quarta-feira, 16 de setembro de 2015

D. GILBERTO CANAVARRO DOS REIS AGRACIADO ONTEM COM A MEDALHA DE PRATA DA CIDADE DE SETÚBAL


D. Gilberto Canavarro dos Reis foi agraciado ontem (15/09) com a Medalha de Prata da Cidade de Setúbal, uma das principais condecorações desta câmara municipal.
“Fui apanhado de surpresa. Por uma surpresa agradável”, revelou o agora administrador apostólico da Diocese de Setúbal.
D. Gilberto Canavarro dos Reis, à frente da Igreja sadina desde 1998, confessa que como indivíduo leva “muitas marcas” de Setúbal depois das que tem de Trás-os-Montes onde nasceu, concelho de Vila Pouca de Aguiar, e “muitas marcas do Porto”, diocese que serviu como bispo-auxiliar.
O atual administrador Apostólico da Diocese de Setúbal, natural de Barbadães de Baixo (Diocese de Vila Real), foi ordenado padre em dezembro 1963 e nomeado bispo auxiliar da Diocese do Porto a 16 de novembro de 1988, por São João Paulo II; o mesmo Papa polaco nomeou-o bispo de Setúbal em 1998.
A cerimónia desta manhã foi um dos momentos altos da celebração do feriado municipal de Setúbal, Dia de Bocage e da Cidade, e decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho.
Para além da Medalha de Prata entregue ao bispo de Setúbal mais 35 personalidades e instituições foram agraciadas com a Medalha de Honra da Cidade.
Na lista de agraciados destacam-se ainda os nomes do padre Constantino Alves e do padre Luís Manuel Ferreira, respetivamente párocos da igreja de Nossa Senhora da Conceição e de Faralhão e Praias do Sado, que recebam a Medalha de Honra da Cidade na Classe Paz e Liberdade.
Segundo a página na internet do município, a presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, salientou no início da cerimónia que o cunho de Bocage ultrapassou a poesia bem escrita, legando uma vontade permanente de lutar pela liberdade, “do direito de querer viver melhor”.
O Papa aceitou a 24 de agosto a renúncia de D. Gilberto Reis, bispo de Setúbal, que a 27 de maio completou 75 anos, idade máxima determinada pelo Direito Canónico para o exercício desta missão.
Francisco nomeou como novo bispo D. José Ornelas Carvalho, antigo superior geral dos Dehonianos, de 61 anos, o qual agradeceu ao seu antecessor pelo “testemunho de pastor solícito e pela herança desafiadora que nos lega de simplicidade evangélica, atenção aos mais débeis e sentido profético na condução do povo de Deus”.
CB/OC

domingo, 13 de setembro de 2015

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 8,27-35 Da Janela do Palácio Apostólico o Santo Padre recordou o Evangelho deste XXIV Domingo do Tempo Comum e a questão que Jesus formula aos seus discípulos: “Quem dizem os homens que eu sou?” (Mc. 8,27)
O Santo Padre referiu-se, em particular, à resposta de Pedro que afirmou: “Tu és o Cristo”. Nessa ocasião Jesus revelou aos seus discípulos que deveria sofrer e ser morto e depois de três dias ressuscitar. Pedro ficou escandalizado – frisou o Papa – e chamou Jesus à parte e contestou as suas afirmações.
“Vai-te Satanás!”, esta é a resposta de Jesus a Pedro pela sua incompreensão – afirmou o Santo Padre. “Anunciando que deverá sofrer e ser morto para depois ressuscitar, Jesus quer fazer compreender àqueles que o seguem que Ele é um Messias humilde e servidor” e declara: “Se alguém quiser seguir-Me renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”
“Colocar-se na sequela de Jesus significa tomar a própria cruz para acompanhá-lo no seu caminho, um caminho incómodo que não é aquele do sucesso ou da glória terrena, mas aquele que conduz à verdadeira liberdade. Trata-se de operar uma clara recusa daquela mentalidade mundana que põe o próprio “eu” e os próprios interesses no centro da existência e de perder a própria vida por Cristo e o Evangelho, para recebê-la renovada e autêntica.”
“Decidir seguir Jesus, Nosso Mestre e Senhor que se fez Servo de todos, exige uma forte união com Ele, a escuta atenta e assídua da sua Palavra e a graça dos Sacramentos” – afirmou o Santo Padre na conclusão da sua mensagem.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

PAPA APELA ÀS PARÓQUIAS PARA ACOLHEREM REFUGIADOS


O Papa Francisco apelou este domingo a todas as comunidades católicas da Europa para acolherem uma família de refugiados, adiantando que as primeiras a dar o exemplo serão as duas paróquias do Vaticano.
Pedindo um "gesto concreto" de preparação para o Jubileu que começa em dezembro, o papa apelou a todas as paróquias, comunidades religiosas, todos os mosteiros e santuários para que acolham uma família de migrantes.
"Perante a tragédia de dezenas de milhares de refugiados que fogem da morte, vítimas da guerra e da fome, o Evangelho chama-nos e pede para estarmos mais próximos dos mais fracos e abandonados, dando-lhes esperança", declarou o papa Francisco na oração Angelus, perante milhares de fiéis na Praça de São Pedro.
Dirigindo-se aos "irmãos bispos da Europa", o líder da igreja Católica apelou a que apoiem a causa nas suas dioceses, referindo que as paróquias de Roma e do Vaticano acolherão "nos próximos dias" duas famílias de refugiados.
As 28 nações da União Europeia estão bastante divididas sobre o que fazer em relação aos fluxos de migrantes, a maior parte pessoas que abandonaram os seus países para fugir aos conflitos que grassam no Médio Oriente e Norte de África.
A Alemanha liderou os esforços para a abertura das fronteiras, dizendo que poderia aceitar até 800.000 refugiados este ano, e apoiando planos para quotas obrigatórias nos países da UE.
A Hungria, juntamente com muitos países do leste que se tornaram novos membros do bloco europeu, opõem-se ao sistema de quotas e insistem que as regras atuais devem ser aplicadas, com os requerentes de asilo a terem de fazer o pedido no primeiro país onde chegam e não no país para onde querem ir.


domingo, 6 de setembro de 2015

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 7,31-37  Efatá, abre-te, foi este o lema da reflexão tecida neste domingo, pelo Papa Francisco, por ocasião da oração mariana do Angelus da janela do Palácio Apostólico que dá para a Praça de São Pedro. Comentando o Evangelho de São Marcos que fala da cura do surdo-mudo por Jesus, no território pagão de Decápole, o Papa recordou que esse surdo-mudo foi levado a Jesus, o que significa que temos de percorrer um caminho em direcção à fé. Outro símbolo expresso nesse surdo-mudo é que a surdez impede ouvir não só as pessoas, mas também a Palavra de Deus, pois que a fé nasce da pregação. Mais: Jesus manda afastar o surdo da multidão, primeiro porque não quer publicidade do milagre que está para realizar e, depois, porque não quer que a sua palavra seja encoberta pelo barulho do ambiente circunstante. É que: “A Palavra de Deus que Cristo nos transmite precisa de silêncio para ser acolhida como Palavra que cura, que reconcilia e restabelece a comunicação” .
O Papa chama depois a atenção para dois gestos realizados por Jesus: Ele toca as orelhas e a língua do surdo-mudo – um gesto que visa restabelecer a comunicação, o contacto, e dado que o milagre vem do Pai, Jesus eleva os olhos ao céu e ordena: “Abre-te”. O surdo passa então a ouvir e  a falar.
O ensinamento que tiramos deste episódio da vida de Jesus – disse o Papa – é que “Deus não está fechado em si mesmo, mas abre-se e põe-se em comunicação com a humanidade” A sua imensa misericórdia leva-O a vir ao nosso encontro, a comunicar connosco, a tornar-se presente em nós através do seu Filho feito homem, a Palavra que se faz carne.
“Jesus é um grande “construtor de pontes”, que constrói a grande ponte da comunhão plena com o Pai”.
Este Evangelho fala-nos também a nós hoje – frisou o Papa. Com efeito, muitas vezes fechamo-nos em nós mesmos, criamos ilhas inacessíveis e inóspitas, e nem sequer as relações humanas mais elementares encontram espaço: casais, famílias, grupos, paróquias, pátrias fechados.
No entanto - prosseguiu Francisco - o Baptismo, origem da nossa vida cristã, representa precisamente esse gesto e palavra de Jesus: abre-te. Através disso somos inseridos na grande família da Igreja, podemos ouvir Deus que nos fala e comunicar a sua Palavra.
E o Papa concluiu convidando a invocar Nossa Senhora, mulher da escuta e do testemunho alegre, para que nos apoie no empenho de professar a nossa fé e de comunicar as maravilhas do Senhor a quantos passam pelo nosso caminho.


domingo, 30 de agosto de 2015

Medalha de Prata da Cidade de Setúbal irá ser atribuída no próximo dia 15 de Setembro a D. Gilberto Canavarro dos Reis

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)

Mc 7,1-8.14-15.21-23 No evangelho deste domingo, o evangelista Marcos fala-nos da disputa entre Jesus, alguns fariseus e escribas acerca da tradição dos antigos. Para Jesus essas tradições são “preceitos de homens”, que não devem nunca tomar o lugar dos “mandamentos de Deus”.
E a disputa nasce porque os escribas e fariseus aplicavam-nos de forma escrupulosa e eram apresentados como expressão de autêntica religiosidade. Por isso, eles repreendem Jesus e os seus discípulos por não cumprirem esses preceitos, sobretudo os relativos à purificação exterior do corpo. Mas Jesus faz-lhes notar que estão a transcurar o mandamento de Deus em favor das tradições do homem.
Palavras – disse o Papa  - que nos enchem de admiração pelo nosso Mestre, sentindo que nele está a esperança e a sapiência que nos liberta de preconceitos. E recorda que estas palavras são também dirigidas a nós hoje, para não pensarmos que a observação exterior da lei é suficiente para ser bons cristãos.
“Mas atenção! Com estas palavras, Jesus quer chamar também a nossa atenção, hoje, a não pensarmos que a observação exterior da lei seja suficiente para ser bons cristãos”.
Tal como no tempo dos fariseus – prosseguiu o Papa – existe também para nós hoje o perigo de nos considerarmos melhor que os outros pelo simples facto de observar as regras, os usos e costumes, mesmo se não amamos o próximo, se somos duros de coração e orgulhosos. A observância literal dos preceitos é estéril se não houver mudanças dos corações, se não houver abertura a Deus e à sua Palavra e se isto não se traduzir em atitudes concretas como a justiça e a paz, o socorro dos pobres, dos fracos, dos oprimidos. E aqui o Papa recordou quão mal fazem à Igreja, aquelas pessoas que, com frequência vão à Igreja, mas na vida quotidiana transcuram a família, falam mal dos outros e assim por diante. Isto  é algo que Jesus condena, porque é o contrário de um testemunho cristão.
Não são as coisas exteriores que fazem uma pessoa santa ou não santa. É o coração que exprime as nossas intenções. O nosso coração geralmente está lá onde está o nosso tesouro. Podemos, então, perguntar-nos: onde está o meu coração. Qual é o meu tesouro? – É Jesus e a sua Doutrina, ou é alguma outra coisa? Portanto, é o coração que deve ser purificado e convertido. Sem um coração purificado não podemos ter mãos limpas e lábios que pronunciem palavras sinceras de amor. Tudo é duplo: dupla vida, vida de hipócritas – disse o Papa, frisando que o perdão e a misericórdia só podem vir de um coração sincero e purificado.
E exortou a pedir ao Senhor, por meio de Nossa Senhora, para que nos dê um coração puro, livre de qualquer hipocrisia, por forma a sermos capazes de viver segundo o espírito da lei e chegar à sua finalidade última que é o amor.

sábado, 29 de agosto de 2015

PAPA TEVE A BONDADE DE ME CHAMAR - D. JOSÉ ORNELAS CARVALHO

“O Papa teve a bondade de me chamar e isso deu-me grande força e serenidade.”
É desta forma que o novo bispo de Setúbal, D. José Ornelas Carvalho descreve a escolha que o papa Francisco fez para a sucessão de D. Gilberto do Canavarro Reis, que renunciou por motivos de idade. “Vai para Setúbal, mas vai como missionário porque a Europa precisa de redescobrir a sua missão evangelizadora”, foi o pedido que o papa lhe fez para aceitar a sua nova missão na igreja, lembra o agora bispo eleito na sua primeira entrevista à Rádio Vaticano.
D. José Ornelas Carvalho diz que a jovem diocese de Setúbal ”com 40 anos”, passa por “uma crise de natureza económica, que não pode ser ignorada de modo nenhum”, mas é uma igreja que “tomou muito a sério as questões da solidariedade “e por isso “é preciso deitar mãos à obra”.
Já sobre o país, D. José Ornelas considera que “há alguns sinais de esperança que convém cultivar”, mas “seja qual for o resultado das eleições, o que é importante é que os políticos e os portugueses pensem realmente no futuro.”
Em entrevista ao jornalista Domingos Pinto, o antigo superior geral dos Dehonianos, cuja ordenação episcopal e a tomada de posse terão lugar a 25 de Outubro, pede ainda aos líderes europeus políticas migratórias ” de justiça e de solidariedade” e evitem “vias de rejeição e de construção de muros”.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

SAUDAÇÃO DO NOVO BISPO DE SETÚBAL A TODOS OS DIOCESANOS NO DIA DA SUA NOMEAÇÃO

Saudação
Neste momento em que o Papa Francisco me nomeia bispo para servir a Igreja de Deus com sede em Setúbal, desejo fazer chegar aos membros da diocese, às autoridades e ao povo da cidade e da região de Setúbal uma saudação muito fraterna e amiga.
Saúdo muito especialmente todos aqueles que sentem as dificuldades dos tempos difíceis que vivemos e são vítimas do desemprego e da falta de meios e de perspetivas para uma vida digna e segura, que atinge particularmente os jovens, os anciãos e os imigrantes. Ao mesmo tempo, saúdo com profundo apreço e carinho os que continuam a lutar, apesar das situações adversas, e as muitas pessoas e instituições da diocese e de outras entidades que, com sensibilidade e solidariedade criativa, buscam soluções e caminhos de justiça, humanização e esperança.
Desejo cumprimentar com gratidão e estima todas as pessoas que, nos serviços diocesanos, nas paróquias e movimentos eclesiais, colocam ao serviço dos outros o próprio tempo e capacidades, na catequese, na liturgia e na caridade. Que os vossos braços não cansem e o vosso coração continue a abrir-se generosamente à construção da Igreja viva animada pelo Espírito do Senhor ressuscitado.
Saúdo com alegria e esperança os jovens das nossas comunidades, bem como os movimentos juvenis, com especial relevo para os escuteiros. No mundo que está a mudar radical e velozmente, a vossa presença e criatividade, como também a vossa crítica e impaciência, são importantes para sermos capazes de sonhar e pôr em movimento o Evangelho da alegria, da liberdade, da fraternidade e da paz. Não vos deixeis resignar e não vos canseis de sonhar o sonho de Deus para a nossa diocese e o nosso mundo.
Deixo uma palavra de especial estímulo a todos os seminaristas e às/aos jovens que se interrogam sobre um futuro consagrado a Deus para o serviço dos outros. Que sintais a alegria da descoberta e aprofundamento do afeto e do convite que o Senhor vos dirige, para servir o seu povo, nesta diocese e no mundo. Que a luz do Espírito ilumine igualmente aqueles que vos acompanham neste importante processo de descoberta e discernimento.
Uma saudação particular vai para as religiosas, religiosos e demais pessoas consagradas, neste ano especialmente a eles dedicado. Que o testemunho da vossa consagração a Deus, da vossa vida fraterna e da vossa atenção aos mais pobres e necessitados seja sal e luz para a comunidade eclesial e para a nossa sociedade.
Aos diáconos e presbíteros, envio um abraço muito fraterno de comunhão e corresponsabilidade no serviço que o Senhor nos confia em favor do seu povo. Não sou capaz de pensar o ministério que Deus me pede sem a união convosco e com o vosso ministério. Espero que, na escuta da Palavra, na fidelidade ao Espírito, na riqueza e diversidade dos dons de cada um, possamos construir a unidade pela qual o Senhor orou ao Pai e colocar-nos juntos ao serviço do seu povo, com os sentimentos e atitudes do seu Coração de Pastor misericordioso.
Ao Senhor D. Gilberto, dedicado pastor desta diocese nos últimos 17 anos, desejo exprimir a minha imensa gratidão pelo testemunho de pastor solícito e pela herança desafiadora que nos lega de simplicidade evangélica, atenção aos mais débeis e sentido profético na condução do povo de Deus. O acolhimento fraterno, a confiança e o conforto que de si tenho recebido, têm sido um precioso encorajamento nos dias nem sempre fáceis destes últimos tempos. Espero poder continuar a contar com a sua presença, conselho e ajuda ao serviço desta Igreja de Setúbal. Quero associar nesta gratidão o Senhor D. Manuel Martins, primeiro bispo, pastor incansável e grande profeta da nossa jovem diocese, e sinto-me feliz por poder vir a participar na homenagem que lhe está a preparar a comunidade diocesana. A presença dos dois primeiros bispos desta Igreja é, para mim, motivo de grande encorajamento e esperança. Peço ao Senhor que eu possa continuar uma tão nobre tradição de serviço eclesial.
Saúdo também com respeito e aberta cordialidade as autoridades do distrito e das autarquias da diocese, bem como as instituições cívicas que estão ao serviço da população. Sei que a diocese de Setúbal tem uma feliz tradição de abertura para solicitar e oferecer entendimentos e colaborações que redundem em benefício das pessoas e abram perspetivas novas para o nosso futuro comum. Desejo muito – e tudo farei por isso – que estas parcerias possam desenvolver-se, para fazer face aos ingentes desafios do nosso tempo e para abrir novos caminhos para a plena realização das pessoas e da sociedade.
Desejo ainda endereçar uma palavra muito fraterna aos membros das diferentes Igrejas cristãs presentes na nossa diocese e aos seus responsáveis. O diálogo ecuménico e a cooperação real entre os discípulos de Cristo, na diversidade das Igrejas a que pertencem, constituem uma oportunidade e um dever para todos nós. Não pouparei esforços para que a fé comum no Senhor Jesus e o mandamento novo do amor fraterno nos conduzam por caminhos de crescente unidade e colaboração.
Quero igualmente saudar os crentes de outras religiões, cujo número tem vindo a aumentar com as fluxos migratórios recentes. Espero que o acolhimento, o respeito e o diálogo possam ajudar a entender o contributo que as nossas tradições religiosas podem oferecer à construção da justiça, da paz, da solidariedade entre povos e culturas e da Casa Comum da humanidade.
Da minha parte, venho de coração aberto, com algum temor, muita confiança na presença do Senhor e esperança na comunhão e na boa vontade dos membros da comunidade diocesana. Oriundo da Madeira e membro da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos), onde cresci como homem, religioso e padre, o meu ministério teve lugar sobretudo no ensino da Sagrada Escritura na Universidade Católica e no serviço da Congregação. Depois dos últimos doze anos sediado em Roma como Superior Geral, fui indigitado, a meu pedido, para uma missão em África. O Papa Francisco, que tive ocasião de encontrar pessoalmente, mudou estes planos. Quando me deu a alegria de encontrá-lo, disse-me: "Não te imponho, mas peço-te que vás como bispo para Setúbal… mas irás como missionário… a Europa tem necessidade de redescobrir a sua dimensão missionária". E aqui estou, para assumir convosco esta missão eclesial. Não trago planos traçados e estou bem consciente das minhas limitações e de quanto preciso de aprender e conhecer, para poder estar ao vosso serviço como vosso irmão e vosso bispo.
Em coincidência com o início do meu serviço como bispo, acolheremos a imagem da Virgem Peregrina de Fátima, que vem visitar a nossa diocese. É um sinal para todos nós! Acolhamos no coração a Virgem de Nazaré que, movida pela Palavra e pelo Espírito de Deus, se pôs a caminho para anunciar, celebrar e servir, na casa de sua prima Isabel, dando início aos novos tempos de Deus entre os homens. Nos tempos de mudança que vivemos, temos uma impelente necessidade de assumir esta atitude itinerante, de sair de nós mesmos, como diz o Papa Francisco, para levar a feliz e criadora notícia do Evangelho, particularmente aos que andam longe e aos que têm mais necessidade de atenção, carinho e esperança.
Peço-vos que me tenhais bem presente na vossa oração; e podeis estar certos de que tendes já um lugar bem grande nas minhas preces, na minha atenção, no meu afeto e nas minhas perspetivas de olhar o futuro. Que o Senhor abençoe e acompanhe este caminho que nos chama a percorrer juntos.
Lisboa, 24 de agosto de 2015
Pe. José Ornelas Carvalho, SCJ

NOVO BISPO AGRADECE DEDICAÇÃO DE D. GILBERTO CANAVARRO DOS REIS


Francisco aceitou renúncia do prelado de 75 anos, na diocese sadina desde 1998

O Papa aceitou hoje a renúncia de D. Gilberto Reis, bispo de Setúbal, que a 27 de maio completou 75 anos, idade máxima determinada pelo Direito Canónico para o exercício desta missão.
Francisco nomeou como novo bispo D. José Ornelas Carvalho, antigo superior geral dos Dehoanianos, de 61 anos, que agradece ao seu antecessor, na diocese sadina desde 1998, pelo “testemunho de pastor solícito e pela herança desafiadora que nos lega de simplicidade evangélica, atenção aos mais débeis e sentido profético na condução do povo de Deus”.
“O acolhimento fraterno, a confiança e o conforto que de si tenho recebido, têm sido um precioso encorajamento nos dias nem sempre fáceis destes últimos tempos. Espero poder continuar a contar com a sua presença, conselho e ajuda ao serviço desta Igreja de Setúbal”, escreve, numa saudação enviada à Agência ECCLESIA.
O terceiro bispo da história da Diocese de Setúbal, criada há 40 anos, recorda também o primeiro prelado a assumir essa missão, D. Manuel Martins, “pastor incansável e grande profeta”.
Num artigo de opinião publicado no Semanário ECCLESIA, a respeito do 40.º aniversário da Diocese de Setúbal, D. Gilberto Reis identificava 12 desafios para esta Igreja local, incluindo o “sonho dum sínodo diocesano”.
Outras apostas de futuro são, por exemplo, o desejo de “progredir na formação”, de se tornar “mais capaz de ajudar” os leigos a “descobrirem e assumirem” a sua missão de ser “luz, fermento e alma cristã na Igreja e no mundo.
A diocese setubalense quer ser uma ‘Igreja sem saída’, com mais tempo e recursos para ir ao encontro das “ovelhas tresmalhadas” e criar novos estilos de vida e de linguagem
D. Gilberto Canavarro dos Reis vai receber a 15 de setembro a Medalha de Prata da cidade de Setúbal, uma das “mais altas distinções locais”, condecoração atribuída a pessoas ou instituições que se destaquem por “serviços excecionais prestados em prol do concelho e dignos de reconhecimento geral”.
O antigo bispo de Setúbal nasceu em Barbadães de Baixo (Diocese de Vila Real); foi ordenado padre em dezembro 1963 e nomeado bispo auxiliar da Diocese do Porto a 16 de novembro de 1988, por São João Paulo II; o mesmo Papa polaco nomeou-o bispo de Setúbal em 1998.

PAPA NOMEOU NOVO BISPO PARA A DIOCESE DE SETÚBAL


D. José Ornelas Carvalho, antigo superior geral dos Dehonianos, sucede a D. Gilberto Reis, que renunciou por motivos de idade

O Papa nomeou hoje como bispo da Diocese de Setúbal D. José Ornelas Carvalho, antigo superior geral dos Dehonianos, de 61 anos, que sucede a D. Gilberto Reis, após este ter renunciado por motivos de idade.
A informação foi comunicada à Agência ECCLESIA pela Nunciatura Apostólica (embaixada da Santa Sé) em Lisboa.
A ordenação episcopal e a tomada de posse do novo bispo estão marcadas para o dia 25 de Outubro; até essa data, o governo da Diocese continua confiado a D. Gilberto dos Reis, agora administrador apostólico.
O bispo eleito nasceu a 5 de janeiro de 1954, no Porto da Cruz (Madeira), tendo feito a sua formação religiosa na Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos); foi ordenado padre na sua terra natal, a 9 de agosto de 1981.
Especialista em Ciências Bíblicas, com o grau de doutor em Teologia Bíblica pela Universidade Católica Portuguesa, foi docente desta instituição académica entre 1983-1992 e 1997-2003.
Na sua Congregação, o novo bispo foi superior da Província Portuguesa, cargo que assumiu a 1 de julho de 2000; foi eleito Superior Geral dos Dehonianos a 27 de maio de 2003, cargo que ocupou até 6 de junho de 2015.
Após estes mandatos, D. José Ornelas Carvalho tinha sido indigitado, a seu pedido, para uma missão em África, como refere na sua primeira mensagem à Diocese de Setúbal.
“O Papa Francisco, que tive ocasião de encontrar pessoalmente, mudou estes planos. Quando me deu a alegria de encontrá-lo, disse-me: ‘Não te imponho, mas peço-te que vás como bispo para Setúbal… mas irás como missionário… a Europa tem necessidade de redescobrir a sua dimensão missionária’. E aqui estou, para assumir convosco esta missão eclesial”, escreve.
D. Gilberto Reis, bispo de Setúbal desde 1998, completou 75 anos de idade a 27 de maio e, de acordo com o Direito Canónico, apresentou ao Papa a renúncia ao serviço episcopal, que Francisco aceitou hoje, ao nomear o seu sucessor.
A diocese sadina foi criada há 40 anos, através da bula (documento oficial) «Studentes Nos», por Paulo VI, e o seu primeiro bispo foi D. Manuel Martins, que desempenhou estas funções entre 1975 e 1998.

Com uma população católica distribuída por 55 comunidades paroquiais, a Diocese de Setúbal tem aproximadamente uma superfície de 1500 Km2 e uma população de 717 mil habitantes, abrangendo 9 concelhos - Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal - e ainda três parcelas territoriais que integram a paróquia da Comporta (freguesia da Comporta, uma parcela da freguesia de Santa Maria do Castelo, ambas pertencentes ao Concelho de Alcácer do Sal; e Tróia, pertencente à freguesia de Carvalhal, Concelho de Grândola).

domingo, 23 de agosto de 2015

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XXI DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Jo. 6,60-69 O Papa Francisco comentando o Evangelho deste XXI domingo do Tempo Comum, disse que hoje se conclui a leitura do sexto capítulo do Evangelho de João, com o discurso sobre o “Pão da vida”. No fim desse discurso, sublinhou o Papa, o grande entusiasmo do dia anterior se apagou, porque Jesus tinha dito ser o Pão que desceu do céu, e que ele iria dar a sua carne como alimento e o seu sangue como bebida, aludindo assim claramente ao sacrifício da sua própria vida. E acrescentou: “Estas palavras provocaram decepção no povo, que as julgou indignas para um Messias, palavras não "vencedoras". E assim, alguns observavam Jesus como um Messias que devia falar e agir de modo que a sua missão tivesse sucesso. Mas precisamente sobre isso eles se enganavam, no modo de entender a missão do Messias!”
Até mesmo os discípulos – prosseguiu Francisco - não conseguem aceitar aquela linguagem inquietadora do Mestre e mostram o seu desconforto com as palavras: “Este discurso é duro, quem o pode escutar?”. Mas na verdade, eles tinham entendido bem o discurso de Jesus, disse, tão bem que não queriam escutá-lo, porque é um discurso que põe em crise a sua mentalidade. Mas Jesus oferece a chave para superar as dificuldades, uma chave composta de três elementos:
“Primeiro, a sua origem divina: Ele desceu do céu e subirá "para onde estava antes"; segundo: as suas palavras só podem ser compreendidas através da “acção do Espírito Santo”, Aquele “que dá a vida”; terceiro: a verdadeira causa da incompreensão das suas palavras é a falta de fé: “Entre vocês há alguns que não acreditam”.
De facto, a partir daquele momento, “muitos dos seus discípulos haviam desistido e perante estas deserções, Jesus não poupa e nem atenua as suas palavras, ao contrário, obriga a fazer uma escolha precisa: ou estar com Ele ou separar-se d’Ele, e diz aos Doze: "Também vós quereis ir embora?”. E é então quando S. Pedro faz a sua confissão de fé em nome dos outros Apóstolos: "Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna".
S. Pedro não diz "onde iremos?", mas "a quem iremos?" – explica o Papa – porque o problema básico não é ir e deixar a obra iniciada, mas é a quem ir. Daquela interrogação de Pedro, entendemos que a fidelidade a Deus é uma questão de fidelidade a uma pessoa, e esta pessoa é Jesus:
“Tudo o que temos no mundo não satisfaz a nossa fome de infinito. Precisamos de Jesus, de estar com Ele, de nos alimentar à sua mesa, das suas palavras de vida eterna! Crer em Jesus significa fazer d’Ele o centro, o sentido da nossa vida. Cristo não é um acessório opcional é o "pão vivo", o alimento essencial.”
E o Papa pediu a cada um dos presentes um momento de silêncio para se interrogar: “quem é Jesus para mim?” Que a Virgem Maria nos ajude a "ir" sempre a Jesus para experimentar a liberdade que ele nos oferece, e que nos permita limpar nossas escolhas das sujeiras mundanas e dos medos – concluiu.

domingo, 16 de agosto de 2015

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XX DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Jo. 6, 51-58 A passagem do Evangelho deste XX domingo do Tempo Comum, do capítulo 6 de S. João, relata que algumas pessoas se escandalizaram porque Jesus disse: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia”.
Segundo o Papa Francisco, Jesus usa o estilo dos profetas para provocar em nós perguntas e decisões. Quando afirma “comer a carne e beber o sangue”, o que significa isto então? É só uma imagem ou é qualquer coisa de real? – perguntou o Santo Padre.
Para termos uma resposta é preciso intuir o que acontece no coração de Jesus enquanto parte o pão para a multidão esfomeada. Sabendo que deverá morrer na Cruz por nós, Jesus identifica-se com aquele pão partilhado e isso torna-se para Ele um ‘sinal’ do sacrifício que o espera – sublinhou o Papa que salientou as palavras de Jesus: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e eu nele”. A comunhão é assimilação, pois tornamo-nos como Jesus. Mas para isso é preciso o nosso sim, a nossa adesão de fé – afirmou o Santo Padre.
“Mas a Eucaristia não é uma oração privada ou uma bela experiência espiritual, não é uma simples comemoração daquilo que Jesus fez na Última Ceia: a Eucaristia é ‘memorial’, ou seja, um gesto que atualiza e torna presente o evento da morte e ressurreição de Jesus: o pão é realmente o seu Corpo dado por nós, o vinho é realmente o seu Sangue versado por nós.”
“A Eucaristia é o próprio Jesus que se dá inteiramente a nós. Nutrirmo-nos d’Ele e morar n’Ele mediante a comunhão eucarística, se o fazemos com fé, transforma a nossa vida num dom a Deus e aos irmãos. Nutrirmo-nos do Pão da Vida significa entrar em sintonia com o coração de Cristo, assimilar as suas escolhas, os seus pensamentos, os seus comportamentos. Significa entrar num dinamismo de amor e tornarmo-nos pessoas de paz, de perdão, de reconciliação, de partilha solidária.”

domingo, 2 de agosto de 2015

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)

 
Jo 6,24-35 Sobre o Evangelho deste XVIII domingo do tempo comum o Papa Francisco recordou que depois da multiplicação dos pães – conforme conta o Evangelista João - as pessoas puseram-se à procura de Jesus e  acabaram por encontra-Lo em Cafarnaum.  Jesus compreendeu logo o motivo de tanto entusiasmo da parte do povo e declarou-o  claramente:
“Vocês estão à minha procura não porque vistes sinais, mas porque comestes daqueles pães e vos saciastes”.
Na realidade – disse o Papa – aquelas pessoas procuram o pão material que no dia precedente tinha aplacado a sua fome. Não compreenderam que aquele pão partido para muitos, era expressão do amor do próprio Jesus. Deram mais valor ao pão do que ao seu doador.
Perante esta cegueira espiritual – prosseguiu o Papa – Jesus põe em evidencia a necessidade de ir para além da satisfação das necessidades imediatas, das próprias necessidades materiais, embora sejam essenciais.  O Filho de Deus convida a ir para além das necessidades imediatas, do comer, do vestir, do sucesso, da carreira, para se olhar para algo de incorruptível, e exorta:
“Empenhai-vos não para a alimentação que não dura, mas para a alimentação que permanece para a vida eterna e que o Filho do homem vos dará”.
Jesus quer fazer compreender, com estas palavras – frisou o Papa – que a fome física da pessoa humana, traz consigo algo de mais importante, que não pode ser saciado com a comida ordinária.
“Trata-se de fome de vida, de eternidade que Ele só pode saciar, na medida em que é “o pão da vida”.
O Papa chama também a atenção para o facto de Jesus não eliminar a preocupação da procura do pão quotidiano, mas recorda simplesmente que “o verdadeiro significado da nossa existência terrena está na eternidade, e que a história humana com os seus sofrimentos e as suas alegrias deve ser vista num horizonte de eternidade, isto é, naquele horizonte do encontro definitivo com Ele. E esse encontro ilumina todos os dias da nossa vida. Se nós pensarmos nesse encontro, nesse grande dom, os pequenos dons da vida, mesmo os sofrimentos e as preocupações serão iluminados, na esperança  deste encontro”.
Jesus é pão vivo descido dos Céus, apresenta-se a nós como único e verdadeiro significado da existência humana – frisou ainda o Papa, acrescentando que é o próprio Jesus a explicar o significado da existência do ser humano:
“Eu sou o pão da vida, quem vive em mim não terá fome e que crê em mim não terá sede, nunca!”
O Papa indicou nisto uma referência à Eucaristia, o grande dom que sacia a alma e o corpo. “Encontrar e acolher em nós Jesus, ‘pão da vida’, dá significado e esperança ao caminho tortuoso da vida. Mas este “pão da vida” é-nos dado para que possamos, por nossa vez,  saciar a fome espiritual e material dos irmãos, anunciando o Evangelho onde quer que seja, mesmo nas periferias existenciais. Com o testemunho das nossas atitudes fraternas e solidárias em relação ao próximo, tornamos presente Cristo e o seu amor por meio dos homens”
O Papa concluiu dizendo que temos muita necessidade de Deus na nossa existência quotidiana! Tanto nos dias de trabalho e de preocupações, como nos dias de férias. O Senhor convida-nos a não esquecer que, se por um lado é justo preocupar-se com o pão material, por outro, para consolidar as forças, é ainda mais necessário potenciar a nossa fé em Cristo, “pão da vida” que sacia o nosso desejo de verdade, de justiça e de consolação.
E o Papa pediu à Virgem Maria para nos apoiar na procura e na sequela do seu Filho Jesus, o “pão verdadeiro” que não se corrompe e dura para a vida eterna.

domingo, 26 de julho de 2015

P. GONÇALO MACHADO SJ. A COLABORAR NA PARÓQUIA DE S. FRANCISCO XAVIER DE CAPARICA A PARTIR DE SETEMBRO


A partir de Setembro a Paróquia e o pároco contarão com a colaboração do P. Gonçalo Machado SJ. que será também o novo Director do Centro Juvenil.
O Centro Juvenil é uma "obra social" que está integrada e depende da Paróquia S. Francisco Xavier de Caparica, confiada aos jesuítas.
A Companhia de Jesus está continuamente em discernimento apostólico e, como tal, algumas vezes para concretizar a sua missão, o Padre Provincial (responsável máximo dos jesuítas) vai actualizando e redefinindo as missões individuais de cada jesuíta. 

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XVII DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)



Jo 6,1-5 O Papa Francisco comentou o Evangelho deste domingo, que apresenta o grande sinal da multiplicação dos pães, na narração do  evangelista João.
Jesus encontra-se na margem do mar da Galileia, e está rodeado por uma grande multidão. Ele coloca um dos discípulos à prova, perguntando-lhe o que fazer para matar a fome de toda aquela gente. Filipe, um dos Doze, faz um rápido cálculo: organizando uma coleta, se poderá obter no máximo duzentos denários para comprar pão, que todavia não seriam suficientes para dar de comer a cinco mil pessoas.
Os discípulos raciocinam em termos de “mercado” – disse o Papa –, mas Jesus substitui a lógica do comprar por aquela do dar. A seguir, André apresenta um menino que coloca à disposição tudo o que tem: cinco pães e dois peixes. Jesus esperava justamente isso: ordena aos discípulos que acomodem as pessoas, depois tomou aqueles pães e aqueles peixes, deu graças ao Pai e os distribuiu.
Esses gestos, afirmou Francisco, antecipam os da Última Ceia, que dão ao pão de Jesus o seu significado mais profundo e mais verdadeiro. “O pão de Deus é o próprio Jesus. Fazendo a Comunhão com Ele, recebemos a sua vida em nós e nos tornamos filhos do Pai celeste e irmãos entre nós.”
Para o Pontífice, por mais pobres que sejamos, todos podemos doar algo. “’Fazer a Comunhão’ significa também receber de Cristo a graça que nos torna capazes de compartilhar com os outros aquilo que somos e aquilo que temos.”
A multidão fica impressionada com o prodígio da multiplicação dos pães; mas o dom que Jesus oferece, acrescentou o Papa, é a plenitude de vida para o homem faminto.
“Jesus sacia não somente a fome material, mas aquela mais profunda, a fome de sentido da vida, a fome de Deus”, explicou.
Diante do sofrimento, da solidão, da pobreza e das dificuldades de tantas pessoas, lamentar-se não resolve nada, mas podemos oferecer aquele pouco que temos. “Certamente temos algumas horas de tempo, algum talento, alguma competência... Quem de nós não tem os seus “cinco pães e dois peixes”? Se estamos dispostos a colocá-los nas mãos do Senhor, serão suficientes para que no mundo haja um pouco mais de amor, de paz, de justiça e, sobretudo, de alegria. Deus é capaz de multiplicar os nossos pequenos gestos de solidariedade e tornar-nos participantes do seu dom.”
O Papa concluiu fazendo votos de que jamais falte a alguém o Pão do céu que doa a vida eterna e o necessário para uma vida digna, e se afirme a lógica da compartilha e do amor. 

domingo, 19 de julho de 2015

REFLEXÃO DO PAPA FRANCISCO SOBRE O EVANGELHO DO XVI DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 6,30-34 O Evangelho de S. Marcos propõe-nos neste domingo um olhar de Jesus de singular intensidade – afirmou o Santo Padre na oração do Angelus desta manhã– quando Jesus vê a grande multidão que o segue e deles teve compaixão, começando a ensinar-lhes.
Jesus tinha levado os apóstolos para descansarem num lugar isolado, mas a multidão também para ali se dirigiu. Jesus compara esta gente a um rebanho sem pastor e são três os verbos que o evangelista usa para descrever esta cena como num fotograma – salientou o Papa: ver, ter compaixão e ensinar:
“Retomemos os três verbos deste sugestivo fotograma: ver, ter compaixão e ensinar. Ali podemos chamar os verbos do Pastor. O primeiro e o segundo estão sempre associados à atitude de Jesus: efetivamente, o seu olhar não é o olhar de um sociólogo ou de um foto-repórter, porque olha sempre com os olhos do coração. Estes dois verbos, ver e ter compaixão, configuram Jesus como Bom Pastor. Também a sua compaixão não é um sentimento humano, mas é a comoção do Messias no qual se fez carne a ternura de Deus. E desta compaixão nasce o desejo de Jesus de nutrir a multidão com o pão da sua Palavra.”

domingo, 12 de julho de 2015

CRISMAS 2015 (FOTOS)


O Senhor Bispo de Setúbal esteve, hoje, na Paróquia para crismar 20 jovens e adultos. Para além do Pároco, concelebraram outros dois sacerdotes. 







Este grupo chegou até aqui depois de uma caminhada de preparação que esteve a cargo dos catequistas Luís e Maló - que hoje eram dois catequistas orgulhosos e satisfeitos pelo trabalho realizado.


O Senhor Bispo de Setúbal, antes da bênção final, felicitou a todos e dirigiu a todos uma palava de ânimo e incentivo à missão.


Houve tempo ainda para as fotos de grupo.




o grupo de 10º catecismo


o grupo de adultos no dia do Retiro para o Crisma 




REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO XV DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 6,7-13 No Evangelho deste XV domingo do Tempo Comum, Jesus envia os discípulos em missão. Essa missão – que está no prolongamento da própria missão de Jesus – consiste em anunciar o Reino e em lutar objetivamente contra tudo aquilo que escraviza o homem e que o impede de ser feliz. Antes da partida dos discípulos, Jesus dá-lhes algumas instruções acerca da forma de realizar a missão. Convida-os especialmente à pobreza, à simplicidade, ao despojamento dos bens materiais. Também nos tempos que correm, Deus continua a actuar assim no mundo, chamando e enviando os homens e mulheres de hoje como testemunhas do seu projeto de salvação. E esses "enviados" devem ter como grande prioridade a fidelidade ao projeto de Deus e não a defesa dos seus próprios interesses ou privilégios.

domingo, 5 de julho de 2015

REFLEXÃO SOBRE O EVANGELHO DO XIV DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)


Mc 6,1-6 O texto do Evangelho repete uma ideia que aparece também nas outras duas leituras deste domingo: Deus manifesta-Se aos homens na fraqueza e na fragilidade. Normalmente, Ele não se manifesta na força, no poder, nas qualidades que o mundo acha brilhantes e que os homens admiram e endeusam; mas, muitas vezes, Ele vem ao nosso encontro na fraqueza, na simplicidade, na debilidade, na pobreza, nas situações mais simples e banais, nas pessoas mais humildes e despretensiosas. É preciso que interiorizemos a lógica de Deus, para que não percamos a oportunidade de O encontrar, de perceber os seus desafios, de acolher a proposta de vida que Ele nos faz…
• Um dos elementos questionantes no episódio que o Evangelho deste domingo nos propõe é a atitude de fechamento a Deus e aos seus desafios, assumida pelos habitantes de Nazaré. Comodamente instalados nas suas certezas e preconceitos, eles decidiram que sabiam tudo sobre Deus e que Deus não podia estar no humilde carpinteiro que eles conheciam bem. Esperavam um Deus forte e majestoso, que se havia de impor de forma estrondosa, e assombrar os inimigos com a sua força; e Jesus não se encaixava nesse perfil. Preferiram renunciar a Deus, do que à imagem que d’Ele tinham construído. Há aqui um convite a não nos fecharmos nos nossos preconceitos e esquemas mentais bem definidos e arrumados, e a purificarmos continuamente, em diálogo com os irmãos que partilham a mesma fé, na escuta da Palavra revelada e na oração, a nossa perspectiva acerca de Deus.
• Para os habitantes de Nazaré Jesus era apenas “o carpinteiro” da terra, que nunca tinha estudado com grandes mestres e que tinha uma família conhecida de todos, que não se distinguia em nada das outras famílias que habitavam na vila; por isso, não estavam dispostos a conceder que esse Jesus – perfeitamente conhecido, julgado e catalogado – lhes trouxesse qualquer coisa de novo e de diferente… Isto deve fazer-nos pensar nos preconceitos com que, por vezes, abordamos os nossos irmãos, os julgamos, os catalogamos e etiquetamos… Seremos sempre justos na forma como julgamos os outros? Por vezes, os nossos preconceitos não nos impedirão de acolher o irmão e a riqueza que Ele nos traz?
• Jesus assume-Se como um profeta, isto é, alguém a quem Deus confiou uma missão e que testemunha no meio dos seus irmãos as propostas de Deus. A nossa identificação com Jesus faz de nós continuadores da missão que o Pai Lhe confiou. Sentimo-nos, como Jesus, profetas a quem Deus chamou e a quem enviou ao mundo para testemunharem a proposta libertadora que Deus quer oferecer a todos os homens? Nas nossas palavras e gestos ecoa, em cada momento, a proposta de salvação que Deus quer fazer a todos os homens?
• Apesar da incompreensão dos seus concidadãos, Jesus continuou, em absoluta fidelidade aos planos do Pai, a dar testemunho no meio dos homens do Reino de Deus. Rejeitado em Nazaré, Ele foi, como diz o nosso texto, percorrer as aldeias dos arredores, ensinando a dinâmica do Reino. O testemunho que Deus nos chama a dar cumpre-se, muitas vezes, no meio das incompreensões e oposições… Frequentemente, os discípulos de Jesus sentem-se desanimados e frustrados porque o seu testemunho não é entendido nem acolhido (nunca aconteceu pensarmos, depois de um trabalho esgotante e exigente, que estivemos a perder tempo?)… A atitude de Jesus convida-nos a nunca desanimar nem desistir: Deus tem os seus projectos e sabe como transformar um fracasso num êxito. (Portal dos dehonianos)