreendida em adultério. Aquela mulher, disse Francisco, encontra-se assim, entre Jesus  e a multidão, entre a misericórdia do Filho de Deus e a violência dos seus acusadores.
Na realidade, prossegue o Santo Padre, eles não vieram ter com o Mestre para pedir o seu parecer, mas para Lhe armarem uma cilada. De fato, se Jesus seguisse a severidade da lei, aprovando o apedrejamento da mulher, perderia a sua fama de bondade que tanto atrai o povo; se pelo contrário quisesse ser misericordioso, iria contra a lei que Ele mesmo disse não querer abolir mas cumprir”.
Perante a pergunta maliciosa dos fariseus, “Tu que dizes”, Jesus não responde, fica silencioso e faz um gesto misterioso: inclinou-Se e começou a escrever com o dedo no chão. Desta forma, salientou o Papa, ele convida todos à calma, a não agir guiados pela onda do impulso e a procurar a justiça de Deus.
Mas os fariseus insistiam em interrogá-Lo. Eram pessoas malvadas. Jesus ergueu-Se então e disse-lhes: <<Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra>>. Esta resposta, disse Francisco,  surpreendeu e desarmou todos os seus acusadores: todos depuseram as armas, isto é, as pedras que já tinham prontas para serem lançadas, sejam aquelas visíveis dirigidas contra a mulher, sejam aquelas invisíveis, dirigidas contra o próprio Jesus. E eis então que enquanto o Senhor continuava a escrever com o dedo no chão, os acusadores foram saindo um após o outro, a começar pelos mais velhos, mas certamente conscientes de não estarem sem pecado.
“Quanto bem nos faz sermos conscientes, sobretudo quando falamos dos outros, de que também nós somos pecadores. Quanto bem nos fará termos a coragem de deitar no chão as pedras que temos já prontas para apedrejar os outros e pensarmos um pouco no nosso pecado”.
No fim da cena, ficaram só Jesus e a mulher: a miséria e a misericórdia, um diante do outro, sublinhou o Papa. Segue a pergunta de Jesus: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?”. Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Disse então Jesus: “Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar”.
Foi suficiente esta constatação e o olhar cheio de misericórdia e de amor  de Jesus, disse Francisco, para fazer sentir  àquela mulher, talvez pela primeira vez na sua vida, que ela tem uma dignidade, que ela não é o seu pecado, que pode mudar de vida, pode sair da sua condição da escrava e percorrer novos caminhos vitais. Nós, acrescentou o Pontífice, temos um nome e Deus não identifica o nosso nome com o pecado que cometemos. Portanto ela não é sinónimo do seu pecado, é uma pessoa com a sua dignidade e sobretudo capaz de conversão autêntica.
Finalmente, Francisco recordou a todos os presentes, que aquela mulher, representa todos nós, pecadores, isto é adúlteros perante Deus, traidores da sua fidelidade. E a sua experiencia representa a vontade de Deus para cada um de nós: não a nossa condenação, mas a nossa salvação em Jesus, Ele que é a Graça, que salva do pecado e da morte. Ele escreveu no chão, no pó de que é feito cada ser humano, a sentença de Deus: “Não quero que tu morras mas que vivas”.
Possa então a Virgem Maria, conclui dizendo o Papa, ajudar-nos a entregarmo-nos completamente à misericórdia de Deus, para tornarmo-nos criaturas novas.

domingo, 6 de março de 2016

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO IV DOMINGO DA QUARESMA (ANO C)


Lc 15,1-3.11-32 O Papa trouxe à atenção dos fiéis, neste domingo, uma das parábolas mais conhecidas, apesar de constar em apenas um dos Evangelhos canônicos, o de Lucas: a parábola do Filho Pródigo, proposta na liturgia do dia.
Dirigindo-se às pessoas presentes na Praça, o Papa definiu esta parábola como a ‘do pai misericordioso’: aquele que está sempre pronto a perdoar e que espera, contra qualquer esperança. A propósito da tolerância do pai que permite que o filho mais jovem parta – mesmo sabendo dos riscos que corre - Francisco disse que “é assim que Deus age connosco: deixa-nos também livres de errar, porque ao criar-nos, deu-nos o grande dom da liberdade. Somos nós que devemos saber utilizá-la bem”. 
O pai fica fisicamente longe daquele filho, mas leva-o sempre no coração; aguarda confiante a sua volta, e quando o vê aparecer comove-se, corre em direção a ele, abraça-o e beija-o. E faz o mesmo com o filho mais velho, aquele que não entende e não concorda com todo o carinho do pai pelo irmão que errou. 
Improvisando, Francisco ressaltou que “a atitude de se sentir justo é um ‘mau comportamento’, é o diabo. O pai vai e procura quem se sente pecador: este é o comportamento certo”. O pai explica-lhe que é preciso acolhê-lo com alegria, pois o jovem finalmente voltou para casa. Esta atitude revela o coração de Deus: “Ele é o pai misericordioso que, em Jesus, nos ama sem limites, espera sempre a nossa conversão cada vez que erramos; aguarda o nosso retorno quando nos afastamos d'Ele, quando pensamos que podemos viver sem Ele”. 
O Papa sugeriu que nesta parábola, entrevemos também um ‘terceiro filho’, escondido: é o que não considera um privilégio ser como o pai; que se despojou de tudo e assumiu a condição de escravo, lavando os pés sujos do pecador: é Jesus”, que nos ensina a ser misericordiosos como o Pai.
Concluindo, antes de rezar a oração mariana do Angelus, Francisco lembrou a todos que no sacramento da Reconciliação, podemos sempre recomeçar, pois Deus nos acolhe e nos restitui a dignidade de filhos. 

domingo, 28 de fevereiro de 2016

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO III DOMINGO DA QUARESMA (ANO C)

Lc 13,1-9 Como habitualmente, ao meio dia, o Papa Francisco apareceu à janela do Palácio Apostólico para evocar a saudação do Angelus a Maria e reflectir, juntamente com os milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro e com quantos o seguiam através do media, sobre o Evangelho deste domingo. E foi precisamente por uma breve reflexão sobre a leitura do Evangelho de São Lucas que começou, relacionando-o com os tempos que estamos a viver.
Tal como actualmente, também então tinha havido uma má notícia: os soldados romanos tinham feito uma irrupção cruenta no seio do templo de Jerusalém fazendo cair a torre de Siloé e causando 18 mortos. Ora, sabendo Jesus que a superstição das pessoas as teria levado a interpretar isso como se fosse um castigo de Deus para com aquelas vítimas como se o merecessem e que os outros foram poupados porque estavam a postos perante Deus, o Filho de Deus tratou logo de afastar essa visão das coisas. E fazendo notar que Deus não permite tragédias para punir culpas, Jesus convidou, pelo contrário, a tirar desses factos dolorosos uma admoestação para todos, porque todos somos pecadores. E a quantos O tinham interpelado respondeu: “Se não vos arrependerdes, perecereis todos igualmente”.
Tal como naquele tempo - disse o Papa - perante “certas desgraças e eventos trágicos” de hoje podemos ter a tentação de “descarregar” a responsabilidade sobre as vítimas ou mesmo sobre Deus. Mas não será isso uma projecção num Deus feito “à nossa imagem e semelhança”? “Que ideia temos de Deus”? – perguntou-se Francisco, recordando que Jesus nos convida, pelo contrário, a “mudar o nosso coração, a fazer uma radical inversão no caminho da nossa vida, abandonando o compromisso com o mal, com as hipocrisias, para enveredarmos decididamente pelo caminho do Evangelho”. Mas a tentação de nos justificar está sempre presente e nos leva a dizer, “mas de que é que nos devemos converter? Não somos, tudo somado, boa gente, crentes, e mesmo bastante praticantes?” A resposta é dado pelo próprio Papa, segundo o qual, Jesus é como aquele camponês que perante a figueira estéril, vai-lhe dando sempre um ano a mais na esperança de que dê frutos. Um ano de graça, o tempo de Cristo, da Igreja, da nossa vida, compassado por um certo número de Quaresmas, que nos são oferecidas como ocasião de arrependimento e de salvação. E aqui o Papa, repetidamente, perguntou, se já pensamos na paciência de Jesus para connosco, pela nossa salvação. E contou o caso de Santa Teresa do Menino Jesus que pacientemente rezava no convento por um criminoso que estava para ser morto e que não queria absolutamente saber da conversão, do sacerdote que se lhe aproximava, mas que, ao último momento, chamou o padre e, tomando o seu crucifixo, beijou-o. “A paciência de Deus! O mesmo acontece connosco, com todos nós. Quantas vezes… nós não sabemos, sabê-lo-emos no Céu, mas quantas vezes, estamos à beira de… e o Senhor nos salva, nos salva porque tem grande paciência para connosco e esta é a sua misericórdia. Nunca é demasiado tarde para nos convertermos, nunca, até ao último momento, mas é urgente, é agora! Comecemos hoje”.
E o Papa concluiu a sua reflexão evangélica, invocando o apoio de Nossa Senhora para nos abrir o coração à graça de Deus, à sua misericórdia; e para nos ajudar a não julgar os outros, mas a deixar que as desgraças quotidianas provoquem em nós um sério exame de consciência e de arrependimento.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

REZAR COM SANTO INÁCIO


REZAR COM SANTO INÁCIO

Participe nos 6 encontros para melhor conhecer a Espiritualidade de Santo Inácio:

domingo 28 fevereiro - 17h15m
2ª feira    29 fevereiro - 21h15m
3ª feira   1 Março        - 21h15m
4ª feira   2 Março        - 21h15m
5ª feira   3 Março        - 21h15m
6ª feira   4 Março        - 21h15m


domingo, 21 de fevereiro de 2016

REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO II DOMINGO DA QUARESMA (ANO C)


O Evangelho (Lc 9, 28-36) apresenta a fé dos Apóstolos, fortalecida na Montanha, pela Transfiguração de Jesus. Na Caminhada para Jerusalém, o primeiro anúncio da Paixão e Morte de Jesus abalou profundamente a fé dos apóstolos. Desmoronaram seus planos de glória e de poder.
Para fortalecer essa fé ainda tão frágil, Cristo tomou três deles, subiu ao Monte Tabor e “Transfigurou-se…” A transfiguração de Jesus é uma catequese que revela aos discípulos e a nós Quem é Jesus: O Filho Amado de Deus!
Na nossa caminhada para a Páscoa somos também convidados a subir com Jesus a montanha e, na companhia dos três discípulos, viver a alegria da comunhão com Ele. As dificuldades da caminhada não nos podem desanimar. No meio dos conflitos, o Pai mostra-nos desde já sinais da Ressurreição e do alto daquele monte Ele continua a gritar-nos: “Este é o Meu Filho Amado, escutai-O”.
Não desanimemos diante das dificuldades! Os Planos de Deus não conduzem ao fracasso, mas à Ressurreição, à vida definitiva, à felicidade sem fim!
São Leão Magno diz que “o fim principal da transfiguração foi desterrar das almas dos discípulos o escândalo da Cruz”. Os Apóstolos jamais esquecerão esta “gota de mel” que Jesus lhes oferecia no meio da sua amargura. Jesus sempre atua assim com os que o seguem. No meio dos maiores padecimentos, dá-lhes o consolo necessário para continuarem a caminhar.
Esta centelha da glória divina inundou os Apóstolos de uma felicidade tão grande que fez Pedro exclamar: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas…” Pedro quer prolongar a situação! O que é bom, o que importa, não é estar aqui ou ali, mas estar sempre com Cristo, em qualquer parte, e vê-Lo por trás das circunstâncias em que nos encontramos. Se estamos com Ele, tanto faz que estejamos rodeados dos maiores consolos do mundo ou prostrados na cama de um hospital, padecendo dores terríveis. O que importa é somente isto: Vê-Lo e viver sempre com Ele! Esta é a única coisa verdadeiramente boa e importante na vida presente e na outra. Desejo ver-Te, Senhor, e procurarei o Teu rosto nas circunstâncias habituais da minha vida!
A vida dos homens é uma caminhada para o Céu, que é a nossa morada (2 Cor 5,2). Uma caminhada que, às vezes, se torna áspera e difícil, porque com freqüência devemos remar contra a corrente e lutar com muitos inimigos interiores ou de fora. Mas o Senhor quer confortar-nos com a esperança do Céu, de modo especial nos momentos mais duros ou quando se torna mais patente a fraqueza da nossa condição: “À hora da tentação, pensa no Amor que te espera no Céu. Fomenta a virtude da esperança, que não é falta de generosidade” (São Josemaria Escrivá, Caminho, nº 139).
O pensamento da glória que nos espera deve animar-nos na nossa luta diária. Nada vale tanto como ganhar o Céu. Ensina Santa Teresa: “ E se fordes sempre avante com esta determinação de antes morrer do que desistir de chegar ao termo da jornada, o Senhor, mesmo que vos mantenha com alguma sede nesta vida, na outra, que durará para sempre, vos dará de beber com toda a abundância e sem perigo de que vos venha a faltar” (Caminho de Perfeição, 20,2).
“Este é o meu Filho amado, no qual pus o meu agrado. Escutai-O!” ( Lc 9, 35 ). E Deus Pai fala através de Jesus Cristo a todos os homens de todos os tempos. A sua voz faz-se ouvir em todas as épocas, sobretudo através dos ensinamentos da Igreja…
Nós devemos encontrar esse Jesus na nossa vida corrente, no meio do trabalho, na rua, nos que nos rodeiam, na oração, quando nos perdoa no Sacramento da Penitência (Confissão), e sobretudo na Sagrada Escritura, onde se encontra verdadeira, real e substancialmente presente. Devemos, aprender a descobri-Lo nas coisas ordinárias, correntes, fugindo da tentação de desejar o extraordinário.
Escutar e anunciar!…Não podemos ficar no Monte… de braços cruzados… O seguidor de Cristo deve descer do monte para enfrentar o mundo e os problemas dos homens!
Cada domingo, ao participar na Santa Missa, subimos a Montanha, para contemplar o Cristo transfigurado (ressuscitado) e escutar a sua voz. Depois, ao descer a Montanha (sair da Igreja) devemos prosseguir a nossa caminhada, sendo sal da Terra e luz do mundo. Somos convidados a ser Missionários da Transfiguração!
Rezemos coma Igreja: “Ó Deus, que nos mandastes ouvir o vosso Filho amado, alimentai nosso espírito com a vossa palavra, para que,  purificado o olhar de nossa fé, nos alegremos com a visão da vossa glória.”( Coleta da Missa ).

Mons. José Maria Pereira

domingo, 14 de fevereiro de 2016

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO I DOMINGO DA QUARESMA (ANO C)


Neste I domingo da Quaresma o Papa Francisco presidiu à Santa Missa em Ecatepec, arredores da Cidade do México. Na homilia Francisco começou por recordar a Quaresma, tempo litúrgico – disse – em que a Igreja nos convida a preparar-nos para a Páscoa e tempo especial para lembrar o dom do nosso Baptismo.
Mas a Quaresma é também tempo para abrir os olhos para as injustiças que atentam directamente contra o sonho e o projecto de Deus, disse ainda o Papa, tempo para desmascarar aquelas três grandes formas de tentação - que aparecem no Evangelho deste I domingo da Quaresma (Lc 4,1-13) - que procuram arruinar a verdade a que fomos chamados: a riqueza, a vaidade e o orgulho.
Sobre a tentação da riqueza disse Francisco:
“A riqueza, apropriando-nos de bens que foram dados para todos, usando-os só para mim ou para «os meus». É conseguir o pão com o suor alheio ou até com a vida alheia. Tal riqueza é pão que sabe a tristeza, amargura e sofrimento. Numa família ou numa sociedade corrupta, é o pão que se dá a comer aos próprios filhos”.
Três tentações de Cristo, observou Francisco, mas também três tentações que o cristão enfrenta diariamente, três tentações que procuram degradar, destruir e tirar a alegria e o frescor do Evangelho; que nos fecham num círculo de destruição e pecado.
E o Papa convidou a perguntar-nos se estamos conscientes destas tentações na nossa vida e se não nos acostumamos a um estilo de vida que considera a riqueza, a vaidade e o orgulho como a fonte e a força de vida.
Mas temos de escolher Jesus, e não o diabo, diz o Papa, e a Igreja oferece-nos o tempo da Quaresma convidando-nos à conversão, na certeza de que Deus está à nossa espera e quer curar o nosso coração de tudo aquilo que o degrada - é o Deus cujo nome é misericórdia, nome no qual pomos a nossa confiança.
E concluiu rezando para que o Espírito Santo renove nos fiéis a certeza de que o seu nome é misericórdia e nos faça experimentar, em cada dia, que o Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. 

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

MENSAGEM DE D. JOSÉ ORNELAS PARA A QUARESMA 2016


Quaresma: tempo de autenticidade, vitalidade, solidariedade

A todos os membros da comunidade diocesana de Setúbal
Com a celebração das cinzas, damos início, nesta Quarta feira, ao tempo da Quaresma, que nos conduzirá à festa da Páscoa, comemoração da morte e ressurreição do Senhor Jesus.
Este é um tempo muito especial, durante o qual Deus nos convida a tomar mais a sério a vida, em todas as suas dimensões, buscando ser coerentes e honestos, afastando aquilo que nos destrói e destrói as relações com aqueles que nos rodeiam e caminhando pela via da verdadeira liberdade, alegria e fraternidade.
É tempo para deixar-nos iluminar pela Palavra de Deus, que nos leva ao contato com Ele na oração pessoal, em família e com a comunidade paroquial.
É tempo de deixar de fora o supérfluo, que tantas vezes atrapalha e torna fútil e egoísta a nossa vida. Aquilo que podemos poupar, também com esforço e privação, faz bem a nós próprios e é precioso para ajudar quem não tem o que é necessário para a vida.
Neste ano jubilar, somos particularmente convidados a abrir-nos ao Coração misericordioso do nosso Deus, no sacramento da reconciliação, para acolher o seu perdão e deixar-nos renovar pela força do seu Espírito.
Para ajudar-nos neste caminho de renovação, devemos ter sinais concretos em cada pessoa, em cada família, em cada paróquia e na diocese. Ao nível da diocese, estão em evidência três sinais, para os quais vos convido:
  • Tomar parte numa das peregrinações jubilares já anunciadas pelas paróquias, vigararias ou movimentos;
  • Participar nas catequeses quaresmais, que terão lugar aos domingos à tarde, até ao domingo de Ramos, segundo o programa já divulgado;
  • Contribuir economicamente para ir ao encontro das necessidades da nossa diocese e do mundo, através da renúncia quaresmal. Este ano, a importância recolhida nesta renúncia da diocese será destinada, em partes iguais:
–    às obras do Centro Paroquial da Comporta, que se encontra em fase de conclusão;
–    aos refugiados que fogem dos conflitos e que contam com a nossa ajuda para reconstruírem a sua vida e a das suas famílias.
Peço para todos a bênção do Senhor, que abra o nosso coração ao Seu Amor Misericordioso e nos conduza por caminhos de autenticidade, alegria fraterna, solidariedade e paz.
Fraternamente, no Coração do Senhor,
                                                                                + José Ornelas Carvalho
                                                                                      Bispo de Setúbal