domingo, 3 de abril de 2016
HOMILIA DO PAPA FRANCISCO NA SANTA MISSA DO DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA (II DOMINGO DA PÁSCOA - ANO C)
Jo 20,19-31 «Muitos outros sinais miraculosos realizou ainda
Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro» (Jo
20, 30). O Evangelho é o livro da misericórdia de Deus, que havemos de ler e
reler, porque tudo o que Jesus disse e fez é expressão da misericórdia do Pai.
Nem tudo, porém, foi escrito; o Evangelho da misericórdia permanece um livro
aberto, onde se há-de continuar a escrever os sinais dos discípulos de Cristo,
gestos concretos de amor, que são o melhor testemunho da misericórdia. Todos
somos chamados a tornar-nos escritores viventes do Evangelho, portadores da Boa
Nova a cada homem e mulher de hoje. Podemos fazê-lo praticando as obras
corporais e espirituais de misericórdia, que são o estilo de vida do cristão.
Através destes gestos simples e vigorosos, mesmo se por vezes invisíveis,
podemos visitar aqueles que passam necessidade, levando a ternura e a
consolação de Deus. Deste modo damos continuidade ao que fez Jesus no dia de
Páscoa, quando derramou, nos corações assustados dos discípulos, a misericórdia
do Pai, o Espírito Santo que perdoa os pecados e dá a alegria.
Mas,
na narração que ouvimos, aparece um contraste evidente: por um lado, temos o
medo dos discípulos, que fecham as portas da casa; por outro, temos a missão,
por parte de Jesus, que os envia ao mundo para levarem o anúncio do perdão. O
mesmo contraste pode verificar-se também em nós: uma luta interior entre o
fechamento do coração e a chamada do amor para abrir as portas fechadas e sair
de nós mesmos. Cristo, que por amor entrou nas portas fechadas do pecado, da
morte e da mansão dos mortos, deseja entrar também em cada um para abrir de par
em par as portas fechadas do coração. Ele que venceu, com a ressurreição, o
medo e o temor que nos algemam, quer escancarar as nossas portas fechadas e
enviar-nos. A estrada que o Mestre ressuscitado nos aponta é estrada de sentido
único, segue-se apenas numa direção: sair de nós mesmos, para testemunhar a
força sanadora do amor que nos conquistou. Muitas vezes vemos, diante de nós,
uma humanidade ferida e assustada, que tem as cicatrizes do sofrimento e da
incerteza. Hoje, face ao seu doloroso clamor de misericórdia e paz, ouçamos
dirigido a cada um de nós o convite confiado de Jesus: «Assim como o Pai Me
enviou, também Eu vos envio a vós (Jo 20, 21).
Cada
doença pode encontrar na misericórdia de Deus um auxílio eficaz. Com efeito, a
sua misericórdia não se detém à distância: quer vir ao encontro de todas as
pobrezas e libertar de tantas formas de escravidão que afligem o nosso mundo.
Quer alcançar as feridas de cada um, para medicá-las. Ser apóstolos de
misericórdia significa tocar e acariciar as suas chagas, presentes hoje também
no corpo e na alma de muitos dos seus irmãos e irmãs. Ao cuidar destas chagas,
professamos Jesus, tornamo-Lo presente e vivo; permitimos a outros que palpem a
sua misericórdia, e O reconheçam «Senhor e Deus» (cf. Jo 20, 28), como fez o
apóstolo Tomé. Eis a missão que nos é confiada. Inúmeras pessoas pedem para ser
escutadas e compreendidas. O Evangelho da misericórdia, que se deve anunciar e
escrever na vida, procura pessoas com o coração paciente e aberto, «bons
samaritanos» que conhecem a compaixão e o silêncio perante o mistério do irmão
e da irmã; pede servos generosos e alegres, que amam gratuitamente sem nada
pretender em troca.
«A
paz esteja convosco!» (Jo 20, 21): é a saudação que Cristo leva aos seus
discípulos; é a mesma paz que esperam os homens do nosso tempo. Não é uma paz
negociada, nem a suspensão de algo errado: é a sua paz, a paz que brota do
coração do Ressuscitado, a paz que venceu o pecado, a morte e o medo. É a paz
que não divide, mas une; é a paz que não deixa sozinhos, mas faz-nos sentir
acolhidos e amados; é a paz que sobrevive no sofrimento e faz florescer a
esperança. Esta paz, como no dia de Páscoa, nasce e renasce sempre do perdão de
Deus, que tira a ansiedade do coração. Ser portadora da sua paz: esta é a
missão confiada à Igreja no dia de Páscoa. Nascemos em Cristo como instrumentos
de reconciliação, para levar a todos o perdão do Pai, para revelar o seu rosto
de amor nos sinais da misericórdia.
PEREGRINAÇÃO PAROQUIAL DE S. FRANCISCO XAVIER DE CAPARICA AO SANTUÁRIO DE CRISTO REI - ANO DA MISERICÓRDIA
Realizou-se, hoje, a
Peregrinação Paroquial ao Santuário do Cristo Rei, integrada no Ano da
Misericórdia. Viemos a pé cantando e rezando.
A Missa decorreu no Pavilhão do Rosário, recentemente inaugurado. Apesar da ameaça de chuva participaram da peregrinação, e da celebração, razoável número de paroquianos.
A Missa decorreu no Pavilhão do Rosário, recentemente inaugurado. Apesar da ameaça de chuva participaram da peregrinação, e da celebração, razoável número de paroquianos.
Antes de passarmos a Porta Santa rezou-se a oração
do Jubileu.
Passou-se então a Porta Santa e entrámos na Igreja
que é uma das Igrejas jubilares da Diocese. A passagem da Porta Santa de
qualquer uma das Igrejas Jubilares permite-nos ganhar as indulgências do Ano da
Misericórdia.
Seguiu-se almoço partilhado e convívio.
domingo, 27 de março de 2016
MENSAGEM PASCAL DO SANTO PADRE
Queridos irmãos e irmãs, feliz Páscoa!
Jesus Cristo, encarnação da misericórdia de Deus, por amor morreu na
cruz e por amor ressuscitou. Por isso, proclamamos hoje: Jesus é o Senhor!
A sua Ressurreição realizou plenamente a profecia do Salmo: a misericórdia de Deus é eterna, o seu amor é para sempre, não morre jamais. Podemos confiar completamente N’Ele, e damos-Lhe graças porque por nós Ele baixou até ao fundo do abismo.
A sua Ressurreição realizou plenamente a profecia do Salmo: a misericórdia de Deus é eterna, o seu amor é para sempre, não morre jamais. Podemos confiar completamente N’Ele, e damos-Lhe graças porque por nós Ele baixou até ao fundo do abismo.
Diante dos abismos espirituais e morais da humanidade, diante dos
vazios que se abrem nos corações e que provocam ódio e morte, somente uma
infinita misericórdia pode nos dar a salvação. Só Deus pode preencher com o seu
amor esses vazios, esses abismos, e fazer-nos não afundar, mas continuar
caminhando juntos em direção à Terra da liberdade e da vida.
O anúncio jubiloso da Páscoa: Jesus, o crucificado, não está aqui,
ressuscitou (cf. Mt 28,5-6) oferece-nos a certeza consoladora de que o abismo
da morte foi cruzado e, com isso, foram derrotados o luto, o pranto e a dor
(cf. Ap 21,4). O Senhor, que sofreu o abandono dos seus discípulos, o peso de
uma condenação injusta e a vergonha de uma morte infame, faz-nos agora
compartilhar a sua vida imortal, e nos oferece o seu olhar de ternura e
compaixão para com os famintos e sedentos, com os estrangeiros e prisioneiros,
com os marginalizados e descartados, com as vítimas de abuso e violência. O
mundo está cheio de pessoas que sofrem no corpo e no espírito, enquanto as
crônicas diárias estão repletas de relatos de crimes brutais, que muitas vezes
são têm lugar dentro das paredes do lar, e de conflitos armados numa grande
escala submetendo populações inteiras a provas inimagináveis.
Cristo ressuscitado indica caminhos de esperança para a querida Síria,
um País devastado por um longo conflito, com o seu cortejo triste de
destruição, morte, de desprezo pelo direito humanitário e desintegração da
convivência civil. Confiamos ao poder do Senhor ressuscitado as conversações em
curso, de modo que, com a boa vontade e a cooperação de todos, seja possível
colher os frutos da paz e dar início à construção de uma sociedade fraterna,
que respeite a dignidade e os direitos de cada cidadão. A mensagem de vida
proclamada pelo anjo junto da pedra rolada do sepulcro, vença a dureza dos
corações e promova um encontro fecundo entre povos e culturas nas outras
regiões da bacia do Mediterrâneo e do Oriente Médio, particularmente no Iraque,
Iêmen e na Líbia.
A imagem do homem novo, que resplandece no rosto de Cristo, favoreça a
convivência entre israelitas e palestinianos na Terra Santa, bem como a
disponibilidade paciente e o esforço diário para trabalhar no sentido de
construir as bases de uma paz justa e duradoura através de uma negociação
direta e sincera. O Senhor da vida acompanhe também os esforços para alcançar
uma solução definitiva para a guerra na Ucrânia, inspirando e apoiando
igualmente as iniciativas de ajuda humanitária, entre as quais a libertação de
pessoas detidas.
O Senhor Jesus, nossa paz (Ef 2,14), que ressuscitando derrotou o mal e
o pecado, possa favorecer, nesta festa de Páscoa, a nossa proximidade com as
vítimas do terrorismo, forma de violência cega e brutal que continua a derramar
sangue inocente em diversas partes do mundo, como aconteceu nos ataques
recentes na Bélgica, Turquia, Nigéria, Chade, Camarões e Costa do Marfim;
Possam frutificar os fermentos de esperança e as perspectivas de paz na África;
penso de modo particular ao Burundi, Moçambique, República Democrática do Congo
e o Sudão do Sul, marcados por tensões políticas e sociais.
Com as armas do amor, Deus derrotou o egoísmo e a morte; seu Filho
Jesus é a porta da misericórdia aberta de par em par para todos. Que a sua
mensagem pascal possa sempre se projetar mais sobre o povo venezuelano nas
difíceis condições em que vive e sobre aqueles que detêm em suas mãos os
destinos do País, para que se possa trabalhar em vista do bem comum, buscando
espaços de diálogo e colaboração ente todos. Que por todos os lados possam ser
tomadas medidas para promover a cultura do encontro, a justiça e o respeito
mútuo, os quais só podem garantir o bem-estar espiritual e material dos
cidadãos.
O Cristo ressuscitado, anúncio de vida para toda a humanidade,
reverbera através dos séculos e nos convida a não esquecer dos homens e mulheres
em sua jornada na busca de um futuro melhor, grupos cada vez mais números de
migrantes e refugiados – entre os quais muitas crianças - que fogem da guerra,
da fome, da pobreza e da injustiça social. Esses nossos irmãos e irmãs, que nos
seus caminhos encontram com demasiada frequência a morte ou a recusa dos que
poderiam oferecer-lhes hospitalidade e ajuda. Que a próxima rodada da Cúpula
Mundial da Ajuda Humanitária não deixe de colocar no centro a pessoa humana com
a sua dignidade e possa desenvolver políticas capazes de ajudar e proteger as
vítimas de conflitos e de outras situações de emergência, especialmente os mais
vulneráveis e os que sofrem perseguição por motivos étnicos e religiosos.
Neste dia glorioso, «alegre-se a terra que em meio a tantas luzes
resplandece» (cf. Proclamação da Páscoa), mas ainda assim tão abusada e
vilipendiada por uma exploração ávida pelo lucro, o que altera o equilíbrio da
natureza. Penso em particular nas regiões afetadas pelos efeitos das mudanças
climáticas, que muitas vezes causam secas ou violentas inundações, resultando
em crises alimentares em diferentes partes do planeta.
Com nossos irmãos e irmãs que são perseguidos por causa da sua fé e por sua lealdade ao nome de Cristo e diante do mal que parece prevalecer na vida de tantas pessoas, ouçamos novamente as palavras consoladoras do Senhor: «Não tenhais medo! Eu venci o mundo!» (Jo 16,33). Hoje é o dia radiante desta vitória, porque Cristo calcou a morte e com a sua ressurreição fez resplandecer a vida e imortalidade (cf. 2Tm 1,10). «Ele nos fez passar da escravidão à liberdade, da tristeza à alegria, do luto à festa, das trevas à luz, da escravidão à redenção. Por isso, proclamemos diante d’Ele: Aleluia!» (Melitão de Sardes, Homilia Pascal).
Com nossos irmãos e irmãs que são perseguidos por causa da sua fé e por sua lealdade ao nome de Cristo e diante do mal que parece prevalecer na vida de tantas pessoas, ouçamos novamente as palavras consoladoras do Senhor: «Não tenhais medo! Eu venci o mundo!» (Jo 16,33). Hoje é o dia radiante desta vitória, porque Cristo calcou a morte e com a sua ressurreição fez resplandecer a vida e imortalidade (cf. 2Tm 1,10). «Ele nos fez passar da escravidão à liberdade, da tristeza à alegria, do luto à festa, das trevas à luz, da escravidão à redenção. Por isso, proclamemos diante d’Ele: Aleluia!» (Melitão de Sardes, Homilia Pascal).
Para aqueles em nossas sociedades perderam toda a esperança e alegria
de viver, para os idosos oprimidos que na solidão sentem as forças esvaindo,
para os jovens aos quais parece não existir o futuro, a todos eu dirijo mais
uma vez as palavras do Ressuscitado: «Eis que faço novas todas as coisas a
quem tiver sede, eu darei, de graça, da fonte da água vivificante» (Ap 21,5-6).
Esta mensagem consoladora de Jesus possa ajudar cada um de nós a recomeçar com
mais coragem, para assim construir estradas de reconciliação com Deus e com os
irmãos.
terça-feira, 22 de março de 2016
MENSAGEM DE D. JOSÉ ORNELAS PARA A PÁSCOA
Mensagem do
Bispo D. José Ornelas para a Páscoa
A aproximar-se a conclusão do caminho quaresmal,
preparamo-nos para celebrar a festa maior das celebrações cristãs: o
tríduo pascal, memorial da morte e ressurreição do Senhor Jesus. É um
tempo para recordar os acontecimentos fundadores da nossa fé, que continuam
a inspirar a nossa existência, a guiar o nosso caminho, a motivar o nosso
empenhamento na família, na comunidade cristã, na sociedade onde nos
inserimos.
É sobretudo um tempo de recuperar e renovar a
esperança, sem ignorar os problemas dramáticos que nos rodeiam e sem
deixar-se submergir por eles. Ao celebrar a morte do Senhor, não podemos
esquecer que Ele assumiu voluntariamente o destino de cada homem e de cada
mulher, neste mundo: a injustiça dos inocentes condenados à prisão, à miséria,
ao desemprego, à via dos exilados e desprotegidos; o sofrimento dos doentes
e dos feridos nos atentados e na guerra; a solidão de tantos anciãos
abandonados; o desespero dos famintos, das crianças sem carinho, dos que
buscam em vão um lugar seguro e digno para viver. Ele assumiu tudo isso
sem se resignar ao medo ou ao comodismo, à violência ou à vingança.
Ele experimentou todo este drama substituindo a
vingança pelo perdão, o ódio pelo amor, a crueldade pelo carinho para com
a vida, a arrogância pelo serviço, a miséria pela partilha e multiplicação
do pão, o esquecimento pela solidariedade do samaritano que se aproxima e
carrega quem foi abandonado à borda da estrada. Não se resignou nem se
poupou ao sofrimento e à morte, mas abriu através deles um caminho para a vida,
a alegria e a esperança.
Por isso celebramos a Páscoa, sem esconder sob o
tapete do comodismo ou do medo o sofrimento e a morte, mas expondo-os ao
sol do amor e do poder de Deus, com o qual é possível construir um futuro
novo e jubiloso, nesta terra e na plenitude da vida de Deus. Este não é um
sonho de quem não abre os olhos aos dramas do mundo, mas a
teimosa esperança de quem os assume com amor e dom de si mesmo, na certeza
de que Deus, mesmo do sofrimento, do ódio e da morte, é capaz de gerar alegria,
carinho e vida.
É com a certeza desta esperança que desejo a todos uma
PÁSCOA FELIZ, porque o Senhor Jesus ressuscitou.
Setúbal, 21 de Março de 2016
+José Ornelas Carvalho
Bispo de Setúbal
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domingo, 20 de março de 2016
REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DE DOMINGO DE RAMOS NA PAIXÃO DO SENHOR (ANO C)
Domingo de Ramos: a
Igreja celebra a entrada de Jesus em Jerusalém e na sua homilia o Papa
Francisco falou da aniquilação e humilhação de Jesus. Numa reflexão sobre os
momentos da Paixão de Cristo - destaque especial para as palavras do Santo
Padre sobre a atual situação de tantos refugiados que esperam que alguém tome
“a responsabilidade do seu destino” - Francisco começou por se referir ao
entusiasmo do acolhimento que foi feito a Jesus com ramos de palmeira e
oliveira e que todos os fiéis repetiram na Praça de S. Pedro acolhendo Jesus
que “deseja entrar nas nossas cidades e nas nossas vidas” – afirmou – um Jesus
que “nos salva das amarras do pecado, da morte, do medo e da tristeza”.
E Jesus ensina-nos o
caminho a seguir com um primeiro gesto: o do “Lava-Pés” baixando-se “até aos
pés dos discípulos, como somente os servos faziam”.
Mas esta atitude foi
só o início da humilhação de Jesus que se torna extrema na sua Paixão: “é
vendido por trinta moedas de prata e traído com um beijo por um discípulo que
escolhera e chamara amigo. Quase todos os outros fugiram e O abandonaram; Pedro
renega-O três vezes no pátio do Sinédrio. Humilhado na alma com zombarias,
insultos e escarros, sofre no corpo violências atrozes: as cacetadas, a flagelação
e a coroa de espinhos tornam irreconhecível o seu aspeto. Sofre também a
infâmia e a iníqua condenação das autoridades, religiosas e políticas: é feito
pecado e reconhecido injusto. Depois, Pilatos envia-o a Herodes, e este
devolve-O ao governador romano: enquanto Lhe é negada toda a justiça, Jesus
sente na própria pele também a indiferença, porque ninguém se quer assumir a
responsabilidade do seu destino.” Neste momento da sua homilia o Papa Francisco
recordou a atual situação dos refugiados:
“E penso em tanta
gente, em tantos marginalizados, em tantos refugiados e digo-lhes: que são
tantos os que não querem tomar a responsabilidade do seu destino.”
No caminho da Paixão
de Cristo, a multidão que o aclamara “troca os louvores por um grito de
condenação” mas Jesus porém, “reza e entrega-Se: Pai, nas tuas mãos entrego o
meu espírito”.
“Pode parecer-nos
muito distante o modo de agir de Deus”- disse Francisco – ao vermos Jesus que
“Se aniquilou por nós, quando vemos que já sentimos tanta dificuldade para nos
esquecermos um pouco de nós mesmos”. O Santo Padre afirmou que somos chamados a
escolher o caminho de Jesus, “o caminho do serviço, da doação, do esquecimento
de nós próprios”, contemplando nesta Semana Santa a “Cátedra de Deus”
“Convido-vos nesta
semana a contemplar a “Cátedra de Deus”, para aprender o amor humilde, que
salva e dá a vida, para renunciar ao egoísmo, à busca do poder e da fama.”
Fixemos o olhar em
Jesus – disse o Papa na conclusão da sua homilia e “peçamos a graça de
compreender algo da sua aniquilação por nós; reconheçamo-Lo como o Senhor da
nossa vida e respondamos ao seu amor infinito com um pouco de amor concreto.”sábado, 19 de março de 2016
PROGRAMA SEMANA SANTA
Domingo de Ramos - Paixão do Senhor
Sábado (dia 19) – 18h00: Bênção dos Ramos e Eucaristia Vespertina
Domingo (dia 20) - 11:30 - Bênção dos Ramos e Eucaristia
Quinta-feira
Santa – Dia 24 de Março
19:00
- Ceia
do Senhor – com a cerimónia do Lava-pés
“Fazei
isto em memória de mim” Lc 22,19
21:00 – 00:00 - Oração
Comunitária –
“Ficai aqui comigo…
Vigiai e Orai” Mt 26,38
Sexta-feira Santa – dia 25 de Março
15:00 –
Celebração da Paixão do Senhor
“ A vida ninguém ma tira, mas sou eu que a
ofereço livremente”
Jo 10,18
21h00 – VIA-SACRA,
em conjunto com a Paróquia do Monte da Caparica
com início na paróquia
de S. F. Xavier e fim na Paróquia do Monte da Caparica
Sábado Santo – dia
26 de Março
22:00 – Solene VIGÍLIA PASCAL
“Jesus ressuscitado vem dizer-nos o que é e onde está a Vida…”
Domingo - dia 27 de Março
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DO SENHOR
11:30: EUCARISTIA SOLENE
domingo, 13 de março de 2016
PAPA FRANCISCO: 3 ANOS DE PONTIFICADO
A Igreja Católica assinala hoje o terceiro aniversário da eleição
de Jorge Mario Bergoglio como Papa, um pontificado que nos últimos meses
conheceu momentos como o Sínodo sobre a Família ou a encíclica ‘Laudato si’.
As viagens internacionais e a convocação de um Jubileu extraordinário
da Misericórdia foram outros pontos de destaque, a que se somaram o encontro
histórico com o patriarca ortodoxo de Moscovo e a visita à sede da ONU, em Nova
Iorque.
Francisco tem proposto uma mudança do paradigma económico e financeiro
internacional, como tinha deixado bem vincado na exortação ‘Evangelii
Gaudium’ ou no seu discurso em
Estrasburgo, perante o Parlamento Europeu, em defesa da democracia face ao
poder dos mercados.
Com a encíclica 'Laudato
si', Francisco abriu as fronteiras do seu discurso e colocou a Igreja Católica
na liderança do movimento mundial para a defesa do ambiente, congregando à sua
volta apoios das mais diversas proveniências.
O Papa tem estado próximo dos mais pobres e excluídos, na defesa de uma
globalização mais plural, que respeite a identidade de todos e os excluídos, um discurso marcado
pela vivência no Sul do mundo.
O primeiro pontífice da América Latina tem mostrado preocupação com
a situação do Velho Continente, desejando uma ‘refundação da Europa',
particularmente necessária perante as crises de refugiados e doterrorismo internacional.
O Papa tem repetido mensagens em favor da paz nas várias regiões do
mundo afetadas por conflitos, assumindo a defesa dos cristãos no Médio Oriente,
perseguidos pelo autoproclamado ‘Estado Islâmico’, e criticando quem justifica
ataques terroristas com as suas convicções religiosas.
O cardeal Jorge Mario Bergoglio foi eleito como sucessor de Bento XVI a
13 de março de 2013, após a renúncia do agora Papa emérito; assumiu o inédito
nome de Francisco e é o primeiro pontífice jesuíta na história da Igreja.
Em 36 meses, o Papa argentino visitou o Brasil, Jordânia, Israel,
Palestina, Coreia do Sul, Turquia, Sri Lanka, Filipinas, Equador, Bolívia,
Paraguai, Cuba e Estados Unidos da América, Quénia, Uganda, República
Centro-Africana, e o México, bem como as cidades de Estrasburgo (França), onde
passou pelo Parlamento Europeu e o Conselho da Europa, Tirana (Albânia) e
Sarajevo (Bósnia-Herzegovina).
Realizou também dez viagens em Itália, incluindo passagens por Assis e
pela ilha de Lampedusa, bem como uma homenagem no centenário no início da I
Guerra Mundial, para além de outras visitas a paróquias na Diocese de Roma.
Entre os principais documentos do atual pontificado estão as encíclicas
'Laudato si', dedicada a questões ecológicas, e 'Lumen Fidei' (A luz da Fé), que
recolhe reflexões de Bento XVI, bem como a exortação apostólica 'Evangelii
Gaudium' (A alegria do Evangelho).
O Papa promoveu um Sínodo sobre a Família, em duas sessões, com
consultas alargadas às comunidades católicas, e deu início ao Jubileu da
Misericórdia, terceiro ano santo extraordinário na história da Igreja Católica,
50 anos depois do encerramento do Concílio Vaticano II.
Francisco tem sublinhado a sua preocupação com as “periferias”
geográficas e existenciais da humanidade, que exigem respostas da Igreja e da
sociedade.
Internamente, tem promovido também areforma dos organismos centrais da
Igreja Católica, em particular a estrutura de coordenação para as atividades
económicas e administrativas.
O Papa criou um Conselho de Cardeais, para o aconselhar no governo da
Igreja e na revisão da Constituição Apostólica ‘Pastor Bonus’, sobre a Cúria
Romana; o grupo com cardeais dos cinco continentes propôs a criação de uma
comissão específica para os casos de abusos sexuais, à qual Francisco deu luz
verde.
Os primeiros anos de pontificado são analisados na mais recente edição do
Semanário ECCLESIA, com uma entrevista a Adriano Moreira e um dossier que
inclui ainda textos de vaticanistas internacionais e testemunhos de vários
bispos e outros portugueses que tiveram oportunidade de contactar com
Francisco. (Agência Ecclesia)REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO V DOMINGO DA QUARESMA (ANO C)
Jo. 8,1-11 O Evangelho deste V domingo da Quaresma, disse hoje o Papa na sua alocução, “é tão bonito. Eu
gosto muito de lê-lo e relê-lo”. Apresenta o episódio da mulher adúltera, pondo
em realce o tema da misericórdia de Deus que não quer nunca a morte do pecador,
mas que mude de vida e viva. O episódio acontece na varanda do templo do Monte
das Oliveiras onde Jesus estava a ensinar. Eis que os fariseus apresentaram-Lhe
uma mulher surpreendida em adultério. Aquela mulher, disse Francisco, encontra-se
assim, entre Jesus e a multidão, entre a misericórdia do Filho de Deus e
a violência dos seus acusadores.
Na realidade, prossegue o
Santo Padre, eles não vieram ter com o Mestre para pedir o seu parecer, mas
para Lhe armarem uma cilada. De fato, se Jesus seguisse a severidade da lei,
aprovando o apedrejamento da mulher, perderia a sua fama de bondade que tanto
atrai o povo; se pelo contrário quisesse ser misericordioso, iria contra a lei
que Ele mesmo disse não querer abolir mas cumprir”.
Perante a pergunta maliciosa dos fariseus, “Tu que dizes”,
Jesus não responde, fica silencioso e faz um gesto misterioso: inclinou-Se e
começou a escrever com o dedo no chão. Desta forma, salientou o Papa, ele
convida todos à calma, a não agir guiados pela onda do impulso e a procurar a
justiça de Deus.
Mas os fariseus insistiam em interrogá-Lo. Eram pessoas malvadas.
Jesus ergueu-Se então e disse-lhes: <<Quem de entre vós estiver sem
pecado atire a primeira pedra>>. Esta resposta, disse Francisco,
surpreendeu e desarmou todos os seus acusadores: todos depuseram as armas, isto
é, as pedras que já tinham prontas para serem lançadas, sejam aquelas visíveis
dirigidas contra a mulher, sejam aquelas invisíveis, dirigidas contra o próprio
Jesus. E eis então que enquanto o Senhor continuava a escrever com o dedo no
chão, os acusadores foram saindo um após o outro, a começar pelos mais velhos,
mas certamente conscientes de não estarem sem pecado.
“Quanto bem nos faz sermos conscientes, sobretudo quando falamos
dos outros, de que também nós somos pecadores. Quanto bem nos fará termos a
coragem de deitar no chão as pedras que temos já prontas para apedrejar os
outros e pensarmos um pouco no nosso pecado”.
No fim da cena, ficaram só Jesus e a mulher: a miséria e a
misericórdia, um diante do outro, sublinhou o Papa. Segue a pergunta de Jesus:
“Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?”. Ela respondeu: “Ninguém,
Senhor”. Disse então Jesus: “Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar”.
Foi suficiente esta constatação e o olhar cheio de misericórdia
e de amor de Jesus, disse Francisco, para fazer sentir àquela
mulher, talvez pela primeira vez na sua vida, que ela tem uma dignidade, que
ela não é o seu pecado, que pode mudar de vida, pode sair da sua condição da
escrava e percorrer novos caminhos vitais. Nós, acrescentou o Pontífice, temos
um nome e Deus não identifica o nosso nome com o pecado que cometemos. Portanto
ela não é sinónimo do seu pecado, é uma pessoa com a sua dignidade e sobretudo
capaz de conversão autêntica.
Finalmente, Francisco recordou a todos os presentes, que aquela
mulher, representa todos nós, pecadores, isto é adúlteros perante Deus,
traidores da sua fidelidade. E a sua experiencia representa a vontade de Deus
para cada um de nós: não a nossa condenação, mas a nossa salvação em Jesus, Ele
que é a Graça, que salva do pecado e da morte. Ele escreveu no chão, no pó de
que é feito cada ser humano, a sentença de Deus: “Não quero que tu morras mas
que vivas”.
Possa então a Virgem Maria, conclui dizendo o Papa, ajudar-nos a
entregarmo-nos completamente à misericórdia de Deus, para tornarmo-nos
criaturas novas.
domingo, 6 de março de 2016
REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO IV DOMINGO DA QUARESMA (ANO C)
Lc 15,1-3.11-32 O
Papa trouxe à atenção dos fiéis, neste domingo, uma das parábolas mais
conhecidas, apesar de constar em apenas um dos Evangelhos canônicos, o de
Lucas: a parábola do Filho Pródigo, proposta na liturgia do dia.
Dirigindo-se às pessoas presentes na Praça, o Papa definiu esta
parábola como a ‘do pai misericordioso’: aquele que está sempre pronto a
perdoar e que espera, contra qualquer esperança. A propósito da tolerância do
pai que permite que o filho mais jovem parta – mesmo sabendo dos riscos que
corre - Francisco disse que “é assim que Deus age connosco: deixa-nos também
livres de errar, porque ao criar-nos, deu-nos o grande dom da liberdade. Somos
nós que devemos saber utilizá-la bem”.
O pai fica fisicamente longe daquele filho, mas leva-o sempre no
coração; aguarda confiante a sua volta, e quando o vê aparecer comove-se, corre
em direção a ele, abraça-o e beija-o. E faz o mesmo com o filho mais velho,
aquele que não entende e não concorda com todo o carinho do pai pelo irmão que
errou.
Improvisando, Francisco ressaltou que “a atitude de se sentir justo é um ‘mau
comportamento’, é o diabo. O pai vai e procura quem se sente pecador: este é o comportamento
certo”. O pai explica-lhe que é preciso acolhê-lo com alegria, pois o jovem
finalmente voltou para casa. Esta atitude revela o coração de Deus: “Ele é o pai misericordioso que, em Jesus, nos ama sem limites, espera
sempre a nossa conversão cada vez que erramos; aguarda o nosso retorno quando
nos afastamos d'Ele, quando pensamos que podemos viver sem Ele”.
O Papa sugeriu que nesta parábola, entrevemos também um ‘terceiro
filho’, escondido: é o que não considera um privilégio ser como o pai; que se
despojou de tudo e assumiu a condição de escravo, lavando os pés sujos do
pecador: é Jesus”, que nos ensina a ser misericordiosos como o Pai.
Concluindo, antes de rezar a oração mariana do Angelus, Francisco
lembrou a todos que no sacramento da Reconciliação, podemos sempre recomeçar,
pois Deus nos acolhe e nos restitui a dignidade de filhos.
domingo, 28 de fevereiro de 2016
REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO III DOMINGO DA QUARESMA (ANO C)
Lc 13,1-9 Como habitualmente, ao meio dia, o
Papa Francisco apareceu à janela do Palácio Apostólico para evocar a saudação
do Angelus a Maria e reflectir, juntamente com os milhares de peregrinos
reunidos na Praça de São Pedro e com quantos o seguiam através do media, sobre
o Evangelho deste domingo. E foi precisamente por uma breve reflexão sobre a
leitura do Evangelho de São Lucas que começou, relacionando-o com os tempos que
estamos a viver.
Tal
como actualmente, também então tinha havido uma má notícia: os soldados romanos
tinham feito uma irrupção cruenta no seio do templo de Jerusalém fazendo cair a
torre de Siloé e causando 18 mortos. Ora, sabendo Jesus que a superstição das
pessoas as teria levado a interpretar isso como se fosse um castigo de Deus
para com aquelas vítimas como se o merecessem e que os outros foram poupados
porque estavam a postos perante Deus, o Filho de Deus tratou logo de afastar
essa visão das coisas. E fazendo notar que Deus não permite tragédias para
punir culpas, Jesus convidou, pelo contrário, a tirar desses factos dolorosos
uma admoestação para todos, porque todos somos pecadores. E a quantos O tinham
interpelado respondeu: “Se não vos arrependerdes, perecereis todos igualmente”.
Tal
como naquele tempo - disse o Papa - perante “certas desgraças e eventos trágicos” de hoje podemos ter a tentação de “descarregar” a responsabilidade
sobre as vítimas ou mesmo sobre Deus. Mas não será isso uma projecção num Deus
feito “à nossa imagem e semelhança”? “Que ideia temos de Deus”? – perguntou-se
Francisco, recordando que Jesus nos convida, pelo contrário, a “mudar o nosso
coração, a fazer uma radical inversão no caminho da nossa vida, abandonando o
compromisso com o mal, com as hipocrisias, para enveredarmos decididamente pelo
caminho do Evangelho”. Mas a tentação de nos justificar está sempre presente e
nos leva a dizer, “mas de que é que nos devemos converter? Não somos, tudo
somado, boa gente, crentes, e mesmo bastante praticantes?” A resposta é dado
pelo próprio Papa, segundo o qual, Jesus é como aquele camponês que perante a
figueira estéril, vai-lhe dando sempre um ano a mais na esperança de que dê
frutos. Um ano de graça, o tempo de Cristo, da Igreja, da nossa vida,
compassado por um certo número de Quaresmas, que nos são oferecidas como
ocasião de arrependimento e de salvação. E aqui o Papa, repetidamente,
perguntou, se já pensamos na paciência de Jesus para connosco, pela nossa
salvação. E contou o caso de Santa Teresa do Menino Jesus que pacientemente
rezava no convento por um criminoso que estava para ser morto e que não queria
absolutamente saber da conversão, do sacerdote que se lhe aproximava, mas que,
ao último momento, chamou o padre e, tomando o seu crucifixo, beijou-o. “A
paciência de Deus! O mesmo acontece connosco, com todos nós. Quantas vezes… nós
não sabemos, sabê-lo-emos no Céu, mas quantas vezes, estamos à beira de… e o
Senhor nos salva, nos salva porque tem grande paciência para connosco e esta é
a sua misericórdia. Nunca é demasiado tarde para nos convertermos, nunca, até
ao último momento, mas é urgente, é agora! Comecemos hoje”.
E
o Papa concluiu a sua reflexão evangélica, invocando o apoio de Nossa Senhora
para nos abrir o coração à graça de Deus, à sua misericórdia; e para nos ajudar
a não julgar os outros, mas a deixar que as desgraças quotidianas provoquem em
nós um sério exame de consciência e de arrependimento.sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
REZAR COM SANTO INÁCIO
REZAR COM SANTO INÁCIO
Participe nos 6 encontros para melhor conhecer a Espiritualidade de Santo Inácio:
domingo 28 fevereiro - 17h15m
2ª feira 29 fevereiro - 21h15m
3ª feira 1 Março - 21h15m
4ª feira 2 Março - 21h15m
5ª feira 3 Março - 21h15m
6ª feira 4 Março - 21h15m
domingo, 21 de fevereiro de 2016
REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO II DOMINGO DA QUARESMA (ANO C)
O Evangelho (Lc
9, 28-36) apresenta a fé dos Apóstolos, fortalecida na Montanha, pela
Transfiguração de Jesus. Na Caminhada para Jerusalém, o primeiro anúncio da
Paixão e Morte de Jesus abalou profundamente a fé dos apóstolos. Desmoronaram
seus planos de glória e de poder.
Para fortalecer essa fé ainda tão frágil, Cristo
tomou três deles, subiu ao Monte Tabor e “Transfigurou-se…” A transfiguração de Jesus é uma catequese que
revela aos discípulos e a nós Quem é Jesus: O Filho Amado de Deus!
Na nossa caminhada para a Páscoa somos também
convidados a subir com Jesus a montanha e, na companhia dos três discípulos,
viver a alegria da comunhão com Ele. As dificuldades da caminhada não nos podem desanimar. No meio dos conflitos, o Pai mostra-nos desde já sinais da
Ressurreição e do alto daquele monte Ele continua a gritar-nos: “Este é o Meu
Filho Amado, escutai-O”.
Não desanimemos diante das dificuldades! Os Planos
de Deus não conduzem ao fracasso, mas à Ressurreição, à vida definitiva, à
felicidade sem fim!
São Leão Magno diz que “o fim principal da
transfiguração foi desterrar das almas dos discípulos o escândalo da Cruz”. Os
Apóstolos jamais esquecerão esta “gota de mel” que Jesus lhes oferecia no meio
da sua amargura. Jesus sempre atua assim com os que o seguem. No meio dos
maiores padecimentos, dá-lhes o consolo necessário para continuarem a caminhar.
Esta centelha da glória divina inundou os Apóstolos
de uma felicidade tão grande que fez Pedro exclamar: “Senhor, é bom
ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas…” Pedro quer prolongar a situação! O que
é bom, o que importa, não é estar aqui ou ali, mas estar sempre com Cristo, em
qualquer parte, e vê-Lo por trás das circunstâncias em que nos encontramos. Se
estamos com Ele, tanto faz que estejamos rodeados dos maiores consolos do mundo
ou prostrados na cama de um hospital, padecendo dores terríveis. O que importa
é somente isto: Vê-Lo e viver sempre com Ele! Esta é a única coisa
verdadeiramente boa e importante na vida presente e na outra. Desejo ver-Te,
Senhor, e procurarei o Teu rosto nas circunstâncias habituais da minha vida!
A vida dos homens é uma caminhada para o Céu, que é
a nossa morada (2 Cor 5,2). Uma caminhada que, às vezes, se torna áspera e
difícil, porque com freqüência devemos remar contra a corrente e lutar com
muitos inimigos interiores ou de fora. Mas o Senhor quer confortar-nos com a
esperança do Céu, de modo especial nos momentos mais duros ou quando se torna
mais patente a fraqueza da nossa condição: “À hora da tentação, pensa no Amor
que te espera no Céu. Fomenta a virtude da esperança, que não é falta de
generosidade” (São Josemaria Escrivá, Caminho, nº 139).
O pensamento da glória que nos espera deve
animar-nos na nossa luta diária. Nada vale tanto como ganhar o Céu. Ensina
Santa Teresa: “ E se fordes sempre avante com esta determinação de antes morrer
do que desistir de chegar ao termo da jornada, o Senhor, mesmo que vos mantenha
com alguma sede nesta vida, na outra, que durará para sempre, vos dará de beber
com toda a abundância e sem perigo de que vos venha a faltar” (Caminho de
Perfeição, 20,2).
“Este é o meu Filho amado, no qual pus o meu
agrado. Escutai-O!” ( Lc 9, 35 ). E Deus Pai fala através de Jesus Cristo a
todos os homens de todos os tempos. A sua voz faz-se ouvir em todas as épocas,
sobretudo através dos ensinamentos da Igreja…
Nós devemos encontrar esse Jesus na nossa vida
corrente, no meio do trabalho, na rua, nos que nos rodeiam, na oração, quando
nos perdoa no Sacramento da Penitência (Confissão), e sobretudo na Sagrada
Escritura, onde se encontra verdadeira, real e substancialmente presente.
Devemos, aprender a descobri-Lo nas coisas ordinárias, correntes, fugindo da
tentação de desejar o extraordinário.
Escutar e anunciar!…Não podemos ficar no Monte… de braços cruzados… O
seguidor de Cristo deve descer do monte para enfrentar o mundo e os problemas
dos homens!
Cada domingo, ao participar na Santa Missa, subimos
a Montanha, para contemplar o Cristo transfigurado (ressuscitado) e escutar a
sua voz. Depois, ao descer a Montanha (sair da Igreja)
devemos prosseguir a nossa caminhada, sendo sal da Terra e luz do mundo. Somos convidados a ser Missionários da
Transfiguração!
Rezemos coma Igreja: “Ó Deus, que nos mandastes
ouvir o vosso Filho amado, alimentai nosso espírito com a vossa palavra, para
que, purificado o olhar de nossa fé, nos alegremos com a visão da vossa
glória.”( Coleta da Missa ).
Mons. José Maria Pereira
domingo, 14 de fevereiro de 2016
REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO I DOMINGO DA QUARESMA (ANO C)
Neste I domingo da
Quaresma o Papa Francisco presidiu à Santa Missa em Ecatepec, arredores da
Cidade do México. Na homilia Francisco começou por recordar a Quaresma, tempo
litúrgico – disse – em que a Igreja nos convida a preparar-nos para a Páscoa e
tempo especial para lembrar o dom do nosso Baptismo.
Mas a Quaresma é também tempo para abrir os olhos para
as injustiças que atentam directamente contra o sonho e o projecto de Deus,
disse ainda o Papa, tempo para desmascarar aquelas três grandes formas de
tentação - que aparecem no Evangelho deste I domingo da Quaresma (Lc 4,1-13) - que procuram arruinar a verdade a que
fomos chamados: a riqueza, a vaidade e o orgulho.
Sobre a tentação da riqueza disse Francisco:
“A riqueza, apropriando-nos de bens que foram dados
para todos, usando-os só para mim ou para «os meus». É conseguir o pão com o
suor alheio ou até com a vida alheia. Tal riqueza é pão que sabe a tristeza,
amargura e sofrimento. Numa família ou numa sociedade corrupta, é o pão que se
dá a comer aos próprios filhos”.
Três tentações de Cristo, observou Francisco, mas
também três tentações que o cristão enfrenta diariamente, três tentações que
procuram degradar, destruir e tirar a alegria e o frescor do Evangelho; que nos
fecham num círculo de destruição e pecado.
E o Papa convidou a perguntar-nos se estamos
conscientes destas tentações na nossa vida e se não nos acostumamos a um estilo
de vida que considera a riqueza, a vaidade e o orgulho como a fonte e a força
de vida.
Mas temos de escolher Jesus, e não o diabo, diz o
Papa, e a Igreja oferece-nos o tempo da Quaresma convidando-nos à conversão, na
certeza de que Deus está à nossa espera e quer curar o nosso coração de tudo
aquilo que o degrada - é o Deus cujo nome é misericórdia, nome no qual pomos a
nossa confiança.
E concluiu rezando para que o Espírito Santo renove
nos fiéis a certeza de que o seu nome é misericórdia e nos faça experimentar,
em cada dia, que o Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se
encontram com Jesus.
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