domingo, 11 de outubro de 2015

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 10,17-30 Hoje, antes da recitação da oração mariana, o Santo Padre propôs uma reflexão sobre o capítulo 10 do Evangelho de S. Marcos deste XXVIII Domingo do Tempo Comum: deixar tudo para seguir Jesus, porque a privação dos bens dá-nos o verdadeiro bem.
Três olhares de Jesus: numa primeira cena vemos o jovem que se dirige ao Mestre para saber o que fazer para ter a vida eterna. Segundo o Santo Padre, Jesus dedica-lhe um olhar de ternura e afeto por este rapaz e faz-lhe uma proposta concreta: dar todos os bens aos pobres e de segui-Lo. O jovem vai-se embora, e a lição do Papa é que a fé não pode conviver com a ligação às riquezas.
Numa segunda cena apresentada pelo evangelista, o Papa Francisco refere um segundo olhar de Jesus, um olhar de advertência que se reproduz na expressão: “Como será difícil para os que têm riquezas entrar no Reino dos Céus.” Perante a admiração dos discípulos, Jesus dedica-lhes um olhar de encorajamento dizendo que a salvação é “impossível aos homens, mas não a Deus”.
Finalmente, uma terceira cena do Evangelho de S. Marcos que é aquela da solene declaração de Jesus que afirma que quem deixa tudo para seguir o Senhor terá a vida eterna no futuro e cem vezes mais já no presente. A privação dos bens dá-nos em troca o verdadeiro bem – sublinhou o Papa que afirmou que “há mais alegria em dar do que em receber.”
Depois, dirigindo-se aos milhares de jovens presentes na praça, exortou-os à reflexão dizendo-lhes: Viram o olhar de Jesus sobre vós?
O que quereis responder?
Quereis deixar esta praça com a alegria de Jesus ou com a tristeza da mundanidade?

domingo, 4 de outubro de 2015

REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO XXVII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 10,2-16 No Evangelho deste XXVII domingo do tempo comum, Jesus, confrontado com a Lei judaica do divórcio, reafirma o projecto ideal de Deus para o homem e para a mulher: eles foram chamados a formar uma comunidade estável e indissolúvel de amor, de partilha e de doação. A separação não está prevista no projecto ideal de Deus, pois Deus não considera um amor que não seja total e duradouro. Só o amor eterno, expresso num compromisso indissolúvel, respeita o projecto primordial de Deus para o homem e para a mulher. 
“Não separe o homem o que Deus uniu…” Jesus coloca o dedo na ferida. O divórcio é sempre um fracasso, um sofrimento. Mas entrou nos costumes como uma realidade normal, um “direito”! Jesus está contra a corrente. Palavra incompreensível para muitos homens e mulheres, qualquer que seja a sua idade! Na sua resposta aos fariseus, Jesus recorre a um critério a que geralmente se presta pouca atenção. Vai ao “princípio da criação”, à vontade primeira, à vontade criadora de Deus. Ora, esta vontade é que os seres humanos se tornem “imagens de Deus”, na medida em que aceitem entrar uns e outros nas relações de amor recíproco, porque Ele, Deus, é eterno movimento de amor no seu Ser mais profundo. O casal humano, antes mesmo da questão da procriação, é chamado por Deus a tornar-se o primeiro lugar de incarnação deste movimento de amor. O amor humano, sob todas as suas formas, não nasceu dos acasos da evolução biológica. É dom de Deus. Quando os homens recusam este dom, impedem Deus de imprimir neles a sua imagem. Na realidade, vão contra a vontade criadora, introduzem uma desordem na criação tal como Deus a quis. Porque Ele escuta plenamente o seu Pai e acolhe sem quaisquer reticências nem recusas a vontade de amor do seu Pai, Jesus, e apenas Ele, pode colocar-nos na luz de Deus Criador e da sua vontade criadora. Mas isso supõe que aceitemos escutar Jesus, tomar Jesus na nossa vida. Só poderemos compreender a exigência de unidade e de fidelidade no amor humano se aceitarmos tornar-nos, dia após dia, discípulos, mais ainda, amigos de Jesus. Para resolver os nossos problemas afectivos, temos razão em recorrer à psicologia, à psicoterapia do casal. Mas isso não basta. A verdadeira falta é uma falta de profundidade espiritual. Não servirá de nada a Igreja repetir sem cessar a sua oposição ao divórcio se, primeiro, não fizer imensos esforços para ajudar a redescobrir um verdadeiro acompanhamento com Jesus, revelador do amor do Pai.

SÍNODO DOS BISPOS SOBRE A FAMÍLIA COMEÇA HOJE NO VATICANO


Cerca de 400 representantes de mais de 110 conferências episcopais participam, a partir de hoje e até 25 de Outubro, na 14ª assembleia ordinária do sínodo dos bispos, no Vaticano.
Os desafios, a vocação e a missão das famílias católicas no mundo atual são os temas centrais do sínodo, analisados ao longo de 147 artigos do documento de trabalho, apresentado em junho à imprensa.
Entre outras, uma das propostas em debate é a de permitir, em condições muito rigorosas, a comunhão aos divorciados que voltaram a casar civilmente, mediante "um caminho de penitência" sobretudo em casos de "convivência irreversível", o que não implica uma possibilidade automática de acesso à comunhão.
O documento, que reconhece a multiplicação da coabitação de casais e dos casamentos civis, defende a concretização do casamento religioso.
Para os homossexuais, o documento de trabalho evoca "projetos de acompanhamento pastoral" para integração na Igreja. "Mas não tem qualquer fundamento o estabelecimento de analogias, mesmo longínquas, entre uniões homossexuais e o desígnio de Deus sobre o casamento e a família", reafirma.
Os trabalhos, sobre o tema "A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo", vão ser divididos em três semanas, abordando cada uma das partes do documento de trabalho (desafios, vocação e missão) com intervenções gerais e trabalhos de grupo semanais.
Portugal vai ter como delegados o presidente da Conferência Episcopal e cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, e o presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família, o bispo de Portalegre-Castelo Branco, Antonino Dias.
A assembleia sinodal vai ser também acompanhada por 14 representantes de outras Igrejas cristãs.
O sínodo dos bispos, convocado pelo papa, é uma assembleia consultiva de representantes dos episcopados católicos de todo o mundo.
Até hoje, realizaram-se 13 assembleias gerais ordinárias e três extraordinárias, a última das quais em outubro do ano passado.
Lusa


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

CATEQUESE 2015-2016


Paróquia de S. Francisco Xavier



HORÁRIO DA CATEQUESE

2015-2016



      Sábado:

         10h 00 —– 1º, 3º, 6º, 9º,10º
         11h 30 —– 1º, 2ºe grupo especial

         14h 30 —– 1º, 3º, 4º, 7º
         16h 30 —– 4º, 5º, 6º



    Domingo:

         10h 00 —– 2º, 3º, 4º, 8º

                    



Grupos Preparação de Adultos para Batismo, 1ª Comunhão

-- Sábado às 16h30

-- Domingo às 10h15                                                                                     
                                                          

Grupo Preparação de Adultos para Crisma

-- Sábado às 16h30



Grupos Bíblicos:  ---     5ªf Feira às 16h

                               ---     3ªf Feira às 21h

RECOMEÇOU A 26-09-2015

domingo, 27 de setembro de 2015

REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 9,38-43.45-47-48 No Evangelho deste XXVI domingo do tempo comum temos uma instrução, através da qual Jesus procura ajudar os discípulos a situarem-se na órbita do Reino. Nesse sentido, convida-os a constituírem uma comunidade que, sem arrogância, sem ciúmes, sem presunção de posse exclusiva do bem e da verdade, procura acolher, apoiar e estimular todos aqueles que actuam em favor da libertação dos irmãos; convida-os também a não excluírem da dinâmica comunitária os pequenos e os pobres; convida-os ainda a arrancarem da própria vida todos os sentimentos e atitudes que são incompatíveis com a opção pelo Reino. 
Ora esta palavra é também para nós hoje. Para nós, os crentes, que achamos ou pretendemos ter o exclusivo do bem e da verdade e que, de facto, não temos. É, para nós, hoje, para que sejamos capazes de reconhecer isso e aceitar a presença e a acção do Espírito de Deus através de tantas pessoas boas que não pertencem à instituição Igreja, mas que são sinais vivos do amor de Deus no meio do mundo.

domingo, 20 de setembro de 2015

REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO XXV DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 9,30-37 O Evangelho deste XXV Domingo do Tempo Comum, apresenta-nos uma história de confronto entre a “sabedoria de Deus” e a “sabedoria do mundo”. Jesus, imbuído da lógica de Deus, está disposto a aceitar o projecto do Pai e a fazer da sua vida um dom de amor aos homens; os discípulos, imbuídos da lógica do mundo, não têm dificuldade em entender essa opção e em comprometer-se com esse projecto. Jesus avisa-os, contudo, de que só há lugar na comunidade cristã para quem escuta os desafios de Deus e aceita fazer da vida um serviço aos irmãos, particularmente aos humildes, aos pequenos, aos pobres.
O Evangelho de hoje convida-nos, então, a repensar a nossa forma de nos situarmos, quer na sociedade, quer dentro da própria comunidade cristã. A instrução de Jesus aos discípulos que esta passagem do Evangelho nos apresenta é uma denúncia dos jogos de poder, das tentativas de domínio sobre os irmãos, dos sonhos de grandeza, das manobras para conquistar honras e privilégios, da busca desenfreada de títulos, da caça às posições de prestígio… Esses comportamentos são ainda mais graves quando acontecem dentro da comunidade cristã: trata-se de comportamentos incompatíveis com o seguimento de Jesus. Nós, os seguidores de Jesus, não podemos, de forma alguma, pactuar com a “sabedoria do mundo”; e uma Igreja que se organiza e estrutura tendo em conta os esquemas do mundo não é a Igreja de Jesus.
Na nossa sociedade, os primeiros são os que têm dinheiro, os que têm poder, os que frequentam as festas badaladas nas revistas da sociedade, os que vestem segundo as exigências da moda, os que têm sucesso profissional, os que sabem colar-se aos valores politicamente correctos. E na comunidade cristã? Quem são os primeiros? As palavras de Jesus não deixam qualquer dúvida: “quem quiser ser o primeiro, será o último de todos e o servo de todos”. Na comunidade cristã, a única grandeza é a grandeza de quem, com humildade e simplicidade, faz da própria vida um serviço aos irmãos. Na comunidade cristã não há donos, nem grupos privilegiados, nem pessoas mais importantes do que as outras, nem distinções baseadas no dinheiro, na beleza, na cultura, na posição social… Na comunidade cristã há irmãos iguais, a quem a comunidade confia serviços diversos em vista do bem de todos. Aquilo que nos deve mover é a vontade de servir, de partilhar com os irmãos os dons que Deus nos concedeu.
A atitude de serviço que Jesus pede aos seus discípulos deve manifestar-se, de forma especial, no acolhimento dos pobres, dos débeis, dos humildes, dos marginalizados, dos sem direitos, daqueles que não nos trazem o reconhecimento público, daqueles que não podem retribuir-nos… Seremos capazes de acolher e de amar os que levam uma vida pouco exemplar, os marginalizados, os estrangeiros, os doentes incuráveis, os idosos, os difíceis, os que ninguém quer e ninguém ama?

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

D. GILBERTO CANAVARRO DOS REIS AGRACIADO ONTEM COM A MEDALHA DE PRATA DA CIDADE DE SETÚBAL


D. Gilberto Canavarro dos Reis foi agraciado ontem (15/09) com a Medalha de Prata da Cidade de Setúbal, uma das principais condecorações desta câmara municipal.
“Fui apanhado de surpresa. Por uma surpresa agradável”, revelou o agora administrador apostólico da Diocese de Setúbal.
D. Gilberto Canavarro dos Reis, à frente da Igreja sadina desde 1998, confessa que como indivíduo leva “muitas marcas” de Setúbal depois das que tem de Trás-os-Montes onde nasceu, concelho de Vila Pouca de Aguiar, e “muitas marcas do Porto”, diocese que serviu como bispo-auxiliar.
O atual administrador Apostólico da Diocese de Setúbal, natural de Barbadães de Baixo (Diocese de Vila Real), foi ordenado padre em dezembro 1963 e nomeado bispo auxiliar da Diocese do Porto a 16 de novembro de 1988, por São João Paulo II; o mesmo Papa polaco nomeou-o bispo de Setúbal em 1998.
A cerimónia desta manhã foi um dos momentos altos da celebração do feriado municipal de Setúbal, Dia de Bocage e da Cidade, e decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho.
Para além da Medalha de Prata entregue ao bispo de Setúbal mais 35 personalidades e instituições foram agraciadas com a Medalha de Honra da Cidade.
Na lista de agraciados destacam-se ainda os nomes do padre Constantino Alves e do padre Luís Manuel Ferreira, respetivamente párocos da igreja de Nossa Senhora da Conceição e de Faralhão e Praias do Sado, que recebam a Medalha de Honra da Cidade na Classe Paz e Liberdade.
Segundo a página na internet do município, a presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, salientou no início da cerimónia que o cunho de Bocage ultrapassou a poesia bem escrita, legando uma vontade permanente de lutar pela liberdade, “do direito de querer viver melhor”.
O Papa aceitou a 24 de agosto a renúncia de D. Gilberto Reis, bispo de Setúbal, que a 27 de maio completou 75 anos, idade máxima determinada pelo Direito Canónico para o exercício desta missão.
Francisco nomeou como novo bispo D. José Ornelas Carvalho, antigo superior geral dos Dehonianos, de 61 anos, o qual agradeceu ao seu antecessor pelo “testemunho de pastor solícito e pela herança desafiadora que nos lega de simplicidade evangélica, atenção aos mais débeis e sentido profético na condução do povo de Deus”.
CB/OC

domingo, 13 de setembro de 2015

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 8,27-35 Da Janela do Palácio Apostólico o Santo Padre recordou o Evangelho deste XXIV Domingo do Tempo Comum e a questão que Jesus formula aos seus discípulos: “Quem dizem os homens que eu sou?” (Mc. 8,27)
O Santo Padre referiu-se, em particular, à resposta de Pedro que afirmou: “Tu és o Cristo”. Nessa ocasião Jesus revelou aos seus discípulos que deveria sofrer e ser morto e depois de três dias ressuscitar. Pedro ficou escandalizado – frisou o Papa – e chamou Jesus à parte e contestou as suas afirmações.
“Vai-te Satanás!”, esta é a resposta de Jesus a Pedro pela sua incompreensão – afirmou o Santo Padre. “Anunciando que deverá sofrer e ser morto para depois ressuscitar, Jesus quer fazer compreender àqueles que o seguem que Ele é um Messias humilde e servidor” e declara: “Se alguém quiser seguir-Me renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”
“Colocar-se na sequela de Jesus significa tomar a própria cruz para acompanhá-lo no seu caminho, um caminho incómodo que não é aquele do sucesso ou da glória terrena, mas aquele que conduz à verdadeira liberdade. Trata-se de operar uma clara recusa daquela mentalidade mundana que põe o próprio “eu” e os próprios interesses no centro da existência e de perder a própria vida por Cristo e o Evangelho, para recebê-la renovada e autêntica.”
“Decidir seguir Jesus, Nosso Mestre e Senhor que se fez Servo de todos, exige uma forte união com Ele, a escuta atenta e assídua da sua Palavra e a graça dos Sacramentos” – afirmou o Santo Padre na conclusão da sua mensagem.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

PAPA APELA ÀS PARÓQUIAS PARA ACOLHEREM REFUGIADOS


O Papa Francisco apelou este domingo a todas as comunidades católicas da Europa para acolherem uma família de refugiados, adiantando que as primeiras a dar o exemplo serão as duas paróquias do Vaticano.
Pedindo um "gesto concreto" de preparação para o Jubileu que começa em dezembro, o papa apelou a todas as paróquias, comunidades religiosas, todos os mosteiros e santuários para que acolham uma família de migrantes.
"Perante a tragédia de dezenas de milhares de refugiados que fogem da morte, vítimas da guerra e da fome, o Evangelho chama-nos e pede para estarmos mais próximos dos mais fracos e abandonados, dando-lhes esperança", declarou o papa Francisco na oração Angelus, perante milhares de fiéis na Praça de São Pedro.
Dirigindo-se aos "irmãos bispos da Europa", o líder da igreja Católica apelou a que apoiem a causa nas suas dioceses, referindo que as paróquias de Roma e do Vaticano acolherão "nos próximos dias" duas famílias de refugiados.
As 28 nações da União Europeia estão bastante divididas sobre o que fazer em relação aos fluxos de migrantes, a maior parte pessoas que abandonaram os seus países para fugir aos conflitos que grassam no Médio Oriente e Norte de África.
A Alemanha liderou os esforços para a abertura das fronteiras, dizendo que poderia aceitar até 800.000 refugiados este ano, e apoiando planos para quotas obrigatórias nos países da UE.
A Hungria, juntamente com muitos países do leste que se tornaram novos membros do bloco europeu, opõem-se ao sistema de quotas e insistem que as regras atuais devem ser aplicadas, com os requerentes de asilo a terem de fazer o pedido no primeiro país onde chegam e não no país para onde querem ir.


domingo, 6 de setembro de 2015

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 7,31-37  Efatá, abre-te, foi este o lema da reflexão tecida neste domingo, pelo Papa Francisco, por ocasião da oração mariana do Angelus da janela do Palácio Apostólico que dá para a Praça de São Pedro. Comentando o Evangelho de São Marcos que fala da cura do surdo-mudo por Jesus, no território pagão de Decápole, o Papa recordou que esse surdo-mudo foi levado a Jesus, o que significa que temos de percorrer um caminho em direcção à fé. Outro símbolo expresso nesse surdo-mudo é que a surdez impede ouvir não só as pessoas, mas também a Palavra de Deus, pois que a fé nasce da pregação. Mais: Jesus manda afastar o surdo da multidão, primeiro porque não quer publicidade do milagre que está para realizar e, depois, porque não quer que a sua palavra seja encoberta pelo barulho do ambiente circunstante. É que: “A Palavra de Deus que Cristo nos transmite precisa de silêncio para ser acolhida como Palavra que cura, que reconcilia e restabelece a comunicação” .
O Papa chama depois a atenção para dois gestos realizados por Jesus: Ele toca as orelhas e a língua do surdo-mudo – um gesto que visa restabelecer a comunicação, o contacto, e dado que o milagre vem do Pai, Jesus eleva os olhos ao céu e ordena: “Abre-te”. O surdo passa então a ouvir e  a falar.
O ensinamento que tiramos deste episódio da vida de Jesus – disse o Papa – é que “Deus não está fechado em si mesmo, mas abre-se e põe-se em comunicação com a humanidade” A sua imensa misericórdia leva-O a vir ao nosso encontro, a comunicar connosco, a tornar-se presente em nós através do seu Filho feito homem, a Palavra que se faz carne.
“Jesus é um grande “construtor de pontes”, que constrói a grande ponte da comunhão plena com o Pai”.
Este Evangelho fala-nos também a nós hoje – frisou o Papa. Com efeito, muitas vezes fechamo-nos em nós mesmos, criamos ilhas inacessíveis e inóspitas, e nem sequer as relações humanas mais elementares encontram espaço: casais, famílias, grupos, paróquias, pátrias fechados.
No entanto - prosseguiu Francisco - o Baptismo, origem da nossa vida cristã, representa precisamente esse gesto e palavra de Jesus: abre-te. Através disso somos inseridos na grande família da Igreja, podemos ouvir Deus que nos fala e comunicar a sua Palavra.
E o Papa concluiu convidando a invocar Nossa Senhora, mulher da escuta e do testemunho alegre, para que nos apoie no empenho de professar a nossa fé e de comunicar as maravilhas do Senhor a quantos passam pelo nosso caminho.


domingo, 30 de agosto de 2015

Medalha de Prata da Cidade de Setúbal irá ser atribuída no próximo dia 15 de Setembro a D. Gilberto Canavarro dos Reis

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)

Mc 7,1-8.14-15.21-23 No evangelho deste domingo, o evangelista Marcos fala-nos da disputa entre Jesus, alguns fariseus e escribas acerca da tradição dos antigos. Para Jesus essas tradições são “preceitos de homens”, que não devem nunca tomar o lugar dos “mandamentos de Deus”.
E a disputa nasce porque os escribas e fariseus aplicavam-nos de forma escrupulosa e eram apresentados como expressão de autêntica religiosidade. Por isso, eles repreendem Jesus e os seus discípulos por não cumprirem esses preceitos, sobretudo os relativos à purificação exterior do corpo. Mas Jesus faz-lhes notar que estão a transcurar o mandamento de Deus em favor das tradições do homem.
Palavras – disse o Papa  - que nos enchem de admiração pelo nosso Mestre, sentindo que nele está a esperança e a sapiência que nos liberta de preconceitos. E recorda que estas palavras são também dirigidas a nós hoje, para não pensarmos que a observação exterior da lei é suficiente para ser bons cristãos.
“Mas atenção! Com estas palavras, Jesus quer chamar também a nossa atenção, hoje, a não pensarmos que a observação exterior da lei seja suficiente para ser bons cristãos”.
Tal como no tempo dos fariseus – prosseguiu o Papa – existe também para nós hoje o perigo de nos considerarmos melhor que os outros pelo simples facto de observar as regras, os usos e costumes, mesmo se não amamos o próximo, se somos duros de coração e orgulhosos. A observância literal dos preceitos é estéril se não houver mudanças dos corações, se não houver abertura a Deus e à sua Palavra e se isto não se traduzir em atitudes concretas como a justiça e a paz, o socorro dos pobres, dos fracos, dos oprimidos. E aqui o Papa recordou quão mal fazem à Igreja, aquelas pessoas que, com frequência vão à Igreja, mas na vida quotidiana transcuram a família, falam mal dos outros e assim por diante. Isto  é algo que Jesus condena, porque é o contrário de um testemunho cristão.
Não são as coisas exteriores que fazem uma pessoa santa ou não santa. É o coração que exprime as nossas intenções. O nosso coração geralmente está lá onde está o nosso tesouro. Podemos, então, perguntar-nos: onde está o meu coração. Qual é o meu tesouro? – É Jesus e a sua Doutrina, ou é alguma outra coisa? Portanto, é o coração que deve ser purificado e convertido. Sem um coração purificado não podemos ter mãos limpas e lábios que pronunciem palavras sinceras de amor. Tudo é duplo: dupla vida, vida de hipócritas – disse o Papa, frisando que o perdão e a misericórdia só podem vir de um coração sincero e purificado.
E exortou a pedir ao Senhor, por meio de Nossa Senhora, para que nos dê um coração puro, livre de qualquer hipocrisia, por forma a sermos capazes de viver segundo o espírito da lei e chegar à sua finalidade última que é o amor.

sábado, 29 de agosto de 2015

PAPA TEVE A BONDADE DE ME CHAMAR - D. JOSÉ ORNELAS CARVALHO

“O Papa teve a bondade de me chamar e isso deu-me grande força e serenidade.”
É desta forma que o novo bispo de Setúbal, D. José Ornelas Carvalho descreve a escolha que o papa Francisco fez para a sucessão de D. Gilberto do Canavarro Reis, que renunciou por motivos de idade. “Vai para Setúbal, mas vai como missionário porque a Europa precisa de redescobrir a sua missão evangelizadora”, foi o pedido que o papa lhe fez para aceitar a sua nova missão na igreja, lembra o agora bispo eleito na sua primeira entrevista à Rádio Vaticano.
D. José Ornelas Carvalho diz que a jovem diocese de Setúbal ”com 40 anos”, passa por “uma crise de natureza económica, que não pode ser ignorada de modo nenhum”, mas é uma igreja que “tomou muito a sério as questões da solidariedade “e por isso “é preciso deitar mãos à obra”.
Já sobre o país, D. José Ornelas considera que “há alguns sinais de esperança que convém cultivar”, mas “seja qual for o resultado das eleições, o que é importante é que os políticos e os portugueses pensem realmente no futuro.”
Em entrevista ao jornalista Domingos Pinto, o antigo superior geral dos Dehonianos, cuja ordenação episcopal e a tomada de posse terão lugar a 25 de Outubro, pede ainda aos líderes europeus políticas migratórias ” de justiça e de solidariedade” e evitem “vias de rejeição e de construção de muros”.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

SAUDAÇÃO DO NOVO BISPO DE SETÚBAL A TODOS OS DIOCESANOS NO DIA DA SUA NOMEAÇÃO

Saudação
Neste momento em que o Papa Francisco me nomeia bispo para servir a Igreja de Deus com sede em Setúbal, desejo fazer chegar aos membros da diocese, às autoridades e ao povo da cidade e da região de Setúbal uma saudação muito fraterna e amiga.
Saúdo muito especialmente todos aqueles que sentem as dificuldades dos tempos difíceis que vivemos e são vítimas do desemprego e da falta de meios e de perspetivas para uma vida digna e segura, que atinge particularmente os jovens, os anciãos e os imigrantes. Ao mesmo tempo, saúdo com profundo apreço e carinho os que continuam a lutar, apesar das situações adversas, e as muitas pessoas e instituições da diocese e de outras entidades que, com sensibilidade e solidariedade criativa, buscam soluções e caminhos de justiça, humanização e esperança.
Desejo cumprimentar com gratidão e estima todas as pessoas que, nos serviços diocesanos, nas paróquias e movimentos eclesiais, colocam ao serviço dos outros o próprio tempo e capacidades, na catequese, na liturgia e na caridade. Que os vossos braços não cansem e o vosso coração continue a abrir-se generosamente à construção da Igreja viva animada pelo Espírito do Senhor ressuscitado.
Saúdo com alegria e esperança os jovens das nossas comunidades, bem como os movimentos juvenis, com especial relevo para os escuteiros. No mundo que está a mudar radical e velozmente, a vossa presença e criatividade, como também a vossa crítica e impaciência, são importantes para sermos capazes de sonhar e pôr em movimento o Evangelho da alegria, da liberdade, da fraternidade e da paz. Não vos deixeis resignar e não vos canseis de sonhar o sonho de Deus para a nossa diocese e o nosso mundo.
Deixo uma palavra de especial estímulo a todos os seminaristas e às/aos jovens que se interrogam sobre um futuro consagrado a Deus para o serviço dos outros. Que sintais a alegria da descoberta e aprofundamento do afeto e do convite que o Senhor vos dirige, para servir o seu povo, nesta diocese e no mundo. Que a luz do Espírito ilumine igualmente aqueles que vos acompanham neste importante processo de descoberta e discernimento.
Uma saudação particular vai para as religiosas, religiosos e demais pessoas consagradas, neste ano especialmente a eles dedicado. Que o testemunho da vossa consagração a Deus, da vossa vida fraterna e da vossa atenção aos mais pobres e necessitados seja sal e luz para a comunidade eclesial e para a nossa sociedade.
Aos diáconos e presbíteros, envio um abraço muito fraterno de comunhão e corresponsabilidade no serviço que o Senhor nos confia em favor do seu povo. Não sou capaz de pensar o ministério que Deus me pede sem a união convosco e com o vosso ministério. Espero que, na escuta da Palavra, na fidelidade ao Espírito, na riqueza e diversidade dos dons de cada um, possamos construir a unidade pela qual o Senhor orou ao Pai e colocar-nos juntos ao serviço do seu povo, com os sentimentos e atitudes do seu Coração de Pastor misericordioso.
Ao Senhor D. Gilberto, dedicado pastor desta diocese nos últimos 17 anos, desejo exprimir a minha imensa gratidão pelo testemunho de pastor solícito e pela herança desafiadora que nos lega de simplicidade evangélica, atenção aos mais débeis e sentido profético na condução do povo de Deus. O acolhimento fraterno, a confiança e o conforto que de si tenho recebido, têm sido um precioso encorajamento nos dias nem sempre fáceis destes últimos tempos. Espero poder continuar a contar com a sua presença, conselho e ajuda ao serviço desta Igreja de Setúbal. Quero associar nesta gratidão o Senhor D. Manuel Martins, primeiro bispo, pastor incansável e grande profeta da nossa jovem diocese, e sinto-me feliz por poder vir a participar na homenagem que lhe está a preparar a comunidade diocesana. A presença dos dois primeiros bispos desta Igreja é, para mim, motivo de grande encorajamento e esperança. Peço ao Senhor que eu possa continuar uma tão nobre tradição de serviço eclesial.
Saúdo também com respeito e aberta cordialidade as autoridades do distrito e das autarquias da diocese, bem como as instituições cívicas que estão ao serviço da população. Sei que a diocese de Setúbal tem uma feliz tradição de abertura para solicitar e oferecer entendimentos e colaborações que redundem em benefício das pessoas e abram perspetivas novas para o nosso futuro comum. Desejo muito – e tudo farei por isso – que estas parcerias possam desenvolver-se, para fazer face aos ingentes desafios do nosso tempo e para abrir novos caminhos para a plena realização das pessoas e da sociedade.
Desejo ainda endereçar uma palavra muito fraterna aos membros das diferentes Igrejas cristãs presentes na nossa diocese e aos seus responsáveis. O diálogo ecuménico e a cooperação real entre os discípulos de Cristo, na diversidade das Igrejas a que pertencem, constituem uma oportunidade e um dever para todos nós. Não pouparei esforços para que a fé comum no Senhor Jesus e o mandamento novo do amor fraterno nos conduzam por caminhos de crescente unidade e colaboração.
Quero igualmente saudar os crentes de outras religiões, cujo número tem vindo a aumentar com as fluxos migratórios recentes. Espero que o acolhimento, o respeito e o diálogo possam ajudar a entender o contributo que as nossas tradições religiosas podem oferecer à construção da justiça, da paz, da solidariedade entre povos e culturas e da Casa Comum da humanidade.
Da minha parte, venho de coração aberto, com algum temor, muita confiança na presença do Senhor e esperança na comunhão e na boa vontade dos membros da comunidade diocesana. Oriundo da Madeira e membro da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos), onde cresci como homem, religioso e padre, o meu ministério teve lugar sobretudo no ensino da Sagrada Escritura na Universidade Católica e no serviço da Congregação. Depois dos últimos doze anos sediado em Roma como Superior Geral, fui indigitado, a meu pedido, para uma missão em África. O Papa Francisco, que tive ocasião de encontrar pessoalmente, mudou estes planos. Quando me deu a alegria de encontrá-lo, disse-me: "Não te imponho, mas peço-te que vás como bispo para Setúbal… mas irás como missionário… a Europa tem necessidade de redescobrir a sua dimensão missionária". E aqui estou, para assumir convosco esta missão eclesial. Não trago planos traçados e estou bem consciente das minhas limitações e de quanto preciso de aprender e conhecer, para poder estar ao vosso serviço como vosso irmão e vosso bispo.
Em coincidência com o início do meu serviço como bispo, acolheremos a imagem da Virgem Peregrina de Fátima, que vem visitar a nossa diocese. É um sinal para todos nós! Acolhamos no coração a Virgem de Nazaré que, movida pela Palavra e pelo Espírito de Deus, se pôs a caminho para anunciar, celebrar e servir, na casa de sua prima Isabel, dando início aos novos tempos de Deus entre os homens. Nos tempos de mudança que vivemos, temos uma impelente necessidade de assumir esta atitude itinerante, de sair de nós mesmos, como diz o Papa Francisco, para levar a feliz e criadora notícia do Evangelho, particularmente aos que andam longe e aos que têm mais necessidade de atenção, carinho e esperança.
Peço-vos que me tenhais bem presente na vossa oração; e podeis estar certos de que tendes já um lugar bem grande nas minhas preces, na minha atenção, no meu afeto e nas minhas perspetivas de olhar o futuro. Que o Senhor abençoe e acompanhe este caminho que nos chama a percorrer juntos.
Lisboa, 24 de agosto de 2015
Pe. José Ornelas Carvalho, SCJ

NOVO BISPO AGRADECE DEDICAÇÃO DE D. GILBERTO CANAVARRO DOS REIS


Francisco aceitou renúncia do prelado de 75 anos, na diocese sadina desde 1998

O Papa aceitou hoje a renúncia de D. Gilberto Reis, bispo de Setúbal, que a 27 de maio completou 75 anos, idade máxima determinada pelo Direito Canónico para o exercício desta missão.
Francisco nomeou como novo bispo D. José Ornelas Carvalho, antigo superior geral dos Dehoanianos, de 61 anos, que agradece ao seu antecessor, na diocese sadina desde 1998, pelo “testemunho de pastor solícito e pela herança desafiadora que nos lega de simplicidade evangélica, atenção aos mais débeis e sentido profético na condução do povo de Deus”.
“O acolhimento fraterno, a confiança e o conforto que de si tenho recebido, têm sido um precioso encorajamento nos dias nem sempre fáceis destes últimos tempos. Espero poder continuar a contar com a sua presença, conselho e ajuda ao serviço desta Igreja de Setúbal”, escreve, numa saudação enviada à Agência ECCLESIA.
O terceiro bispo da história da Diocese de Setúbal, criada há 40 anos, recorda também o primeiro prelado a assumir essa missão, D. Manuel Martins, “pastor incansável e grande profeta”.
Num artigo de opinião publicado no Semanário ECCLESIA, a respeito do 40.º aniversário da Diocese de Setúbal, D. Gilberto Reis identificava 12 desafios para esta Igreja local, incluindo o “sonho dum sínodo diocesano”.
Outras apostas de futuro são, por exemplo, o desejo de “progredir na formação”, de se tornar “mais capaz de ajudar” os leigos a “descobrirem e assumirem” a sua missão de ser “luz, fermento e alma cristã na Igreja e no mundo.
A diocese setubalense quer ser uma ‘Igreja sem saída’, com mais tempo e recursos para ir ao encontro das “ovelhas tresmalhadas” e criar novos estilos de vida e de linguagem
D. Gilberto Canavarro dos Reis vai receber a 15 de setembro a Medalha de Prata da cidade de Setúbal, uma das “mais altas distinções locais”, condecoração atribuída a pessoas ou instituições que se destaquem por “serviços excecionais prestados em prol do concelho e dignos de reconhecimento geral”.
O antigo bispo de Setúbal nasceu em Barbadães de Baixo (Diocese de Vila Real); foi ordenado padre em dezembro 1963 e nomeado bispo auxiliar da Diocese do Porto a 16 de novembro de 1988, por São João Paulo II; o mesmo Papa polaco nomeou-o bispo de Setúbal em 1998.

PAPA NOMEOU NOVO BISPO PARA A DIOCESE DE SETÚBAL


D. José Ornelas Carvalho, antigo superior geral dos Dehonianos, sucede a D. Gilberto Reis, que renunciou por motivos de idade

O Papa nomeou hoje como bispo da Diocese de Setúbal D. José Ornelas Carvalho, antigo superior geral dos Dehonianos, de 61 anos, que sucede a D. Gilberto Reis, após este ter renunciado por motivos de idade.
A informação foi comunicada à Agência ECCLESIA pela Nunciatura Apostólica (embaixada da Santa Sé) em Lisboa.
A ordenação episcopal e a tomada de posse do novo bispo estão marcadas para o dia 25 de Outubro; até essa data, o governo da Diocese continua confiado a D. Gilberto dos Reis, agora administrador apostólico.
O bispo eleito nasceu a 5 de janeiro de 1954, no Porto da Cruz (Madeira), tendo feito a sua formação religiosa na Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos); foi ordenado padre na sua terra natal, a 9 de agosto de 1981.
Especialista em Ciências Bíblicas, com o grau de doutor em Teologia Bíblica pela Universidade Católica Portuguesa, foi docente desta instituição académica entre 1983-1992 e 1997-2003.
Na sua Congregação, o novo bispo foi superior da Província Portuguesa, cargo que assumiu a 1 de julho de 2000; foi eleito Superior Geral dos Dehonianos a 27 de maio de 2003, cargo que ocupou até 6 de junho de 2015.
Após estes mandatos, D. José Ornelas Carvalho tinha sido indigitado, a seu pedido, para uma missão em África, como refere na sua primeira mensagem à Diocese de Setúbal.
“O Papa Francisco, que tive ocasião de encontrar pessoalmente, mudou estes planos. Quando me deu a alegria de encontrá-lo, disse-me: ‘Não te imponho, mas peço-te que vás como bispo para Setúbal… mas irás como missionário… a Europa tem necessidade de redescobrir a sua dimensão missionária’. E aqui estou, para assumir convosco esta missão eclesial”, escreve.
D. Gilberto Reis, bispo de Setúbal desde 1998, completou 75 anos de idade a 27 de maio e, de acordo com o Direito Canónico, apresentou ao Papa a renúncia ao serviço episcopal, que Francisco aceitou hoje, ao nomear o seu sucessor.
A diocese sadina foi criada há 40 anos, através da bula (documento oficial) «Studentes Nos», por Paulo VI, e o seu primeiro bispo foi D. Manuel Martins, que desempenhou estas funções entre 1975 e 1998.

Com uma população católica distribuída por 55 comunidades paroquiais, a Diocese de Setúbal tem aproximadamente uma superfície de 1500 Km2 e uma população de 717 mil habitantes, abrangendo 9 concelhos - Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal - e ainda três parcelas territoriais que integram a paróquia da Comporta (freguesia da Comporta, uma parcela da freguesia de Santa Maria do Castelo, ambas pertencentes ao Concelho de Alcácer do Sal; e Tróia, pertencente à freguesia de Carvalhal, Concelho de Grândola).

domingo, 23 de agosto de 2015

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXI DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Jo. 6,60-69 O Papa Francisco comentando o Evangelho deste XXI domingo do Tempo Comum, disse que hoje se conclui a leitura do sexto capítulo do Evangelho de João, com o discurso sobre o “Pão da vida”. No fim desse discurso, sublinhou o Papa, o grande entusiasmo do dia anterior se apagou, porque Jesus tinha dito ser o Pão que desceu do céu, e que ele iria dar a sua carne como alimento e o seu sangue como bebida, aludindo assim claramente ao sacrifício da sua própria vida. E acrescentou: “Estas palavras provocaram decepção no povo, que as julgou indignas para um Messias, palavras não "vencedoras". E assim, alguns observavam Jesus como um Messias que devia falar e agir de modo que a sua missão tivesse sucesso. Mas precisamente sobre isso eles se enganavam, no modo de entender a missão do Messias!”
Até mesmo os discípulos – prosseguiu Francisco - não conseguem aceitar aquela linguagem inquietadora do Mestre e mostram o seu desconforto com as palavras: “Este discurso é duro, quem o pode escutar?”. Mas na verdade, eles tinham entendido bem o discurso de Jesus, disse, tão bem que não queriam escutá-lo, porque é um discurso que põe em crise a sua mentalidade. Mas Jesus oferece a chave para superar as dificuldades, uma chave composta de três elementos:
“Primeiro, a sua origem divina: Ele desceu do céu e subirá "para onde estava antes"; segundo: as suas palavras só podem ser compreendidas através da “acção do Espírito Santo”, Aquele “que dá a vida”; terceiro: a verdadeira causa da incompreensão das suas palavras é a falta de fé: “Entre vocês há alguns que não acreditam”.
De facto, a partir daquele momento, “muitos dos seus discípulos haviam desistido e perante estas deserções, Jesus não poupa e nem atenua as suas palavras, ao contrário, obriga a fazer uma escolha precisa: ou estar com Ele ou separar-se d’Ele, e diz aos Doze: "Também vós quereis ir embora?”. E é então quando S. Pedro faz a sua confissão de fé em nome dos outros Apóstolos: "Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna".
S. Pedro não diz "onde iremos?", mas "a quem iremos?" – explica o Papa – porque o problema básico não é ir e deixar a obra iniciada, mas é a quem ir. Daquela interrogação de Pedro, entendemos que a fidelidade a Deus é uma questão de fidelidade a uma pessoa, e esta pessoa é Jesus:
“Tudo o que temos no mundo não satisfaz a nossa fome de infinito. Precisamos de Jesus, de estar com Ele, de nos alimentar à sua mesa, das suas palavras de vida eterna! Crer em Jesus significa fazer d’Ele o centro, o sentido da nossa vida. Cristo não é um acessório opcional é o "pão vivo", o alimento essencial.”
E o Papa pediu a cada um dos presentes um momento de silêncio para se interrogar: “quem é Jesus para mim?” Que a Virgem Maria nos ajude a "ir" sempre a Jesus para experimentar a liberdade que ele nos oferece, e que nos permita limpar nossas escolhas das sujeiras mundanas e dos medos – concluiu.

domingo, 16 de agosto de 2015

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XX DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Jo. 6, 51-58 A passagem do Evangelho deste XX domingo do Tempo Comum, do capítulo 6 de S. João, relata que algumas pessoas se escandalizaram porque Jesus disse: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia”.
Segundo o Papa Francisco, Jesus usa o estilo dos profetas para provocar em nós perguntas e decisões. Quando afirma “comer a carne e beber o sangue”, o que significa isto então? É só uma imagem ou é qualquer coisa de real? – perguntou o Santo Padre.
Para termos uma resposta é preciso intuir o que acontece no coração de Jesus enquanto parte o pão para a multidão esfomeada. Sabendo que deverá morrer na Cruz por nós, Jesus identifica-se com aquele pão partilhado e isso torna-se para Ele um ‘sinal’ do sacrifício que o espera – sublinhou o Papa que salientou as palavras de Jesus: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e eu nele”. A comunhão é assimilação, pois tornamo-nos como Jesus. Mas para isso é preciso o nosso sim, a nossa adesão de fé – afirmou o Santo Padre.
“Mas a Eucaristia não é uma oração privada ou uma bela experiência espiritual, não é uma simples comemoração daquilo que Jesus fez na Última Ceia: a Eucaristia é ‘memorial’, ou seja, um gesto que atualiza e torna presente o evento da morte e ressurreição de Jesus: o pão é realmente o seu Corpo dado por nós, o vinho é realmente o seu Sangue versado por nós.”
“A Eucaristia é o próprio Jesus que se dá inteiramente a nós. Nutrirmo-nos d’Ele e morar n’Ele mediante a comunhão eucarística, se o fazemos com fé, transforma a nossa vida num dom a Deus e aos irmãos. Nutrirmo-nos do Pão da Vida significa entrar em sintonia com o coração de Cristo, assimilar as suas escolhas, os seus pensamentos, os seus comportamentos. Significa entrar num dinamismo de amor e tornarmo-nos pessoas de paz, de perdão, de reconciliação, de partilha solidária.”

domingo, 2 de agosto de 2015

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)

 
Jo 6,24-35 Sobre o Evangelho deste XVIII domingo do tempo comum o Papa Francisco recordou que depois da multiplicação dos pães – conforme conta o Evangelista João - as pessoas puseram-se à procura de Jesus e  acabaram por encontra-Lo em Cafarnaum.  Jesus compreendeu logo o motivo de tanto entusiasmo da parte do povo e declarou-o  claramente:
“Vocês estão à minha procura não porque vistes sinais, mas porque comestes daqueles pães e vos saciastes”.
Na realidade – disse o Papa – aquelas pessoas procuram o pão material que no dia precedente tinha aplacado a sua fome. Não compreenderam que aquele pão partido para muitos, era expressão do amor do próprio Jesus. Deram mais valor ao pão do que ao seu doador.
Perante esta cegueira espiritual – prosseguiu o Papa – Jesus põe em evidencia a necessidade de ir para além da satisfação das necessidades imediatas, das próprias necessidades materiais, embora sejam essenciais.  O Filho de Deus convida a ir para além das necessidades imediatas, do comer, do vestir, do sucesso, da carreira, para se olhar para algo de incorruptível, e exorta:
“Empenhai-vos não para a alimentação que não dura, mas para a alimentação que permanece para a vida eterna e que o Filho do homem vos dará”.
Jesus quer fazer compreender, com estas palavras – frisou o Papa – que a fome física da pessoa humana, traz consigo algo de mais importante, que não pode ser saciado com a comida ordinária.
“Trata-se de fome de vida, de eternidade que Ele só pode saciar, na medida em que é “o pão da vida”.
O Papa chama também a atenção para o facto de Jesus não eliminar a preocupação da procura do pão quotidiano, mas recorda simplesmente que “o verdadeiro significado da nossa existência terrena está na eternidade, e que a história humana com os seus sofrimentos e as suas alegrias deve ser vista num horizonte de eternidade, isto é, naquele horizonte do encontro definitivo com Ele. E esse encontro ilumina todos os dias da nossa vida. Se nós pensarmos nesse encontro, nesse grande dom, os pequenos dons da vida, mesmo os sofrimentos e as preocupações serão iluminados, na esperança  deste encontro”.
Jesus é pão vivo descido dos Céus, apresenta-se a nós como único e verdadeiro significado da existência humana – frisou ainda o Papa, acrescentando que é o próprio Jesus a explicar o significado da existência do ser humano:
“Eu sou o pão da vida, quem vive em mim não terá fome e que crê em mim não terá sede, nunca!”
O Papa indicou nisto uma referência à Eucaristia, o grande dom que sacia a alma e o corpo. “Encontrar e acolher em nós Jesus, ‘pão da vida’, dá significado e esperança ao caminho tortuoso da vida. Mas este “pão da vida” é-nos dado para que possamos, por nossa vez,  saciar a fome espiritual e material dos irmãos, anunciando o Evangelho onde quer que seja, mesmo nas periferias existenciais. Com o testemunho das nossas atitudes fraternas e solidárias em relação ao próximo, tornamos presente Cristo e o seu amor por meio dos homens”
O Papa concluiu dizendo que temos muita necessidade de Deus na nossa existência quotidiana! Tanto nos dias de trabalho e de preocupações, como nos dias de férias. O Senhor convida-nos a não esquecer que, se por um lado é justo preocupar-se com o pão material, por outro, para consolidar as forças, é ainda mais necessário potenciar a nossa fé em Cristo, “pão da vida” que sacia o nosso desejo de verdade, de justiça e de consolação.
E o Papa pediu à Virgem Maria para nos apoiar na procura e na sequela do seu Filho Jesus, o “pão verdadeiro” que não se corrompe e dura para a vida eterna.